sexta-feira, 25 de maio de 2018

Cruzeiro Silver Whisper irá passar por 62 portos de 32 países


Com data de início prevista para  2020, o luxuoso Silver Whisper da Silversea vai parar em 62 portos de 32 países, em todos os continentes, desde a Antártica - a última grande área selvagem da Terra - até os fiordes do norte e do sul da Noruega, segundo anúncio da companhia.
O itinerário começa no porto de Fort Lauderdale, na Flórida, de onde o navio parte em direcção à Argentina. De lá, o transatlântico mergulhará para a Península Antártica, para que os passageiros passem uma manhã imersos na paisagem do outro mundo.
Depois, segue para a Ásia, onde os passageiros podem aproveitar as praias de areia branca de Phuket, na Tailândia, explorar os templos, classificados pela UNESCO, de Colombo, no Sri Lanka, e desfrutar de Mumbai na Índia.
A rota da Ásia termina no Médio Oriente, onde os viajantes podem descobrir a cidade perdida de Petra, na Jordânia e Mascate - a capital de Omã que foi a maior base da armada portuguesa no Médio Oriente -  antes de voltarem para a Europa, indo para Sicília, Roma, Barcelona e Lisboa.
O segmento final do itinerário leva os passageiros de Dublin numa viagem pelo norte da Europa onde não ficam de fora os cênicos fiordes noruegueses, assim como as ilhas de Orkney e Edimburgo, na Escócia, antes de chegar a Amesterdão, onde a viagem termina.
Durante a viagem, os turistas terão a oportunidade de fazer várias excursões terrestres. Por exemplo, na Flórida, há a opção de fazer um passeio de vida selvagem em Everglades ou visitar um centro de resgate de flamingos. Enquanto na Patagônia é possível fazer passeios de helicóptero e a cavalo.
O Silver Whisper da Silversea pode transportar 382 passageiros e 302 tripulantes e as comodidades a bordo incluem dois restaurantes, casino, spa, ginásio, pista de atletismo e piscina.
Não é o cruzeiro mais longo da história. Essa distinção vai para o pacote de 357 dias anunciado pela Munday Cruising em 2016. Esse itinerário também cobriu todos os sete continentes, é feito com vários navios de cruzeiro, em que o viajante pode ir a casa entre uma viagem e outra.
Fonte: Viagens Sapo

ONU alerta para perigo da pesca fantasma nos Oceanos



FAO - Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura em conjunto com a ONU Meio Ambiente, alerta para a “pesca fantasma”, que ocorre quando o equipamento perdido ou abandonado por pescadores nos oceanos permanece capturando espécimes colocando em risco a vida marinha. Segundo dados recolhidos, calcula-se que cerca de 10% de todo o lixo deixado no mar é resultado dos restos de material de pesca perdidos ou abandonados. No total, cerca de 640 mil toneladas deste equipamento é perdido nos oceanos todos os anos. Além dos prejuízos para a fauna e o meio ambiente, a pesca fantasma representa uma ameaça à subsistência de milhões de pessoas que vivem da pesca em todo o mundo. Este material mata peixes e outras espécies, como baleias, golfinhos, focas e tartarugas. Também prejudica o fundo do mar e o ambiente marinho, criando problemas de navegação quando preso nas hélices, cascos ou lemes de embarcações. Este lixo também chega ao litoral, tornando-se um perigo para pássaros, caranguejos, tartarugas e outras espécies costeiras. O material de pesca acaba largado no mar por diferentes razões, incluindo mau tempo, acidentes, negligência, ou mesmo abandono por estar danificado ou não interessar mais. A agência sugere marcar o equipamento com o nome do dono para facilitar a sua recuperação. Também propõe não responsabilizar o culpado, como forma de aumentar as denúncias e a probabilidade de recuperar o material. Combater a pesca ilegal, dar incentivos financeiros para a devolução, e usar novas tecnologias, como dispositivos de localização, são outras sugestões. A FAO também acredita que os portos devem ser equipados com equipamentos de recolha do material perdido e com locais específicos onde o material possa ser despejado. A FAO diz que a pesca fantasma prejudica o finalizar dos 17 Objectivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, mais especificamente o Objectivo Número 2 que é acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. Isto porque cerca de 200 milhões de pessoas em todo o mundo dependem da pesca ou da aquacultura para a sua subsistência, e a pesca fantasma reduz os stocks de pescado.

Projecto global quer mapa completo dos oceanos


Geólogos fizeram o mapa de cadeias montanhosas, desertos e florestas. Astrónomos desbravaram o céu. Mas os oceanos do planeta continuam em grande parte inexplorados. Há quem diga que conhecemos melhor a Lua ou até mesmo Marte do que nosso próprio fundo do mar.
O terreno marinho desempenha um papel fundamental no ecossistema. Relevos e vales submersos determinam padrões climáticos e correntes marítimas; a topografia do oceano influencia a pesca, que alimenta milhões de pessoas; quilómetros de cabos subaquáticos ligam biliões de indivíduos à internet; montes submarinos oferecem protecção contra ameaças costeiras, como possíveis furacões ou tsunamis, e podem até dar pistas sobre a movimentação pré-histórica dos continentes ao sul do planeta.
Em 2017, uma equipa internacional formada por especialistas de diversas partes do mundo deu o pontapé inicial para elaborar um mapa completo de todos os oceanos, como parte do projecto sem fins lucrativos Gráfico Barométrico Geral dos Oceanos (Gebco, na sigla em inglês).
Enquanto os primeiros oceanógrafos se esforçavam para vasculhar o fundo dos oceanos de nó (1 milha náutica – 1,852 km – por hora) em nó, os avanços recentes na tecnologia sonar permitem que uma única embarcação forneça milhares de quilómetros quadrados de mapas de alta resolução durante uma única expedição.
Mas as tão esperadas descobertas subaquáticas não são apenas de interesse dos cartógrafos ou investigadores marinhos. Muito abaixo da superfície do oceano há um tesouro enterrado: metais preciosos, elementos de terras-raras, petróleo e diamantes – riquezas que até hoje são inacessíveis, inclusive para os exploradores mais obstinados.

Alguns ambientalistas temem que a criação do mapa permita às indústrias extrativas lucrar com esses recursos naturais, colocando em risco habitats marinhos e comunidades costeiras.

Um mapa batimétrico global – isto é, um levantamento completo do fundo do oceano - certamente oferecerá uma compreensão melhor do nosso Planeta Azul, mas também pode nos levar a um universo outrora reservado à ficção científica: robôs submarinos, vulcões subaquáticos, joias marinhas, corais com propriedades farmacêuticas, plumas de sedimentos tóxicos e empreendimentos oceânicos desprovidos de seres humanos ou embarcações.

A questão é: uma vez que o mapa estiver pronto, será que ele vai ser usado como uma ferramenta em prol da conservação e do gerenciamento responsável? Ou como um "mapa do tesouro", funcionando como um guia para exploração e extração?

Apenas 15% do oceano do planeta é mapeado. Basta acessar o Google Earth e dar um zoom no meio do Pacífico, por exemplo. Você vai encontrar uma representação do fundo do mar com base na barometria por satélite e derivada da gravidade: de baixa resolução, indirecta e muitas vezes imprecisa. Considerando que mapeamos o Sistema Solar e o genoma humano, é surpreendente que não haja nenhum levantamento do fundo do mar. Mas a razão é simples: os oceanos são vastos, profundos e praticamente impenetráveis – a água fica literalmente no caminho dos investigadores.

Durante séculos, mapear as profundezas do oceano significava enfrentar o alto mar, pendurar linhas de prumo na lateral do navio (para determinar a profundidade) e depois traçar as descobertas essenciais em mapas cartográficos. Os marinheiros transformaram os seus levantamentos em mapas já no século 16, mas naquela época não existiam padrões internacionais para terminologias ou escalas, o que significa que os primeiros mapas não eram apenas ferramentas rudimentares de navegação, mas também confusos e contraditórios.
Só a partir do virar do século 20, época marcada pelo crescente interesse no mundo natural, que um grupo de geógrafos se reuniu sob a liderança do príncipe Albert 1º, de Mónaco, para criar os primeiros gráficos internacionais do oceano - que, mais tarde, dariam origem ao Gebco. O príncipe estava fascinado pela relativamente nova ciência da oceanografia e encomendou quatro iates de pesquisa para explorar o Mediterrâneo.

Mais de 100 anos depois, o Gebco e a Nippon Foundation anunciaram formalmente o lançamento do Seabed 2030, projecto colaborativo que tem como objectivo mapear todo o fundo do mar até 2030. A ideia é usar dados recolhidos de embarcações ao redor do mundo - incluindo levantamentos das primeiras expedições.
Os navios modernos, como os usados na empreitada, são equipados actualmente com barometria multifeixe – sistema sonar que emite ondas sonoras em forma de leque sob o casco da embarcação. Cada feixe sonar mede o tempo que leva para um sinal atingir o fundo do mar e retornar à superfície, calculando assim a profundidade da água, que pode ser marcada como uma coordenada em uma matriz de dados barométricos.

"Os múltiplos feixes ampliam a área do mapa e nos oferecem uma cobertura maior", explica Vicki Ferrini, presidente do subcomite do Gebco para mapeamento submarino.

A maioria dos navios já conta com a tecnologia sonar para identificar obstáculos e navegar, mas as embarcações com multifeixes aumentam consideravelmente a área do fundo do mar que os pesquisadores podem rastrear.

"É como aparar a relva com um cortador motorizado em vez de usar um equipamento manual", compara Ferrini.
Parte do problema, no entanto, é que as "vias" marítimas são muito parecidas com as rodovias: certas rotas possuem tráfego intenso, enquanto outros sequer têm rotas. Ou seja, grandes extensões do oceano não contam com um fluxo regular de embarcações. Um navio que faz a rota Havaí – Japão, por exemplo, oferece dados valiosos sobre o trajecto, mas missões planeadas para águas mais remotas são igualmente importantes.

"Um levantamento barométrico feito com múltiplos feixes modernos vai muito além de apenas dirigir um navio ao redor do oceano", diz o contra-almirante Shepard Smith, Director do Escritório de Pesquisa Costeira da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, em inglês), que contribui para o Seabed 2030.

"Os dados do sonar são valiosos, mas particularmente em áreas onde não temos nada."
"No Pacífico ou no Ártico, por exemplo, linhas de rastreamento individuais podem ser bastante úteis para entender melhor as áreas mal mapeadas", acrescenta.
O Gebco espera mitigar esse problema incentivando navios de carga, barcos de pesca e embarcações de lazer a participarem do projecto, transmitindo os seus dados em tempo real e transformando o mapa submarino efectivamente num crowdsourcing (conteúdo colaborativo, criado pelos usuários).

A organização também oferece uma espécie de "livro de receitas": um manual de referências técnicas sobre a construção de grades batimétricas, que pode ajudar os países em desenvolvimento a usar os conhecimentos compartilhados.

Os colaboradores também são convidados a sugerir nomes para vários elementos subaquáticos - colinas, cumes, recifes, caldeiras e valas, para citar alguns - enviando uma carta à Organização Hidrográfica Internacional, em Mónaco.

O mapa vigente está baseado no Data Center Oceanográfico Britânico, no Reino Unido. E pode ser acessado por meio de um aplicativo marítimo para o sistema operacional iOS.

"Todo mundo – de investigadores a formuladores de políticas públicas e o público em geral – pode acessar os dados actuais", observa Helen Snaith, líder do Centro Global do SeaBed 2030.

Talvez nenhuma expedição moderna revele a complexidade do mapeamento dos oceanos em águas profundas de forma mais impressionante que a busca pelo avião da Malaysian Airlines (MH370), desaparecido desde 2014. As investigações indicam que a aeronave, que seguia em direcção a Pequim, caiu numa área remota do Oceano Índico. A região era tão mal mapeada que as equipas de resgate tiveram que fazer um levantamento básico da área de busca antes de elaborar um mapa mais preciso com resolução suficiente para detectar os destroços.

E, na verdade, a região era profunda demais para ser explorada com o mapeamento baseado em navios. Em águas mais rasas, rebocadores equipados com sonar são puxados por uma embarcação tripulada, mas a profundidade do Oceano Índico, o clima de monções e as fortes correntes marítimas tornam quase impossível a navegação de veículos rebocados. Então, em vez disso, os peritos enviaram uma frota de veículos subaquáticos autónomos (AUVs, na sigla em inglês).

Embora a robótica submarina ainda esteja a avançar, as pesquisas em águas profundas dependem cada vez mais de submarinos para vasculhar o leito marinho em busca de um mapeamento mais detalhado.

"Os AUVs apresentam muitas vantagens", diz James Bellingham, diretor do Instituto Woods Hole de Robótica Marinha, em Massachusetts, nos EUA.

"Eles são mais rápidos, fornecem inspecções do fundo do mar em alta resolução, incluindo avaliação de risco, reduzem os custos iniciais de capital e proporcionam maior acesso ao oceano", explica.
Um sistema barométrico de múltiplos-feixes apropriado custa muitos milhões de dólares e requer operadores treinados para classificar os dados, uma vez que os navios, por definição, flutuam na superfície do oceano – não abaixo dele.

Os AUVs, por outro lado, não são tão caros e são idealmente adequados para grandes extensões de águas remotas e abertas. Investigadores estão projectando actualmente novos modelos que podem ser lançados da terra e precisam ser alimentados apenas por baterias. É claro que esses activos também apresentam riscos: as baterias precisam ser recarregadas, os sistemas de navegação devem ser monitorizados a partir de navios próximos e um AUV avariado deve ser levado de volta ao porto para manutenção.

Segundo Bellingham, "no futuro, um veículo autónomo de superfície poderá rebocar veículos subaquáticos", eliminando assim os seres humanos de todos os aspectos do mapeamento no mar.

O Oceano Índico é conhecido, em sânscrito, como Ratnakara, que seria "mina de pedras preciosas". O nome é de facto profético: entre as montanhas e vales submarinos deste longínquo oceano estão escondidos grandes reservatórios de recursos naturais, incluindo ligas metálicas raras, petróleo, fontes hidrotermais e até diamantes. Esse tesouro subaquático já está no radar comercial - e um punhado de exploradores começou a fazer seus próprios mapas de alta resolução do fundo do mar.

Segundo Ferrini, essas informações podem ser valiosas para os pesquisadores. E as empresas petrolíferas, mineradoras e de análises sísmicas podem decidir partilhar dados reduzidos ou com resolução mais baixa para o mapa do Gebco, protegendo os seus interesses comerciais e acrescentando informações importantes ao projecto de 2030.

 Por exemplo, o grupo De Beers, corporação internacional especializada em mineração de diamantes, fechou uma parceria com o governo da Namíbia há mais de 20 anos para explorar diamantes ao longo da costa do país, rico em minerais. Recentemente, a companhia acrescentou à sua frota naval vários AUVs - parte de um sistema de perfuração e mineração que pode vasculhar a superfície do fundo do mar, soltar sedimentos profundos do leito marinho em busca de diamantes brutos e transportá-los por centenas de metros até a superfície.

Enquanto a mineração de ouro, estanho e diamantes em águas rasas é um empreendimento realizado há décadas, a mineração comercial em águas profundas é uma indústria nova. E o seu impacto ambiental ainda é desconhecido. Os cientistas prevêem, entre outras coisas, a degradação do habitat natural, com recuperação lenta e incerta, vazamento químico nos transportes e extinção de espécies.

Um porta-voz da De Beers afirmou, por sua vez, que a empresa "não faz mineração em áreas consideradas com alta diversidade de vida marinha".

"A recuperação do leito marinho (após a mineração) ocorre naturalmente durante um determinado tempo e é auxiliada pelo sedimento que nós devolvemos para o fundo do mar", acrescentou.
Ainda assim, os incentivos económicos do sector frequentemente superam as preocupações com segurança ambiental. Metais de terras raras encontrados em águas profundas são usados em tudo – de telefones celulares e DVDs a baterias recarregáveis, ímans, memória de computador e iluminação fluorescente. E, como as reservas terrestres de petróleo estão esgotando rapidamente, a exploração de poços em águas profundas torna-se uma perspectiva cada vez mais tentadora.
"É uma corrida", diz Bellingham.
"Uma corrida para se chegar a uma compreensão básica do nosso oceano, antes de alterá-lo dramaticamente. Já perdemos essa corrida no Ártico: a vida marinha que vivia no gelo não sobrevive mais", ressalta.
Além dos efeitos óbvios da mudança climática, parte das nossas águas também se tornou vítima da "urbanização oceânica": o fundo do mar está repleto de oleodutos, cabos submarinos de fibra óptica e espaços para aquicultura – o que sugere que estamos ansiosos para explorar as nossas águas antes mesmo de conhecê-las adequadamente.

Com ou sem mapa, as leis marítimas internacionais restringem actualmente a mineração em águas profundas a mais de 200 milhas da costa - distância a partir da qual os países não têm mais jurisdição sobre suas águas. A Convenção das Nações Unidas (ONU) sobre o Direito do Mar é o arcabouço jurídico que define os direitos e deveres dos Estados no uso e exploração dos oceanos.

O Artigo 76 da Convenção refere-se repetidamente à "plataforma continental", extensões de terra submersas que terminam nos "abismos" oceânicos. A lei estabelece que a vida marinha deve ser protegida e que a receita proveniente de qualquer empreendimento de mineração nesta região deve ser partilhada com a comunidade internacional.

O oceano profundo é o maior e menos compreendido habitat de vida animal e vegetal na Terra. Dois terços do nosso planeta correspondem a um paraíso marinho de beleza e mistério. São regiões caracterizadas pela alta pressão, baixas temperaturas e escuridão quase constante. Mas abrigam uma variedade de criaturas surpreendentes - o polvo-dumbo, a lula-vampira-do-inferno, o tubarão-fantasma, caranguejos-aranha, corais e enguias eléctricas - organismos fora do comum que apresentam adaptações evolutivas impressionantes.

Embora esses habitantes subaquáticos tenham mudado pouco desde a era dos dinossauros, eles não são muito resistentes. Demoram a se reproduzir e são altamente sensíveis a distúrbios.

Um atlas submarino internacional requer a cooperação de diferentes partes que têm objectivos distintos (e muitas vezes opostos): de autoridades do governo e oceanógrafos a operadores de submarinos militares, pescadores e mineradores offshore. Uma vez que as informações barométricas detalhadas forem divulgadas, medidas preventivas devem ser tomadas para proteger tanto o mapa quanto a paisagem que ele descreve.

"Um mapa de alta resolução é um investimento na gestão responsável do fundo do mar nos próximos séculos", diz o contra-almirante Smith.
De fato, a preservação dos oceanos depende de uma administração consciente - especialmente quando nos voltamos para suas profundezas em busca de recursos naturais que não conseguimos mais encontrar em terra.

Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

31,4% dos stocks marinhos estão em sobrepesca e 58,1% esgotados


55% dos Oceanos Mundiais estão a ser alvo de pesca, sendo que isto equivale a quatro vezes mais do que a área ocupada para agricultura. 31,4% dos stocks marinhos encontram-se em sobrepesca e 58,1% completamente esgotados. Os dados foram revelados pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, a propósito do Dia Europeu do Mar.
Este dia é celebrado anualmente desde 2008, e foi designado pela Comissão Europeia, pelo Conselho e Parlamento Europeu.
Este ano de 2018 o evento foi realizado em Burgas, na Bulgária. Em 2019, por proposta do Governo de Portugal, as celebrações deste dia terão lugar em Lisboa.
O Dia Europeu do Mar foi criado para enaltecer a importância dos oceanos e mares para toda a sociedade, colocando em debate as oportunidades e desafios que estes enfrentam ao nível do Continente Europeu.
«À medida que a população mundial cresce, principalmente nas últimas décadas, a dependência da proteína que é obtida do Mar tem aumentado exponencialmente», salienta a Quercus em comunicado.
Os dados recolhidos sobre os stocks marinhos «evidenciam que, enquanto a maioria dos Países parece pescar predominantemente dentro de suas próprias zonas económicas exclusivas (ZEE), 85% da pesca em mar alto é realizada pela China, Espanha, Taiwan, Japão e Coreia do Sul, sendo que a China apresenta de longe a maior percentagem».
Além da sobrepesca dos stocks, «existe ainda o problema associado às pescas acidentais, designadas por bycatch, que colocam ainda mais pressão sobre as populações de peixes, afetando espécies chave para o equilíbrio dos ecossistemas».
A pressão colocada sobre os mares e oceanos «provem de várias fontes e as suas problemáticas têm de ser abordadas sobre vários aspectos, quer em termos de políticas, de investigação e de economia», acrescenta a Quercus.
«Têm de ser analisadas as diferentes fontes de ameaças, quer ao nível da pesca, da poluição, das alterações climáticas e das diversas atividades humanas que dependem do Mar e dos Oceanos», diz ainda aquela associação ambientalista.
Por isso, defende a Quercus, «é necessário e impreterível que se adopte medidas mais activas para assegurar o uso sustentável dos recursos marinhos. São necessárias políticas de gestão sustentável das pescas nacionais e internacionais, para que parte dos problemas que os oceanos e mares enfrentam a nível Mundial seja efectivamente resolvidos».


Oceanário de Lisboa. Há 20 anos a dar a conhecer o fundo dos oceanos


É uma das atracções mais emblemáticas da Expo 98 e continua a deslumbrar os visitantes como no primeiro dia. Falou-se com o CEO do Oceanário de Lisboa sobre os 20 anos de existência do aquário. João Falcato refere que, agora, a principal missão é a conservação dos oceanos 
Com mais de oito mil organismos, entre animais e plantas, de mais de 500 espécies diferentes, o Oceanário de Lisboa permite-nos fazer uma viagem ao mundo subaquático. Àquilo que os olhos veem junta-se o que os ouvidos captam. A visita aos vários aquários é sempre acompanhada por sons que nos remetem para os diferentes habitats que vamos conhecendo. Foi neste ambiente que o i falou com João Falcato, CEO do Oceanário de Lisboa, sobre a celebração dos 20 anos de existência do aquário.
Inaugurado em 1998 com a Expo – cujo tema foi “Os oceanos, um património para o futuro” –, o Oceanário eternizou a ligação de Lisboa com o oceano e tornou-se um dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade. “Além do objectivo de trazer o mar de volta a Portugal, a ideia era também reformular toda uma área da cidade. Esses dois objectivos, em conjunto, passavam muito pelo equipamento do oceanário”, conta João Falcato. 
De acordo com o biólogo marinho – que acompanhou o projecto do oceanário desde o início –, quando se pensou em revitalizar a área do agora chamado Parque das Nações concluiu-se que era necessário construir um equipamento que fizesse o pós-Expo funcionar, continuando a trazer visitantes todos os dias. O Oceanário nasceu também com esse propósito e, para João Falcato, o objectivo foi cumprido. “Foi um grande sucesso. Fechámos durante 15 dias (depois de a Expo terminar), voltámos a abrir e tivemos logo mais de um milhão de visitantes no primeiro ano. Isso fez com que toda esta área nunca morresse e tornou a Expo em Portugal, do que eu sei, o maior sucesso histórico. Não há nenhuma Expo que tenha tido tanto sucesso no pós-Expo. A estratégia de criar um equipamento que trouxesse a esta zona da cidade muita gente e revitalizasse a vida aqui funcionou”, explica.
João Falcato conta que o início foi um grande desafio e teve as dificuldades inerentes à construção de um projecto desta dimensão. “Os desafios passaram, por exemplo, pelo transporte dos animais, como um tubarão que está cá desde 1998 e já era grande. Agora está só um bocadinho maior. Pensámos: ‘Como é que eu o trago do outro lado do mundo?’ Era preciso ter em conta toda a tecnologia e todas as ferramentas necessárias para que o transporte corresse bem, para que os animais estivessem bem e para que o seu bem-estar estivesse garantido”, descreve o CEO. 
Seis meses antes da abertura foram postos os primeiros peixes no aquário do Oceanário de Lisboa, algo que João Falcato afirma que não aconteceu nos outros projectos deste tipo espalhados pelo mundo. O CEO refere que foi tudo muito bem planeado na criação do Oceanário de Lisboa e que o bom funcionamento se mantém. “Hoje olhamos para estes animais e estão perfeitos. Passados 20 anos, estão aqui extremamente saudáveis e com comportamentos completamente naturais. Toda a planificação para trazer para aqui um ecossistema novo e trazer animais dos quatro oceanos para que o público que nos visita possa perceber a beleza que existe debaixo de água funcionou muito bem”, afirma.
Turismo O oceanário tem um papel importante no panorama turístico da cidade de Lisboa. Cerca de 60 a 70% dos visitantes do oceanário são turistas e 27% dos turistas que vêm à capital visitam o oceanário. Segundo João Falcato, o oceanário sempre foi mais visitado por estrangeiros do que por portugueses. 
Actualmente está prestes a atingir o patamar dos 23 milhões de visitantes e é considerado pelo site Trip Advisor o melhor aquário do mundo. “É um equipamento que honra a cidade. Sendo considerado o melhor aquário do mundo, acho que contribui para um aumento da qualidade e reconhecimento da oferta turística da cidade. Contribui também, eventualmente, para que visitem a nossa cidade por ser considerado um equipamento que é muito bom e que se ajusta a todas as idades e que, para além de nos divertir, envolver e emocionar, nos ensina a contribuir para um mundo melhor amanhã”, refere o CEO.
Conservação dos oceanos Depois das infraestruturas construídas e das várias espécies adquiridas – apesar de continuarem sempre em busca de novos animais que “tenham uma história para contar” –, a principal missão do oceanário baseia-se agora na literacia azul e na preservação dos oceanos. “Não faria sentido um equipamento deste género existir sem ter essa missão e esse objectivo final”, explica João Falcato.
Para isso usam ferramentas como a sensibilização do público que visita o Oceanário de Lisboa e promovem um programa educativo ambiental. “Temos de tocar cada vez mais gente e temos de ter cada vez mais visitantes para lhes mostrar como é bonito o mar, como é importante garantir que esta beleza e estes recursos se mantêm para o futuro. Para além disso, temos um programa educativo que julgo ser o maior programa educativo do país a nível ambiental. O ano passado chegámos a 168 mil crianças e adultos com o nosso programa educativo”, refere o biólogo marinho.
Este ano, o oceanário está ainda a desenvolver um projecto de educação ambiental em movimento que promove actividades lúdico-pedagógicas gratuitas “fora de portas”. O “Vaivém Oceanário” já visitou mais de 200 municípios de todos os distritos de Portugal continental e regiões autónomas, com impacte em mais de 240 mil pessoas.

Depois, actuam também no terreno. João Falcato considera que é importante não se focarem apenas no principal problema – que somos nós, os seres humanos –, educando e sensibilizando, mas também actuar directamente nos oceanos. “É fundamental ir para o oceano tentar contribuir para que algumas espécies sejam conservadas e continuem a existir no nosso planeta quando estão em risco. É isso que temos vindo a fazer, financiando inúmeros projectos normalmente desenvolvidos por universidades. São elas que vão para o terreno, financiadas e desafiadas por nós, para desenvolver alguns projectos. No ano passado financiámos alguns relacionados com tubarões e raias, mas desde 2007 que financiamos muitos projectos de tartarugas-marinhas, peixes-lua e tubarões. De certeza que hoje há muitos animais que estão a nadar nos oceanos porque nós existimos”, explica.
Para o futuro, há uma grande ambição. João Falcato afirma que, desde que a Fundação Oceano Azul adquiriu o oceanário, em 2015, a capacidade de actuação nos oceanos é completamente diferente do passado. “Actualmente, todas as nossas receitas e todos os nossos lucros são aplicados 100% na conservação dos oceanos e na literacia azul, o que não era a realidade quando éramos um equipamento público. Nessa altura, os nossos resultados eram distribuídos em dividendos. Hoje são totalmente aplicados na conservação, ou seja, estamos a iniciar – começámos em 2016 – um novo percurso com uma capacidade de actuação, fora daqui, muito superior”, refere.
Fonte: Ionline

O que nos diz o caboz sobre os oceanos mais ácidos do futuro?

Equipa portuguesa testou em laboratório os efeitos da acidificação dos oceanos – devido ao excesso de dióxido de carbono na atmosfera – no caboz-de-duas-pintas. Verificou que se reproduz mais, mas não ainda se sabe se haverá consequências negativas na vida adulta desta espécie.


O caboz-de-duas-pintas é um peixe que se reproduz de forma peculiar. Durante a sua curta vida, tem só uma época de reprodução: as fêmeas depositam os ovos no ninho mas são os machos que depois cuidam deles. Contudo, a acidificação dos oceanos pode afectar a reprodução do caboz-de-duas-pintas. Uma equipa de cientistas portugueses estudou vários exemplares desta espécie em laboratório e concluiu que, num ambiente acidificado, se reproduziram duas vezes mais do que os que estavam num ambiente sem esse efeito. As larvas também nasceram mais pequenas.

 O caboz-de-duas-pintas (Gobiusculus flavescens) distribui-se nas zonas costeiras desde Portugal até à Noruega. Como precisa de um lugar para se esconder, em Portugal encontramo-lo em recifes rochosos e, nos países nórdicos, em florestas de kelp. “É uma espécie que forma cardumes e precisa de algum material estruturado para se abrigar e proteger dos predadores”, explica Ana Faria, bióloga marinha do Mare – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, ISPA – Instituto Universitário, em Lisboa, e principal autora do artigo científico publicado na revista Marine Environmental Research.

Mede entre três e cinco centímetros já no estado adulto. “Tem características muito interessantes”, avisa Ana Faria. Só vive um ano a um ano e meio e tem uma única época de reprodução entre Março e Julho na costa portuguesa. Nesse período, reproduz-se várias vezes.

É em ninhos nas fendas das rochas ou nas conchas vazias de bivalves que tudo acontece. “No início da época de reprodução, o macho seduz as fêmeas com cortes nupciais. E, geralmente, os machos maiores são os mais atractivos para as fêmeas”, conta a bióloga. A fêmea entra no ninho, desova e vai-se embora. O macho permanece, fertiliza os ovos (que podem ser de várias fêmeas, que podem reproduzir-se muitas vezes) e cuida deles no período embrionário durante dez a 15 dias nas águas portuguesas. “O macho pode passar a época de reprodução no ninho a cuidar dos ovos.”

É fácil distinguir os machos das fêmeas. Afinal, esta é uma espécie com dimorfismo sexual. Na época de reprodução, as fêmeas têm uma barriga grande e laranja, que indica que têm ovos. Os machos têm duas pintas – uma na zona caudal e outra na barbatana peitoral –, que dão o nome à espécie.


O caboz-de-duas-pintas é também usado como modelo laboratorial para estudar a selecção sexual. “No início da época de reprodução, aparentemente são os machos que são mais selectivos na escolha da fêmea. Mas se há machos que vão morrendo ao longo dessa reprodução, a uma dada altura há mais fêmeas e são elas que são mais selectivas. Há aqui uma inversão da escolha sexual”, explica a bióloga, acrescentando que este é um comportamento descrito nos países nórdicos mas que nunca foi estudado em Portugal.

Ana Faria e a sua equipa estudaram o efeito da acidificação dos oceanos nesta espécie. A acidificação ocorre quando o excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera é absorvido pela água do mar, causando algumas reacções químicas, como a redução do pH e o aumento da pressão de CO2 na água.
Actualmente, o pH médio oceânico é de cerca de 8,1 e a pressão de CO2 de cerca de 400 microatmosferas (unidade de medida da concentração de CO2). Já na costa, onde está o caboz-de-duas-pintas, esses valores serão mais elevados, pois há mais influência das actividades humanas. “Na costa portuguesa, em particular junto ao [rio] Tejo e Sado, existem valores ‘normais’ que variam entre 500 e 600 microatmosferas”, indica a bióloga marinha. “Em condições de upwelling [fenómeno de afloramento costeiro que consiste na subida de águas subsuperficiais] na nossa costa, já houve registos de 1800 microatmosferas.”

Portanto, quis desvendar-se o que pode acontecer aos peixes que vivem nessas condições. “Os peixes têm uma capacidade muito grande de regular as trocas iónicas e de se manterem em equilíbrio. No entanto, regular e manter o equilíbrio exige mais energia da sua parte, o que pode prejudicar outros processos, como a reprodução e as taxas de crescimento.”

Peixe-palhaço perto do perigo

Para estudar o caboz-de-duas-pintas, a equipa capturou 18 machos e 18 fêmeas no Parque Marinho da Arrábida antes do início da época de reprodução. Depois, simulou num ambiente acidificado – com um pH de 7,6 e uma pressão de CO2 de 2300 microatmosferas – previsto para o final do século XXI, sem esquecer os fenómenos de upwelling. Simulou-se ainda as condições actuais na costa portuguesa. E, depois, os peixes reproduziram-se.

Observou-se então que no ambiente acidificado o caboz-de-duas-pintas se reproduziu duas vezes mais do que no ambiente sem esse efeito. “As fêmeas colocavam, em média, cerca de 40% mais ovos do que os peixes em ambiente de controlo”, diz Ana Faria. Quanto ao tamanho dos ovos, não houve diferenças, mas as larvas do ambiente acidificado eram significativamente mais pequenas.

E quanto ao tamanho dos peixes na vida adulta? “Não sabemos, porque o trabalho terminou com as larvas à nascença”, responde a bióloga. Aparentemente, o aumento da reprodução podia ser uma boa notícia. Mas ainda não se sabe quais as consequências. “Parece estar a haver uma troca de investimento: as fêmeas estão a colocar mais ovos e a reproduzirem-se mais vezes, mas depois as larvas nascem mais pequenas. Embora não tenhamos a certeza se isso é bom ou mau, a verdade é que há uma troca de investimento que pode ter consequências. Perceber isso é o passo seguinte.”

A partir deste ano, Ana Faria vai tentar perceber se o tamanho mais pequeno do caboz-de-duas-pintas à nascença afecta as taxas de crescimento e sobrevivência ou se há algum mecanismo compensatório. Também vai estudar se os progenitores dessa espécie expostos a agentes de stress transmitem à descendência características que lhes permitam sobreviver num meio mais agressivo.

Os efeitos da acidificação dos oceanos têm sido estudados sobretudo nos recifes tropicais. “De forma geral, o que os trabalhos parecem indicar é que acidificação vai ter implicações nos comportamentos de decisão, seja de lateralização ou na escolha de odores, de predadores, habitats ou sons”, resume Ana Faria. Por exemplo, o peixe-palhaço sob o efeito de um oceano mais acidificado é atraído pelo odor dos predadores e expõe-se mais a esse perigo. Já o peixe-rei pode ter problemas com a lateralização, que é importante, por exemplo, na fuga ao predador.
Outros estudos em larvas do peixe-rei e do peixe-palhaço indicam que com a acidificação há um desequilíbrio num dos receptores do GABA, principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central. O resultado é uma alteração do estado inibitório para excitatório, o que afecta os comportamentos dos peixes. Ainda não se sabe se a acidificação tem influência no mesmo receptor do caboz-de-duas-pintas. Ana Faria espera revelar em breve mais novidades sobre os efeitos de um oceano mais ácido nos peixes.

Fonte: Público

O oceano está transformado numa sopa de plástico


Parecem cardumes, mas um olhar mais atento não encontra peixes a nadar nos oceanos de Mandy Barker. O colorido cenário é, afinal, negro: os animais marinhos foram todos engolidos por plástico, os mesmos restos de balões, palhinhas ou garrafas que são encontrados no interior dos seus estômagos — e, por isso, desapareceram todos. Resta agora uma “praga” a flutuar numa “sopa” (Soup, assim se chama um dos muitos projectos da fotógrafa inglesa dedicados à poluição marítima) de restos de plásticos acumulados. É bonito, julgamos, é “assustador” e “chocante”, alertam-nas as fotografias de Barker, que trabalha sempre em conjunto com biólogos marinhos, durante expedições para estudar e resgatar restos de plásticos, quer de praias e oceanos, quer de estômagos de gaivotas ou peixes, que depois usa em colagens sobre fundo preto. “Já não há áreas livres de plástico”, diz, numa entrevista à Greenpeace, onde surge numa praia deserta, a calcar areia tapada por garrafas. Terá razão: por ano, chegam ao oceano 13 milhões de toneladas de plásticos. E 80% do lixo marinho é plástico (o equivalente a 150 milhões de toneladas).

Mandy Barker, que aos 54 anos soma vários prémios de fotografia de ambiente, é uma das fotógrafas destacadas na edição de Junho da revista National Geographic, na qual se lança uma pergunta que urge respostas rápidas. “Plástico ou o planeta?” Escolhe um.

Fonte: Público

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Ciclo “No Fundo Portugal é Mar” no CCB até Julho

O ciclo parte de uma exposição que envolve várias instalações. Até 31 de julho pode visitar "As Portas do Mar", "Balaena plasticus" e "TerraMar" no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.


O ciclo intitulado “No Fundo Portugal é Mar”, que parte de uma exposição que envolve várias instalações, vai decorrer até 31 de julho no âmbito da programação da Fábrica das Artes do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.
Este ciclo, que tem início esta terça-feira, resulta de uma parceria com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), segundo o CCB, e agrega três propostas artísticas: “As Portas do Mar”, “Balaena plasticus” e “TerraMar”.
“As Portas do Mar” é uma instalação de faróis que traz o universo sonoro do mar, dos portos e praias, e os códigos sonoro-luminosos dos faróis portugueses, segundo a programação.
“Balaena plasticus” é outra instalação que recria o esqueleto de uma baleia de barbas, da autoria de Ana Pêgo e Luís Quinta, criada com lixo plástico que o mar devolve e que “grita a urgência de reaprendermos muitos gestos” a favor do ambiente.
Por seu turno, “TerraMar” é uma instalação vídeo de Graça Castanheira, criada com base em materiais cedidos pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), captados por um ROV, um robô telecomandado que desce a seis mil metros de profundidade, propondo ao público uma experiência debaixo de água.
Na receção da Fábrica das Artes, os visitantes poderão ainda experimentar a instalação “Mãos de Areia”, um módulo interativo produzido pelo Pavilhão do Conhecimento — Centro Ciência Viva, que permite explorar a topografia dos fundos marinhos, através de uma mesa de areia e um sistema de realidade aumentada.
O ciclo aprofunda os significados das instalações em oficinas exploratórias que passam pela escrita criativa, pelo confronto com monstros imaginários e reais, pelas formas líquidas das esculturas marinhas, e pela simetria entre o mar e o cosmos.
No Jardim das Oliveiras decorrerão ainda três concertos, sessões com contadores de histórias e conversas marinhas “entre tão improváveis interlocutores quanto variada é a fauna humana que entre nós vive o mar”. Por fim, o clássico “A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, a partir da música de Bernardo Sassetti, surge nesta programação na forma de um espetáculo de Filipe Raposo, Carla Galvão e Beatriz Bagulho.
Fonte: Observador