sábado, 29 de junho de 2019

Greenpeace critica forma como a Rússia está a devolver baleias ao Mar


Pelo menos 11 orcas e 87 belugas estavam em cativeiro em Nakhodka desde Abril, gerando forte indignação junto da comunidade internacional. Vão ser todas libertadas durante os próximos quatro meses.

A Greenpeace criticou esta sexta-feira o longo procedimento que a Rússia adoptou para libertar mais de uma centena de baleias que estavam em cativeiro desde 2018. A associação ambientalista considerou que pelo menos duas orcas e seis belugas foram “simplesmente despejadas” para o mar de Okhotsk, a mais de 1700 quilómetros da cidade portuária de Nakhodka. Os animais terão sido transportados em pequenos contentores durante uma viagem de sete dias e libertados no mar nesta quinta-feira.

O grupo ambientalista disse também que os responsáveis pela devolução das baleias ao mar não tiveram qualquer preparação para a operação que foi mantida em segredo. A Greenpeace lamenta que o risco de trauma e morte dos animais aumentou.

“É cruel libertar orcas e belugas que passaram sete dias em contentores directamente para o mar”, disse à televisão russa Oganes Targulyan, especialista da Greenpeace. As baleias não foram libertadas, mas sim despejadas”, vincou em declarações citadas pelo jornal britânico The Guardian.

As autoridades russas esclareceram apenas que a operação correu dentro da normalidade e que nenhuma baleia sofreu qualquer dano. Pelo menos nove orcas e 81 belugas continuam em cativeiro e serão libertadas em lotes nos próximos quatro meses.

O Presidente da Rússia, Vladimir Plutin, tinha saudado na semana passada a libertação das baleias, que iriam regressar ao seu habitat natural. A aprovação da medida já tinha sido tomada em Abril, depois de uma equipa de oceanógrafos terem tido várias reuniões em Moscovo e conferido o estado de saúde dos animais. 

Pelo menos 11 orcas e 87 belugas estavam em cativeiro, alegadamente com pouco espaço para nadar e em águas com temperaturas negativas. Os animais tinham sido capturados na baía de Srednyaya, no extremo oriente russo, soube a Greenpeace quando se apercebeu do desaparecimento e da presumível morte das baleias. Várias organizações internacionais uniram-se para acusar quatro empresas russas de violar as leis da pesca e lamentar os maus-tratos de animais.

A captura de baleias e outros seres vivos é, no entanto, permitida por lei na Rússia para fins científicos ou pedagógicos, mas temia-se que a Rússia poderia vender ilegalmente as baleias para parques aquáticos chineses. 

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Golfinhos agradecem compras amigas de oceanos? Sim, nos supermercados


Trata-se de uma iniciativa da 'Friends of Glass' Portugal que foi implementada numa unidade comercial em Lisboa.

se um golfinho lhe agradecesse quando comprasse uma embalagem de vidro? Parece utopia? Há uma iniciativa em Lisboa que permite receber um agradecimento virtual destes animais.

Quando o código de barras é passado pelo terminal de pagamento, os clientes veem imagens e ouvem sons de golfinhos que os alertam para a importância da escolha do vidro, em detrimento do plástico.
Trata-se, com efeito, de "um recipiente natural, 100% reciclável e que respeita a saúde e o ambiente".
A organização 'Friends of Glass' Portugal, responsável pela iniciativa, deixa a sugestão: "Faça a escolha sustentável".

O papel dos oceanos na regulação do clima


Os oceanos desempenham papel determinante na variabilidade dos padrões atmosféricos, uma vez que atuam na distribuição dos ventos, do calor e a dinâmica das suas correntes é fulcral para o equilíbrio do mecanismo climático.

Os espaços de água do planeta - 71% da superfície da Terra - são oxigenados por movimentos de grandes massas de água, as correntes marítimasas quais influem determinantemente na distribuição zonal do clima no planeta. Circulam transversalmente por todos os oceanos a uma velocidade que pode rondar os 8-10 km/h, não se misturando com as águas que as circundam, isto por efeito de diferenças de densidade e de temperatura, sendo que estes movimentos, podendo ser superficiais ou profundos, têm a sua direcção determinada por fatores como o movimento de rotação da Terra, os ventos, a força de Coriolis e a topografia subaquática.

A circulação destes "rios", destas massas de água nos oceanos, ocorre por acção de movimentos verticais, através de afundamentos e ressurgências como a circulação Termohalina, e/ou horizontais, as correntes marítimas. Trata-se de um mecanismo que redistribui pelo planeta o calor proveniente do sol, sendo contudo passível de alterações, numa métrica temporal de milénios, quando por efeito de variações na órbita da Terra em torno do Sol, ou na inclinação do seu eixo de rotação, ou por cíclicos fatores climáticos como glaciações.

Existem dois tipos de correntes marítimas: as quentesque se formam na proximidade do Equador, numa zona de baixas pressões, carregando as características térmicas do local, e as correntes friasque se formam nas latitudes mais altas, nas regiões polares, em zonas oceânicas profundas. Alude-se aqui, o circuito que leva as águas do equador até às regiões polares, saindo destas regiões, correntes em direcção às latitudes mais baixas, e isso explica o motivo de regiões que se encontram na mesma latitude, terem climas diferentes.

Considere-se então, o trópico de Câncer, a zona temperada norte, referindo-se por exemplo, a corrente do Golfouma corrente quente, que começa no México com uns agradáveis 28⁰ e chega à Europa com uns frescos 12⁰C, sendo que o seu efeito ameniza as temperaturas no Reino Unido e impede que os mares da Noruega congelem; por outro lado, a corrente do Labrador, uma corrente fria, que sai do Ártico em direcção ao Canadá, arrefece o clima da costa este da América do Norte. 

Refira-se ainda a influência das correntes marítimas nos regimes pluviométricos, como a corrente de Humboldt,uma corrente fria no Pacifico sul que impede a evaporação das águas do oceano, diminuindo a formação de nuvens, e fazendo com que chegue à massa continental baixíssimos níveis de humidade, o que impossibilita a ocorrência de precipitação no leste da América do Sul, mais propriamente na costa do Chile, onde se situa o deserto do Atacama.

A importância da corrente do Golfo

Desempenha determinante função no clima europeu. Nasce na costa este do México, a uma profundidade de cerca de 1500 metros, transportando diariamente um volume de água mil vezes superior ao do rio Mississipi, percorre parte da costa este dos EUA e atravessa o Atlântico em direção ao noroeste europeu, possibilitando o clima ameno que o caracteriza - esta é a forte e intensa corrente do Golfo. Ao atravessar o Atlântico Norte, na corrente do Golfo ocorre um processo de evaporação de grandes volumes de água, accionado pela sua elevada temperatura, possibilitando que o clima do noroeste Europeu desfrute de amenidade, uma vez que esse vapor de água aquecida, cria uma corrente atmosférica que repele o ar frio.

Contudo, de acordo com resultado de investigação publicada na revista Nature, tem-se verificado um enfraquecimento deste rio, que transporta consigo biliões de algas, seres marinhos e energia sob a forma de calor. Uma mudança que está a ocorrer, devido à velocidade com que as massas geladas do Ártico estão a derreter, e vão despejando água doce e fria no Atlântico, o que interfere com o equilíbrio das correntes marítimas, redesenhando os seus percursos, enfraquecendo-os, e tornando-os aleatórios.

Quanto à corrente do Golfo, ela está a desacelerar, e a diminuir o fluxo e a intensidade com que chega à Europa, resultando no arrefecimento de uma região de clima normalmente temperado, bem como, numa maior suscetibilidade para a ocorrência de eventos climáticos extremos, apesar que, a cada dois anos, ocorrem variações neste regime, fazendo com que a Europa enfrente invernos mais rigorosos.

E se não existissem correntes marítimas?

Uma vez estáticas, as águas oceânicas concentrariam toda a energia recebida do Sol, e ao longo da linha do Equador, o calor seria tórrido e as latitudes mais elevadas seriam bem mais frias! As correntes marítimas, transportam a energia solar concentrada nas águas equatoriais, para latitudes em que o Sol incide com menor intensidade, daí que o seu fluxo, regular e contínuo, seja de extrema importância, uma vez que garante o equilíbrio climático do planeta.



Autora: Mónica Barbosa

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Surf em Portugal e o impacto do turismo do surf


Fazendo uma retrospetiva da história do surf em Portugal, para perceber e enquadrar o seu impacto no turismo nacional, teremos de recuar até à década de 20. Verifica-se que o registo mais antigo é um filme de 1927, onde se vê um grupo de homens a praticar bellyboard em Leça da Palmeira.
No entanto, a prática de surf em Portugal só começou a ter expressão a partir da década de 60. No final desta década, e principalmente devido a um artigo numa revista Americana (Surfing Magazine) sobre as ondas de Sagres, começaram a aparecer, com mais frequência, grupos de surfistas Americanos e Ingleses em surf trips.
Facto que começou a atrair mais praticantes nacionais, contudo na época, existia uma séria falta de material. A nossa chamada indústria do surf, só começou a ter expressão mais tarde no final da década de 80.
Nas últimas décadas, o surf tem crescido como desporto em toda a Europa e já conta com um elevado número de praticantes. A nível nacional, tornou-se o desporto da moda, o que atraiu imensos praticantes portugueses.
Além disso, acontecimentos como a onda gigante da Nazaré, aliados ao facto do nosso País ter uma imensa extensão de costa e condições únicas que permitem surfar o ano inteiro, fizeram com que a costa portuguesa fosse notícia em todo o Mundo. Isto provocou um aumento de turistas estrangeiros praticantes da modalidade. Por outro lado, o turismo português tem investido cada vez mais em grandes provas de surf.
Os campeonatos internacionais atraem meios de comunicação social, que por sua vez promovem o destino durante a cobertura do evento. Paralelamente, foram também feitas campanhas internacionais de surf que fomentaram o crescimento do número de turistas do desporto, não só no continente como também nas ilhas.
Os surfistas são, normalmente, pessoas que se dedicam a viajar, muitas vezes com acompanhantes, para poderem experienciar tipos diferentes de ondas. De uma forma geral, estes praticantes assíduos da modalidade, procuram não só boas ondas, mas também outros requisitos, tais como, a ausência de crowd, boas condições para a prática do desporto, segurança e elevada qualidade das refeições.
Em Portugal, existe dois tipos de turismo de surf. Os praticantes assíduos, que normalmente viajam nos períodos das temporadas locais e os iniciantes ou praticantes esporádicos, que normalmente são os turistas de surf de verão. Isto permite que haja turismo de surf em Portugal durante todo o ano.
No entanto, o impacto do surf, em toda a costa continental, faz-se sentir a vários níveis. Há cada vez mais escolas de surf, surf camps, surf hostels, surf houses… Poder-se-ia dizer que isto é excelente para a economia portuguesa. Mas será que é mesmo? A curto prazo talvez, mas e a longo prazo? Caso existisse um crescimento ordenado, com fiscalização e com legislação, talvez a resposta fosse, sim. Mas isto não se tem verificado (problemas apontados num debate promovido pela Surf Out Portugal, Associação de Turismo de Cascais e Associação de Escolas de Surf de Portugal, em maio de 2019).
Existe em determinadas zonas, uma pressão imobiliária com descaracterização do território e uma falta de infraestruturas. Há um crescimento desgovernado, e em alguma altura os lucros vão estagnar e decair. Isto porque, nos meses de verão, temos praias sobrelotadas, sem espaço para surfar tranquilamente. Por um lado, há uma proliferação de escolas, lojas e campos de surf. Por outro, as pessoas começam a não se sentir bem em ambientes com muita gente aglomerada. Efeito negativo que pode começar a afastar os turistas.
Para se ter um turismo de surf sustentável a longo prazo, é necessário que sejam adotadas práticas de gestão sustentável. Além disso, qualquer decisão deveria ser tomada envolvendo todos os Stakeholders locais. É também crucial fazer uma avaliação não só dos impactos económicos, como também ambientais, causados pelo desenvolvimento do turismo de surf.
Autora: Ana Moura - Professora do Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da Universidade de Aveiro. Praticante de surf.

Quatro navios da I Guerra Mundial à venda no eBay por um milhão de dólares


Quatro navios alemães utilizados durante a Batalha de Jutlândia, a maior batalha naval da Primeira Guerra Mundial, estão à venda no eBay por um milhão de dólares.

Thomas Clark é dono dos navios desde 1981, mas decidiu agora colocá-los à venda na internet. “Foi uma prazer absoluto possuir e mergulhar nestes navios icónicos e lamento não ter conseguido fazer mais com eles durante o tempo em que os tive”, disse à agência SWNS.
As quatro embarcações estão afundadas há mais de 100 anos no mar das ilhas britânicas de Órcardes. “Estou ansioso para passá-las para o novo proprietário e espero que eles tenham a oportunidade de realizar as suas aspirações para estes navios”, acrescentou Clark.

De acordo com a Fox News, os navios SMS Kronprinz Wilhelm, SMS Konig e SMS Markgraf estão à venda por um preço a rondar os 300 mil dólares, enquanto o outro navio, o SMS Karlsruhe, está à venda por 75 mil dólares.
Os navios foram utilizados na Batalha de Jutlândia, considerada a mais icónica batalha naval da Primeira Guerra Mundial. A batalha teve lugar de 31 de maio a 1 de junho de 1916 e as forças navais combatentes foram as esquadras britânica e alemã. Ambos sofreram grave perdas, mas do ponto de vista estratégico os britânicos continuaram “donos” do mar.
Os quatros navios alemães são considerados património oficial e, segundo o Expresso, foi por isso que Thomas Clark nunca conseguiu recuperá-los e utilizá-los como era a sua intenção. Mesmo os mergulhadores não se podem aproximar demasiado deles, nem muito menos tocar-lhes.
Os anúncios do eBay realçam que caso alguém compre as quatro embarcações, será dono de “uma considerável frota naval entre as maiores do mundo

Será que a aquacultura prejudica o ambiente?


A Escócia e o Canadá uniram-se num consórcio para avaliar o impacto ambiental da indústria da aquacultura para poder posteriormente apoiar o crescimento sustentável desta indústria, segundo o The Scotsman. 
O consórcio, liderado pela Association for Marine Science (SAMS) e pela Cooke Aquaculture, uma das maiores produtoras de salmão, tem como principal objectivo investigar como medir níveis de sulfureto de uma forma mais rápida e precisa e com menor custo. Isto porque, devido às limitações da monitorização corrente, o desenvolvimento de alguns campos de aquacultura ficou comprometido, nomeadamente em Orkney ou Shetland, segundo os investigadores. 
Esta nova ferramenta, segundo Clive Fox, da SAMS, “poderia ajudar futuras selecções de locais e reduzir significativamente a quantidade de tempo e de recursos actualmente necessários para analisar amostras e obter resultados”.

Bactérias do Oceano colonizam a sua pele após 10 minutos a nadar.


Se peixes e queimaduras não assustam quando vai à praia, talvez isso o faça: segundo pesquisa preliminar divulgada nesta semana, leva apenas 10 minutos a nadar no oceano para ter a sua pele coberta com uma nova camada de bactérias. Embora isso não seja necessariamente negativo, algumas dessas bactérias podem causar doenças ou aumentar o risco de infecção ao afectar o delicado ambiente microbiano da pele, conhecido como microbioma.
Para o seu estudo peculiar, investigadores da Universidade da Califórnia em Irvine foram à praia e recrutaram um grupo selectivo de banhistas. Eram pessoas que nadavam no oceano com pouca frequência e que não usavam protector solar no momento. Eles também não tiveram que tomar banho nas últimas 12 horas e não tomaram antibióticos nos últimos seis meses. Antes de nadar, os nove voluntários tiveram uma pequena amostra de pele removida da parte de trás dos gemeos com uma espécie de esfregão, e depois nadaram por 10 minutos. Depois quando voltaram e se secaram completamente, a pele foi novamente submetida ao esfregão — o mesmo ocorreu seis horas e um dia depois.
Antes de nadar, descobriram os investigadores, o microbioma de cada voluntário era facilmente distinguível. Mas logo em seguida, os seus microbiomas mudaram e se tornaram muito semelhantes entre si.
"Os nossos dados demonstram pela primeira vez que a exposição à água do oceano pode alterar a diversidade e a composição do microbioma da pele humana”, disse Marisa Chattman Nielsen, autora principal do estudo e estudante de doutoramento da Universidade da Califórnia em Irvine, num comunicado à imprensa. “Enquanto nadavam, bactérias normais residentes foram sendo removidas, enquanto as bactérias do oceano eram depositadas na pele”.
As mudanças no microbioma foram temporárias, com uma média geral de 24 horas. No entanto, houve algumas conclusões preocupantes. Em cada pessoa, detectaram bactérias comuns do mar chamadas Vibrio. A maioria das espécies da Vibrio é essencialmente inofensiva, mas algumas são responsáveis por doenças como a cólera, ou raramente podem causar infecções de pele em quem come carne, especialmente em pessoas com o sistema imunológico debilitado. Os métodos da equipa só identificaram a presença de bactérias Vibrio, e não certas espécies em específicas. Mas eles pareciam atraídos pela pele das pessoas, uma vez que uma maior projecção de bactérias Vibrio foi encontrada na pele dos voluntários do que na água oceânica circundante que a equipa também testou.
“Embora muitos tipos de Vibrio não sejam patogênicos, o facto de encontramos na pele após a natação, demonstra que as espécies de Vibrio patogênicas poderiam persistir na pele após nadar”, disse Nielsen.
Os resultados, deve ser notado, são um trabalho em desenvolvimento; eles estão sendo apresentados durante a conferência anual da Sociedade Americana de Microbiologia nesta semana. Mas, supondo que se sustente, o estudo poderia ajudar a explicar um padrão — que os banhistas que nadam no oceano são mais propensos a ter dores de estômago ou infecções de ouvido comparado com aqueles que só ficam na areia. E embora a maior parte da culpa possa ser atribuída a germes que entram nos nossos corpos, a equipa suspeita que as bactérias do oceano como um todo podem tornar a doença mais provável através dos seus efeitos no microbioma da pele.
“Estudos recentes mostraram que o microbioma da pele humana desempenha um papel importante na função do sistema imunológico, doenças localizadas e sistêmicas e infecção”, disse Nielsen. “Um microbioma saudável protege o hospedeiro da colonização e infecção por micróbios oportunistas e patogênicos”.

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Um “caixão” nuclear pode estar a verter partículas radioativas no Oceano Pacífico


No início deste mês, António Guterres, secretário-geral das Nações Unidas, disse estar preocupado que uma espécie de caixão com décadas de idade possa estar a verter partículas radioativas no Oceano Pacífico.

Entre 1946 e 1958, o governo dos Estados Unidos testou 67 armas nucleares nas Ilhas Marshall, incluindo a bomba de hidrogénio Bravo de 1954, mil vezes maior que a bomba atómica de Hiroshima – a maior e mais poderosa arma nuclear já detonada pelos EUA.
Os testes ocorreram na superfície de lagoas de atol, muitas das ilhas e debaixo de água. Este sedimento contaminado de ilhas locais poderá ter eventualmente fluído para o Oceano Pacífico Norte.
No final dos anos 1970, o governo dos EUA recolheu solo radioativo de ilhas vizinhas contaminadas e enterrou cerca de 84 mil metros cúbicos numa cratera criada por uma bomba no Atol de Enewetak. As autoridades cobriram a precipitação com uma cúpula de betão de 45 centímetros de espessura que se tornou conhecida como Cactus Dome, ou Runit Dome – mas era supostamente uma solução temporária.
O fundo do poço não foi revestido e, como a exposição causou a formação de rachaduras na cúpula, as autoridades estão preocupadas com a possibilidade de estarem a libertar material radioativo no oceano, uma ameaça que só deve piorar com o aumento do nível do mar e aumento da frequência de tempestades intensificadas pela mudança climática.
“Está cheia de contaminantes radioactivos que incluem o plutónio-239, uma das substâncias mais tóxicas conhecidas pelo homem”, disse o senador Jack Ading, da Marshall Islands, à Agência France-Presse. “O caixão está a verter veneno no meio ambiente.”
Depois de os militares dos EUA se retiraram da região em 1986, pagou-se um “acordo completo de todas as reivindicações, passadas, presentes e futuras” relacionadas com o programa de testes nucleares. No entanto, muitos argumentam que as retribuições não foram suficientes.
“Acabo de estar com o presidente das Ilhas Marshall, que está muito preocupado porque há um risco de derrame de materiais radioativos que estão contidos numa espécie de caixão na área”, disse Guterres em Fiji.
Uma inspecção dos EUA em 2013 descobriu que a precipitação radioativa nos sedimentos da lagoa já é tão alta que até mesmo uma “falha catastrófica” não resultaria num aumento na exposição à radiação para cerca de 800 residentes. As descobertas confirmaram uma “rápida resposta da maré” ao aumento da água subterrânea sob a estrutura.
Sob um cenário de libertação mais plausível, existe o potencial de contaminação das águas subterrâneas do domo para o ambiente marinho.
Um estudo de 2018 que calculou os fluxos de radioactividade nas águas da lagoa descobriu que os Atóis Bikini e Enewetak ainda são uma fonte de longo prazo de Plutónio e Césio para o Pacífico Norte. Além disso, níveis mais altos de precipitação radioativa na água do mar e nos sedimentos são encontrados mais nesta região do que nos oceanos do resto do mundo. Em particular, o Runit contribui para cerca de metade do plutónio na coluna de água da lagoa Enewetak.

No entanto, os investigadores concluíram que as águas subterrâneas debaixo da cúpula não são uma fonte significativa. O governo acrescenta que a água subterrânea que flui para o recife oceânico será “muito rapidamente diluída” e resultaria em pouco ou nenhum aumento mensurável na radiação para populações marinhas ou humanas.

Um Oceano, muitos desafios.

Ao reproduzir a imagem do Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, com a água até aos joelhos, a revista “Time” reconheceu não só a premência do tema, mas também a relevância da ação de uma sociedade informada e alertada para os riscos que corre. Mas bastará alertar ou precisaremos de práticas de educação ambiental massivas, incluindo a educação para o usufruto do mar?

Correu mundo e ficou famosa a capa da revista “Time” em que o Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres é fotografado no Tuvalu, com a água até aos joelhos. É conhecido o empenho de António Guterres sobre as questões climáticas e, também, a sua determinação em contribuir para que o oceano seja um ecossistema mais equilibrado. É interessante verificarmos como a fotografia se tornou viral, tanto nas redes sociais como nos vários meios de comunicação social que repetiram a imagem da capa.
Esta repetição e a contextualização da imagem resultaram numa repetição da mensagem que o Secretário-Geral da ONU quis passar. O Tuvalu é um país em desenvolvimento, dependente do turismo e de outros recursos marítimos. Tal como outros na mesma região, encontra-se na rota da subida do nível das águas. Corre, tal como outros, o perigo de desaparecer, pelo menos na forma como hoje é conhecido.
A expressão dramática de António Guterres confere à imagem o poder de demonstrar a perversidade das escolhas de crescimento e desenvolvimento atuais e os seus efeitos nefastos. Contudo, na maioria dos casos, os primeiros países a serem afetados pelas consequências da utilização em excesso dos recursos naturais, não são aqueles que mais contribuíram para a, agora denominada, urgência ambiental.
A questão da poluição marítima, trazida a lume devido ao impacto visual dos plásticos acumulados no mar, produziu o efeito de as populações em geral terem percebido a fragilidade destes ecossistemas e a forma como rapidamente são afetadas pelas suas consequências. Aí a subida do nível do mar, a degradação da produtividade das pescas ou a sobrecarga ambiental passam a ser entendidas de outra forma.
Parece estarmos perante uma sociedade mais consciente dos riscos, é certo. Mas estará esta sociedade ciente do oceano enquanto palco internacional de disputas territoriais e económicas? Estará esta sociedade apta a mudar comportamentos que vão para além da importante ação de limpeza das praias para as libertar dos plásticos? Até que ponto os que gritam contra os plásticos no mar e nas praias têm práticas ecologicamente responsáveis ou estarão conscientes da sua pegada ambiental?
Quando se deixou fotografar daquela forma, António Guterres quis denunciar uma situação e alertar os governos mais passivos para a urgência de se passar dos tratados escritos à ação. Como o próprio refere, contrariamente ao que tem sido tradição nas Nações Unidas, existe a necessidade de se tornar o passo mais rápido e de agir de acordo com as previsões que nos impõem cenários de quase catástrofe em poucas décadas.
Em vez de consensos promovidos pela interação entre os estados, este Secretário-Geral pretende que as Nações Unidas sejam capazes de produzir consensos em torno de questões universais em que se inscreve a urgência climática e ambiental. Ao reproduzir essa imagem a revista “Time” reconheceu não só a premência do tema, mas também a relevância da ação de uma sociedade informada e alertada para os riscos que corre. Mas bastará alertar ou precisaremos de práticas de educação ambiental massivas, incluindo a educação para o usufruto do mar?
Um oceano, no meio de muitos oceanos
Os organismos das Nações Unidas, bem como as áreas científicas ligadas ao estudo dos ecossistemas, têm defendido a existência de apenas um oceano. Significa que aquela divisão geográfica tradicional é ilusória e que o oceano funciona como um todo. Todavia, se do ponto de vista das ciências naturais esta conclusão faz todo o sentido, do ponto de vista das relações internacionais esta determinação traz alguns obstáculos.
Assim, observamos que, em simultâneo, as Nações Unidas reconhecem a unicidade do Oceano e a necessidade de uma política conjunta para os oceanos, promovendo igualmente a negociação de acordos para cada um dos oceanos reconhecidos geograficamente. Deste modo, as Nações Unidas não descartam a importância da negociação regional relativamente ao oceano e aceitam que cada um destes espaços marítimos tem um enquadramento e conjuntura próprios.
Se o articulado do direito internacional para o oceano deverá ser único e assim foi consagrado, existe, entretanto, a necessidade de salvaguardas específicas para os diferentes contextos oceânicos. Assim se explica que o Ártico tenha sido objeto de uma negociação específica para o seu caso, defendendo não só as suas espécies marinhas como também protegendo o mesmo da exploração mineral intensiva. Neste sentido, o Ártico destaca-se de todos os outros ecossistemas marinhos, dada a sua especificidade.
Atualmente, existem outras situações preocupantes como a do Oceano Pacífico, alvo de grande disputa internacional. Esta corrida ao Pacífico resulta da identificação e da recente possibilidade da exploração de minérios raros, sobretudo daqueles que são agora necessários para as indústrias tecnológicas, incluindo as energias renováveis.
Os débeis microestados do Pacífico são abordados com propostas atrativas, por parte dos países mais poderosos, para fazerem concessão do seu território marítimo, rico em recursos. E, embora hoje os danos da exploração mineira sejam mais controlados, a verdade é que a exploração intensiva em contextos de tão grande profundidade ainda não foi experimentada de forma consecutiva. O Pacífico, para além de palco mais evidente da subida das águas do mar e dos mais terríveis fenómenos extremos da Natureza, também se tornou o cenário de uma corrida à exploração mineral do fundo do mar.
O articulado legal internacional protege de certa forma os ecossistemas marinhos da exploração intensiva, mas não é respeitado por todos os países. A International Seabed Authority (ISA – Autoridade Internacional do Fundos do Mar) reúne vários países em torno das questões de salvaguarda da exploração segura do fundo do mar, mas entre os seus membros, por exemplo, não se encontram os Estados Unidos da América.
Apesar do trabalho de consciencialização da comunidade em geral, com base em estudos científicos, e da comunidade política em particular, a ISA não impõe leis que tenham de ser observadas obrigatoriamente. Apesar de ser estabelecida pela Convenção da Lei do Mar, das Nações Unidas, realizada em 1982, e pelo Acordo de 1994 relativo à implementação de uma das partes da Convenção da Lei do Mar, esta organização vincula apenas os Estados que dela fazem parte. Na base da sua fundação reside o objetivo de gerir e controlar as atividades de exploração mineral nos mares. Mas a corrida ao fundo dos oceanos mostra o quão débeis são estes mecanismos de proteção que necessitam de um respaldo forte da sociedade civil, de modo a pressionar os governos no sentido de práticas respeitadoras dos ecossistemas marinhos.
Economia azul ou azul esverdeada?
Os desafios da exploração dos mares não se esgotam na questão dos recursos do fundo do mar. A exploração piscatória, o transporte marítimo, a sobrecarga humana das zonas costeiras e mesmo dos ecossistemas marinhos são outros desafios que vêm de trás, mas que cada vez mais se colocam na gestão do oceano.
A pesca desenvolvida de forma equilibrada e respeitando a renovação das espécies é um desafio nacional e internacional, mas que tem levado ao repensar da atividade piscícola. E, apesar da piscicultura se abrir como uma alternativa, a verdade é que esta opção também levanta outras questões de equilíbrio ambiental que têm de ser equacionadas.
Quanto ao transporte marítimo, este é responsável pela maior parte das transações internacionais de produtos que, com a revolução provocada pelo uso dos contentores, tornou mais flexível e mais barato. O lastro deixado pelo transporte marítimo é responsável pelo transporte involuntário, por exemplo, de espécies invasoras, para não falar da sobrecarga poluente que representam. Igualmente, a sobrecarga humana em zonas costeiras, sobretudo nas praias e nos locais de lazer marítimo, onde a construção desenfreada em paisagens frágeis e muito expostas e a sobre-exploração de recursos naturais levantam novas questões.
Assim, quando se fala de economia azul há que estar atentos a que tipo de economia estamos a falar. A uma economia azul, apenas porque se baseia na área marítima, ou a uma economia azul esverdeada, por acaso a cor do mar, em que o azul se coordena com o verde existe uma real preocupação ambiental?
Se sabemos que a interação entre terra e mar é permanente e não pode ser dissociada da situação atual dos vários ecossistemas, também sabemos que a proteção do mar tem de começar em terra e com base numa economia azul sustentável, bem planeada em cada local. Deste modo, a relação humana com o oceano e a forma como o usa tem de ser uma responsabilidade coletiva. Deixar essa decisão concentrada em poucas mãos, pode significar o desaparecimento de países como o Tuvalu.
Um olhar oceânico
Na verdade, é preciso aproximar o mar das populações, incluindo das populações com tradição marítima. Portugal é exemplo disso. A ciência é determinante para se compreenderem certos fenómenos, mas não se pode esgotar nas explicações das ciências naturais. Tem de existir um trabalho interdisciplinar de aproximação às várias comunidades e à sociedade em geral que permita compreender esta interação entre humano/oceano. Para tal, é também necessário o apoio das ciências sociais que estudem comportamentos humanos, coletivos e de decisão política.
A convergência das várias áreas científicas no debate das questões ligadas ao mar é hoje uma urgência para países costeiros como Portugal. A criação de formação especializada e de programas de transferência de conhecimento para a sociedade deve ser encarada como uma prática para o presente, bem como o estabelecimento de redes de cooperação científica interdisciplinar. Assinala-se positivamente a criação de novas formações na área, a mais recente no ISCTE-IUL, congregando uma visão interdisciplinar que parte das ciências sociais.
Contudo, urge que a sociedade portuguesa tome esta tarefa de conhecimento e proteção do Oceano como sua. Para tal é preciso trazer mais gente para a academia para se especializar, mas também sair mais da academia para divulgar, estabelecendo roteiros fora dos circuitos habituais que congregam investigadores já conhecedores do assunto. Embora exista só um oceano, existem muitos desafios e variações regionais que ainda fazem com que seja visto no plural. Perspetivar as duas visões e saber coordená-las pode ser a única saída para a emergência oceânica.

Cátia Miriam Costa, Centro de Estudos Internacionais (ISCTE-IUL)

A gigantesca reserva de água doce escondida debaixo do Oceano Atlântico

O fundo do Oceano Atlântico esconde um tesouro muito mais valioso do que qualquer navio pirata: água doce.
Embora soe estranho, um grupo de geólogos da Universidade de Columbia, em Nova Iorque, afirma que na costa nordeste dos Estados Unidos há quase 3 mil quilómetros cúbicos de água doce presa em sedimentos porosos sob a água salgada do mar.
A descoberta, embora surpreendente, era algo do qual já se suspeitava. Especialistas acreditam que esses tipos de depósito de água doce são abundantes, mas muito pouco se sabe sobre os seus volumes e a sua distribuição no planeta.
Os cientistas acreditam que este aquífero é o maior já encontrado. Eles o avaliam como "gigantesco".
Segundo os seus cálculos, a reserva vai da costa do estado de Massachusetts até Nova Jersia e abrange cerca de 350 km da costa do Atlântico nessa região dos Estados Unidos.
Se a reserva estivesse na superfície, formaria um lago de cerca de 40 mil km2.
Como é que a reserva foi encontrada?
Para detectar a reserva de água, os investigadores usaram ondas eletromagnéticas.
Uma pista que eles já tinham é que, nos anos 70, algumas companhias petroleiras que perfuravam a costa não extraíam petróleo, mas sim água doce. Os investigadores, no entanto, não sabiam se eram apenas depósitos isolados ou algo muito maior.
Agora, para conhecer a área em detalhes, lançaram sondas a partir de um barco para medir o campo electromagnético nas profundezas.
A água salgada é melhor condutora de ondas electromagnéticas do que a água doce, então, pelo tipo de sinais de baixa condutância que receberam, eles puderam concluir que havia água doce lá embaixo.
Eles também concluíram que os depósitos são mais ou menos contínuos, estendendo-se da linha da costa até cerca de 130 km mar adentro. Na sua maioria, eles estão entre 180 metros e 360 ​​metros abaixo do fundo do oceano.
Como a água chegou lá?
Os geólogos acreditam que a água doce pode ter sido armazenada ali de duas maneiras.
Por um lado, acredita-se que no final da Idade do Gelo, grandes quantidades de água doce acabaram presas nos sedimentos rochosos, algo que os especialistas chamam de "água fóssil".
Mas as pesquisas recentes mostram que os reservatórios provavelmente também se alimentam de chuva e de corpos de água que se infiltram através dos sedimentos na terra e alcançam o mar.

Ela pode ser consumida?

Os investigadores dizem que, de maneira geral, a água do aquífero é mais doce perto da costa e mais salgada à medida que entra no mar. Isso pode significar que, com o passar do tempo, os dois tipos de água vão se misturando.
A água doce terrestre geralmente contém sal em quantidades inferiores a uma parte por mil. Esta é a mesma quantia que encontraram na reserva aquática perto da costa. Nos seus limites externos, o aquífero alcança 15 partes por mil. Em comparação, a água do mar normalmente tem 35 partes por mil.
Segundo explica o geofísico Kerry Key, co-autor do estudo, para usar água das partes mais distantes do aquífero seria preciso dessalinizá-la para a maioria da sua utilização, mas, em todo caso, o custo seria menor do que processar água do mar.
O estudo de Key sugere que essas reservas poderiam ser encontradas em muitas outras partes do mundo, e poderiam fornecer água potável a lugares áridos que precisam urgentemente dela.
"Provavelmente não tenhamos que fazer isso nesta região", disse Key num comunicado. "Mas se pudermos demonstrar que existem grandes aquíferos em outras regiões, isso poderia representar um recurso adiconal em lugares como o sul da Califórnia, a Austrália ou a África."

Mar adentro: na lota o preço desce, na loja sobe.


Do pescado português, mais de 39 mil toneladas seguem para Espanha. Para combater o aumento das importações, o preço sobe nas lojas, mas na lota continua pequeno como a sardinha. Apesar da quebra do preço na lota, a enguia continua a ser o peixe com o preço mais elevado. Sardinha está dentro da média.

Os portugueses consomem sardinha como ninguém, mas nem só da sardinha vive o povo português, nomeadamente os que se dedicam à pesca.
Ao longo dos anos verifica-se uma tendência: enquanto o valor médio dos diversos peixes aumenta, o número de capturas diminui drasticamente. Uma das afirmações mais ouvidas quando chega o tempo quente, e este convida a um peixe no carvão, é que “o peixe está caro”. E a afirmação é capaz de passar no polígrafo, pois grande parte dos preços dos peixes capturados em 2018 ficaram mais caros.
No entanto, enquanto em 2017 a enguia estava a ser vendida a 158,94 euros ao quilo, em 2018 este valor fixou-se em 74,09 euros. E o mesmo se verificou com a dourada e atum, que viram os preços descer alguns cêntimos.
Apesar de Mário Centeno reafirmar que está tudo bem com o país, o mesmo não se verifica na balança comercial piscatória. As exportações representaram 1.118 milhões de euros, mas o valor das importações continua a ser superior, com 2.193 milhões de euros. Esta diferença desequilibra a balança comercial.
Dos principais destinos de exportação, Espanha é o que mais se destaca, recebendo mais de 39 mil toneladas. Dentro da UE, Itália e França também sobressaem, com 993 e 835 toneladas, respetivamente. No que toca aos restantes mercados, Angola, Canadá e os EUA estão praticamente ao mesmo nível.
Com o mar frio de Sesimbra a liderar o número de capturas, Matosinhos segue-lhe os passos, e Aveiro ainda se consegue colocar no pódio.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Primeiros navios cargueiros elétricos do mundo começarão a operar na Bélgica e Holanda


Nos próximo tempos, o porto de Antuérpia, na Bélgica, vai se tornar uma atracção internacional. É que o primeiro navio cargueiro eléctrico do mundo, o Port-Liner, entrará em operação ali, após atraso do inicio desta iniciativa.
Já sendo chamado de “Tesla dos Canais”, o novo barco foi desenvolvido graças a uma parceria entre a comunidade de Antuérpia e a Comunidade Europeia, num investimento total de pouco mais de 200 milhões de euros. O objectivo do projecto é reduzir o tráfego de camiões nas estradas do país.
Port-Liner é apenas um dos navios que estão em construção. No total, serão cinco barcos pequenos, com 52 metros de comprimento e 6,7 de largura, e outros seis grandes, com 110 metros de comprimento e capacidade para carregar até 270 contentores. Os menores poderão acomodar 24 contentores com um peso total de 425 toneladas.
Os barcos foram projecyados pela empresa holandesa de arquitetura naval Omega. Os menores conseguirão viajar por 15 horas e os maiores por 35 horas, utilizando somente a eletricidade proveniente das baterias instaladas no deck.
A recarga completa da bateria dos navios cargueiros de 52 mt leva quatro horas e quando necessário, ela pode ser substituída por outras existentes no porto.
Os barcos de grande porte serão utilizados nos trajectos entre os portos de Roterdão, Amsterdão, Antuérpia e Duisburg. 
“Todos eles já estão totalmente alugados para companhias de transporte marítimo e grandes empresas de contentores. Caso contrário, não começaríamos a construí-los”, afirmou Ton van Meegen, CEO da Port-Liner.
O custo dos cargueiros menores é de 1,5 milhão de euros e os maiores, 3,5 milhões. Meegen garante que o valor não é mais alto do que o de um barco movido a diesel.

terça-feira, 18 de junho de 2019

G20 avança com medidas para reduzir plásticos nos Oceanos


Os ministros da Energia e do Meio Ambiente do G20 chegaram a acordo e decidiram criar uma estrutura internacional para sensibilizar as populações para a necessidade de reduzir a quantidade de plástico no oceano.
Este “é um assunto que requer uma acção urgente tendo em conta o seu impacto negativo nos ecossistemas marinhos […] e, potencialmente, na saúde humana”, referiram os decisores políticos, numa declaração conjunta no final da reunião de dois dias, que decorreu em Karuizawa, no Japão.
Um relatório da ONU divulgado no passado já tinha alertado para o facto de serem produzidas anualmente mais de 400 milhões de toneladas de plástico em todo o mundo. Destes, apenas 9% dos resíduos são reciclados. O estudo mostra ainda que, todos os anos, cerca de 13 milhões de sacos de plástico vão parar aos oceanos. "Se os padrões de consumo e gestão de resíduos continuarem, até 2050 haverá cerca de 12.000 milhões de sacos de plástico em aterros e no meio ambiente", refere o relatório, que tem como base casos de 60 países.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

“Maré vermelha” interdita banhos em praias do Algarve.


As praias algarvias entre a Ilha do Farol (Faro) e a Vilamoura (Loulé) foram interditas a banhos após o surgimento de uma mancha vermelha na água, confirmou-se junto da Autoridade Marítima Nacional. A mancha está a ser provocada de um tipo específico de algas, os dinoflagelados, que pertencem ao plâncton marinho e que podem viver também em água doce. Segundo a Autoridade Marítima Nacional, foi a Agência Portuguesa do Ambiente que avisou que a mancha é “potencialmente perigosa para a saúde pública”.

A situação já foi detetada no domingo, mas a interdição a banhos só chegou ontem. Contudo, a pesca não está proibida e os pescadores profissionais continuaram a ir para o mar entre domingo e o dia de ontem. A Polícia Marítima de Faro diz , no entanto, não aconselhar a pesca nas zonas afetadas, nem o consumo de peixe ou marisco capturado nessas mesmas regiões.