quinta-feira, 22 de abril de 2021

Cluster do mar exige dez vezes mais fundos europeus


 

"Os 252 milhões de euros de verbas europeias anunciados pelo senhor primeiro-ministro no novo capítulo que será incluído no Plano de Recuperação e Resiliência – PRR são um primeiro passo nesta estratégia a dez anos”, afirmou na passara terça-feira, Manuel Tarré, presidente do Conselho Estratégico para a Economia do Mar da CIP – Confederação Empresarial de Portugal.

“As indústrias do mar irão investir nesta década mais de €5000 milhões em Portugal para tornar os seus portos, as suas frotas comercial e pesqueira, as suas comunicações digitais submarinas, a sua indústria alimentar e o seu turismo competitivos à escala global: para tal, é necessário que o Governo atribua ao sector €2,5 mil milhões dos €61,2 mil millhões de subvenções europeias que o país irá receber até 2030”, lê-se no comunicado da CIP sobre os fundos não só do PRR, mas também do Portugal 2020 e do Portugal 2030.

“Sendo a fileira do mar uma das mais exportadoras do país, movimentando €6 mil milhões por ano correspondentes a 3% do PIB, €2,5 mil milhões em dez anos – 4% do total de verbas que a União Europeia irá colocar ao dispor de Portugal – são uma alavanca indispensável para promover o desenvolvimento do país e a mudança do seu modelo económico”, afirma Manuel Tarré.

“Este montante será aplicado na renovação dos portos, na biotecnologia azul, na indústria transformadora, na qualificação das embarcações da marinha de comércio portuguesa e, também, da frota pesqueira: a descarbonização dos combustíveis utilizados nos navios e a digitalização do seu funcionamento é fundamental para aumentar a sua competitividade no mercado mundial”.

“A renovação das frotas é fundamental para o salto que é necessário dar na qualidade do trabalho e do produto: no caso das pescas, por exemplo, as tecnologias digitais permitirão localizar as espécies certas, pescá-las de forma eficiente e sustentável, ter processos de conservação e de congelação de alta-qualidade, valorizar o produto, ganhar quota de mercado”, afirma Manuel Tarré. “Esse processo também exigirá mão de obra muito qualificada em todo o processo, a qual será mais bem paga e mais produtiva ao longo de toda a cadeia industrial”.

A requalificação dos portos e a sua eletrificação são essenciais no plano de reestruturação que importa implementar. Será também necessário lançar um vasto programa de formação e de requalificação dos 190 mil profissionais das indústrias do mar.

“Estes vários elementos são essenciais para reindustrializar Portugal a partir do potencial imenso dos seus recursos marítimos”, afirma o presidente do Conselho Estratégico para Economia do Mar da CIP, Manuel Tarré. “As indústrias do mar portuguesas são todas exportadoras, desde o turismo à indústria alimentar, cujo valor das exportações é superior ao do vinho”.

Depois de cinco anos a crescer acima do PIB entre 2012 e 2017, as indústrias do mar entraram em desaceleração em Portugal devido à falta de investimento público ainda antes da pandemia da Covid-19.

“O Governo deu um sinal que percebe que o sector do mar é central para a mudança do modelo de desenvolvimento do país”, conclui Manuel Tarré. “Não pode, por isso, deixar os investidores e os empresários sozinhos no seu trabalho”.

Foto: Junko Kimura/Getty

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