quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Drewry: Previsão de queda acentuada nos fretes marítimos durante 2026.


Segundo as projecções mais recentes da consultora britânica Drewry, os fretes marítimos de contentores deverão registar uma descida de dois dígitos em 2026, estimando-se uma redução média global de 17%.

Este alívio nas tarifas, que surge após um período de grande volatilidade e custos inflacionados, é impulsionado pela expectativa de um regresso progressivo das frotas à rota do Mar Vermelho e por um excedente de capacidade na oferta de navios. A análise indica que a normalização da passagem pelo Canal de Suez será o principal catalisador para esta correcção de preços. Nas rotas que ligam o Oriente ao Ocidente, as mais afectadas pelos desvios em torno do continente africano, a queda poderá ser ainda mais pronunciada, atingindo os 24%.

A Drewry fundamenta esta previsão na confiança de que as grandes armadoras retomarão a utilização desta via estratégica de forma mais regular durante o primeiro trimestre do ano, eliminando os sobrecustos operacionais e de combustível associados à Rota do Cabo. Paralelamente à questão geopolítica, o sector enfrenta um desafio estrutural de sobrecapacidade. A entrada em operação de um volume massivo de novos porta-contentores, encomendados durante os anos de pico da pandemia, está a inundar o mercado com uma tonelagem que supera largamente o crescimento da procura mundial. Este desequilíbrio exerce uma pressão natural e descendente sobre os fretes, forçando as companhias de navegação a ajustarem as suas margens para manterem as taxas de ocupação das embarcações.

Especialistas do sector advertem, contudo, que a velocidade desta descida dependerá do comportamento coordenado das operadoras. Se o regresso ao Suez for súbito e generalizado, o mercado poderá assistir a uma queda abrupta e desordenada dos preços; se for cauteloso, a redução será mais gradual.

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