Segundo as projecções mais recentes da consultora britânica Drewry, os fretes marítimos de contentores deverão registar uma descida de dois dígitos em 2026, estimando-se uma redução média global de 17%.
Este alívio nas tarifas, que surge após um período de grande volatilidade e custos inflacionados, é impulsionado pela expectativa de um regresso progressivo das frotas à rota do Mar Vermelho e por um excedente de capacidade na oferta de navios. A análise indica que a normalização da passagem pelo Canal de Suez será o principal catalisador para esta correcção de preços. Nas rotas que ligam o Oriente ao Ocidente, as mais afectadas pelos desvios em torno do continente africano, a queda poderá ser ainda mais pronunciada, atingindo os 24%.
A Drewry fundamenta esta previsão na confiança de que as grandes armadoras retomarão a utilização desta via estratégica de forma mais regular durante o primeiro trimestre do ano, eliminando os sobrecustos operacionais e de combustível associados à Rota do Cabo. Paralelamente à questão geopolítica, o sector enfrenta um desafio estrutural de sobrecapacidade. A entrada em operação de um volume massivo de novos porta-contentores, encomendados durante os anos de pico da pandemia, está a inundar o mercado com uma tonelagem que supera largamente o crescimento da procura mundial. Este desequilíbrio exerce uma pressão natural e descendente sobre os fretes, forçando as companhias de navegação a ajustarem as suas margens para manterem as taxas de ocupação das embarcações.
Especialistas do sector advertem, contudo, que a velocidade desta descida dependerá do comportamento coordenado das operadoras. Se o regresso ao Suez for súbito e generalizado, o mercado poderá assistir a uma queda abrupta e desordenada dos preços; se for cauteloso, a redução será mais gradual.

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