Numa decisão que volta a colocar em alerta as cadeias de abastecimento globais, a gigante francesa do transporte marítimo CMA CGM anunciou o adiamento do regresso dos seus navios ao Canal de Suez.
A decisão, tornada pública ontem, interrompe abruptamente os planos de normalização que a companhia vinha a desenhar para o início deste ano, fundamentando este recuo com o ressurgimento de incertezas geopolíticas e riscos de segurança na região do Mar Vermelho. A instabilidade, que parecia ter dado tréguas após um período de relativa acalmia no final de 2025, voltou a agravar-se, levando a armadora a priorizar a segurança das suas tripulações e embarcações em detrimento da rapidez das rotas.
Como consequência directa, serviços cruciais que ligam os mercados da Ásia ao Norte da Europa e ao Mediterrâneo ( nomeadamente as linhas FAL1, FAL3 e MEX ), serão novamente desviados para a Rota do Cabo. Este percurso, que contorna o continente africano, representa um acréscimo de milhares de milhas náuticas e pode estender o tempo de trânsito em cerca de duas semanas. Este movimento da CMA CGM surge em contraciclo com as previsões de outros operadores do sector, como a dinamarquesa Maersk, que tinha sinalizado a intenção de retomar gradualmente a passagem pelo Suez já no final deste mês. A divergência estratégica entre as principais companhias do mundo sublinha a volatilidade da situação no Médio Oriente, onde a ameaça de ataques e a tensão diplomática envolvendo o Irão voltaram a ensombrar a viabilidade de uma das artérias mais vitais do comércio mundial. Para o mercado logístico, este adiamento significa a manutenção de custos operacionais elevados, uma vez que a circulação pela ponta sul de África exige um consumo de combustível substancialmente superior e uma gestão mais complexa da frota disponível.
A CMA CGM reiterou que manterá a situação sob vigilância constante, mas a ausência de garantias de segurança robustas impossibilita, por agora, qualquer previsão concreta de regresso à normalidade na zona, mantendo o Canal de Suez num estado de subutilização que afecta directamente a economia do Egipto e a fluidez das trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente.
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