sábado, 20 de janeiro de 2018

Falta de financiamento trava Economia do Mar

A PwC divulgou um estudo onde destaca o atraso no desenvolvimento da economia do mar, derivado da falta de financiamento. Ainda assim, actividades do mar continuam em crescimento.


A economia do mar parece estar a passar por maus momentos, com as actividades ligadas ao mar a caírem há dois anos consecutivos, revela um estudo divulgado esta quinta-feira pela PwC. Uma quebra que pode ser justificada pela falta de conhecimento dessas áreas e, consequentemente, pela falta de financiamento. Ainda assim, os inquiridos considera que o mar português tem “boa qualidade ambiental”.
No estudo da PwC — “LEME – Barómetro PWC da Economia do Mar” –, há um problema por combater: o atraso no desenvolvimento da economia do mar. Contrariamente às restantes variáveis analisadas no estudo, este tema é o único que não regista uma evolução positiva no seu crescimento, estando em queda há dois anos consecutivos.
Este desempenho pode ser justificado pela falta de financiamento na actividades do mar, como explica José Marques, partner da PwC ao Jornal de Negócios (acesso pago): “A redução de estruturas no sistema financeiro provocou perda de conhecimento em diversas áreas económicas, uma dessas áreas foi o mar”. Isto faz com que, esses financiamentos, sejam realizados apenas nas áreas económicas mais conhecidas, como é o caso dos “portos e transportes marítimos”, onde o conhecimento ainda é “suficiente”. “Só se investe e só se financia aquilo que realmente se conhece e se consegue avaliar”. Por isso, explica que “o primeiro passo para resolver este problema é dotar novamente o sistema financeiro do conhecimento necessário sobre a realidade económica das indústrias do mar”.
No estudo, a PwC destaca que “a actual turbulência nos mercados financeiros tem agravado a possibilidade de obtenção de financiamento por parte de sectores que, por serem novos, não têm histórico, logo, esbarram na aprovação de produtos tradicionais de financiamento”. Uma realidade que se alarga “aos sectores tradicionais que, apesar de terem um histórico, revelam dificuldades estruturais, afastando as mesmas fontes tradicionais de financiamento”.
Ainda assim, apesar destas limitações no financiamento, as actividades da economia do mar continuam a crescer. “Se com limitações grandes ao financiamento a economia do mar tem crescido, como seria se tivesse melhor financiamento?”, questiona José Marques. Dados do Instituto Nacional de Estatística, citados no estudo, indicam que mais de 4,6 mil milhões de euros da economia portuguesa são gerados pelos mais de 160 mil portugueses que trabalham nas indústrias do mar.

Gestores reconhecem “boa qualidade” ambiental do mar português

Do total dos que defendem a boa qualidade do mar (72%), 78% afirmam que este é um argumento “usado de forma insuficiente por Portugal”. Já dos que consideraram que a qualidade do mar português é “fraca”, 96% sublinha que, no contexto europeu, as consequências da baixa qualidade no mar português são “significativas”.
Entre o total dos inquiridos, 39% refere que “acontece frequentemente” a presença de lixo no mar português e 24% diz que se verifica, com regularidade, situações de sobrepesca. Por sua vez, 77% diz que há um risco “reduzido” de se encontrarem resíduos radioativos e 62% defende a mesma posição face ao desmantelamento de navios no mar português. Relativamente ao impacto, 61% considera que a verificar-se derrames será “elevado” e 88% defendem a mesma posição em relação aos resíduos radioativos.
Conforme indica o ‘LEME’, “dos nove riscos analisados, sete (78%) estão no quadrante de risco e o impacto acima do razoável, a tender para o elevado. Assim, embora Portugal tenha uma muito boa qualidade da água, comparativamente com outros países europeus, está sujeito a riscos e possíveis impactos elevados, que podem vir a afetar negativamente a sustentabilidade ambiental, caso não se mantenha, no terreno, uma ação constante de monitorização e de mitigação de riscos”.
A PwC nota ainda que, ao solicitar aos inquiridos sugestões para que Portugal seja uma referência, no contexto internacional, em termos de boa qualidade ambiental do mar, de uma forma geral, foram referidas, entre outras, o tratamento de resíduos urbanos e industriais, o reforço da educação ambiental e o uso de energias limpas. Sobre o impacto futuro da economia do mar na revolução digital, 90% dos inquiridos diz que é “elevado”, 8% refere que é “médio” e 2% defende que é “baixo”.
Fonte: ECO




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