terça-feira, 29 de agosto de 2017

Oceanário de Lisboa foi eleito o melhor do mundo


Temos o melhor jogador do mundo, em julho recebemos o título de melhor moscatel e, ainda no mesmo mês, o de melhor restaurante no mundo. Em agosto, junta-se mais um à lista: o de melhor oceanário.
O Oceanário de Lisboa, que fica no Parque das Nações, foi considerado o melhor do mundo pelos utilizadores do Traveler’s Choice do site TripAdvisor. Esta é já a segunda vez que o espaço é distinguido pelo site de viagens e turismo como o que melhor impressão causa nos visitantes. A primeira distinção foi em 2015.
Das mais de 28 mil avaliações feitas no site, cerca de 18 mil têm a classificação de “Excelente”. Mais: posicionam o oceanário em primeiro lugar das 429 experiências a viver em Portugal.
A segunda e terceira posição do Top 10 apresentado pelo TripAdvisor, foram ocupadas pelo Ripley”s Aquarium Of Canada, no Canadá, e o Georgia Aquarium, nos Estados Unidos da América, respetivamente. A lista completa está disponível online.
Fonte: NIT

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Há mar e mar…



Portugal pode e deve estar na linha da frente das respostas a dar às novas interrogações colocadas pelo mar. O INESC é o ponta-de-lança nacional, saibam os governos aproveitá-lo.

Interessa-me hoje, em contraciclo e para escapar ao marasmo silly do discurso morno e letárgico, que tende para a irrelevância com tons de nostalgia ou assomos sentimentalistas, falar sobre o mar. Quero falar do mar enquanto força motriz global e portuguesa, enquanto repositório infindável de riqueza sustentável e perspectivado como factor-chave da saúde ambiental do planeta.

É clara a tendência mundialmente observada para o crescimento da procura, intrinsecamente ligada ao crescimento demográfico. As indústrias marítimas, a economia do mar (a “economia azul”) têm aqui, neste cenário global, um papel decisivo a desempenhar, quer no âmbito do afinamento das respostas proporcionadas pelas indústrias “estabelecidas” – das pescas aos portos, passando pelo turismo e pela indústria naval e de transportes –, quer ainda, talvez com maior pertinência, no que respeita às indústrias ditas “emergentes” que colocam desafios novos e impactantes, que exigem respostas inovadoras, eficientes, sustentáveis e globais. Refiro-me a áreas como as energias renováveis de fonte marítima, a energia eólica offshore, a aquacultura, a segurança e vigilância marítimas, a biotecnologia marinha ou o desenvolvimento de produtos e serviços marinhos de base tecnológica intensiva. Todas estas indústrias (e outras), propulsionadas pelo crescimento da economia global e pelos avanços das tecnologias de ponta, contêm um potencial de contribuição para a riqueza mundial que tem que ser aproveitado sem hesitações e com os olhos postos no longo prazo, com benefícios claros sobre o valor acrescentado económico e o emprego – existem projecções que estimam que o crescimento da economia azul ultrapasse o crescimento da economia mundial até 2030.
Portugal pode e deve estar na linha da frente das respostas a dar às novas interrogações colocadas pelo mar – o nosso país tem um interesse ímpar nisso mesmo e uma oportunidade inigualável para o fazer, com um território nacional (incluindo a Zona Económica Exclusiva) que pode chegar aos quatro milhões de quilómetros quadrados – mais de 90% do território terrestre da União Europeia –, se se concretizar a pretensão de extensão da nossa Plataforma Continental. Para isso, é indispensável foco nacional (não meramente conjuntural) nos objectivos fundamentais, investimento sério em I&D, aposta concreta e duradoura na inovação e networking internacional permanente e credível. O INESC é o ponta-de-lança nacional – saibam os governos aproveitá-lo.
Agora vou a banhos, de dedos cruzados.

Milhares de salmões fogem das redes para o Pacífico


Cerca de 305 mil salmões escaparam das redes de uma empresa de aquacultura canadiana, situada no estado norte-americano de Washington, para as águas do Oceano Pacífico.
As redes da Cooke Aquaculture rasgaram-se ontem e os mergulhadores ainda estão a avaliar o número exacto dos peixes que fugiram.
A espécie está listada como predadora e poderá afectar o salmão Chinook da zona. O departamento ambiental desafiou os pescadores da zona a pescarem o maior número de peixes possível.
"A nossa primeira preocupação, claro, é proteger as espécies de peixe nativos", disse Ron Warren, do departamento ambiental de Washington.

Sines como futuro do Sector Portuário


Pequena entrevista com Paulo Freitas: Vice-Presidente do Sindicato XXI, que representa a maior fatia dos trabalhadores portuários do maior Terminal do país – O Terminal XXI em Sines

É de Sines ?

Sou 6ª Geração de Sines, a minha família já cá anda no Concelho há muitas décadas. Tenho imenso orgulho de ser de cá, de viver e sentir Sines.

Há já quanto tempo está na PSA Sines?

Há praticamente uma década. Na altura ainda só tínhamos 3 gruas. Era o início de tudo. Sentia-se que ainda havia um longo caminho para percorrer. Ainda não se vislumbrava minimamente o que temos hoje por cá. Mas todos os que estamos praticamente desde do inicio, temos orgulho do que “criamos” por cá.

Havia alguma perspectiva?

Perspectiva sempre existiu. Uma companhia estrangeira (PSA) a investir forte em Sines, um cliente reputado ao nível do melhor que há no mundo ( MSC ), tinha que existir perspectivas positivas. Mas nem sempre foi fácil. Ainda houve um longo caminho a percorrer.

Não foi fácil em que sentido ?

Não foi fácil no sentido de sermos poucos na altura, apesar dos primeiros que vieram para a empresa já terem muitos anos de estiva. Havia experiência de um lado e irreverência por outro do lado do pessoal que entrou. Uma boa mistura. Fez-se muita coisa que hoje em dia não se teria feito e catapultamos o Terminal XXI para aquilo que se tornou hoje. O maior terminal do país. Com níveis de produção altos, e trabalhadores com enorme qualidade. Qualquer empresa teria orgulho em ter os activos que esta empresa possui. Temos homens de garra que sabem o que custa trabalhar num sector competitivo.

Entretanto o Terminal XXI cresceu muito mais. Que pensa sobre essa ponte do passado e futuro ?

Cresceu em espaço, maquinaria, movimentação e em trabalhadores. Cresceu rápido, e por ter crescido tão rápido, a planificação prevista não foi acompanhando essa evolução tão veloz, que acho que surpreendeu até a própria empresa. O crescimento fez aumentar as necessidades, tanto de soluções, como de novas caras. Mas sei o que o futuro é risonho, mas tem de se ir mais ao encontro das expectativas que todos cá fora, no terreno possuem.

Que expectativas essas?

Que fazem parte de um enorme projecto, que irá ser ainda maior no longo prazo. Que iremos ter uma maior redestribuição de tudo o que for conseguido. Só conseguindo essa maior justiça no rácio ganho/produtividade é que seremos todos uma empresa ainda maior. O nosso objectivo é a melhoria contínua de todas as condições, sejam de trabalho, segurança ou carreiras/progressões.


Quantos associados possuem? O que levou a aderirem à Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários?

Já estamos a caminho dos 600 associados. E queremos atingir essa meta o mais rápido possível, porque a união realmente faz a força. Queremos aumentar a nossa representatividade e poder negocial, e isso só será possível com a força de todos. Acredito que é possível e iremos fazer tudo para que tal se torne uma realidade. A adesão à Federação aconteceu num momento sensível entre nós Sindicato e a empresa. Mas já estava programada há vários meses, foi no momento certo. A meu ver, quando concluímos o processo de adesão, quebramos um certo isolamento que possuiamos. E esta união, deixa-nos mais perto de outros colegas por todo o país e para concretizarmos por objectivos comuns.

Que objectivos tem em mente ?

É obvio que a redução da idade de reforma para os trabalhadores portuários e a sua inclusão nas profissões de risco estão no topo da lista. O desgaste provocado pelos turnos, pela profissão em si, merecia outro cuidado por parte de quem nos governa. É imperativo que haja mais atenção para uma profissão que no seu colectivo faz de facto mexer com a economia deste país. Só o Porto de Sines já é equivalente a 2,5% do PIB. Ainda há um caminho a percorrer, e acredito que não deveremos desistir dos nossos objectivos.


Pensamentos sobre a greve que existiu no Terminal XXI recentemente?

Foram momentos complicados e de conflito. Permaneceu o bom senso após um braço-de-ferro tremendo. Houve sempre tensão durante o período de duração da greve. No fim venceram os trabalhadores, porque o esforço total vieram de todos aqueles que se uniram e fizeram do sucesso da greve uma realidade. Portaram-se todos lindamente e tenho orgulho em dizê-lo. Foram todos de uma força extraordinária.


Que pensa sobre o Terminal Vasco da Gama ?

Relembro que já no anterior governo de José Sócrates já se tinha falado nisso. E não se concretizou. Acredito que possa existir interesse, mas acho que ainda está numa fase embrionária e prematura. Mas considero um sinal positivo o investimento da APS – Administração do Porto de Sines, no valor de 88 milhões de euros para o aumento do molhe leste. Os projectos que surgirem são da responsabilidade dos investidores, dos governos e da administração portuária. Tudo o que vier para aumentar o portfólio de Sines no sector portuário, com todas as condições de projecção, investimento e impulsionamento serão sempre bem-vindos, nunca esquecendo as condições de segurança, trabalho e laborais. É esse “todo” que faz com que as coisas funcionem da melhor maneira.


É Candidato à Câmara Municipal de Sines nas próximas eleições? Que influência acha que um Presidente de Câmara deveria ter no sector portuário?

Sou, e é um orgulho esse papel que foi atribuido. Acredito que tem de manter um contacto sempre próximo, não só com a Administração Portuária, mas igualmente com as empresas que compõem esse importante cluster local. Sentir os problemas, encaminhando sempre para os melhores caminhos, com soluções à altura dos acontecimentos. Tem de existir uma enorme sensibilidade para com as várias centenas de trabalhadores que por lá trabalham no Porto de Sines. Acredito que tem de se ter igualmente, um olho para o futuro, na captação de mais investimento empresarial para a região. Com um Porto de Sines com as condições que tem, com a internacionalização que já possui, chegando aos cinco continentes, isso é uma mais valia, não só para as empresas locais mas um sinal mais de atractividade para aquelas que veem Sines como um ponto de aposta. Sines é o futuro do país, e acredito plenamente não só na capacidade que temos para atrair e manter esses investimentos, como os que já cá estão e utilizar o potencial de uma população com muita capacidade de trabalho e de produção para fazer existir este crescimento que tanto necessitamos. Temos de apostar na sustentabilidade dos projectos, porque tem de existir uma planificação de futuro e não somente no curto prazo. Mas se acredito que deveremos ter mais empresas, mais investimento e mais emprego, acredito que esse emprego tem de ser bem remunerado, com condições de trabalho de qualidade. Não acredito num capitalismo que esmaga as pessoas, mas acredito numa ligação entre a valorização da empresa e dos seus trabalhadores, como uma ligação forte de entreajuda. Será que há investidores e empresários para dar o salto para uma melhor relação de futuro? Em que haja um maior interesse nas pessoas e não somente nos números? Quero acreditar que algum dia isso será possível na globalidade das empresas e não só em algumas. Politicamente não é uma questão de esquerda ou direita, mas sim de justiça e de aposta certa nas pessoas. Vejo Sines como a Capital da Economia do Mar, e é através desta visão que todos deveriam projectar o futuro deste Concelho.

MSC à beira de encomendar 11 navios de 22 mil TEU


O contrato, com um valor global estimado em 1,5 mil milhões de dólares, será dividido entre a Samsung Heavy Industries (que construirá seis navios) e a a Daewoo Shipbuilding & Marine Engineering (que assegurará os restantes cinco).
A confirmar-se, este negócio segue de muito perto a encomenda de até nove navios de 22 mil TEU colocada há dias pela CMA CGM junto de dois estaleiros chineses.
A MSC, recorde-se, é parceira da Maersk Line na 2M, sendo que a companhia dinamarquesa, número um mundial, já descartou a colocação de novas encomendas nos tempos mais próximos por considerá-las injustificadas.
A SeaIntel foi a mais recente consultora a alertar para os riscos do regresso do excesso de capacidade no Ásia-Norte da Europa.

Tiago Pires: “Portugal pode ser uma potência mundial do surf”

Tiago Pires, também conhecido por “Saca”, passou a adolescência em Alvalade mas aproveitava todos os fins de semana e algum tempo livre durante a semana para surfar na Ericeira com o irmão, Ricardo, e um amigo. Foi assim que começou uma carreira a competir ao mais alto nível, onde esteve ao lado da elite mundial desta modalidade, como o australiano Mick Fanning, o norte-americano Kelly Slater ou o brasileiro Adriano de Souza.


Numa entrevista ao Jornal Económico, Tiago Pires recorda os primeiros campeonatos pelo país, as disputas com Slater e como esta modalidade lhe trouxe a independência financeira. O ano passado anunciou o adeus ao circuito mundial e não se coíbe de fazer elogios a Frederico Morais, surfista que fez história no passado mês de Julho ao tornar-se no primeiro português a classificar-se para uma final nesta competição.
A sua carreira confunde-se com a evolução do surf em Portugal. Quando é que o miúdo lisboeta, hoje com 37 anos, trocou o Bairro de Alvalade pela Ericeira?

Cresci em Lisboa, mas a Ericeira, sobretudo a praia de São Lourenço, sempre foi o meu destino de férias. E assim começou a paixão por andar na praia e no mar. Na adolescência comecei a ficar viciado no surf e praticava sempre que encontrasse algum tempo livre. Ainda na escola comecei a receber patrocínios para surfar. Aos 18 anos assumi o compromisso de parar de estudar (gostava muito de línguas, português e geografia) e ser profissional desta modalidade. Mudei-me de armas e bagagens para a Ericeira até regressar novamente a Lisboa há mais de dois anos.

Quanto lhe pagaram no primeiro contrato?
Recebi o meu primeiro ordenado aos 16 anos: 150 contos por parte da Quiksilver. Entre os 16 e os 18 anos já tinha dinheiro para viver sozinho e sempre investi muito na minha carreira.
E a reação da família?

Foi complicada. O surf era um desporto mais pequeno do que é hoje em dia e quase não se via casos de sucesso. Os melhores portugueses deviam receber salários à volta dos mil euros no máximo. Mas desde cedo comecei a dar provas de que poderia ter uma carreira internacional. O meu irmão tem mais quatro anos do que eu e começou a competir antes de mim. Hoje em dia é pintor, artista e ajuda-me nos negócios. Ele nunca se deu bem nesta modalidade e minha mãe (escriturária, o pai cenografista) tinha algum medo por mim. No entanto, apareceu uma pessoa muito importante na minha vida, o José Seabra. Ele já tinha trabalhado em departamentos de marketing de marcas estrangeiros, viajou pelos EUA e viu em mim um potencial surfista internacional. Começámos a trabalhar e, como em tudo na vida, é preciso correr riscos. Foi uma aposta ganha. Mais tarde passei para outra marca, a Billabong, um contrato que me permitiu fazer um circuito mundial.


E como era o surf em Portugal?

Aos 17 anos comecei a lutar pelo maior título português profissional. Eram cinco, seis ou sete provas espalhadas pelo país inteiro, de Norte a Sul, com os melhores surfistas portugueses. Iamos de carro, uma coisa muito familiar. Depois passei do circuito de qualificação para a elite do surf mundial. É a grande arena, com inúmeras provas espalhadas pelo mundo inteiro.

Nesta elite do surf mundial, onde se encontra também o Frederico Morais…

Fiz sete temporadas no WCT. Andei várias vezes na casa dos 20 melhores do mundo. Derrotei pelo menos três vezes o Kelly Slatter, que era considerado intocável. Lembro-me que ficou muito chateado quando lhe ganhei em Bali. Deu-me os parabéns de raspão. O Frederico tem o futuro em aberto.

As discussões entre surfistas são frequentes?

Tive três ou quatro em 18 anos de carreira. Dentro de água sempre fui um felino a competir, mas sempre joguei no limite do razoável.

O que faz um surfista quando perde as pranchas?

Já me aconteceu. Fui fazer um campeonato na Costa do Sauípe, no Brasil, e tinha um voo direto. Acabei por chegar lá sem pranchas e tive de pedir emprestadas aos meus colegas. Às vezes chegamos a viajar com 10 pranchas e um saco de roupa.


É fácil um surfista deslumbrar-se?

É fácil acontecer. Mas isso é o que separa um surfista atleta de outro que não pensa como atleta. Se nos deixamos cair nessa teia de aranha as coisas podem descambar. Os surfistas vivem de contratos de imagem e nenhuma se quer associar a um surfista que é conhecido pelas festas. Acho que o surf se tem profissionalizado muito nos últimos cinco anos e o grau de exigência é tão grande que os surfistas não se podem dar a esse tipo de coisas.

Quanto é que um surfista de topo pode ganhar por mês?

Hoje em dia a tabela inflacionou muito. Temos surfistas que estão na ordem dos quatro milhões de euros por ano. E temos surfistas que estão na ordem dos 200 mil euros anuais. Isto dentro da elite. Eu sempre fui um privilegiado que abri as portas do desporto neste país e tive um grau de atenção bastante elevado. Num surfista de topo os contratos são pagos pela casa mãe das marcas. Em 2010 assinei um contrato com a Quiksilver de 10 anos. É uma coisa única na Europa. O meu contrato também se dividiu nos momentos de competição e de pós competição.

Ganhou muito dinheiro ao longo da carreira?

Não me considero uma pessoa rica. Tenho dinheiro para viver confortavelmente. Fiz bons investimentos em imobiliário, tenho casas na Ericeira e em Lisboa. Sempre fui bastante conservador. Tenho um estilo de vida que me permite desfrutar da família.


O ano passado anunciou o adeus ao circuito mundial. Ainda participa em pequenos campeonatos?

Agora faço alguns campeonato pontuais, denominados ‘special events’. Não fazem parte de nenhum circuito. Não tenho de me preparar como um louco. Tenho a minha escola de surf, na Ericeira, professores e o meu irmão ajuda-me a gerir o negócio. Vejo também o meu futuro um pouco como organizador de eventos de surf com as camadas mais jovens.

Como avalia o feito do Garrett McNamara na Nazaré?

É um milagre. Um havaiano ter aceite um convite de portugueses, nem sabia bem para onde ia, e que acreditou naquele projeto. Várias pessoas foram lá antes dele e não aceitaram porque não quiseram pôr em risco a própria vida. Cheguei a fazer surf na Nazaré, nas ondas grandes, e percebi que é um sítio muito complicado. Nunca tive essa vontade de perseguir a maior onda do mundo.

Gostava que o seu filho fosse surfista?

Gostava. Aprendemos a respeitar a Natureza, a respeitar o mar. Dá-nos muita paz e equilíbrio à vida. Mas ele vai escolher o que quiser. Não serei aquele pai que vai pressioná-lo a fazer alguma coisa.

Os estudos apontam para que a economia do surf represente 400 milhões de euros. Este número pode crescer?

Quando falamos em 400 milhões já estamos a incluir o turismo de surf. Em termos de grandes campeonatos estamos bem servidos e isso prova que estamos muito à frente. Melhorando as infraestruturas que temos, acredito que possamos duplicar os 400 milhões. Temos muito talento. O Governo pode também apostar mais no surf e acho que há um trabalho que deve ser feito: a maneira como agarramos nos jovens e os lançamos para o futuro. Se o Governo começar a apoiar mais, Portugal pode ser uma potência mundial e o surf um desporto que pode produzir campeões do mundo.



Feira de negócios sobre o mar regressa a Portugal em 2018



Portugal vai receber no próximo ano a feira de negócios Biomarine dedicada à economia do mar. Cascais volta em 2018 a receber a Biomarine, que anualmente promove oportunidades de negócio e o desenvolvimento de investimentos, disse esta sexta-feira o presidente executivo (CEO) do evento, Pierre Erwes. Esta não é a primeira vez que Cascais recebe o evento — já tinha acontecido em 2014.

“Vai ser em Cascais, por que há uma boa sinergia. [..] E há um claro entendimento entre os governantes, a câmara municipal e nós adoramos o local e esperamos convencer o príncipe Alberto [do Mónaco] a voltar, porque ele também adora o local”, informou o CEO. O mesmo anúncio foi feito esta sexta-feira pelo Ministério do Mar.
Depois de a vila ter recebido o evento em 2014, Erwes já fez saber que haverá algumas alterações no próximo ano, como diversificação de reuniões, um novo tipo de exposição e o acompanhamento dos negócios fechados este ano. “Portugal escolheu-nos. É como quando se está viciado, é um país que vive junto do mar, que vive para o mar e não havia melhor local do que Portugal e, por isso, decidimos voltar e o que o país fez em cinco anos, é o líder azul da Europa”, justificou ainda o CEO.
Erwes informou que estará disponível para o público a iniciativa “my blue city [a minha cidade azul] para “se compreender o potencial de Portugal, tal como as tecnologias e os recursos” do país. O anúncio aconteceu depois da assinatura de um protocolo entre a Direcção-Geral de Política do Mar, a Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos e a Biomarine Organization Clusters Association, em Lisboa.
A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, disse que este protocolo visa dar “maior centralidade às empresas portuguesas, no âmbito do Biomarine, que é a maior rede internacional em termos de parcerias na área do mar e engloba indústrias, mas também centros de investigação”. Este evento anual inclui conferências, encontros de alto nível e encontros um para um, enumerou a governante.
A edição deste ano decorre em Rimouski, Quebec (Canadá), onde Ana Paula Vitorino estará presente de 1 a 3 de outubro para assistir ao plenário de abertura do Biomarine 2017. Esta sexta-feira foi assinado um protocolo entre a Direcção-Geral de Política do Mar, a Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos e a Biomarine Organization Clusters Association.
Fonte: ECO

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Economia do mar: o maior recurso natural português



Este é um dos poucos sectores nacionais em que a matéria-prima é nossa, não necessitamos de terceiros e de importações para o explorar.

O mar é reiteradamente considerado um dos grandes desígnios nacionais, com um enormíssimo potencial por explorar. Os países mais ricos são os que têm recursos naturais abundantes, mas acima de tudo que os aproveitam e Portugal tem sem dúvida um filão inexplorado ao nível do mar. Fazem-se estudos, relatórios, estratégias e planos, programas e acções visando potenciar o mar enquanto factor de desenvolvimento socioeconómico, mas há um consenso geral quanto ao subaproveitamento das virtualidades do mar português, ainda que muitos e valorosos esforços tenham sido feitos para dinamizar os nossos recursos marítimos e costeiros.
É certo que o mar continua a ser um dos grandes atrativos do país, principalmente traduzido pela contínua aposta nas pescas, pelo desenvolvimento significativo do setor portuário comercial e turístico e pelo facto de os desportos náuticos, com o surf à cabeça, serem hoje atividades economicamente atrativas. Ainda assim, apesar de a economia do mar representar hoje cerca de 3% do PIB português, o potencial daquela que é a 3.ª maior zona económica exclusiva da União Europeia e a 11.ª do mundo continua a estar muito longe de ser explorado na sua plenitude, traduzindo-se em emprego, indústria e desenvolvimento tecnológico.
É de louvar a atitude deste Governo, que colocou o foco no desenvolvimento do setor, incluindo a criação de um Ministério dedicado, que muito tem feito por forma a efetivamente definir uma estratégia e um plano de ação de longo prazo para modernizar e dinamizar a economia do mar, nomeadamente as atividades tradicionais de grande relevância, como a pesca, o turismo, os transportes marítimos, a construção e a reparação naval, entre outras. Estratégia essa que permite, em simultâneo, promover o crescimento de novas atividades de grande valor acrescentado, que podem ter relevância substancial para o país, como a construção de eólicas offshore, a exploração energética das ondas e marés, a aquacultura, o aproveitamento das embarcações a GNL, a biotecnologia, a produção de algas ou o desenvolvimento de tecnologias marítimas.
Não tenho dúvidas de que este é o caminho a seguir e de que o Governo, em particular a Sra. Ministra do Mar, parece verdadeiramente empenhado em promover a emergência deste setor de recursos naturais nacionais. Acima de tudo, não podemos perder o comboio europeu e mundial, tendo nós condições extraordinárias para criar um verdadeiro cluster nacional tecnológico e industrial, potenciando a criação de valor e a geração de postos de trabalho, como outras congéneres europeias estão a fazer com grande sucesso.
Seria uma oportunidade perdida para o país se essa vontade política não tivesse consequências positivas significativas. Até porque Portugal reúne condições para mudar o paradigma da fileira, como fez noutros setores como os têxteis, o calçado, a metalomecânica ou os moldes. Ao nível da economia do mar, temos uma longa tradição empresarial, novas empresas com know-how altamente especializado, investigação científica de excelência, capacidade de inovação e ecossistemas de empreendedorismo.
A recente notícia da criação do anunciado Fundo Azul, com uma dotação inicial de 13,6 milhões de euros, que irá financiar startups de base tecnológica a operar no cluster marítimo, é desde já um excelente passo para financiar e dinamizar projetos que envolvam investigação, desenvolvimento e inovação – atividades que, como sabemos, são de longo prazo e exigem investimentos consideráveis.
Talvez fosse conveniente complementar este mecanismo com outras fontes de financiamento, nomeadamente capital de risco e linhas de crédito, por forma a financiar projetos baseados no conhecimento, com grande intensidade de tecnologia e inovação. Para este tipo de projetos, o desenho do sistema de incentivos deve ser mais ambicioso. Este é um dos poucos setores nacionais em que a matéria-prima é nossa, não necessitamos de terceiros e de importações para o explorar. Portugal pode afirmar-se e competir com qualquer empresa do mundo, aproveitando os seus próprios recursos naturais. No entanto, apesar de sermos dos países que mais peixe consome per capita, a maior parte é importado e de aquacultura!
Porque não aliamos a tradicional indústria metalomecânica e de construção naval às renováveis oceânicas, à aquacultura offshore, às tecnologias emergentes, reconvertendo ou dinamizando as infraestruturas portuárias existentes, atraindo e apoiando empresas portuguesas que se mostrem interessadas e competentes para nelas investir, potenciando novos clusters industriais? Não basta a estratégia e a vontade, é preciso ação e conjugação entre o setor privado e a estratégia pública para que este não seja um desígnio continuamente difundido, mas sim aproveitado.
Se conquistámos o mundo há séculos, fruto da nossa audácia e empreendedorismo, devemos entender hoje que podemos estar novamente na linha da frente, ter ambição e iniciar uma nova época dos Descobrimentos, explorando neste caso o nosso próprio mar e os nossos próprios recursos.

O que não acaba no lixo acaba no Mar [ Com Vídeo ]


Primeira campanha da Fundação Oceano Azul visa alterar comportamentos para salvar o Oceano
A Fundação Oceano Azul e o Oceanário de Lisboa, em parceria com a Olá, lançam campanha com o mote «O que não acaba no lixo acaba no mar». A iniciativa visa alertar os portugueses para um dos maiores problemas ambientais do planeta: o lixo marinho, em particular a poluição por plástico. Esta é a primeira campanha publicitária da Fundação Oceano Azul, que, através da sua missão de contribuir para a sustentabilidade do planeta do ponto de vista do oceano, amplifica a importância da participação de cada um na redução do lixo que chega ao mar e às praias diariamente.
A campanha “O que não acaba no lixo acaba no mar” foi desenhada para informar sobre a importância de colocar o lixo no sítio adequado e para consciencializar as pessoas sobre o impacto negativo dos seus comportamentos.
«Não há, ainda, uma consciência inequívoca sobre a importância de colocar o lixo no sítio certo. O que pretendemos com esta campanha é alertar as pessoas para a possibilidade de o lixo acabar no mar, degradando assim o ambiente marinho e atingindo milhões de espécies» refere o CEO da Fundação Oceano Azul, Tiago Pitta e Cunha.
Com três filmes publicitários televisivos, nos três canais generalistas, a campanha visa informar o público de forma directa e simples que, o que não acaba no lixo acaba no mar. «As mensagens da campanha são claras. Se nada fizermos, o lixo no oceano continuará a matar milhares de animais marinhos todos os anos. Se nada fizermos, haverá no mar mais plástico do que peixe daqui a 30 anos», conclui Tiago Pitta e Cunha.
A poluição por plásticos é uma das maiores ameaças do oceano global. Mais de 8 milhões de toneladas de plástico chegam ao oceano anualmente, o equivalente a despejar um camião de lixo de plástico a cada minuto. Os efeitos são muito negativos para toda a vida selvagem e para os ecossistemas marinhos, com um milhão de aves marinhas e 100 mil mamíferos marinhos a morrer, todos os anos, devido à poluição por plástico (fonte: Unesco, Comissão Oceanográfica Intergovernamental). Existe a convicção de que muito do lixo que chega ao oceano não é
intencional, mas fruto do desconhecimento. A Fundação Oceano Azul, através desta campanha, vem encorajar e envolver os portugueses a mobilizarem-se inequivocamente por um #oceano azul.




Estará o mar Morto a morrer?


A resposta à pergunta feita no título é desoladora: sim, o mar Morto está a morrer. A costa do mar Morto não é a única zona do planeta onde se abrem crateras no solo, mas é aquela onde estas se espalham com maior velocidade. O geólogo e biólogo Eli Raz chegou a Ein Gedi, em Israel, em 1973. O convite foi-lhe feito para um trabalho de poucos meses; hoje, 44 anos depois, continua a estudar este mar único e a forma como a irresponsabilidade do ser humano se reflecte na morte progressiva de um ecossistema. A paisagem da costa do mar Morto, diz no vídeo do projecto Great Big Story, “mudou drasticamente”. A primeira cratera foi registada no final dos anos 80 do século XX. Em 1980, imagens aéreas mostravam uma costa livre de crateras. Hoje, são mais de 6000. “Como pode a superfície da Terra colapsar?”, questionou-se Eli Raz. “O Homem não pensa a longo prazo, precisa de água, quer água agora, por isso é que o consumo de água aumenta e aumenta, mas as fontes não são renovadas.” As imagens aéreas impressionam: as crateras vão aumentando, engolem terra, estradas, casas, carros — e houve uma que chegou a “engolir” Eli Raz, que permaneceu num buraco durante 12 horas. “Se o nível da água do mar continuar a diminuir ao ritmo actual, o mar Morto vai secar até 2050”, acredita o especialista.

Fonte: Público