segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Sines como futuro do Sector Portuário


Pequena entrevista com Paulo Freitas: Vice-Presidente do Sindicato XXI, que representa a maior fatia dos trabalhadores portuários do maior Terminal do país – O Terminal XXI em Sines

É de Sines ?

Sou 6ª Geração de Sines, a minha família já cá anda no Concelho há muitas décadas. Tenho imenso orgulho de ser de cá, de viver e sentir Sines.

Há já quanto tempo está na PSA Sines?

Há praticamente uma década. Na altura ainda só tínhamos 3 gruas. Era o início de tudo. Sentia-se que ainda havia um longo caminho para percorrer. Ainda não se vislumbrava minimamente o que temos hoje por cá. Mas todos os que estamos praticamente desde do inicio, temos orgulho do que “criamos” por cá.

Havia alguma perspectiva?

Perspectiva sempre existiu. Uma companhia estrangeira (PSA) a investir forte em Sines, um cliente reputado ao nível do melhor que há no mundo ( MSC ), tinha que existir perspectivas positivas. Mas nem sempre foi fácil. Ainda houve um longo caminho a percorrer.

Não foi fácil em que sentido ?

Não foi fácil no sentido de sermos poucos na altura, apesar dos primeiros que vieram para a empresa já terem muitos anos de estiva. Havia experiência de um lado e irreverência por outro do lado do pessoal que entrou. Uma boa mistura. Fez-se muita coisa que hoje em dia não se teria feito e catapultamos o Terminal XXI para aquilo que se tornou hoje. O maior terminal do país. Com níveis de produção altos, e trabalhadores com enorme qualidade. Qualquer empresa teria orgulho em ter os activos que esta empresa possui. Temos homens de garra que sabem o que custa trabalhar num sector competitivo.

Entretanto o Terminal XXI cresceu muito mais. Que pensa sobre essa ponte do passado e futuro ?

Cresceu em espaço, maquinaria, movimentação e em trabalhadores. Cresceu rápido, e por ter crescido tão rápido, a planificação prevista não foi acompanhando essa evolução tão veloz, que acho que surpreendeu até a própria empresa. O crescimento fez aumentar as necessidades, tanto de soluções, como de novas caras. Mas sei o que o futuro é risonho, mas tem de se ir mais ao encontro das expectativas que todos cá fora, no terreno possuem.

Que expectativas essas?

Que fazem parte de um enorme projecto, que irá ser ainda maior no longo prazo. Que iremos ter uma maior redestribuição de tudo o que for conseguido. Só conseguindo essa maior justiça no rácio ganho/produtividade é que seremos todos uma empresa ainda maior. O nosso objectivo é a melhoria contínua de todas as condições, sejam de trabalho, segurança ou carreiras/progressões.


Quantos associados possuem? O que levou a aderirem à Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários?

Já estamos a caminho dos 600 associados. E queremos atingir essa meta o mais rápido possível, porque a união realmente faz a força. Queremos aumentar a nossa representatividade e poder negocial, e isso só será possível com a força de todos. Acredito que é possível e iremos fazer tudo para que tal se torne uma realidade. A adesão à Federação aconteceu num momento sensível entre nós Sindicato e a empresa. Mas já estava programada há vários meses, foi no momento certo. A meu ver, quando concluímos o processo de adesão, quebramos um certo isolamento que possuiamos. E esta união, deixa-nos mais perto de outros colegas por todo o país e para concretizarmos por objectivos comuns.

Que objectivos tem em mente ?

É obvio que a redução da idade de reforma para os trabalhadores portuários e a sua inclusão nas profissões de risco estão no topo da lista. O desgaste provocado pelos turnos, pela profissão em si, merecia outro cuidado por parte de quem nos governa. É imperativo que haja mais atenção para uma profissão que no seu colectivo faz de facto mexer com a economia deste país. Só o Porto de Sines já é equivalente a 2,5% do PIB. Ainda há um caminho a percorrer, e acredito que não deveremos desistir dos nossos objectivos.


Pensamentos sobre a greve que existiu no Terminal XXI recentemente?

Foram momentos complicados e de conflito. Permaneceu o bom senso após um braço-de-ferro tremendo. Houve sempre tensão durante o período de duração da greve. No fim venceram os trabalhadores, porque o esforço total vieram de todos aqueles que se uniram e fizeram do sucesso da greve uma realidade. Portaram-se todos lindamente e tenho orgulho em dizê-lo. Foram todos de uma força extraordinária.


Que pensa sobre o Terminal Vasco da Gama ?

Relembro que já no anterior governo de José Sócrates já se tinha falado nisso. E não se concretizou. Acredito que possa existir interesse, mas acho que ainda está numa fase embrionária e prematura. Mas considero um sinal positivo o investimento da APS – Administração do Porto de Sines, no valor de 88 milhões de euros para o aumento do molhe leste. Os projectos que surgirem são da responsabilidade dos investidores, dos governos e da administração portuária. Tudo o que vier para aumentar o portfólio de Sines no sector portuário, com todas as condições de projecção, investimento e impulsionamento serão sempre bem-vindos, nunca esquecendo as condições de segurança, trabalho e laborais. É esse “todo” que faz com que as coisas funcionem da melhor maneira.


É Candidato à Câmara Municipal de Sines nas próximas eleições? Que influência acha que um Presidente de Câmara deveria ter no sector portuário?

Sou, e é um orgulho esse papel que foi atribuido. Acredito que tem de manter um contacto sempre próximo, não só com a Administração Portuária, mas igualmente com as empresas que compõem esse importante cluster local. Sentir os problemas, encaminhando sempre para os melhores caminhos, com soluções à altura dos acontecimentos. Tem de existir uma enorme sensibilidade para com as várias centenas de trabalhadores que por lá trabalham no Porto de Sines. Acredito que tem de se ter igualmente, um olho para o futuro, na captação de mais investimento empresarial para a região. Com um Porto de Sines com as condições que tem, com a internacionalização que já possui, chegando aos cinco continentes, isso é uma mais valia, não só para as empresas locais mas um sinal mais de atractividade para aquelas que veem Sines como um ponto de aposta. Sines é o futuro do país, e acredito plenamente não só na capacidade que temos para atrair e manter esses investimentos, como os que já cá estão e utilizar o potencial de uma população com muita capacidade de trabalho e de produção para fazer existir este crescimento que tanto necessitamos. Temos de apostar na sustentabilidade dos projectos, porque tem de existir uma planificação de futuro e não somente no curto prazo. Mas se acredito que deveremos ter mais empresas, mais investimento e mais emprego, acredito que esse emprego tem de ser bem remunerado, com condições de trabalho de qualidade. Não acredito num capitalismo que esmaga as pessoas, mas acredito numa ligação entre a valorização da empresa e dos seus trabalhadores, como uma ligação forte de entreajuda. Será que há investidores e empresários para dar o salto para uma melhor relação de futuro? Em que haja um maior interesse nas pessoas e não somente nos números? Quero acreditar que algum dia isso será possível na globalidade das empresas e não só em algumas. Politicamente não é uma questão de esquerda ou direita, mas sim de justiça e de aposta certa nas pessoas. Vejo Sines como a Capital da Economia do Mar, e é através desta visão que todos deveriam projectar o futuro deste Concelho.

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