O Porto de Sines voltou a fechar 2025 entre os 15 maiores portos de contentores da União Europeia, preservando o 14.º lugar num ranking acompanhado pelo Prof. Theo Notteboom no âmbito das análises da PortEconomics. A manutenção da posição é relevante por si só, mas ganha outra leitura quando se olha para a velocidade a que alguns concorrentes estão a crescer e para a forma como as redes dos armadores estão a redesenhar fluxos dentro da Europa.
Do lado de quem mais acelerou, 2025 ficou marcado por subidas muito expressivas em portos como Gdansk, impulsionado pelo arranque e consolidação de nova capacidade no Baltic Hub, e por Gioia Tauro, que tem beneficiado de investimento e de uma operação fortemente orientada para o transbordo. Este tipo de crescimento, quando acontece em portos que já jogam na primeira metade da tabela europeia, “aperta” o Top 15 e reduz a margem de manobra de quem está à porta de subir, ou de quem, como Sines, precisa de manter consistência para não ficar vulnerável a um único ano menos favorável.
Ao mesmo tempo, 2025 não foi um ano linear para a cadeia logística. As oscilações de procura, o ajuste de serviços e escalas e as mudanças de planeamento das companhias (incluindo decisões sobre transbordo e ligações feeder) criaram um ambiente onde a posição no ranking depende menos de “inércia” e mais de robustez operacional, fiabilidade de janelas, produtividade de cais e capacidade de absorver picos e quebras sem perder atractividade.
No caso de Sines, o enquadramento especifico ( Período largo de mau tempo, conflito laboral e mudanças de rota), ajuda a perceber o contraste entre ciclo de subida e necessidade de consolidação. Depois de um 2024 muito forte, em que a carga contentorizada se aproximou dos 2 milhões de TEU, 2025 registou uma descida para perto de 1,7 milhões de TEU no Terminal XXI, traduzindo um recuo face ao ano anterior. Em termos práticos, isto significa que o porto conseguiu manter-se no Top 15 europeu mesmo com menos volume, o que também diz muito sobre a volatilidade do próprio mercado europeu e sobre o facto de vários portos terem atravessado um ano de ajustamentos.
O que esta fotografia sugere é simples: Sines tem escala e posição geográfica para continuar entre os grandes, mas a luta já não é apenas “estar no Top 15”. É defender conectividade e previsibilidade num mapa europeu onde alguns hubs crescem com capacidade nova e outros ganham vantagem por decisões de rede de armadores e por modelos operacionais muito orientados para o transbordo. Para subir, ( e não apenas resistir ), Sines terá de transformar a vantagem natural (Porto profundo, corredor atlântico e vocação de hub) em vantagem operacional contínua, com estabilidade laboral, capacidade de resposta ferroviária e crescimento sustentado de serviços e hinterland.

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