quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

“Sob Mares Frágeis”: Profundezas dos oceanos em exposição fotográfica.


O olhar de Pedro Camanho, académico e investigador da Universidade do Porto, serve de guia para uma incursão pelas profundezas do Atlântico, Índico e Pacífico, agora condensada na exposição fotográfica «Sob Mares Frágeis».

A mostra, instalada no Jardim Botânico do Porto, reúne mais de duas dezenas de registos de grande formato que documentam a vida subaquática em habitats cada vez mais pressionados pela actividade humana e pelas alterações climáticas. Esta iniciativa, que transpõe para as paredes da galeria o conteúdo de uma obra publicada anteriormente, procura despertar a consciência pública para a vulnerabilidade de ecossistemas que, apesar de remotos, são vitais para o equilíbrio do planeta.

O projecto artístico, apoiado por figuras da cultura como Onésimo Teotónio Almeida, afasta-se do mero catálogo biológico para se converter numa narrativa de sensibilização ambiental. Através das lentes de Camanho, o observador é confrontado com a complexidade de organismos e cenários submarinos que enfrentam ameaças invisíveis, desde a poluição por plásticos à subida persistente da temperatura das águas.

A exposição utiliza o impacto visual da fotografia de alta definição para reduzir a distância entre a sociedade civil e a realidade dos oceanos, enfatizando que a integridade dos sistemas terrestres depende directamente da saúde das massas de água que cobrem a maior parte do globo. Até ao final de Março, a Galeria da Biodiversidade mantém abertas as portas a este périplo visual, que cruza a precisão técnica do engenheiro com a curiosidade do naturalista. O percurso expositivo foca-se na necessidade de uma nova ética de conservação, onde o conhecimento científico e a expressão artística convergem para travar o declínio da biodiversidade marinha.

As imagens captadas pelo investigador funcionam como um barómetro da degradação dos mares, ilustrando a fragilidade de espécies que dependem de condições químicas e térmicas específicas para a sua sobrevivência, num momento em que a monitorização dos oceanos se torna uma prioridade estratégica para a comunidade científica internacional.

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