domingo, 25 de março de 2018

Novo cruzeiro científico irá confirmar se há crescimento de ‘stock’ da sardinha

A ministra do Mar anunciou que há dois cruzeiros científicos programados para perceber se há realmente "uma rota de crescimento ou de recuperação" da sardinha ou não.


A ministra do Mar disse em Viana do Castelo, que o cruzeiro científico a realizar na primavera “permitirá confirmar a rota de crescimento ou recuperação ou não” do stock de sardinha na costa portuguesa.
“Temos dois cruzeiros científicos programados. Um já foi feito, o de inverno. Vamos fazer agora (outro), dentro de um mês a um mês e meio, em função do estado do tempo. É na conjugação dos dois que nós vamos ver se, de facto, se confirma que existe uma rota de crescimento ou de recuperação da espécie ou não”, afirmou Ana Paula Vitorino.
Questionada pelos jornalistas, à margem da cerimónia de atribuição da Bandeira Azul à escola secundária de Santa Maria Maior, naquela cidade, Ana Paula Vitorino disse que do cruzeiro científico realizado no inverno resultou a “boa notícia do aumento substancial da biomassa (total do peso do ‘stock’ encontrado no mar), mas também a “má notícia relativamente aos juvenis que estava abaixo do ano anterior”.
“Vamos ver o que nos diz o cruzeiro, novamente. Se se mantêm os níveis de biomassa e cresceram os juvenis ou, se pelo contrário, diminuíram os juvenis. Essa seria a má notícia. A boa notícia seria, no próximo cruzeiro, confirmar-se o crescimento da biomassa e também haver crescimento relativamente aos juvenis”, referiu.
Ana Paula Vitorino adiantou que “os dois cenários já estão previstos naquilo que foi acertado entre Portugal e Espanha com a Comissão Europeia”.
“Há um primeiro período de captura até final de junho em que estão fixadas um pouco mais de sete mil toneladas para capturar, pelos pescadores portugueses e espanhóis. Depois, nessa altura, já na posse dos resultados destes cruzeiros científicos, dos dois, e da sua análise poderemos ver o que fazer a seguir e fixar a quota para o próximo ano”, disse.
Ana Paula Vitorino vai ser chamada à Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar em 4 de abril para prestar esclarecimentos sobre uma eventual alteração da quota de captura de sardinha em 2018. A convocação da ministra Ana Paula Vitorino resultou do facto de os deputados da Comissão Parlamentar de Agricultura e Mar terem aprovado por unanimidade um requerimento do grupo parlamentar do PCP nesse sentido.
No requerimento, os deputados comunistas lembraram a “relevante importância económica, social e cultural” da pesca da sardinha para Portugal e consideraram que a redução da quota de captura “traz grandes problemas à frota do cerco, aos pescadores desta frota e às comunidades piscatórias que com esta atividade se encontram interligadas”.
“A questão das quotas de captura e restantes elementos conexos exigem um acompanhamento minucioso tendo em atenção as diferentes informações e elementos que vão sendo recolhidos ao longo do tempo”, defendeu o PCP no documento. Para este grupo parlamentar, os dados recolhidos dão a possibilidade ao Governo de renegociar em Bruxelas um aumento da quota para a campanha de 2018.
No início de Março, a Associação das Organizações de Produtores da Pesca (ANOP) do Cerco revelou que o stock de sardinha na costa portuguesa, cuja pesca está proibida desde Outubro, mais do que duplicou para 120 mil toneladas em 2017, segundo os resultados do cruzeiro científico realizado em Dezembro pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Aqueles resultados, referiu a ANOP em comunicado, apontam para 120 mil toneladas de sardinha entre Caminha e o Cabo Espichel, um acréscimo de 110% face à biomassa que tinha sido avaliada em dezembro de 2016″ (57 mil toneladas).
A associação acredita que os dados da evolução do stock de sardinha a recolher pela investigação programada para Abril “irão ser ainda mais positivos”, tendo em conta a paragem da pesca que se iniciou em Outubro e que se estende até ao final de Abril. A pesca da sardinha está proibida desde Outubro e vigora até Abril, período durante o qual o Ministério do Mar paga aos pescadores para não trabalharem.
Fonte: Observador

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