domingo, 3 de setembro de 2017

Marca portuguesa vende água do mar para beber e cozinhar


Quando pensamos em água do mar imaginamos logo sol, praia e mergulhos. E quando engolimos um pirolito ficamos aflitos até porque sabe bastante mal. No entanto, há uma marca portuguesa que quer pôr o mundo a beber oceanos — desde que devidamente processados e engarrafados, claro. 
“Um dia vi uma pessoa que estava a beber água do mar e achei aquilo um disparate, uma ideia estranha, quase descabida até. Mas não deixei de ficar curioso e fui pesquisar. Rapidamente percebi que a água do mar não é um medicamento mas sim um alimento que pode trazer muitos benefícios à saúde”, conta o criador da “Água do Mar“, Paulo Palha, 35 anos, licenciado em Relações Públicas e Publicidade, e Pós-Graduado em Marketing.
Tudo isto aconteceu depois do fundador da marca ter sido pai. O desejo de viver o máximo possível para estar presente na vida do filho fez com que se interessasse mais pela nutrição e pela alimentação saudável, onde acabou por incluir a “Água do Mar”.
Na altura quis experimentar, mas não encontrava nada à venda em Portugal. “Encontrei água do mar em França, Espanha, EUA, Japão e na Coreia do Sul, e percebi que em Portugal não era comercializada. Como não estava no mercado, e como acontece em tantos outros negócios, esta marca surgiu de uma necessidade.”
Paulo Palha dedica-se a tempo a inteiro ao seu projecto “The Most Perfect View” — um site onde estão compilados os hotéis com as vistas mais incríveis do mundo —, que até já foi notícia na “Forbes“, em 2011. No entanto, arranjou tempo para avançar com um novo projecto.
A “Água do Mar” começou a ser idealizada em Janeiro deste ano, foi lançada em Agosto e já tem mais de 100 clientes.
Neste momento, a marca só vende online packs de seis garrafas de 1,5 litros por 41,33€, o que dá cerca de 7€ cada uma. A compra pode ser feita directamente no site ou através de transferência bancária. Contudo, o fundador garante que já há farmácias, parafarmácias, supermercados e lojas de suplementos interessadas em fazer a revenda.

Mas afinal, o que é que acontece à água até chegar a nós?

“As nossas praias estão sempre mais expostas à poluição, quer por descargas residuais quer por contaminação dos banhistas que a frequentam, e isso faz com que não seja a água adequada para se beber”, explica Paulo Palha.
Por isso mesmo a empresa recolhe a água numa zona de tráfego marítimo muito reduzido numa reserva natural afastada da costa. Ela é recolhida a 40 metros de profundidade, ou seja, segundo fundador, está livre de contaminação. No entanto, ainda é exposta à luz solar e isso “salvaguarda os minerais”.
Depois de recolhida, a água sofre uma microfiltração que garante que as algas e as bactérias, por exemplo, não passam. No controlo laboratorial, também é feito um despiste bacteriano, sendo que cada lote é sujeito a uma análise para controlo sanitário.

E podemos beber a água sem qualquer problema?

Não é bem assim. Primeiro, é preciso saber a diferença entre água hipertónica e água isotónica. De acordo com Paulo Palha, a água hipertónica (água no mar no seu estado puro) tem aproximadamente 36 gramas de sal por litro, enquanto que o nosso meio interno tem 9,4. “Afinal, as nossas lágrimas e o nosso suor é salgado, por exemplo.”
Como tem tanto sal, acaba por nos dar mais sede e, se consumida em excesso, pode desidratar o nosso corpo já que, quanto mais a bebemos, mais dificuldade terão os rins em eliminar o excesso de sal ingerido. Por isso mesmo, tem de ser diluída.
Para a tornar, então, isotónica (água do mar ajustada à tensão salina do nosso meio interno), que é o estado em que deve estar para a bebermos, tem de juntar “Água do Mar” em estado puro com água mineral. Por exemplo, para fazer um litro de Água do Mar isotónica devem misturar-se 250 mililitros de “Água do Mar” hipertónica e 750 de água mineral. A regra é sempre a mesma: uma parte de Água do Mar hipertónica e três de água mineral.
O fundador da marca compara beber “Água do Mar” a experimentar café sem açúcar: primeiro estranha-se mas depois torna-se um hábito. No caso de Paulo Palha, levou algum tempo até gostar de a beber. No entanto, explicou que a mulher, a actriz brasileira Joana Balaguer, bebeu a água pela primeira vez como se fosse algo normal. Para quem quer tentar, começar por colocar gotas do mar num copo de água mineral é uma solução.

Porque se deve cozinhar com “Água do Mar”?

“Na cozinha, podemos substituí-la pelo sal. A “Água do Mar” tem cloreto do sódio, mas também tem vários minerais , como iodo, magnésio, potássio e cálcio, e é uma forma de cozinhar sem estranhar o sabor. Às vezes faço risotto e massa com azeite e água do mar a substituir o sal”, conta.
Paulo Palha deu o exemplo do chef espanhol Ferran Adrià, que tem um vídeo em que apanha água do mar para utilizar nos pratos do seu restaurante. A verdade é que em Portugal, muitos restaurantes cozem o marisco com água do mar.
No site da “Água do Mar”, vão estar disponíveis várias receitas onde pode incluir esta água, como limonada do mar. 

Quais são os benefícios de consumir esta água?

Segundo a marca, a “Água do Mar” tem 70 vezes mais minerais do que a normal, é alcalina, funciona como revitalizante celular e é mais rica em cálcio e magnésio. Mais: retarda o processo de envelhecimento, reforça o sistema imunitário, acelera o metabolismo ajudando a controlar o peso, promove a eliminação de toxinas e diminui a acidez do estômago.
Paulo Palha destaca ainda o facto de poder ser colocada nos banhos de emersão, utilizando dois a cinco litros desta água, de forma a permitir que o corpo possa continuar em contacto com os minerais da água do mar ao longo do dia. Mas há mais: “Experimente bochechar com água do mar e sentirá instantaneamente o seu poder desinfectante e cicatrizante — caso tenha feridas na boca ou gengivas inflamadas.”

A “Água do Mar” é benéfica para todas as pessoas?

“Algumas pessoas reportam que quando começam a beber sentem algumas perturbações gastrointestinais, mas uma das funções da “Água do Mar” é desintoxicar o corpo. E esses sintomas são resultado dessa limpeza do corpo, até porque a Água do Mar tem propriedades laxantes pela quantidade de magnésio”, diz Paulo Palha.
Falou-se com André Casado, médico de Medicina Interna e Intensiva no Hospital da Luz de Lisboa, para perceber se a água do mar é mais vantajosa do que a água mineral. Segundo ele, as evidências em relação a isso são mínimas e não se conhecem estudos que evidenciem que a água do mar faça uma grande diferença para a saúde. 
“Esta água tem muito sal e andamos há décadas a lutar contra o seu consumo. Embora seja sempre diluída para baixar a quantidade de sal, acaba por ter na mesma. Para pessoas normais, isto é, saudáveis, não será prejudicial nem terá perigos eminentes, a não ser que alguém se lembre de ir apanhar água à praia para beber”, diz o médico.
Contudo, André Casado alerta que pessoas com insuficiência cardíaca, insuficiência renal e pedras nos rins jamais devem beber esta água. “Embora se diga que tem muito cálcio como algo positivo, isso tem sempre o lado negativo de agravar algumas doenças em que o cálcio não ajuda.”
Fonte: NIT

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