segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

Alerta para mau estado de conservação de áreas costeiras


A associação ambientalista Quercus partilhou hoje das preocupações resultantes do relatório da Agência Europeia do Ambiente de que as áreas costeiras europeias encontram-se em "mau estado de conservação".

Citando o relatório, a Quercus salienta que é nas áreas costeiras que se concentram as áreas mais decisivas para o desempenho da economia, pelo que este é um relatório que deve ter a maior atenção dos decisores políticos.
A Agência Europeia do Ambiente publicou recentemente o relatório denominado "Balancing the future of Europe's coasts", com o qual faz uma análise ao estado atual das regiões costeiras, avalia as políticas utilizadas na sua gestão e propõe uma nova abordagem europeia para a melhoria desta.
O relatório refere que a economia europeia está fortemente dependente das áreas costeiras, constatando-se que 40 por cento da população europeia vive numa faixa litoral de 50 quilómetros, 40 por cento do produto interno bruto é gerado nestas regiões e 75 por cento do volume do comércio exterior da União Europeia é feito por via marítima.
"Contudo, esta realidade tem um enorme custo ambiental, devido à pressão sobre as áreas marinhas e costeiras, exercida por atividades económicas tais como o transporte de mercadorias, a extração de recursos minerais, as energias renováveis (nomeadamente as infraestruturas de aproveitamento hidráulico) e a pesca", diz a Quercus.
Esta pressão tem resultado na perda de habitats, no aumento da poluição e no acelerar da erosão costeira. Dos estudos realizados sobre áreas costeiras, o estado de conservação de espécies e habitats costeiros é, em geral, considerado mau ou desconhecido (cerca de 73 por cento), e somente em 13 por cento das avaliações sobre espécies costeiras feitas no âmbito da Diretiva-Habitats é apontado como favorável.
Segundo a Quercus, com as alterações climáticas, as expectáveis elevações do nível médio do mar constituem riscos naturais para a faixa costeira que, no caso de Portugal, são muito preocupantes, segundo as projeções para o ano de 2100.
Entre outras figuram um aumento significativo da erosão costeira, recuo da linha de costa e a destruição de bens materiais a ela inerentes, bem como inundações mais frequentes e mais catastróficas de zonas ribeirinhas.
O aumento dos riscos de intrusão salina e consequente salinização de aquíferos e sua inutilização para consumo humano e agrícola e a ampliação do assoreamento nas zonas estuarinas e lagunares, com uma redução significativa dos materiais exportados para a costa, com redução do trânsito sedimentar costeiro em alguns troços, são outros dos riscos.
A Quercus aconselha os decisores políticos portugueses a fazerem uma cuidada leitura do relatório e a empenharem-se em fazer sair do papel as diferentes estratégias aprovadas para o Litoral, para a mitigação e adaptação às Alterações Climáticas e para o Mar.
A Quercus pede um cuidado redobrado na utilização dos fundos públicos, para "não se desperdiçarem os poucos recursos disponíveis em iniciativas de eficácia duvidosa, e para não caírem na tentação de permitir que as zonas costeiras ainda protegidas sejam destruídas por agentes económicos sem responsabilidade ambiental".
A título de exemplo, a Quercus aponta a construção de quatro barragens no rio Tâmega, dizendo ser conhecido o efeito da construção de barragens na erosão costeira e no desaparecimento dos areais das praias, pelo que seria desejável, para minimizar estes impactos, que o governo "suspendesse a construção destas barragens, uma vez que as obras ainda não começaram".

Fonte: DN

Sem comentários:

Enviar um comentário