sábado, 23 de novembro de 2013

Oceanos podem ficar 170% mais ácidos até 2100


Os gases de efeito estufa estão tornando os oceanos mais quentes, ácidos e com menos oxigénio. O modo como essas mudanças interagem está criando um panorama mais desolador para as águas do mundo, de acordo com um relatório produzido por 540 cientistas de todo o mundo publicado nesta semana.
Os oceanos estão tornando-se mais ácidos a uma taxa sem precedentes, mais rápido do que em qualquer outra época dos últimos 300 milhões de anos, segundo o relatório. Mas é a maneira como isso interage com outros efeitos do aquecimento global nas águas que preocupa cada vez mais os especialistas.
Eles calcularam que os oceanos tornaram-se 26% mais ácidos desde a década de 1880 porque há cada vez mais carbono na água. Também mediram como os oceanos têm se aquecido devido ao dióxido de carbono gerado pela combustão do carbono, petróleo e gás. Ainda foi observado que, em diferentes profundidades, os mares estão movendo menores quantidades de oxigénio porque há mais calor.
Juntos, esses efeitos “podem amplificar-se entre si”, observa o co-autor do relatório, Ulf Riebesell, um bioquímico do Centro Geomar Helmholtz de Pesquisa Oceânica na Alemanha. Ele acrescenta que os cientistas estão se referindo cada vez mais ao futuro do oceano como “quente, ácido e irrespirável”.
O relatório de 26 páginas divulgado pela ONU e por várias organizações científicas reúne as informações mais recentes sobre mudanças climáticas a partir de uma conferência de oceanógrafos realizada no ano passado.
Por exemplo, na costa americana do Pacífico, a forma como o oceano está se tornando estratificado significa que há menos oxigénio na água, e estudos recentes mostram “80% mais acidez do que originalmente previsto”, disse o co-autor do estudo Richard Feely, do Laboratório Marinho Ambiental do Pacífico da Administração Nacional para os Oceanos e a Atmosfera, com sede em Seattle.
Além disso, modelos computacionais prevêem que a costa noroeste dos Estados Unidos será mais castigada que outros lugares devido ao conjunto de mudanças, observou Feely.
A teoria é que espécies como a lula só podem viver em água a certa temperatura, acidez e níveis de oxigénio, e os pontos onde esses factores se combinam são cada vez mais difíceis de encontrar.
Com o aumento da acidez, as conchas de alguns moluscos, como as ostras e os mexilhões, também começam a se corroer. “Essa é mais uma perda que estamos enfrentando. Isso afectará a sociedade humana”, disse Riebesell.
O efeito da acidificação actualmente está sendo observado de forma mais grave no Mar Ártico e na região da Antártida. Estas águas geladas retêm uma quantidade maior de CO2, e os crescentes níveis do gás estão acidificando estes mares mais rapidamente do que no resto do mundo. E isto aumenta os danos a conchas e esqueletos de organismos marinhos.
Os pesquisadores afirmaram que até 2020, 10% do Ártico será um ambiente inóspito para espécies que fazem suas conchas a partir do carbonato de cálcio. Até 2100, o Ártico todo será um ambiente hostil. De acordo com Gattuso, os efeitos da acidificação já são visíveis.
Os autores do relatório afirmam que o impacto económico poderá ser enorme. O custo global do declínio nas populações de moluscos pode ser de 130 Biliões de Euros até 2100, se as emissões de CO2 continuarem nesse mesmo ritmo.
Fonte: Site Progresso.

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