terça-feira, 12 de novembro de 2013

Canal do Panamá. Ainda que viável, rota do Árctico está longe de ser ameaça


O derretimento de 40% da camada polar tornou possível a navegação comercial através do Árctico mas apenas quatro meses por ano
Como é que o alargamento do Canal do Panamá, a mais de 8 mil quilómetros de distância, pode ser uma oportunidade para Portugal? Em 2015, quando estiver concluída a obra de expansão, as embarcações de maiores dimensões poderão navegar a hidrovia, levando ao aumento do tráfego marítimo de porta-contentores. E é aqui que Portugal entra. Este aumento poderá ter um especial impacto no porto de Sines, uma vez que é o porto europeu mais próximo deste canal. Faltam as más notícias. Nos últimos meses, um conjunto de viagens pioneiras, que se tornaram possíveis devido ao derretimento do gelo do Árctico, relançaram o debate sobre a ameaça que esta alternativa representa para o Canal do Panamá. E, assim, o anunciado benefício para Sines ficaria em causa. Mas até que ponto a passagem do Noroeste é realmente uma rota comercial viável?
Há pouco mais de um mês, o Nordic Orion, um navio dinamarquês-americano de mercadorias, descarregou 74 mil toneladas de carvão no sujo porto de Pori, na costa oeste da Finlândia. A entrega, que em si mesma não teve nada de extraordinário, assinalou um marco histórico, abrindo um novo capítulo no trânsito pela rota do Árctico.
Foi a primeira vez que um navio graneleiro comercial navegou a rota sem a ajuda de um navio quebra-gelo. A combinação do derretimento do gelo árctico e da tecnologia moderna, com um piloto canadiano experiente em águas geladas e um nicho de negócio explorado por uma empresa inovadora, tornou esta primeira travessia segura, eficiente e rentável. A viagem representou também a segunda conquista no transporte comercial através do Árctico em menos de três meses.
Em Agosto, o Yong Sheng, propriedade da chinesa Cosco, tornou-se o primeiro navio porta-contentores a chegar à Europa vindo da Ásia - do porto de Dalian, no Nordeste da China, para Roterdão, na Holanda -, usando a passagem do mar do Norte, controlada pelos russos. De acordo com dados de Moscovo, mais de 100 viagens foram feitas usando esta rota desde a primeira travessia comercial, que ocorreu em 2009.
O Nordic Orion encheu-se de carvão numa doca em Vancouver, seguiu para norte, contornando o Alasca através do arquipélago árctico canadiano, e depois para sul, passando pela Gronelândia antes de chegar à Finlândia.

Fonte: Ionline



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