domingo, 21 de fevereiro de 2021

Alqueva a três metros da cota máxima anima turismo, agricultura e pesca

 


A barragem de Alqueva "caminha" para a sua cota máxima à boleia da chuva que nas últimas semanas caiu no Alentejo, animando os autarcas dos concelhos abrangidos pelo regolfo da albufeira. Do turismo à rega, da pesca ao consumo humano, passando pela produção de energia, o maior lago artificial da Europa anuncia um 2021 generoso em recursos hídricos.

"O Alqueva na cota máxima tem uma maior atratividade e relevância nos investimentos em redor das infraestruturas náuticas", congratula-se o presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, José Calixto. Após os anos de investimento e promoção realizados pela autarquia em torno do "grande lago", 2017 marcou uma aposta de sucesso, com a criação da primeira praia fluvial junto à vila medieval de Monsaraz potenciada pelo extenso espelho de água.

Mas o autarca tem bem presente as dificuldades impostas no ano passado devido ao abaixamento do nível da albufeira, que tornou as margens mais pantanosas e áridas, obrigando o município a investir num "significativo reforço" de areia, para que os banhistas tivessem acesso facilitado à água. "Também tivemos que baixar as cotas dos embarcadouros e ancoradouros", recorda, destacando ainda as atuais vantagens na segurança para a navegabilidade do Alqueva com cotas de água superiores.

"A praia fluvial e o centro náutico potenciaram outro tipo de procura turística na região, que passou de dois ou três dias para duas semanas", revela José Calixto, dando expressão à importância do Alqueva "respirar saúde", com impacto gerado pela barragem em todo o concelho. "Temos 14 povoações e todas elas têm unidades de alojamento que foram surgindo nos últimos anos", revela, uma altura em que a capacidade turística de Reguengos já atinge as 2 mil camas, não passando despercebida a recuperação de património que chegou a estar em ruínas e que hoje está aberto a visitantes. "O Alqueva com cota elevada também tem impacto na visita de turistas que geram um rejuvenescimento das nossas comunidades", acrescenta.

Mas em Reguengos de Monsaraz há vida para lá do turismo a espreitar o Alqueva, sobretudo numa altura em que o concelho viu a ser aprovado o bloco de rega destinado a fornecer água a 11 mil hectares de terrenos agrícolas, onde a área ocupada por extensos campos de vinhas assume o papel de relevo.

"Todas as infraestruturas que estamos construir à volta do lago necessitam muito desta água", insiste, alertando que "as cotas muito baixas colocam em causa todo o investimento", enquanto fica à espera que até abril a precipitação prossiga ao ponto de elevar o Alqueva à cota máxima, equivalente a 152 metros.

Se lá chegar, esta reserva estratégica alentejana assegura o quinto pleno armazenamento de 4150 hectómetros cúbicos, o que aconteceu pela primeira em 2010 - obrigando a descargas - depois das comportas terem sido encerradas pelo então primeiro-ministro, António Guterres, a 8 de fevereiro de 2002. O Alqueva passava a assumir-se como o maior lago artificial da Europa, com uma área inundável de 250 quilómetros quadrados e cerca de 1100 quilómetros de margens, habilitado a responder a três anos consecutivos de seca, garantindo disponibilidade para abastecimento público, agricultura e produção de energia.

"Esperança para três anos"

Já em fevereiro o nível das águas da albufeira atingiu os 149 metros (80% da sua capacidade), estando a três metros do limite máximo, segundo revela o boletim diário da Empresa de Desenvolvimento e das Infraestruturas do Alqueva, o que, ainda assim, representa mais de 800 milhões de metros cúbicos.

Também o autarca de Portel - concelho onde está radicada a barragem na freguesia de Alqueva - agradece a chuva. José Manuel Grilo assistiu a três anos consecutivos de seca, que em agosto de 2020 provocaram uma redução do nível da água a albufeira para os 144,51 metros acima do nível do mar, traduzindo, na prática, apenas 63,8% do nível pleno da estrutura. É preciso recuar a 2004 para se assistir a um nível mais baixo.
"Este enchimento da barragem traz-nos esperança para três anos e isso tem um grande significado no concelho", assume o autarca, apontando os benefícios para as bolsas de rega do perímetro instalado na zona de Monte do Trigo.


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