quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Há um “mar” de lixo entre as Honduras e a Guatemala


Ninguém se entende. As Honduras garantem que a culpa é da Guatemala. A Guatemala faz o mesmo e culpa as Honduras. Mas culpa de quê ao certo? Da quantidade de lixo que se acumulou no mar das Caraíbas, a norte das Honduras, nomeadamente ao largo das ilhas de Roatán, Omoa ou Puerto Cortés. É tanta a poluição (como as imagens da fotojornalista Caroline Power testemunham na galeria acima) que quase se forma uma “ilha de lixo”. E há de tudo lá: lixo doméstico, resíduos hospitalares — como seringas, por exemplo –, animais mortos e até… cadáveres humanos.
Os ministros do Ambiente de ambos os países têm-se reunido ao longo das últimas semanas. Consenso? Não há. Soluções? Menos ainda. Pelo menos não para o imediato. Mas o governo da Honduras fez um ultimato aos vizinhos guatemaltecos: têm cinco semanas para impedir que o lixo vindo do país chegue ao mar e às praias hondurenhas. Mas chegará este da Guatemala? O ministro dos Recursos Naturais e Meio Ambiente de Honduras, José Antonio Galdames, garantiu à BBC que sim, descrevendo o problema ambiental como “insustentável”, por exemplo, para o turismo no país.
Os turistas não querem ir à praia porque têm medo de ser contaminados ao entrar na água. Não é bom para ninguém estender a toalha, deitar-se e ser picado por uma agulha”, começou por dizer Galdames, acrescentando depois que a responsabilidade é de um rio que atravessa parte da Guatemala: “A maior parte da bacia do rio Motagua está no lado guatemalteco. Dos 95 municípios que estão ao longo do rio, 27 estão a despejar resíduos sólidos no Motagua. Nós temos apenas três municípios que fazem fronteira com esse o rio Motagua. Por isso, 86% das descargas vêm da Guatemala”.
Para atestar que o que diz é verdade, o ministro garante que, entre as inspecções que técnicos do seu ministério fizeram, foram encontrados vários objectos com a descrição “Made in Guatemala”. “Estamos a receber roupa, plástico, lixo hospitalar, objectos ensanguentados, seringas, animais e até mesmo corpos humanos”, acusa José Antonio Galdames. O congénere da Guatemala, Sydney Alexander Samuels, nega tudo. “Cadáveres? Nunca ouvi falar de cadáveres. Se há cadáveres temos de investigar de onde vêm. Nunca ouvi tal coisa. As acusações [das Honduras] só levam em conta a parte da Guatemala. Têm um rio lá, o Chamelecón, que é praticamente um esgoto a céu aberto”, disse à BBC.
No entanto, Samuels faz um mea culpa e promete agir para reduzir a poluição. “Sim, nós contaminámos o mar das Caraíbas através do rio Motagua. Asseguro que no próximo ano já não transportaremos lixo para o mar, pois teremos todas a infraestruturas para que tal não aconteça mais”, afirmou.
Para o ministro do Meio Ambiente de Honduras as medidas não podem ser a médio prazo; têm que ser imediatas. Caso contrário, as Honduras prometem apresentar queixa dos “vizinhos” guatemaltecos e pedir uma indemnização.
O que nós pedimos é que eles tomem medidas desde já: limpar os rios, limpar as praias, deixar de atirar lixo. E têm que estabelecer um sistema de alerta para que possamos saber que o lixo chegará. Se eles não fizerem nada, vamos proceder de acordo com o estabelecido nos acordos internacionais relacionados com a protecção da diversidade biológica”, afirmou José Antonio Galdames.
Sydney Alexander Samuels reagiria: “Não há moral para dizer que vão processar a Guatemala ou pedir uma compensação. Vamos resolver o problema até Agosto. E o que é que as Honduras estão a fazer? Absolutamente nada.”
Fonte: Observador

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