quinta-feira, 27 de julho de 2017

Quanto vale a sardinha na pesca portuguesa?


De acordo com as Estatísticas de Pesca de 2016, que o Instituto Nacional de Estatística (INE) divulgou em Maio, no ano passado foram capturadas pela frota portuguesa 190.594 toneladas de pescado, mais 1,2% do que em 2015. E, daquele total, um volume de 124.264 toneladas (menos 11,7%) foram de pescado fresco ou refrigerado, transaccionado em lota, com o valor de 269.499 mil euros (mais 3,26%).

No caso da sardinha, houve uma diminuição de 1,6% do volume, para 13.513 toneladas, equivalentes a 27.898 mil euros. A sardinha é, aliás, o peixe marinho que em 2016 maior valor obteve em termos de captura. O carapau, com 20.014 toneladas não foi além dos 17.130 mil euros no ano passado.

A sardinha foi igualmente uma das três espécies com maior volume descarregado pelas organizações de produtores (OP) de pesca em Portugal em 2016, juntamente com a cavala e o carapau.

No ano passado, foram descarregados por OP um total de 13.236 toneladas de sardinha, uma queda de 0,8%, derivado da aplicação dos despachos 3112-B/2016 e 9806-A/2016, que “determinaram os limites de captura para a espécie em Portugal Continental ao longo do ano de 2016”.
Na sardinha, os preços médios anuais de pesca descarregada, de peixe fresco ou refrigerado, não incluindo retiradas e rejeições, foi de 2,06 euros por quilo em Portugal continental em 2016, recuando 5,9% face ao ano anterior. Nos Açores, o preço aumentou 52%, para 2,37 euros e na Madeira aumentou 41,3%, para 0,41 euros por quilo.
Incluindo todas as espécies, o preço médio anual do pescado, fresco ou refrigerado, descarregado em portos nacionais em 2016, registou, em termos nacionais, um aumento de 0,29 euros em relação a 2015, ou mais 15,9%, passando de 1,81 euros por quilo para 2,10 euros por quilo.

A título de comparação, em dois sites de hipermercados consultados esta tarde, cada quilo de sardinha fresca variava entre 6,98 euros e 7,99 euros. Já a congelada, entre pequena e grande, recuava para valores abaixo dos quatro euros por quilo.
Na Estatísticas de Pesca de 2016, o INE alertava para “alguma preocupações” sobre as espécies de captura restrita ou com limitações de quotas impostas pela União Europeia – uma delas era a dos lagostins , o outro era “com a sardinha, que apesar de apresentar uma ligeira recuperação, continua com um nível de recrutamento baixo”.
O desempenho foi em sentido inverso ao do total da pesca portuguesa de espécies sujeita a stocks, em que as possibilidades de pesca aumentaram 12% em 2016, após terem crescido 22% em 2015.

Vendas de conservas atingiram 58,22 milhões em 2015

Das 45 mil toneladas de pescado que representaram o segmento de “preparações e conservas” a de conservas de sardinha em azeite, com 4,2 mil toneladas, foi a segunda mais relevante, a seguir à de atum para a indústria transformadora.
Mas enquanto as conservas de atum recuaram 17,5% em 2015, as de sardinha aumentaram 0,9%, “apesar das restrições impostas à captura desta espécie que vigoraram” durante o ano de 2015 (último ano com dados analisados pelo INE para este segmento).
Em 2015, da indústria transformadora saíram menos 25,5% de volume de sardinha congelada (6.991 toneladas); menos 5,56% de conservas sardinha em azeite (4.224 toneladas), menos 3,5% de conservas de sardinha em outros óleos vegetais (3.393 toneladas) e mais 8,08% de conservas de sardinha em tomate (3.020 toneladas).
Já nas Estatísticas Agrícolas anuais, publicadas esta quinta-feira, 20 de Julho, o INE revela que na preparação e conserva de sardinhas, o valor vendido em 2015 subiu 11,59% face a 2014, para 58,22 milhões de euros. Os volumes produzidos aumentara 2,8%, para 12.035 toneladas e os volume vendidos cresceram 3,36% face a 2014, para 12.057 toneladas.

Portugal importou 6.977 toneladas de “sardinhas, sardinelas e espadilhas” vivas em 2016, estima o INE, o que representou uma quebra de 23,7%, com um valor associado de 13,33 milhões de euros, recuando 18,73% face a 2015.
Nas exportações, como animais vivos, a sardinha, sozinha, representou 6,32 milhões de euros (mais 14,58%), com as 3.500 toneladas vendidas para o exterior (mais 28,48% face a 2015).

Mas como preparado de peixe, a “sardinha, as sardinelas e as espadilhas” representaram vendas externas de 54,5 milhões de euros em 2016 (recuando 1,88%), com 10.470 toneladas exportadas (menos 7,29% face a 2015).
Globalmente, Portugal – que tem um défice da balança comercial da pesca de 787,4 milhões de euros – exportou em 2016 um total de 1,13 mil milhões de euros (mais 8,2%) face a 2015). O segmento de “peixes congelados excepto filetes” é o que tem maior peso nas vendas externas do país, com 20,8% do total. E este segmento cresceu 13,1% em 2016, explica o INE, sobretudo devido ao “aumento das exportações de espadartes” congelados para Espanha.

Espanha é o nosso principal parceiro comercial no que toca às pescas – seguido do Brasil (sobretudo por causa das vendas de bacalhau já transformado). Mas no caso específico das conservas – o único segmento em que Portugal é excedentário, como 68 milhões de euros em 2016 – a França é o maior cliente de Portugal (a que não será alheia a comunidade portuguesa naquele país) “sobretudo de preparações e conservas e de ‘cavalas, cavalinhas e sardas’ e de ‘sardinhas, sardinelas e espadilhas’.

Fonte: Público
Foto: RUF Rui Farinha /NFactos

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