domingo, 26 de março de 2017

Maior comunidade de cavalos-marinhos do mundo vive na Ria Formosa


De acordo com o biólogo português, “a ria Formosa é um sistema dinâmico, sofrendo alterações na tipologia dos fundos e seu substrato, dos quais os cavalos-marinhos dependem. Para além disso, também temos de ter em conta flutuações naturais na população que se pode ter tornado insustentável para o meio que a acolhe”. No entanto, uma quebra tão significativa é um indício claro de que existem factores que têm de ser equacionados para determinar a causa da diminuição da população. “A perda de habitat parece ser a causa mais provável desta quebra, especialmente tendo em conta que tem sido detectada uma diminuição de pradarias marinhas fundamentais para fixação dos cavalos-marinhos”, esclarece. 

Apesar destes sinais preocupantes, os cavalos-marinhos parecem ter encontrado na ria Formosa um santuário onde se encontram a salvo da maior ameaça à sua sobrevivência – a captura para venda no mercado asiático. Todos os anos mais de 50 toneladas de cavalos-marinhos são capturadas no mundo e enviadas para aplicação na medicina tradicional oriental ou para utilização ornamental. Para além de a sua captura não ser permitida na ria Formosa, o Grupo de Investigação em Biologia Pesqueira e Hidroecologia do CCMAR concebeu e desenvolve um projecto de criação de cavalos-marinhos em cativeiro, tendo-se tornado a primeira instituição a nível mundial a conseguir a reprodução com sucesso da espécie H. guttulatus.

De acordo com Jorge Palma, responsável pelo projecto, “a criação em cativeiro é um elemento-chave para a conservação da espécie. Permitirá diminuir a pressão sobre a recolha de cavalos-marinhos do seu ambiente e servirá, caso necessário, como meio de repovoamento da espécie em locais onde foi outrora abundante. Para além disso, muitos aquários têm interesse nesta tecnologia como forma de suprimir autonomamente a necessidade de exemplares selvagens para as suas exposições”. 
No final da peça “Ricardo III”, Shakespeare imagina o monarca em desgraça, disposto a trocar todo o seu reino se alguém lhe oferecer um cavalo. Só o futuro ditará se a ciência e tecnologia conseguirão encontrar atempadamente uma solução para devolver a estes pequenos cavalos do mar o seu velho reino da ria Formosa.



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