Há precisamente uma semana, o Governo entregou à Martifer a gestão dos Estaleiros Nacionais de Viana do Castelo (ENVC) e agora a empresa de Carlos Martins tem de dar a volta a um negócio falido e arranjar trabalho, depois de muitos anos quase sem contratos nenhuns. Contudo, essa tarefa pode ser mais fácil do que o parece. “Se o Brasil tem encomendas e Portugal tem um estaleiro que precisa de trabalho, então temos de conversar. Temos muitos navios para pôr no mar até 2017”, adianta em entrevista ao Dinheiro Vivo o secretário estadual da Indústria Naval e Portuária do Brasil, Carlos Costa.
O Brasil está “num momento ímpar” da indústria naval - diz - e não há estaleiros suficientes devido às necessidades da exploração de petróleo em alto-mar, que requer plataformas flutuantes que são, na prática, enormes navios. “A Petrobras vai investir 70,4 mil milhões de euros em mais de 500 navios, desde sondas, barcos de apoio ou plataformas”, reparou.
Mas há mais. De acordo com este responsável, o Brasil precisa de reforçar a sua frota mercante para fazer o transbordo das mercadorias entre cidades e também de modernizar a marinha de guerra. “Um país com uma das maiores explorações de petróleo do mundo tem de ter defesa”, acrescentou.
O desejo brasileiro está, assim, em sintonia com os objectivos do presidente da Martifer e, agora dos Estaleiros de Viana. Na assinatura do contrato de concessão, Carlos Martins revelou que quer “centralizar a actividade no apoio às plataformas de gás e petróleo”.
Empregos para portugueses
A indústria naval brasileira não precisa apenas de estaleiros e espaço para construir os navios, mas também de mão-de-obra qualificada e, segundo Carlos Costa, os portugueses “têm um excelente know-how nesta matéria”. É por isso que os dois países estão a finalizar um acordo bilateral que permita levar engenheiros portugueses desta indústria para o Brasil e para trabalhar na Petrobras durante cinco anos.
A indústria naval brasileira não precisa apenas de estaleiros e espaço para construir os navios, mas também de mão-de-obra qualificada e, segundo Carlos Costa, os portugueses “têm um excelente know-how nesta matéria”. É por isso que os dois países estão a finalizar um acordo bilateral que permita levar engenheiros portugueses desta indústria para o Brasil e para trabalhar na Petrobras durante cinco anos.
Colaborar mais com SinesO interesse do Brasil não se fica pela indústria naval. “Vemos Portugal como porta de entrada dos produtos brasileiros na Europa e o porto de Sines é o que tem maior capacidade para isso. Hoje, são poucos os navios brasileiros que passam em Sines e é isso que queremos aumentar”, revelou Carlos Costa. Contudo, repara, há entraves.
“Sem uma linha ferroviária de mercadorias que ligue Sines a Espanha - e consequentemente à Europa - isto não será possível. Como é que o porto pode receber mais mercadorias se depois não tem como as enviar para fora”, questionou.
O Dinheiro Vivo sabe que, apesar de a construção desta linha de mercadorias estar estudada e a sua viabilidade estar em análise, o Governo ainda não sabe se é prioritária, até porque custaria entre 600 e 700 milhões de euros. Uma fatia de 85% desse investimento seria pago com fundos comunitários, mas ainda é preciso arranjar o restante dinheiro.
Fonte: Dinheiro Vivo.

Sem comentários:
Enviar um comentário