terça-feira, 21 de maio de 2019

Uma fralda deitada hoje ao mar ainda lá estará daqui a 400 anos


De acordo com a organização Safety 4 Sea, citada pela Green Innovation em comunicado enviado à redação, os cotonetes que usa diariamente demoram, em média, cinco meses a serem decompostos. Já os cigarros e as palhinhas de plásticos demoram um pouco mais. Os cigarros carecem de um a 10 anos e as palhinhas entre 10 a 20 anos.
Se considera estes números preocupantes, então atente nos próximos indicadores. O alumínio precisa, em média, de 200 anospara ser decomposto e as fraldas descartáveis usadas pelas crianças carecem de 450 anos. Por fim, quanto ao óleo de cozinha não foi possível determinar o período temporal necessário.
De salientar que entre os dias 4 e 8 de junho, Lisboa irá acolher o evento '7 Seas Summit' - o primeiro Summit dedicado à Economia Azul. Neste evento vai marcar presença 12 'startups' com soluções focadas no mar.

domingo, 19 de maio de 2019

Competição premia atletas por recolherem lixo espalhado pelo oceano


A limpeza das praias e dos oceanos deve ser uma acção colectiva, realizada por qualquer um que frequente os ambientes. Para estimular a recolha de resíduos no meio ambiente, uma competição tomará conta da praia Catalans et l’Escale Borely, em Marselha, na França. Chamada de Le Grand Défi (O Grande Desafio, em português), a disputa acontecerá no dia 30 de maio de 2019 e a grande tarefa dos participantes é recolher a maior quantidade de lixo acumulado na região.

A ideia veio de Emmanuel Laurin, atleta francês fundador da Sauvage, uma organização em prol do meio ambiente. Em 2017, ele cobriu 120 quilómetros da costa do país, de Marselha a Toulon, recolhendo o lixo espalhado pelo Mar Mediterrâneo.

Agora o activista desafia 20 equipas de nadadores e caiaquistas a percorrer os oito quilómetros da praia durante um ano. Por serem amadores, os participantes serão acompanhados por profissionais, como o jogador de basquetebol Pierre Pelos e as nadadoras Margaux Chrétien e Camille Lacourt.

Os prémios serão divididos em três categorias: o primeiro para quem encontrar mais lixo, o segundo para quem achar os resíduos mais incomuns e o terceiro para aqueles que encontrarem o "Grand Saphir", um objecto feito de plástico reciclado escondido ao longo do percurso. Obrigatoriamente, os vencedores devem doar a quantia recebida para uma organização de protecção ambiental, escolhida pela equipa.

Apesar de ser realizada na França, a competição é um exemplo para o resto do mundo. De acordo com uma pesquisa comandada pela  Associação Internacional de Resíduos Sólidos (Iswa), 25 milhões de toneladas de lixo são despejadas nos oceanos anualmente. 

Os peixes do mar profundo podem distinguir cores na escuridão quase total


A visão da maioria dos vertebrados é determinada por dois tipos de células na retina: os cones e os bastonetes. Os cones distinguem cores, mas funcionam apenas quando há iluminação suficiente. Por outro lado, os bastonetes podem detetar a luz visivelmente escassa, mas fazem-nos em preto e branco, porque usam apenas um tipo da proteína opsina RH1.

Ao estudar 101 espécies da zona mesopelágica, que se estende entre 200 e mil metros abaixo da superfície do oceano, os biólogos descobriram que quatro delas têm genes que aumentam – até 5, 6, 18 e 38 – a quantidade de variantes da RH1 nos bastonetes. A presença de vários tipos dessa proteína possibilita a essas células ver cor.
“O número máximo, registado no Diretmus argenteus,é impressionante”, disse Megan Porter, uma bióloga evolutiva, à Science News. No entanto, não se pode confirmar que essas quatro espécies realmente possam ver cores, admite a principal autora do estudo publicado na revista Science, Zuzana Musilová.
Tendo em conta a diferença de pressão entre a superfície e a zona mesopelágica, os peixes provavelmente não sobrevivem se forem extraídos das profundidades, por isso não podem ser testados. “Mesmo trazê-los à superfície vivos não garante que se comportariam da mesma maneira do que nas profundezas”.
No geral, os autores são “cautelosos” em não alegar que os peixes de águas profundas conseguem ver cores, disse Almut Kelber, da Universidade de Lund, na Suécia, que estudou a visão de cores com pouca luz em rãs.
Os novos resultados de peixe não dizem se diferentes opsinas RHI se agrupam em células bastonetes individuais ou se estão dispersas, com diferentes células bastonetes a carregar diferentes opsinas. Para diferenciar as cores, as opsins da haste precisariam de estar em células diferentes. Mas se as proteínas se acumulam em cada haste, os peixes aumentam a sensibilidade à luz e podem escolher objectos mais fracos em tons de preto e branco.

Acelerador da Economia do Mar recebeu 87 inscrições de 29 países


O ‘Bluetech Accelerator Ports & Shipping 4.0’ recebeu um total de 87 inscrições, de 29 países diferentes. Este projecto tem como principal desígnio a criação de um ecossistema de inovação na Economia do Mar portuguesa.

“Pretende-se identificar, seleccionar e capacitar as ‘startups’ com modelos de negócios sustentáveis e com potencial de integração de pilotos junto dos grandes ‘players’ nacionais e internacionais da ‘Economia Azul’, numa iniciativa que está a ser liderada pela Direcção-Geral da Política do Mar (DGPM) e pela plataforma de inovação Beta-i”, explica um comunicado do Ministério do Mar.
Depois de encerradas as inscrições, para este acelerador, Portugal e os Estados Unidos são os países mais representados, com 13 ‘startups’ cada, seguidos pela Índia, com 10, e pela Alemanha e Reino Unido, com 5 e 4, respetivamente.
“Estes números dizem muito do alcance internacional desta iniciativa, ao mesmo tempo que ajudam a projectar Portugal como país inovador na área da Economia do Mar em vários mercados”, destaca o referido comunicado.
O mesmo documento acrescenta que, “se olharmos para o quadro de objectivos do ‘Bluetech’, reparamos que o espaço destinado à ‘Gestão de Desempenho de Carga e Frotas’ atraiu 38% das candidaturas, seguido do desafio ‘Sustentabilidade Ambiental’, com 33%”.
Por seu turno, o desafio ‘Optimização de Processos em Terra’ mereceu 31% das candidaturas, o mesmo que o outro tema, centrado na ‘Conectividade de Navegação do Futuro’.
A fase de candidaturas arrancou a 4 de março e estendeu-se até ao dia 19 de abril.
“A fase de selecção, que envolve todos os parceiros, decorre agora, até ao dia 17 de maio, havendo lugar a um evento com o ‘pitch’ das 40 melhores candidaturas inserido no ‘European Maritime Day’, em Lisboa, acrescenta o comunicado do Ministério do Mar.
Mais tarde, decorrerá um ‘bootcamp’ de cinco dias, que terá início dia 24 de Junho, com as ‘startups’ selecionadas para entrar na fase de pilotagem a serem conhecidas dia 28 de junho.
O fim do programa ocorrerá em outubro, que culmina com o ‘Demo Day’, onde as soluções encontradas e os resultados conhecidos serão apresentadas publicamente.
Esta iniciativa tem como promotor o Ministério do Mar, através da Direção Geral de Política do Mar (DGPM), e a Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), contando com a parceria dos portos de Leixões e de Sines, Grupo ETE, Grupo Portline, Inmarsat e Tekever, sendo o programa implementado pela Beta-i.
“Estes parceiros participarão no processo de seleção e financiamento do conjunto de ‘startups’ vencedoras, que se conhecerão no último trimestre de 2019. O programa terá a bordo cruciais ‘players’ do sector marítimo-portuário, provando que a ‘aceleração azul’ da Economia do Mar é uma aposta capaz de mobilizar o interesse e a motivação das empresas que encabeçam o sector”, destaca o comunicado do ministério liderado por Ana Paula Vitorino.
Temas como a ‘Big Data’, Internet das Coisas (IoT), Automatização e Robotização dos Portos, Sistemas Autónomos, ‘Smart Shipping’ ou Vigilância Marítima “são algumas tendências com potencial de disrupção no setor marítimo-portuário nacional, e são algumas das áreas onde este programa se vai foca”r.
A iniciativa ‘Bluetech Accelerator’ faz parte do ‘Programa Ocean Portugal’, desenvolvido em conjunto pelo Ministério do Mar e pela FLAD, que visa desenvolver a inovação azul e empreendedorismo.
“Vem ainda responder a uma das diretrizes estratégicas do Governo, que visa aumentar o peso da Economia do Mar Sustentável no PIB nacional e que passa pela implementação de políticas e iniciativas que estimulem o aumento da intensidade tecnológica, da sustentabilidade e da sofisticação dos modelos de negócio da economia azul”, conclui o referido comunicado.


Economia do mar emprega quase 181 mil pessoas em Portugal

O turismo costeiro – que contribuiu com 74% para o total de empregos nas actividades ligadas ao mar e por 66% dos lucros em 2017 –, e os recursos vivos são os principais motores das atividades económicas nacionais ligadas aos mares e oceanos, segundo um estudo da Comissão Europeia divulgado na passada quinta-feira.



A economia do mar emprega cerca de 180.900 pessoas em Portugal e gera quase 4,1 mil milhões de euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB), de acordo com o relatório “Blue Economy 2019”, elaborado pela Comissão Europeia e apresentado por ocasião do Dia Marítimo Europeu, que decorre em Lisboa. O turismo costeiro, que, em 2017, contribuiu com 74% para o total de empregos e para 66% dos lucros na economia azul, bem como os recursos vivos são os principais motores das actividades económicas nacionais associadas aos mares e oceanos.

Apesar de o VAB da economia azul portuguesa ter diminuído entre os anos de 2009 e 2012, acabou por, entretanto, aumentar de forma acentuada e atingir o seu nível mais elevado em 2017. Só a quota deste valor no Produto Interno Bruto (PIB) nacional cresceu 30% durante esse mesmo período.

Em 2016, os números eram significativamente inferiores. Segundo um estudo das consultoras EY e Augusto Mateus & Associados, promovido pelo BCP, as fileiras-chave da economia azul (pesca, aquicultura e indústria do pescado; transportes marítimos, portos e logística; construção, manutenção e reparação naval; turismo e lazer ligado ao mar) davam trabalho a 99,4 mil pessoas no país e geravam um volume de negócios de 7,5 mil milhões de euros. “O salário médio dos empregos do setor da economia azul em 2016 foi de 12.700 euros, um decréscimo de 3% face aos valores de 2009”, aponta, por sua vez, a análise de Bruxelas, divulgada esta manhã.
O Dia Marítimo Europeu, estabelecido em 2008, representa um ponto de encontro anual para profissionais, empresários e líderes políticos ligados aos mares e oceanos. A capital portuguesa recebeu ao longo de dois dias, mais de 1.400 participantes de 53 países, mais de uma centena de oradores, 28 workshops e 21 pitchs. Bruxelas escolheu Portugal para receber a edição de 2019 deste evento, este ano focado essencialmente em impulsionar a economia marítima sustentável através do empreendedorismo, do investimento, da investigação e da inovação.

Nestas salinas portuguesas pode boiar como no Mar Morto


Portugal tem destinos incríveis e multifacetados, que podem dar bons programas de fim de semana, sobretudo nos meses do verão. Segundo a Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos há cinco salgados (conjuntos de salinas) no País. E em dois deles estão piscinas salgadas, abertas ao público.
As salinas de Aveiro situam-se na Ria de Aveiro. Têm uma junção de água doce dos rios Vouga e Antuã e de água salgada oceânica. Ali, o sal é extraído através de um método milenar ainda hoje utilizado nas marinhas de sal activas.
Na Marinha Grã-Caravela, entre 15 de julho e 15 de setembro, as salinas de Aveiro abrem as portas para os “Banhos Salgados”. A actividade decorre numa piscina feita com as lamas que constroem a marinha.
A água é extremamente salina, o que permite boiar numa experiência descrita por muitos como similar à do Mar Morto. Além disso, os nutrientes e minerais presentes na água e na lama são benéficos para a circulação sanguínea e hidratação da pele.
“Estamos abertos todo o ano, mas a piscina funciona apenas no verão por causa das condições meteorológicas, uma vez que quando chove a salinidade da água baixa e a experiência fica comprometida”, explica Filipe Magalhães, gestor de projetos das Salinas de Aveiro.
Está aberta das 10 às 19 horas, dependendo do clima. O acesso aos banhos salgados custa 4€ por pessoa para um dia inteiro (pode sair e regressar no mesmo dia). Já a salina em si está aberta todos os dias de março a outubro. No inverno encerra à segunda-feira.
Uma vez que o espaço tem capacidade limitada e muita afluência (ultrapassaram as dez mil visitas em 2018), aconselha-se a reserva antecipada por telefone, 234 056 149, ou email, visitas@salinasaveiro.com. Até porque há muito para fazer neste complexo.
Pode conhecer as salinas numa visita guiada individual ou em grupo. Cada uma dura uma hora e ficará a saber toda a história e segredos das marinhas, bem como o processo de extração do sal. Há passeios diários às 11 e às 15 horas. Os miúdos pagam 2€ e os adultos 5€ numa visita individual ou 3€ em grupo.
Há ainda a possibilidade de se ser marnoto (trabalhador das salinas) por um dia. Durante a manhã os participantes fazem a recolha do sal, podendo depois levá-lo para casa. A meio do dia há uma visita guiada. E, ao final do dia, é a altura para a apanha da flor de sal. A actividade, para toda a família, custa 25€ por pessoa mais 10€ para o almoço.

Uma das ilhas mais remotas do mundo está a afogar-se num mar de plástico




De acordo com um estudo publicado na revista Scientific Reports, as praias remotas encontradas nas ilhas do Oceano Índico estão repletas com cerca de 414 milhões de resíduos de plástico com cerca de 238 toneladas – incluindo quase um milhão de sapatos e 373 mil escovas de dentes.
“Ilhas como estas são como canários numa mina de carvão e é cada vez mais urgente que ajamos em relação aos alertas que nos estão a dar”, disse a autora do estudo, Jennifer Lavers, em comunicado. “A poluição plástica é agora omnipresente nos nossos oceanos e as ilhas remotas são o lugar ideal para obter uma visão objetiva do volume de detritos plásticos que circulam pelo globo”.
De acordo com o IFL Science, Jennifer Lavers esteve nas manchetes dos jornais quando revelou que a Ilha Henderson, uma das mais remotas ilhas do Oceano Pacífico, estava envolvida em lixo plástico. Praticamente intocada pelos humanos, o atol do Património Mundial da UNESCO tem a maior densidade de plástico do que qualquer lugar da Terra.
“A nossa estimativa de 414 milhões de peças com um peso de 238 toneladas na Ilha dos Cocos é conservadora, já que apenas amostramos uma profundidade de dez centímetros e não pudemos aceder algumas praias conhecidas como locais de destroços“, disse Lavers, acrescentando que ilhas remotas sem grandes populações humanas para depositar lixo destacam a extensão da circulação de plástico nos oceanos do planeta.
Aproximadamente um quarto de todos os plásticos estudados ​​eram itens de uso único. Já 93% dos detritos estavam enterrados até dez centímetros abaixo da superfície do solo.

sábado, 11 de maio de 2019

Descobertos mais de 200 mil vírus desconhecidos nas profundezas dos oceanos



Os oceanos escondem todos os tipos de segredos e incógnitas nas profundezas – como os 195.728 vírus que os cientistas acabaram por encontrar durante uma expedição para avaliar a vida marinha.

Antes disso, só sabíamos definitivamente da existência de cerca de 15 mil desses vírus oceânicos. Os investigadores dizem que as descobertas podem ensinar mais sobre tudo: desde a evolução da vida no planeta até as consequências da mudança climática.
A investigação é baseada em amostras recolhidas entre 2009 e 2013 por uma tripulação a bordo da Tara, uma embarcação que passou mais de uma década na água a investigar a ciência do oceano e as pistas que nos pode dar sobre como o nosso mundo está a evoluir.
“Vírus são pequenas coisas que nem se consegue ver, mas como estão presentes em números tão grandes, realmente importam”, disse um dos integrantes da equipa, Matthew Sullivan, da Ohio State University.
“Desenvolvemos um mapa de distribuição que é fundamental para quem quer estudar como os vírus manipulam o ecossistema. Houve muitas coisas que nos surpreenderam com as nossas descobertas”.
Apesar do grande número de vírus descobertos e da vasta complexidade das regiões oceânicas do mundo, a equipa conseguiu dividir os vírus em cinco zonas ecológicas distintas – todas as profundezas do Ártico e da Antártica, e três profundidades distintas do temperado e regiões tropicais.
Na verdade, o Oceano Ártico – onde os investigadores não esperavam a maior biodiversidade – acabou por ser um inesperado ponto de vida. Tudo isto contribui para a nossa compreensão sobre como os vírus se espalham pelo planeta.
Os cientistas estimam que existem muitas dezenas de milhões de vírus no oceano, muitos dos quais podem existir fora da água também – e até mesmo nos nossos próprios corpos. Ser capaz de identificar mais pode ensinar mais sobre a própria vida, não apenas sobre a vida submersa.
Para os propósitos deste estudo, além de detetar novos vírus encontrados em amostras de água de profundidades de até quatro mil metros, os investigadores também identificaram, segundo o estudo publicado na revista Cellnovas linhagens ao analisar outros micróbios e seres vivos que se instalaram nos oceanos.
A abrangência da nova investigação também é importante porque ajuda os cientistas a calcular com mais precisão o balanço de oxigénio e dióxido de carbono na atmosfera – organismos marinhos ajudam a reciclar oxigénio, enquanto os oceanos absorvem e armazenam muito CO2.
Mais vida abaixo da superfície da água significa mais CO2 convertido em carbono orgânico e biomassa, armazenado no fundo do mar – em vez de CO2 a acidificar os oceanos e a matar a vida marinha.
“Ter um novo mapa de onde os vírus estão localizados pode ajudar a entender essa bomba de carbono oceânico e, mais amplamente, a biogeoquímica que afeta o planeta”, disse Sullivan. “Modelos anteriores de ecossistemas oceânicos geralmente ignoram micróbios e raramente incluem vírus, mas agora sabemos que são um componente vital”.

Cientistas descobrem nova forma de vida no fundo oceânico



O elemento químico arsénio é tóxico para quase todas as formas de vida, mas agora investigadores da Universidade de Washington revelaram que alguns micróbios no oceano Pacífico não só toleram a substância, mas também a respiram activamente.
Em ambientes onde não há muito oxigénio disponível, algumas criaturas evoluíram para fazer uso de outros elementos, geralmente nitrogénio ou enxofre.
Neste caso, trata-se de uma certa parte do oceano. Esta é a primeira vez que investigadores detectam micróbios que respiram arsénio na água do mar.
A equipa da Universidade de Washington em Seattle acredita que essa descoberta poderia ajudar a entender como a vida no oceano continuará mudando perante as mudanças climáticas: se o oxigênio subaquático se tornar escasso de novo, os ecossistemas poderão ter que se adaptar.
"Nós sabemos há muito tempo que existem níveis muito baixos de arsénio no oceano", revelou a oceanógrafa Gabrielle Rocap, uma das participantes da equipa, citada pelo portal Phys.org. "Mas a ideia de que os organismos podem usar arsénio para 'ganhar a vida' é um metabolismo inteiramente novo em mar aberto."
Os microrganismos resistentes foram descobertos perto da costa do México, em uma área de água classificada como anóxica, ou seja, quase sem oxigênio disponível.
Microrganismos que consomem arsénio podem representar apenas cerca de 1% da comunidade microbiana marinha, mas aprender mais sobre eles pode ajudar-nos a entender as complexas reacções químicas que ocorrem no oceano.

Cientistas rastrearam os resíduos plásticos “em falta” no Oceano Índico



Apesar de o Oceano Índico ser um dos maiores depósitos de resíduos plásticos de todo o mundo, o local onde estes permanecem continua a ser um mistério. Uma equipa de cientistas da Universidade da Austrália Ocidental (UAW) rastreou estes materiais e concluiu que o lixo em “falta” é desviado para outros oceanos.


Os cientistas consideravam que havia ainda poucos estudos sobre a quantidade e o percurso que os resíduos plásticos do Índico tomavam e, por isso, estudaram dados de 22.000 bóias de deriva que se encontram dispersas por todos os oceanos desde 1979.
Tal como é explicado na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revistaJournal Geophysical Research: Oceans, os cientistas tinham como objetivo simular as rotas que poderiam “esconder” os resíduos. A análise dos dados revelou que o Oceano Índico não acumula resíduos plásticos devido ao vento e à ondulação da zona.
“Tendo em conta que grandes quantidades de resíduos plásticos entram muito provavelmente no Oceano Índico, uma questão importante passava por saber o que acontece com estes resíduos que não acabam numa ilha de plástico”, escreveram.
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Chari Pattiaratchi, um dos autores do estudo, recordou que a cada ano chegam ao Oceano Índico cerca de 15 milhões de toneladas de resíduos plásticos, quantidade que pode mesmo duplicar até 2025. Tendo em conta a enorme quantidade de resíduo, importava saber qual era o seu destino final.
A autora principal do estudo, Mirjam van der Mheen, explicou que os ventos do sul do Índico são mais fortes do que os do Pacífico ou do Atlântico e, por isso, acabam por transportar o plástico flutuante para oeste do oceano, onde o lixo passa pela África do Sul e entra a sul do Atlântico. No que respeita ao norte do Índico, o lixo pode acumular-se na baía de Bengala ou acabar nas praias, arrastado pelo ventos e correntes.
“O nosso estudo mostra que as características atmosféricas e oceânicas do Índico são diferentes das outras bacias oceânicas e que pode mesmo não haver área específica onde o lixo esteja concentrado”. Por isso, concluiu a cientista, o mistério do plástico “em falta” no Índico avizinha-se “ainda maior”.

Pescadores indignados com 10 mil toneladas de sardinhas para este ano


Os pescadores portugueses e espanhóis mostraram-se indignados com a proposta de capturas de 10.799 toneladas de sardinha este ano, já confirmadas pelo Governo, pedindo em Bruxelas a reavaliação da quota com base nos recentes cruzeiros científicos.

Fonte oficial do Ministério do Mar confirmou à agência Lusa que Portugal e Espanha propuseram para este ano um mínimo de 10.799 toneladas, a repartir pelos dois países, depois de a Comissão Europeia ter sugerido um limite de 10.300 toneladas.
Os armadores portugueses e espanhóis estão "indignados e revoltados" porque "as 10.799 toneladas para este ano são manifestamente insuficientes" e "não vão garantir as condições mínimas para a sobrevivência, ajudando desta forma ao declínio e eventual desaparecimento do sector da pesca de cerco em ambos os países", afirmou à agência Lusa Humberto Jorge, presidente da Associação das Organizações de Produtores da Pesca do Cerco (ANOP).
O dirigente integrou a representação ibérica do sector da sardinha, que foi recebida em Bruxelas pelo director geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas da União Europeia (UE).
Portugal e Espanha vão retomar a 3 de junho esta pescaria, suspensa desde meados de setembro, adiantou a tutela.
As organizações da pesca da sardinha pediram em Bruxelas que as "negociações sejam reabertas em julho e que sejam reanalisadas as possibilidades de pesca, com base nos dados dos novos cruzeiros científicos", sendo que em Portugal o cruzeiro científico promovido pelo Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) termina no dia 15 deste mês.
Fonte oficial do Ministério do Mar admitiu que a quota é "passível de aumento após a análise dos resultados dos cruzeiros científicos de maio, os quais deverão ser conhecidos até final de junho".
Apesar de Portugal e Espanha reconhecerem a hipótese de reanalisar a quota, as organizações da pesca da sardinha dos dois países recusaram que sejam definidas "as mais reduzidas [capturas] de sempre na história da pesca da sardinha nestes países", quando os cruzeiros científicos realizados em ambos apontam para "resultados muito positivos" em 2018 e 2019.
Desde abril que pedem que seja fixada uma quota de 15.425 toneladas, correspondentes aos 10% da estimativa de 'stock' existente, fixada em 154.254 toneladas no último parecer do ICES para 2019.
Esta posição foi assumida tendo em conta "os bons resultados científicos obtidos em 2018 pelos cruzeiros de investigação científica", ao apontarem para um aumento de 70% da biomassa da sardinha com mais de um ano, entre 2017 e 2018.
Se assim fosse, o total de capturas ficaria acima do de 2018 (cerca de 12 mil toneladas), reduzidas ao longo do ano para 9000 toneladas, mas ainda assim baixo das possibilidades de pesca definidas para 2017.
Em 2008, o sector capturou 101.464 toneladas de sardinha.
Os armadores demonstraram existirem diferenças nos resultados científicos de diferentes entidades e sensibilizaram o director geral dos Assuntos Marítimos e das Pescas da UE, que supervisiona as negociações entre Portugal e Espanha, para, em próximas mesas negociais, se ter em conta não apenas o parecer científico do ICES, mas também os mais recentes resultados científicos dos cruzeiros científicos.

terça-feira, 7 de maio de 2019

Algo estranho está a acontecer na costa portuguesa. E pode encolher o oceano



Um terramoto em 1969 acendeu a polémica sobre o mapa tectónico da costa portuguesa. Agora, novas pistas denunciam que a parte inferior da placa tectónica do litoral de Portugal está a deslizar e a afastar-se do seu topo, numa ação continuada que pode fornecer a faísca necessária para que uma placa afunde em relação à outra. Por outras palavras, o Atlântico está a encolher.

Em 1969, uma extensão subaquática aparentemente calma da costa portuguesa gerou um enorme terramoto que fez tremer a linha onde a terra acaba, e provocou um tsunami que foi como o mar que começa sobre a superfície de terra. Esta zona tem sido um mistério por resolver, sobretudo para João Duarte, geólogo marinho do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, que se dedica, há anos, a perceber o puzzle geológico entre as duas peças: terra e mar, num encaixe tumultuoso.
Só agora, 50 anos depois do fenómeno, João Duarte acredita ter a resposta, conforme explicou à National Geographic A parte inferior da placa tectónica do litoral de Portugal parece estar a deslizar e a afastar-se do seu topo, numa acção continuada que pode fornecer a faísca necessária para que uma placa afunde em relação à outra. Por outras palavras, pode estar a nascer uma zona de subducção, como denunciam simulações de computador apresentadas na União Europeia de Geociências.
Se tal for confirmado, a investigação de João Duarte constituiria a primeira vez que uma placa oceânica é monitorizada em pleno acto de ruptura. Mas, acima de tudo, a revelação de um segredo das profundezas do oceano traz à tona uma verdade preocupante: um dos primeiros estágios do encolhimento do Atlântico, o que coloca a Europa em rota de colisão com o Canadá, como previsto anteriormente por alguns modelos de tectónica.
É um puzzle para compreender melhor, mas também "é certamente uma história interessante", diz Fabio Crameri, da Universidade de Oslo, que não fez parte da equipa de pesquisa, mas que participou na palestra do geólogo da Universidade de Lisboa. João Duarte apresentou alguns argumentos fortes, segundo Crameri, mas o modelo precisa de mais testes, o que não é uma tarefa fácil quando os dados recolhidos provêm de um processo natural que funciona à velocidade do crescimento das unhas.
"Talvez esta não seja a solução para todos os problemas. Mas acho que temos algo novo aqui", frisa o geólogo marinho português.
As placas tectónicas da Terra movem-se constantemente numa marcha lenta, uma dança em que algumas peças colidem e outras se separam. Pelo menos três vezes na história de 4,54 bilhões de anos do planeta Terra, as massas terrestres aglomeraram-se em poderosos supercontinentes, apenas para eventualmente reverter o processo e desfazer ligações novamente. As zonas de subducção são as principais forças motrizes por detrás de uma correia tectónica que puxa a crosta oceânica e o manto superior até à profundidade, o que leva a uma reciclagem das rochas e a uma deslocação de continentes.
Cerca de 90% da actividade sísmica mundial é despoletada numa cadeia desconexa de zonas de subducção que delineia o chamado anel de fogo, um arco ao redor do Oceano Pacífico, da ponta sul da América do Sul até à Nova Zelândia. Contudo, a Península Ibérica está bem longe desta pista de dança, mesmo do outro lado do mundo, a tocar o Oceano Atlântico. Aqui, as placas separam-se no centro do oceano, e formam uma nova crosta. As extremidades das massas terrestres em redor transitam do continente para o oceano num só movimento.
A situação da Península Ibérica, no entanto, é um pouco mais complexa. As placas euro-asiática e africana arrastam-se maioritariamente para leste. Aqui, no centro do mistério geológico, uma ligeira torção no movimento da placa africana esmaga a placa eurasiática para norte. Ainda assim, não seria de esperar, segundo os cientistas, que grandes tremores de terra atingissem a costa de Portugal. Por isso, ao longo dos anos, reuniões têm sido realizadas por diversos investigadores para explicar as pontas soltas de um encaixe quase perfeito.
"Este foi principalmente um trabalho de ligar os pontos", explica João Duarte sobre as pesquisas mais recentes. E um dos primeiros pontos em questão foi a localização incomum do epicentro do terramoto de 1969: uma extensão inexpressiva conhecida como a planície abissal da Ferradura. Nesta região, não há sinais óbvios de falhas, paisagens contorcidas ou montanhas submersas, características que apontam para danos tectónicos.
A investigação com ultrassom identificou uma curiosa massa densa que se estendia diretamente a partir do local onde o terramoto de 1969 ocorreu. Outras análises sugeriram que esse ponto poderia ser o início de uma zona de subducção.
No entanto, nenhum vestígio de tal zona permaneceu na superfície, o que levou João Duarte a inicialmente presumir que o corpo estranho era uma leitura falsa. Isso mudou em 2018, quando Chiara Civiero, investigadora de doutoramento do Instituto Dom Luiz da Universidade de Lisboa, e colegas da mesma equipa publicaram uma experiência exploratória de alta resolução na terra nesta região, e... A bolha invulgar deu provas de ali estar.
"Agora temos 100% de certeza de que está lá", assevera o geólogo marinho. Outros cientistas descobriram que, acima desse corpo profundo, que se estende a 155 milhas [250 quilómetros] abaixo da superfície, a terra tremia.
A chave, refere João Duarte, provavelmente reside numa camada aparentemente inócua no meio da placa tectónica. Trabalhos anteriores sugeriram que a infiltração de água através de uma rede de fraturas na placa oceânica reagira com as rochas abaixo da superfície, transformando-as em minerais verdes suaves num processo conhecido como serpentinização. Os cientistas acreditam que o fenómeno tectónico pode ser comum sob espessas placas continentais através de um mecanismo ligeiramente diferente, e, possivelmente, até mesmo em antigas zonas de subducção, mas nunca foi anteriormente registado em placas oceânicas primitivas.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

Os Oceanos estão ameaçados pelo excesso de pesca


Para responder ao apetite insaciável dos peixes, as técnicas de pesca estão sendo cada vez mais aprimoradas, com embarcações maiores, redes mais profundas e sonares mais eficientes, que poderão deixar o mar sem uma parte importante dos seus recursos.
Em 2017, 92,5 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar foram pescados em todo o mundo – quatro vezes mais do que em 1950, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Este aumento deve-se ao crescimento da população e a um maior consumo por habitante.
Mas os recursos marinhos não são inesgotáveis. Em 1996, houve um pico na pesca de peixes, segundo a FAO, e, desde então, o volume está estagnado.
Um terço das reservas de peixes do mundo está superexplorado, alerta a FAO. Isso não significa que as espécies envolvidas podem desaparecer, pois uma reserva de peixes corresponde a uma população numa zona geográfica concreta. Contudo, esta situação pode ameaçar a sua pesca no futuro.
As reservas excessivamente exploradas “podem diminuir a níveis de abundância tão baixos que já não seja mais rentável pescar”, explica Didier Gascuel, investigador e membro do conselho científico do instituto de Ifremer.
Actualmente, os arrastões (barco que usa redes de arrasto) são responsáveis por metade das capturas mundiais, mas nem sempre são selectivos na sua forma de captura.
A situação é ainda pior para a pesca de arrasto de fundo: a rede é lastreada, uma técnica muito criticada pelas ONGs.
“Ara-se o solo dos oceanos para pescar peixes sem distinção, com um impacto nos corais, e nas esponjas”, denuncia Frédéric Le Manach, da associação Bloom, que organizou uma campanha contra a pesca em águas profundas, proibida pela União Europeia em 2016.
O palangre – uma linha na qual são pendurados milhares de anzóis que podem prender também aves, ou tartarugas – ou os dispositivos de concentração de peixes (DCP) também estão na mira.
Quotas necessárias 
A União Europeia proibiu a pesca eléctrica a partir de 2021, uma prática controversa, muito usada na Holanda. É um “novo duro golpe nos pescadores holandeses, que reduz a nada as perspectivas de futuro das suas empresas”, criticou a VisNed, principal organização de pescadores do país.
Diante da exploração excessiva, ONGs e cientistas defendem uma pesca mais razoável. “A pesca é um desafio para a segurança alimentar”, particularmente nos países mais pobres, lembra François Chartier, encarregado desta questão no Greenpeace.
A pesca é regulada pelas legislações nacionais, pela União Europeia, ou por organizações regionais de gestão de pesca (ORGP). Mas “é difícil fazer que sejam aprovadas medidas rigorosas” nestas últimas, levando em conta o peso da indústria pesqueira, lamenta François Chartier.
Reduzir a frota é apenas uma parte da solução, embora os barcos que continuam operacionais sejam cada vez mais potentes. “É preciso limitar as capturas e executar quotas”, afirma Didier Gascuel.
Para as ONGs, é preciso combater a pesca ilegal, os subsídios que estimulam o excesso de pesca e a pesca destinada a fabricar farinha de peixe. Em vez disso, devem ser promovidos métodos passivos de pesca (vasos, redes fixas), o estabelecimento de áreas marinhas protegidas, a criação de rótulos mais rigorosos, ou o apoio a áreas de pesca que permitam a reconstituição de reservas e criação de empregos.
“Recuperar as reservas superexploradas permitiria aumentar a produção em cerca de 25%”, indica Manuel Barange, da FAO, à AFP.

Além disso, a mudança climática poderia piorar as coisas. Isso “provocará certa redistribuição das reservas de peixes” e poderia fazer com que “regiões tropicais e pequenos Estados insulares tenham que fazer frente aos impactos mais negativos, enquanto as regiões polares se beneficiarão dos aumentos”, alerta Barange.