segunda-feira, 6 de maio de 2019

Os Oceanos estão ameaçados pelo excesso de pesca


Para responder ao apetite insaciável dos peixes, as técnicas de pesca estão sendo cada vez mais aprimoradas, com embarcações maiores, redes mais profundas e sonares mais eficientes, que poderão deixar o mar sem uma parte importante dos seus recursos.
Em 2017, 92,5 milhões de toneladas de peixes e frutos do mar foram pescados em todo o mundo – quatro vezes mais do que em 1950, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Este aumento deve-se ao crescimento da população e a um maior consumo por habitante.
Mas os recursos marinhos não são inesgotáveis. Em 1996, houve um pico na pesca de peixes, segundo a FAO, e, desde então, o volume está estagnado.
Um terço das reservas de peixes do mundo está superexplorado, alerta a FAO. Isso não significa que as espécies envolvidas podem desaparecer, pois uma reserva de peixes corresponde a uma população numa zona geográfica concreta. Contudo, esta situação pode ameaçar a sua pesca no futuro.
As reservas excessivamente exploradas “podem diminuir a níveis de abundância tão baixos que já não seja mais rentável pescar”, explica Didier Gascuel, investigador e membro do conselho científico do instituto de Ifremer.
Actualmente, os arrastões (barco que usa redes de arrasto) são responsáveis por metade das capturas mundiais, mas nem sempre são selectivos na sua forma de captura.
A situação é ainda pior para a pesca de arrasto de fundo: a rede é lastreada, uma técnica muito criticada pelas ONGs.
“Ara-se o solo dos oceanos para pescar peixes sem distinção, com um impacto nos corais, e nas esponjas”, denuncia Frédéric Le Manach, da associação Bloom, que organizou uma campanha contra a pesca em águas profundas, proibida pela União Europeia em 2016.
O palangre – uma linha na qual são pendurados milhares de anzóis que podem prender também aves, ou tartarugas – ou os dispositivos de concentração de peixes (DCP) também estão na mira.
Quotas necessárias 
A União Europeia proibiu a pesca eléctrica a partir de 2021, uma prática controversa, muito usada na Holanda. É um “novo duro golpe nos pescadores holandeses, que reduz a nada as perspectivas de futuro das suas empresas”, criticou a VisNed, principal organização de pescadores do país.
Diante da exploração excessiva, ONGs e cientistas defendem uma pesca mais razoável. “A pesca é um desafio para a segurança alimentar”, particularmente nos países mais pobres, lembra François Chartier, encarregado desta questão no Greenpeace.
A pesca é regulada pelas legislações nacionais, pela União Europeia, ou por organizações regionais de gestão de pesca (ORGP). Mas “é difícil fazer que sejam aprovadas medidas rigorosas” nestas últimas, levando em conta o peso da indústria pesqueira, lamenta François Chartier.
Reduzir a frota é apenas uma parte da solução, embora os barcos que continuam operacionais sejam cada vez mais potentes. “É preciso limitar as capturas e executar quotas”, afirma Didier Gascuel.
Para as ONGs, é preciso combater a pesca ilegal, os subsídios que estimulam o excesso de pesca e a pesca destinada a fabricar farinha de peixe. Em vez disso, devem ser promovidos métodos passivos de pesca (vasos, redes fixas), o estabelecimento de áreas marinhas protegidas, a criação de rótulos mais rigorosos, ou o apoio a áreas de pesca que permitam a reconstituição de reservas e criação de empregos.
“Recuperar as reservas superexploradas permitiria aumentar a produção em cerca de 25%”, indica Manuel Barange, da FAO, à AFP.

Além disso, a mudança climática poderia piorar as coisas. Isso “provocará certa redistribuição das reservas de peixes” e poderia fazer com que “regiões tropicais e pequenos Estados insulares tenham que fazer frente aos impactos mais negativos, enquanto as regiões polares se beneficiarão dos aumentos”, alerta Barange.

domingo, 5 de maio de 2019

Turismo ameaça corais das águas turquesas do Mar Vermelho


Em águas cristalinas de cor turquesa, pequenas medusas rosadas rodeiam mergulhadores amadores que chegam do mundo inteiro para admirar as profundezas do mar Vermelho, cujos corais espetaculares estão ameaçados pelo aumento do turismo no Egipto.

Na costa da localidade turística de Hurghada, no leste do país, os peixes-palhaço, peixes-porco e peixes-borboleta nadam entre recifes de coral verdes e violetas, a uma dezena de metros de profundidade. Com pés de pato, máscaras de oxigénio e um guia profissional, um grupo de turistas, muitos deles europeus, contempla este espectáculo sereno que contrasta com a agitação em terra firme.

Em Hurghada, abundam os bazares e os complexos hoteleiros com preços acessíveis para atrair o máximo de clientes possível.

"É muito mais barato que o Caribe", afirma Daniel, um alemão de 29 anos, tomando sol numa praia privada. Assim como ele, cada vez mais turistas estrangeiros voltam a Hurghada.

O sector turístico egípcio sofreu uma queda depois da revolução que expulsou do poder o presidente Hosni Mubarak em 2011.

O número de visitantes caiu de 14,7 milhões em 2010 para 5,3 milhões em 2016, um ano depois de um atentado contra um avião russo que deixou 224 mortos em Sharm el-Sheikh, outra localidade turística do mar Vermelho.

Desde 2017, a situação melhorou. Em 2018, a contribuição do turismo ao Produto Interno Bruto do país aumentou 16,5% até alcançar seu nível mais alto desde 2010, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC, sigla em inglês). O Egipto não comunicou os números de visitantes do ano passado.

"PRESSÃO CRESCENTE"

"O aumento do turismo no Egipto é positivo, mas aumentou a pressão (sobre os recifes)", afirma a directora-geral da ONG Hurghada Environmental Protection and Conservation Association (Hepca), Heba Shawky.

A associação foi fundada em 1992 por profissionais do mergulho preocupados com o impacto do turismo sobre o meio ambiente marinho.

Um mergulhador que acompanha os turistas constata em Hurghada: "Há actividade turística" e "lugares onde (os corais) desapareceram". Mas "foram preservados bastante melhor do que em Sharm el-Seikh e Marsa Alam", outras zonas turísticas, acrescenta. 

Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Unep), no mundo, ao menos 20% destes "ecossistemas mais belos, com mais diversidade biológica e os mais delicados" do planeta foram destruídos, e 60% estão ameaçados pela mudança climática, pelo turismo, ou a pesca predatória.

Os cientistas consideram que os corais do mar Vermelho são os mais resistentes às mudanças climáticas e podem chegar a ser um "refúgio" mundial para a biodiversidade marinha, mas pedem proteção ante outros perigos.

Cerca de 1.700 barcos de turismo sulcam estas águas, além dos navios comerciais que transitam pelo Canal de Suez.

A ONG Hepca implementou pelo menos 1.200 balizas em diferentes áreas de mergulho para evitar o uso das âncoras, que destroem os corais, indica Shawky

"MUITOS ESFORÇOS"

Ainda há muito por fazer, acrescenta, como reduzir o tamanho dos barcos dedicados ao mergulho, que atingem 50 metros de comprimento, e limitar seu número.

"Não temos pirâmides nem templos", mas temos "recursos vivos" debaixo d'água e, preservando o meio ambiente, apoiamos a indústria do turismo, diz.

No escritório de Hurghada, o governador do mar Vermelho, general Ahmed Abdallah, insiste nos "esforços" das autoridades para preservar o entorno marinho.

"Proibimos a poluição que afecta os recifes", afirma, acrescentando que, recentemente, a administração local decidiu proibir os plásticos descartáveis a partir de 1º de junho.

Segundo o Unep, até 12 milhões de toneladas de plástico acabam a cada ano nos oceanos.

Mahmud Hanafy, professor de biologia marinha da Universidade do Canal de Suez, considera que as autoridades deveriam instaurar lugares protegidos para evitar a "sobre-exploração" de recursos "limitados". Outra solução: "Criar recifes artificiais para reduzir a pressão sobre os naturais".

Outros países com grande biodiversidade submarina, como Austrália e Maldivas, desenvolveram novos habitats, colocando no mar recifes de cerâmica impressos em 3D.

Fonte: AFP

Perda de biodiversidade "é tão grave como as alterações climáticas"


O mais completo relatório sobre biodiversidade dos últimos 15 anos mostra que os ecossistemas estão à beira do colapso. Versão final do documento será divulgada esta segunda-feira em Paris. "É urgente agir", dizem cientistas.

Serão necessários passos de gigante e transformações radicais na produção global de alimentos e nas atividades humanas em geral, que estão a pulverizar os recursos, os ecossistemas e as espécies, se se quiser inverter tais tendências destrutivas - e o tempo é curto.
Este é o aviso que cerca de 400 cientistas fazem no mais completo e atualizado relatório dos últimos 15 anos sobre a biodiversidade, e cuja versão final será conhecida em Paris, esta segunda-feira, 6 de maio.
O relatório, que foi elaborado nos últimos três anos, esteve esta semana em discussão na capital francesa, no âmbito de uma reunião das Nações Unidas, com delegados de mais de 130 países. Numa versão ainda não definitiva, a que AFP teve acesso, podem ler-se esses alertas, que não deixam dúvidas sobre os problemas ambientais sem precedentes que a humanidade enfrenta.
Alguns números referidos nessa primeira versão do relatório ajudam a pôr o problema em perspetiva e dão a medida da urgência de ações concertadas e eficazes, a ser tomadas pelos decisores políticos a nível mundial.
A nossa destruição da biodiversidade e dos ecossistemas atingiu níveis que ameaçam o bem-estar da humanidade
Os números: cerca de um milhão de todas as espécies do planeta enfrentam a extinção, muitas delas dentro de poucas décadas; à exceção de uma parte muito pequena (7%), todos os grandes stocks de pesca do mundo estão em declínio, devido à sua sobre-exploração, e se falarmos de florestas, três milhões de hectares (2,9 milhões) perderam-se desde 1990 - nas três últimas décadas -, numa área correspondente à dimensão da Alemanha ou do Vietname.
O relatório, que foi preparado pela Plataforma Intergovernamental Científica e Política para a Biodiversidade e os Ecossistemas (IPBES, na sigla inglesa) - o equivalente ao IPPC para as alterações climáticas, igualmente no âmbito das Nações Unidas -, não define recomendações políticas (pelo menos nesta primeira versão). Mas a versão final do documento vai ser a referência para a próxima COP da Convenção das Nações Unidas sobre a Biodiversidade, que se realiza na China, no próximo ano.
Essa cimeira, em 2020, será o momentos-chave da definição das políticas internacionais nesta área, para a próxima década.

Próxima década é decisiva

Na abertura da reunião que está a decorrer em Paris, Robert Watson, o presidente da IPBES, não poupou palavras sobre o atual estado de calamidade ambiental. "As provas são incontestáveis: a nossa destruição da biodiversidade e dos ecossistemas atingiu níveis que ameaçam o bem-estar da humanidade, pelo menos tanto quanto as alterações climáticas induzidas pelo homem".
Alertando para o que está em causa, Robert Watson, sublinhou que a biodiversidade "não é algo abstrato". Ela "diz respeito a todas as espécies animais ou vegetais que vivem no planeta, incluindo aquela que se coloca a si mesma em perigo, ao destruir a natureza: a humanidade. E o homem não pode viver sem essa natureza, que lhe presta serviços de valor incalculável, desde insetos polinizadores a florestas e oceanos que absorvem CO2, até medicamentos ou água potável".
A presente situação é, aliás, o espelho do falhanço das metas estabelecidas para esta década no âmbito da própria convenção. Praticamente nenhum dos 20 objetivos previamente definidos para 2020, que visam uma vida "em harmonia com a natureza" até 2050, será alcançado. Isso está referido na primeira versão do relatório, cuja versão final está a ser aguardada com grande expectativa.

segunda-feira, 29 de abril de 2019

Presidente das Seychelles apela à protecção dos oceanos em discurso subaquático


O Presidente das ilhas Seychelles, Danny Faure, fez um apelo global à protecção do “coração azul do planeta” dos efeitos das alterações climáticas, num discurso proferido debaixo de água.
“Este problema é maior do que todos nós, e não podemos esperar pela próxima geração para o resolver. Estão a esgotar-se as desculpas para não agir, estamos a ficar sem tempo”, declarou o chefe de Estado a bordo de um submersível, a 120 metros de profundidade, no mar das ilhas que formam aquele país.
Danny Faure sublinhou que, da profundeza do oceano, consegue ver “a vida selvagem incrível que precisa de proteção”.
“Criámos os problemas, podemos resolvê-los”, apelou, o Presidente das Seychelles, um país que, como outros pequenos estados insulares, é extremamente vulnerável à subida do nível das águas provocada pelas alterações climáticas.
Faure falava durante uma visita a uma expedição científica liderada pela britânica Universidade de Oxford, que investiga a vida subaquática, mapeando vastas áreas do fundo do mar.
Os oceanos cobrem dois terços do planeta, mas permanecem, na sua maioria, desconhecidos.
“Temos melhores mapas de Marte do que do fundo do mar”, disse Danny Faure.
Pouco se sabe da vida aquática abaixo dos 30 metros de profundidade, o limite acessível a mergulhadores comuns.
Esta expedição opera até 500 metros, sendo os primeiros cientistas a explorar áreas de grande diversidade onde a luz do sol escasseia e começa o oceano profundo.
No final da missão, os investigadores esperam ter recolhido cerca de 1.400 amostras e 16 ‘terabytes’ de informação, numa pesquisa ao longo de 25 mil metros quadrados do fundo do mar, usando sondas multifeixe de alta resolução.
A informação vai ser usada pelas Seychelles para expandir a sua política de proteção de cerca de um terço das águas nacionais até 2020, uma importante iniciativa para a “economia azul” do país, numa tentativa de equilibrar as necessidades de desenvolvimento e de proteção ambiental.
As Seychelles é a primeira de seis regiões que a missão prevê explorar até 2022, altura em que os cientistas apresentarão a sua pesquisa numa cimeira sobre o estado do Oceano Índico, em cujas costas de África e da Ásia vivem milhões de pessoas.
Os cientistas esperam também que a sua pesquisa influencie as conversações que decorrem nas Nações Unidas para um primeiro tratado de conservação do alto mar, cuja conclusão está agendada para este ano.
Organizações ambientalistas defendem que um tratado internacional dessa magnitude é urgente, devido às alterações climáticas, à sobrepesca e à prospeção de minerais preciosos, que estão a colocar uma pressão insustentável na vida marinha.

A vida pode ter surgido em lagoas rasas (e não em oceanos profundos)



Um estudo recente descobriu que os lagos primitivos que existiam na Terra há 3.900 milhões de anos poderiam ter sido mais propensos ao surgimento das primeiras formas de vida no nosso planeta do que os oceanos profundos.

evolução é a explicação geralmente aceite de como a vida na Terra se tornou tão complexa. No entanto, há uma ponta solta que ainda ninguém conseguiu explicar – de que forma a vida emergiu da matéria não-viva.
A hipótese predominante e mais aceite é a de que a vida começou no oceano, onde as fontes hidrotermais forneceram as reações químicas necessárias ao surgimento de vida. No entanto, um recente estudo do Massachusetts Institute of Technology (MIT) descobriu que os oceanos antigos não tinha nitrogénio suficiente – mas as lagoas rasas podiam ter.
O nitrogénio é considerado uma parte fundamental da transição da não-vida para a vida. De acordo com o New Scientist, a história afirma que o ácido ribonucléico (ARN) primitivo – uma molécula que ajuda a codificar a nossa informação genética – era, muito provavelmente, uma molécula flutuante.
Alguns cientistas acreditam que o ARN, quando entrou em contacto com óxidos de nitrogénio, poderia ter sido quimicamente induzido para formar aminoácidos, que então desenvolveram os primeiros organismos simples.
No entanto, segundo este tudo recentemente publicado na Geochemistry, Geophysics, Geosystems, os óxidos de nitrogénio não duraram o suficiente para conseguirem alcançar fontes hidrotermais do fundo do mar e, consequentemente, impulsionar a vida. Para sustentar esta teoria, os cientistas encontraram dois fatores até agora negligenciados: a luz ultravioleta do Sol e o ferro dissolvido das rochas.
“Neste estudo mostramos que se introduzirmos estas duas novas variáveis, elas suprimem as concentrações de óxidos de nitrogénio no oceano”, resumiu Sukrit Ranjan, principal autor do estudo. Depois de terem chegado à conclusão de que os oceanos não tinham nitrogénio suficiente, colocaram novamente a questão: onde se formou, então, a vida?
Segundo a equipa do MIT, as lagoas rasas são, para já, a melhor resposta a esta pergunta. Nelas, há menos volume para os compostos serem diluídos, e este tipo de condições é propício a maiores concentrações de óxidos de nitrogénio – dando-lhes uma maior probabilidade de interagir com moléculas como o ARN e, assim, surgir a vida.
Se a premissa para a origem da vida na Terra era o nitrogénio fixo, “então é difícil que a vida tenha surgido no oceano”, conclui o cientista. “É muito mais provável que isso tenha acontecido numa lagoa.”
Os cientistas admitem que este estudo recente não resolve o debate, mas fornece uma prova intrigante para fundamentar o argumento de que a vida surgiu numa tigela rasa, e não numa sopa primordial.

domingo, 28 de abril de 2019

Descobriram plástico dos anos 60 no mar


Um saco de plástico irlandês de 1965, uma linha de anzol dos anos 50. Não são relíquias mas sinais do desastre ambiental.

objetivo era recolher informação sobre o plâncton em mar aberto, mas acabou por servir para outra função. Este instrumento chamado CPR, ou melhor, Continuous Plankton Recorder, (uma espécie de gravador contínuo de plâncton), viaja pelos oceanos desde 1931. Pelo caminho, este aparelho tipo torpedo, recolheu acidentalmente provas de que andamos a poluir o planeta há muito tempo e que o plástico é mesmo muito resistente. 

No recorde de objetos encontrados temos um saco plástico de 1965, irlandês, que pode receber o prémio de primeiro registro de lixo de plástico encontrado no oceano. Das cerca de 16.725 viagens do CPRs, em 669 apanharam plásticos. Clara Ostle, investigadora do projeto e membro da Associação de Biologia Marinha de Plymouth, explicou à BBC que "vemos por meio desses registos que tivemos alguns casos históricos de plástico presos". E acrescentou: "Podemos construir uma percurso temporal a partir disto - para que possamos ver o aumento de plástico que ficam presos."

A juntar a este saco plástico dos anos 60, encontraram uma linha de pesca de 1957. Os investigadores revelam ainda que os dados recolhidos por este aparelho, o CPR, confirmam que houve um aumento significativo e constante do plástico oceânico desde os anos 90.

Como revela a National Geographic, os cientistas do Reino Unido estiveram a recolher dados da vida do plástico nos oceanos e criaram uma das maiores bases de dados de como o plástico tem sido recolhido no Atlântico Norte. Além disso, a bióloga revela que este aparelho é muito útil, sobretudo porque se comporta como um qualquer mamífero marinho. "Como navega na superfície, tal como os outros mamíferos, apanha o mesmo tipo de plásticos que ficam presos nos animais", revela o estudo.

Encontradas bactérias que comem petróleo no local mais profundo dos oceanos



Uma equipa de cientistas acaba de descobrir que uma bactéria única que come petróleo prolifera na Fossa das Marianas, no Pacífico Ocidental, o local mais profundo do oceano, com 11.00 metros de profundidade.

Em parceria com cientistas da China e da Rússia, especialistas da Universidade de East Anglia (UEA), no Reino Unido, realizaram a análise mais completa das populações microbianas deste poço. Até então, apenas algumas expedições se debruçaram sobre os organismos que habitam neste ecossistema tão peculiar.

“A nossa equipa recolheu amostras da população microbiana na parte mais profunda da Fossa das Marianas. Estudamos as amostras recolhidas e a equipa identificou um novo grupo de bactérias degradadoras de hidrocarbonetos”, disse o cientista da Faculdade de Ciências Biológicas da UEA, Jonathan Todd, citado em comunicado.
Tal como explicou o especialista, os “hidrocarbonetos são compostos orgânicos compostos por hidrogénio e átomos de carbono, sendo encontrados em muitos lugares, incluindo no petróleo bruto e no gás natural”, observou.
“Basicamente, estes tipos de micro-organismos comem compostos semelhantes aos do petróleo, utilizando-os em seguida como combustível“, sustentou, dando conta que estes seres desempenham um papel importante em desastres naturais que envolvam derrames de petróleo nos mares, tal como aconteceu no Golfo do México em 2010.
“Descobrimos também que esta bactéria é realmente abundante no fundo da Fossa das Marianas”. Na verdade, a equipa concluiu que a proporção destes microrganismos que degradam hidrocarbonetos é inclusive mais alta no poço do que na Terra.
“Para nossa surpresa, também identificamos hidrocarbonetos produzidos biologicamente em sedimentos oceânicos no fundo do poço, o que sugere que uma população microbiana única está a produzir hidrocarbonetos neste ambiente”, sublinhou Nikolai Pedentchouk, da Escola de Ciências Ambientais da UEA.
“Estes hidrocarbonetos, semelhantes aos compostos que compõem o diesel, foram encontrados em algas na superfície do oceano, mas nunca em micróbios nestas profundidades”, rematou a cientista.

Os resultados da investigação foram publicados na passada sexta-feira na revista científica especializada Microbiome.

Mapear o mar português


Um mapeamento global e detalhado do imenso e imerso território é fundamental para assumirmos um inequívoco sentimento de pertença e potenciar a cadeia de valor do mar português
Para assumir o reconhecimento de algo que nos pertence é preciso conhecer os seus limites e configuração, fronteiras, relevo e contornos do que é nosso, permitindo-nos posteriormente sentir, acarinhar, defender e valorizar o nosso bem.
Assim é com o território do mar português, e para que todos os cidadãos portugueses tenham um claro e inequívoco sentimento de pertença em relação a este vasto território têm de o conhecer pormenorizadamente.
Um mapeamento global e detalhado deste imenso e imerso território é fundamental para que sejamos capazes de conceber e desenvolver melhores e mais eficientes ações de política pública do mar.
Só um mapeamento amplo e profundo dos fundos oceânicos e do seu relevo topográfico nos permitirá deter as condições ideais para desenhar melhores programas e projetos, destacando as suas caraterísticas, possibilitando um conhecimento fundamental específico e preciso, potenciando o aproveitamento adequado e sustentado dos seus recursos vivos e não vivos.
Logo, urge executar esta ação de política pública num período máximo de dez anos. Atrasar e limitar os recursos para a sua concretização, já em parte desenvolvida, será certamente um erro colossal no alicerçar das condições para a construção e o desenvolvimento pleno deste desígnio nacional, pois estes ajudarão a transformá-lo numa realidade estruturada, com futuro e capaz de gerar uma cadeia de valor que certamente contribuirá para o desenvolvimento social e económico do país.
O mar português, com o seu mapeamento, tornar-se-á para todos um território acessível, disponível para ser descoberto, investigado, desbravado e naturalmente potenciado e explorado de forma sustentável, equilibrada e justificada.
Por outro lado, desenvolver esta ação poderá oferecer a oportunidade de mais uma vez darmos ao mundo um novo passo para o seu avanço civilizacional e de conhecimento.
Tal como é também uma oportunidade para que os conhecimentos técnicos, de organização, inovação e criatividade, das instituições portuguesas, Marinha, Instituto Hidrográfico, centros de I&D, entre outras, possam ser reconhecidos e valorizados internacionalmente.
Por tudo isto era bom que o governo português apoiasse esta ação de política pública de forma determinante e consistente, através do financiamento e disponibilização dos meios e recursos necessários à sua rápida materialização.
Protelar o conhecimento amplo e preciso do território nacional marítimo pelos cidadãos é limitar-lhes o acesso a parte da sua identidade e propriedade.

Autor: Abílio Martins Ferreira


Baleia que deu à costa no Litoral Alentejano foi enterrada na praia


A baleia que tinha dado à costa nas Areias Brancas, praia da freguesia de Vila Nova de Santo André, concelho de Santiago do Cacém e que posteriormente devido a vários factores foi localizada posteriormente já na praia da Costa do Norte no concelho de Sines, foi enterrada nessa mesma praia. A decisão foi tomada pela Câmara Municipal de Sines, pela Autoridade Maritima e pelo ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas depois de terem analisado todas as possibilidades  e pela dificuldade de remoção da carcaça por dificulfade nos acessos. Nenhum dos intervenientes emitiu comunicado sobre todo este processo. Não foi a primeira baleia morta a surgir nas praias do Litoral Alentejano, tendo surgido a primeira, na passada semana, no dia 18 de Abril na praia do Burrinho na zona de Porto Covo, tendo ainda no decorrer nesta semana sido detectados outras duas baleias mortas em Aljezur e Esposende.

domingo, 20 de janeiro de 2019

Excelentes expetativas para o “Mar português”…





A actividade económica, do conhecimento e social do mar continua a crescer. No entanto, para se assegurar um crescimento e desenvolvimento sustentado é preciso o reforço das acções de política pública do mar

O ano de 2019 iniciou com excelentes notícias para o mar, uma delas foi-nos dada na apresentação do “LEME 2018 – Barómetro PwC da Economia do Mar”, onde com base na análise aos dados recolhidos os indicadores demonstraram que o “Mar português” continua a crescer, uma conferência excelente, realizada no dia 11 de Janeiro no pavilhão do conhecimento.
Estes resultados confirmam os dados que a Comissão Europeia disponibilizou no “The 2018 annual economic report on the EU blue economy” que revelam um crescimento da economia do mar em Portugal entre 2009 e 2016 de 26,7%.
Ora, se associarmos estas informações facilmente podemos reconhecer resiliência à actividade económica, do conhecimento e social do mar, resultado de uma forte capacidade de empenho e dinamismo dos seus atores, quer sejam eles trabalhadores, empreendedores, empresários, investigadores e ou agentes sociais e culturais.
É também demonstrado que mesmo em momentos de crise e de alguma turbulência, indecisão e estagnação o “Mar português” mobiliza-se e desenvolve-se. Imagine-se se conseguíssemos alinhar a vontade, determinação e perseverança dos seus actores com acções de política pública do mar adequadas e necessárias!
Mas na verdade o começo do ano não podia ser melhor, inclusive da parte do Governo e Ministra do Mar que se desdobram num anunciar de novas medidas, sendo algumas delas de elevada importância para o desenvolvimento da política pública do mar, como é o caso do novo diploma do regime jurídico do transporte marítimo, que associado à lei para a segurança armada a bordo de navios de bandeira portuguesa aumentam as condições para o crescimento da nossa competitividade neste sector económico.
Outro caso é o Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo, que está na fase final do processo de aprovação e nos oferece um mapeamento e zonamento do espaço marítimo, permitindo aos actores nacionais e internacionais perceberem o potencial de investimento no “Mar português”.
Ainda outro é a aposta nas energias renováveis offshore oceânica, assumida como uma prioridade estratégica pela senhora Ministra do Mar, sendo essencial para tal a conclusão da implementação da zona piloto de energias renováveis oceânicas.
E o anúncio do aumento em cerca de 24% da capacidade de capturas de peixe em 2019, facto que oferece novas condições não só para uma redução da nossa dependência das importações de pescado, como naturalmente melhora as oportunidades para continuar o crescimento das nossas exportações dos produtos da indústria de transformação do pescado.
No entanto, para que tudo isto não esmoreça é preciso reforçar e melhorar o desempenho de algumas acções da política pública do mar, em particular reforçar as medidas que promovam a colaboração e articulação entre os parceiros do mar, o financiamento e a captura de investimento interno e externo, a sua imagem de marca e o plano comunicacional, pois o empenho de centenas de milhares de portugueses o pedem e milhões o desejam, na minha opinião, só deste modo poderemos aspirar a um crescimento e desenvolvimento sustentado e em contínuo do “Mar português”.
Fonte: Abílio Martins Ferreira - Gestor e analista de políticas públicas

domingo, 16 de dezembro de 2018

2018 foi o segundo ano mais quente no Ártico desde que há registo


Este ano, 2018, foi o segundo mais quente no Ártico desde 1900, quando começou a haver registos das temperaturas, aponta um relatório esta semana divulgado.
Em 2018, a temperatura esteve 1,7 graus Celsius mais elevada do que a média dos últimos 30 anos e o aquecimento global foi duas vezes mais rápido do que a média mundial. O recorde absoluto data de 2016.
Os cinco anos mais recentes foram os mais quentes desde que há registos, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), que coordenou um relatório de referência, escrito por mais de 80 investigadores de 12 países.
Aquele organismo depende directamente da administração do presidente norte-americano, Donald Trump, que em Novembro rejeitou um relatório sobre os efeitos das alterações climáticas, da responsabilidade de investigadores federais. Apesar disso, a NOAA publicou este ano a 13.ª edição do relatório sobre o Ártico.
Fonte: ZAP

Metade desta ilha foi engolida pelo oceano em apenas 20 anos


Em apenas 20 anos, a ilha de Ghoramara, na Índia, viu a sua área reduzida para metade. O motivo: a subida do nível das águas que surge em consequência directa do fenómeno das alterações climáticas, confirmam os especialistas ouvidos pela Reuters. A população da ilha de 4,6 quilómetros quadrados sente-se ameaçada. “Se um tsunami ou um grande ciclone atinge esta ilha, nada resistirá”, explicou à agência noticiosa Sanjib Sagar, o líder da única aldeia existente no território. Por esse motivo, e porque a salinização das áreas de terra cultivável está a comprometer a produção agrícola, parte da população pensa em partir. “Todos os anos, as marés invadem a minha quinta e destroem o meu cultivo”, explica Mihir Kumar Mondal, agricultor. Apenas o sector piscícola parece tirar vantagem desta transformação geográfica.

Sheikh Aftab Uddin, um dos 4700 habitantes de Ghoramara, garante que trocaria de morada se o estado interviesse e apoiasse a sua transferência para outro local – o que, apesar dos esforços da população nesse sentido, não parece estar ainda previsto. À semelhança da maioria dos ilhéus, Sheikh não dispõe de recursos financeiros para a mudança, o que torna imperativa a intervenção estatal. De acordo com os especialistas ouvidos pela Reuters, um dia, todos habitantes terão mesmo de deixar as suas casas e partir para outros locais. Porque o futuro é inevitável.

Cidade ecológica vai nascer do oceano nas Maldivas


Os centros urbanos dos países industrializados necessitam de se tornar mais eficientes no aproveitamento energético, para reduzir o impacto ambiental das actividades diárias de uma grande cidade. Mas também os países pequenos podem aproveitar todas as evoluções tecnológicas para ficarem menos dependentes de importações energéticas, ao mesmo tempo que contribuem à sua maneira para reduzir as emissões de carbono. E é nas Maldivas que vai surgir um dos projectos urbanísticos mais ambiciosos dos últimos tempos, com a criação de uma cidade ecológica.
Chamada Ocean’s Heaven, esta cidade vai ser construída completamente de raiz. O projecto foi concebido pela CAA Architechs e vai ser construído pelo Beijing Urban Construction Group, duas firmas chinesas contratadas pelo governo das Maldivas. A cidade vai ser construída em terra reclamada ao mar, ocupando uma área de 60 mil metros quadrados no atol de Hulhumalé, junto ao actual aeroporto internacional que serve este arquipélago do Oceano Índico.
O projecto de Ocean’s Heaven inclui um centro de apoio ao aeroporto, um centro de negócios internacional, centro de convenções, praça central de transportes públicos, duas zonas de comércio, um hotel de luxo centrado em negócios, uma zona cultural com fachada para o oceano e outros serviços. O complexo de edifícios foi pensado para acumular energia, obtida unicamente a partir de energias renováveis, nomeadamente energia solar e maremotriz. Também vai captar água de chuva, já que água potável é um dos recursos mais escassos em ilhas pequenas.
A primeira fase de construção deverá estar pronta em 2021. Ao fazer esta cidade, as Maldivas esperam inspirar o mundo a adoptar formas mais eficientes de consumir energia nas cidades. Ilhas de baixa altitude, muitas delas no formato de atol, são bastante vulneráveis à subida do nível do mar, correndo o risco de desaparecer completamente sob as ondas em caso de aumento global da temperatura média.
Fonte: Motor24