domingo, 9 de setembro de 2018

Boyan Slat cria sistema para limpeza dos oceanos


Com apenas 24 anos, Boyan Slat é um jovem holandês que procura resolver problemas da sociedade.
Aos 18 anos, o inventor criou uma solução tecnológica para limpar o plástico dos oceano - o Ocean Cleanup.  Seis anos após a sua fundação, esta startup ambiental vai lançar, hoje, o primeiro sistema de limpeza do oceano denominado por System 001.
A primeira ação do sistema será feita na ilha de lixo do Pacífico Norte, situada entre o Havai e a Califórnia. O objetivo está na limpeza de metade do lixo dessa ilha que existe há cinco anos.
O procedimento consiste na criação de uma barreira artificial no meio do mar, que concentrará o plástico a ser retirado. O System 001 é composto por um tubo em forma de "U" com 600 metros e por uma saia de três metros de profundidade, que ficará a flutuar no mar, o formato do tubo fará com que o plástico fique preso.
A limpeza do plástico acumulado será feita por um navio a cada quatro a seis semanas.
O sistema está exposto às condições naturais como o vento e as correntes marítimas. 
Através do equipamento que o compõe ( iluminação solar, sistemas anti-colisão, câmaras, sensores e satélites), a sua posição será comunicada em tempo real. 
O sistema já foi alvo de críticas às quais o jovem Slat responde: ?Sabemos que não vamos retirar o plástico todo, mas removeremos tudo o que conseguirmos antes que seja tarde de mais.? Segundo alguns estudos feitos ao reconhecimento do lixo, sabe-se que a maioria do plástico a limpar são peças de grandes dimensões, produzidas nas décadas de 70, 80 e 90.
São vários os projectos associados à remoção do lixo. Na Holanda, a Plastic Whale faz barcos e mobiliário com o plástico que retira dos canais de Amesterdão e do Porto de Roterdão, A Ocean Conservancy já recolheu mais de 200 milhões de quilos de lixo das praias de mais de 100 países. Mas Boyan Slat vai, hoje, revolucionar a limpeza oceânica.



Cientistas descobriram uma “bomba relógio” debaixo do oceano Ártico


O Ártico não está apenas ameaçado pelo derretimento do gelo na sua superfície. Um novo estudo mostra que há também um reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do oceano.
Segundo o Science Alert, uma nova pesquisa descobriu evidências de um vasto reservatório de água aquecida que se está a acumular debaixo do Oceano Ártico e a penetrar de forma profunda no coração da região polar, ameaçando derreter o gelo que se encontra no topo.
“Documentámos um aquecimento oceânico impressionante numa das principais bacias do interior do Oceano Ártico, a Bacia do Canadá”, explica a oceanógrafa da Universidade de Yale Mary-Louise Timmermans.
A investigadora e o resto da equipa analisaram as temperaturas registadas nessa bacia nos últimos 30 anos e descobriram que a quantidade de calor na parte mais quente da água efectivamente duplicou no período entre 1987 e 2017.
Fonte: ZAP

Ciência prova que nível dos oceanos desceu 40 metros há 30 mil anos


Uma equipa internacional de cientistas comprovou que o nível dos oceanos registou uma descida brusca de 40 metros, há 30 mil anos, e voltou a cair outros 20 metros há aproximadamente 22 mil anos.
A investigação, em que participa a Universidade de Granada e cujos resultados são publicados na revista Nature, analisou as mudanças do nível do mar durante o último glaciar máximo utilizando dados geomorfológicos, sedimentológicos e paleontológicos do fundo marinho.
O último glaciar máximo foi o período mais frio da história geológica recente da Terra, que provocou uma enorme acumulação de gelo nas regiões polares, fazendo descer consideravelmente o nível dos oceanos, o que provocou uma mudança na configuração das terras imersas.
Os investigadores afirmaram que, após a brusca descida de 40 metros há 30 mil anos, o nível do mar se manteve bastante estável até voltar a cair 20 metros há cerca de 22 mil anos.
A partir desse momento, produziu-se uma subida lenta do nível do oceano que se acelerou há uns 17 mil anos para desacelerar há 7 mil anos e chegar lentamente aos últimos metros de subida até aos níveis actuais.
"A mudança do nível do mar devido a mudanças do clima é um fenómeno conhecido desde o século XIX e os valores aproximados da descida foram estimadas nas últimas décadas", explicou o catedrático de Paleontologia da Universidade de Granada Juan Carlos Braga, um dos autores do trabalho.
Os investigadores precisaram quer a cronologia quer os valores de variação do nível global dos oceanos durante o último glaciar máximo, graças a dados geomorfológicos e de sedimentação do fundo marinho.
Analisaram também os testemunhos obtidos na perfuração com 34 sondas no subsolo da margem da plataforma no nordeste da Austrália, comparando com dados da Grande Barreira de Coral australiana.
"As descidas bruscas do nível do mar detectadas durante o último glaciar máximo são facilmente explicadas pela mudança climática", destacou o catedrático, que explicou que os dados parecem indicar que houve períodos extremos de calor e frio que são pouco conhecidos dos cientistas.
"Identificar com precisão a magnitude e cronologia das mudanças do nível do mar e do solo são importantes para entender a dinâmica do clima global e também fundamental para entender as conexões das ilhas entre si com os continentes e poder decifrar migrações de espécies, incluindo a humana", concluiu Juan Carlos Braga.
Fonte: JN

Concurso de ideias para a criação de empresas na economia do mar


O gestor executivo da rede de inovação Inova-Ria, Paulo Marques, disse que o objectivo do concurso de ideias “Platicemar” é gerar startups na economia do mar. Falando em Aveiro na apresentação do concurso, cujo prazo de candidatura encerra dia 23, Paulo Marques deu conta de que as energias renováveis, a exploração do solo marinho e a tecnologia marinha são três áreas que gozam de prioridade na grelha de apreciação do júri. Apesar disso, salientou, o concurso “é abrangente a outras temáticas” da economia do mar, onde foram detectadas necessidades a satisfazer por novas empresas, nomeadamente nas áreas logística e portuária. O objectivo de dinamizar a criação de startups na economia do mar é materializado no concurso de ideias, através da configuração dos prémios, que revertem para a startup e não para quem apresentou a ideia a concurso. “Após a selecção, as ideias passam a um processo de aceleração e mentoria porque o nosso objectivo é também estruturar uma rede de mentores locais”, explicou. O Concurso de Ideias de Negócio para a Economia do Mar é uma das realizações do projecto “Platicemar” (Plataforma de Consolidação do Sector da TICE e Empreendorismo na Economia do Mar) que pretende contribuir para que seja alcançado um modelo de desenvolvimento sustentável na Fileira da economia do mar, tendo como base o incremento da cooperação e inovação no sector. Além da rede de inovação Inova-Ria, o projeto “Platicemar” conta com o apoio das universidades de Aveiro, Coimbra e Politécnico de Leiria, de autarquias como a Câmara de Ílhavo, e tem como parceiros o Fórum Oceano, a Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz, a Associação Empresarial da Região de Leiria (NERLEI) e a Sines Tecnopolo. O projecto é financiado pelo Programa COMPETE 2020, no âmbito do Sistema de Apoio a Acções Colectivas – Promoção do Espírito Empresarial.

Lula com mais de 100 kg pescada na Madeira


No passado dia 2 de Setembro, uma lula gigante foi pescada nos mares da Madeira. O animal aparentemente pesa mais de 100 kg.
Em declarações ao Jornal da Madeira, o responsável pela embarcação que capturou a lula diz que o maior problema foi trazer o animal para dentro da embarcação, tendo sido precisos três homens para o fazer. 


O animal foi pescado a 6,4 km da praia de Paul da Madeira.



quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Tubarões-baleia podem viver por até 130 anos


O maior peixe do mundo é o misterioso tubarão-baleia, que pode crescer e até pesar mais de 18 toneladas e ter 18 metros de extensão, embora a maioria chegue, no máximo a alguns metros e quilos menos do que isso. Parece também que esses gigantes podem viver por até 130 anos, segundo novas observações e modelos. Estudar como esses tubarões-baleia crescem ao longo do tempo, ou mesmo quantos deles existem, é um desafio. Pesquisas anteriores normalmente dependem de ossos de tubarão morto e podem ser imprecisas. Agora, uma equipe de cientistas trabalhando nas Maldivas está preenchendo as lacunas de conhecimento científico dessas enormes criaturas.
“Estimar as idades de tubarões em geral é difícil”, disse Mahmood Shivji, professor da Universidade de Nova Southeastern, na Flórida, em entrevista ao Gizmodo.
Cientistas estimam a idade de tubarões-baleia baseados em vértebras de espécimes mortos, que parecem ter anéis como as árvores. Mas não está claro como esses anéis se formam ao longo do tempo e se eles são de facto um marcador para o número de anos que a criatura existe.
Esses cientistas visitaram lugares em que os tubarões-baleia se reuniram ao longo de vários anos para fazer as medições. O estudante de pós-graduação Cameron Perry, primeiro autor do estudo da Universidade de Nova Southeastern, fez mergulho livre com tubarões diversas vezes nas Maldivas. A equipa fez medições em fitas, assim como com lasers e câmaras, para deduzir o tamanho. Eles rastrearam os novos e também os que retornavam, recolhendo dados de 186 encontros com 44 tubarões, a maior parte deles juvenil, ao longo de dez anos. Eles conseguiram reconhecer visitantes repetidos com base nos padrões de manchas nas costas dos animais.
Os cientistas então colocaram esses dados num modelo matemático — equações baseadas em observações anteriores e dados de como os tubarões-baleia cresceram ao longo do tempo que podiam estimar a idade do tubarão em diferentes tamanhos. O modelo calculou que os tubarões machos atingiam a maturidade aos 25 anos e viviam até os 130 anos. Essa não é a primeira estimativa da longevidade do tubarão-baleia, mas ela está dentro da faixa de outras estimativas, que vão de 79 a 174 anos. Ela é também parecida com estimativas feitas com contagem de vértebras.
No entanto, houve um número pequeno demais de fêmeas para se fazer uma estimativa da longevidade do tubarão-baleia fêmea. O artigo foi publicado na Marine and Freshwater Research.
Saber o quão grandes esses tubarões podem ficar e por quanto tempo eles podem viver é importante por motivos de conservação. “Uma compreensão mais profunda da idade e dos parâmetros de crescimento levará a estimativas melhores da capacidade das populações de tubarões-baleia de se recuperarem da superexploração, além de ser vital para planos de administração eficazes”, escrevem os cientistas. É mais fácil dizer quantos tubarões existem se souber por quanto tempo eles vivem.
No entanto, isso é um modelo, o que significa que é uma opinião especifica — os cientistas não confirmaram directamente a existência de um tubarão-branco de 130 anos. Ainda assim, essas medidas são as melhores que os cientistas têm a essa altura, disse Shivji, e as mesmas técnicas poderiam, talvez, funcionar com outras espécies de tubarão.
“Este é um novo método de medir tubarões vivos que pode ser aplicado a outros lugares”, disse Shivji. “Você não precisa depender de matar os animais ou de animais que são capturados em pescas.”

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Cinco países firmam histórico acordo sobre status do mar Cáspio



Autoridades dos cinco países à beira do mar Cáspio assinaram, no passado domingo no Cazaquistão, um acordo para definir o status deste mar.
Reunidos no porto cazaque de Aktau, representantes de Rússia, Irão, Cazaquistão, Azerbaijão e Turcomenistão firmaram este documento que concede um status de extensão marinha, em pleno vazio jurídico desde a dissolução da União Soviética.
O documento, que surge após 22 anos de diálogo - iniciado após a dissolução da União Soviética -, vai determinar questões como as actividades nas diferentes partes do Mar Cáspio, mas também matérias mais específicas, como a delimitação territorial, a navegação, a preservação, o meio ambiente e a segurança.
Na assinatura do protocolo, estiveram os líderes Ilham Aliyev (Azerbaijão), Hassan Rohani (Irão), Nursultan Nazarbaev (Cazaquistão), Vladimir Putin (Rússia) e Gubanguli Berdimujamedov (Turquemenistão).
O anfitrião da cerimónia, Nursultan Nazarbaev, do Cazaquistão, salientou na ocasião que este é um "acontecimento histórico".
"O consenso sobre este mar foi difícil de alcançar e demorou algum tempo", admitiu, realçando que "as negociações duraram mais de 20 anos e exigiram esforços significativos e conjuntos das partes envolvidas".
Por seu lado, Vladimir Putin falou numa cimeira "com significado para a época", apelando também a uma maior cooperação militar entre estes países do Mar Cáspio.
Este acordo deverá ainda servir para aliviar as relações diplomáticas entre os países deste território, que tem vastas reservas de hidrocarbonetos, bem como para preservar aquelas águas, uma vez que o fundo do mar e os recursos submarinos serão agora partilhados entre os cinco países.
Segundo Hassan Rohani, do Irão, o acordo está alinhado com o Plano de Acção Conjunto Global, acordo internacional relativo ao programa nuclear iraniano assinado em 2015 com o P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia - e a Alemanha) e a União Europeia.
"Os países do Mar Cáspio vão defender o Plano de Acção Conjunto Global [entretanto abandonado pelos Estados Unidos] como um acordo internacional valioso", sublinhou Hassan Rohani, intervindo na ocasião.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A influência dos gases poluentes na vida do Oceano


A acidificação dos oceanos resultante das emissões de dióxido de carbono está causando a perda do olfacto dos peixes. Uma nova pesquisa revelou que, à medida que os níveis de ácido carbónico na água do mar aumentam, o robalo perde até metade de sua capacidade de distinguir odores.
As emissões de dióxido de carbono provocam acidez, quando o gás se dissolve na água, um fenómeno que também causa erosão na concha dos moluscos.
A descoberta é de grande importância, uma vez que o olfacto orienta os peixes nas suas actividades básicas, como encontrar alimentos, parceiros e perceber a presença de predadores.
“O nosso estudo é o primeiro a examinar o impacto da acidificação dos oceanos no olfacto dos peixes”, disse a investigadora da Universidade de Exeter, Cosima Porteus, que liderou a pesquisa.
Os investigadores compararam o comportamento dos robalos nos níveis actuais de dióxido de carbono na água do mar, com a reacção à presença de níveis maiores.
Eles perceberam grandes mudanças no comportamento dos peixes em águas mais ácidas. Os robalos começaram a movimentar-se menos e não notaram como antes, a presença de predadores.
Os resultados da pesquisa, publicados na revista científica Nature Climate Change, comprovam as evidências de estudos anteriores sobre a ameaça que a acidificação dos oceanos representa para a fauna marinha.
Segundo as pesquisas anteriores, a acidificação dos oceanos causada pelas emissões de dióxido de carbono afecta não só o olfacto dos peixes, como também prejudica o sistema nervoso dos animais e interrompe o processamento de informações nos seus cérebros.
“Ainda não se sabe com que rapidez o peixe será capaz de superar esses problemas, diante da previsão de um aumento de até duas vezes e meia de dióxido de carbono no final do século”, disse o professor Rod Wilson, da Universidade de Exeter, e co-autor do estudo.

Navios de carga ganham nova vida como casas ecológicas


Se é verdade que os navios de carga são, durante décadas de vida, responsáveis por uma quantidade elevada de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, isso não quer dizer que não podem ser usados de forma sustentável. É essa a ideia por trás deste projecto, que pretende reciclar vários navios de carga desactivados, levando-os para terra firme, onde vão ser reconvertidos em moradias, confortáveis, energeticamente eficientes e rodeadas pela natureza.
A ideia foi proposta na Holanda, por quatro empresas a trabalhar em conjunto. Estas pretendem construir um parque, chamado Marine-doc Estate, onde os cargueiros vão ser instalados como se fizessem parte da paisagem natural. Vão ser habitados por pessoas que procurem uma moradia exclusiva, mas que tenham interesse em assegurar a sustentabilidade ecológica da ideia. Só falta encontrar locais para construir o parque, num conceito que pode até ser exportado para outros países.
A peça central deste projecto de construção vai ser o Kempenaar, que no seu tempo foi um dos maiores cargueiros a navegar pelos canais internos da Holanda. Agora, estava marcado para ser desmantelado, até surgir o projecto da Marine-doc Estate, que vai salvaguardar a identidade do Kempenaar ao mesmo tempo que aproveita os 60 metros de comprimento da sua estrutura para servir como lar para uma família. O interior pode ser alvo de uma grande quantidade de personalização, com espaço para um pátio e uma garagem. O convés tem um extenso espaço para jardim com vista para os terrenos circundantes.
As quatro empresas associadas pretendem construir dois condomínios Marine-doc Estate na Holanda e 16 noutros países. Cada um será diferente, acomodando entre seis e 14 navios de carga usados, conforme as condições do terreno. Os condomínios não serão fechados, pelo contrário, terão que ter acesso público, mas com caminhos desenhados para preservar a privacidade dos residentes.
Fonte: Motor24

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Atiras lixo para o mar? Mais dia menos dia ele vai parar à tua mesa



Mergulha nas profundezas do oceano em busca de beleza, mas o mar devolve-lhe também um filme de terror. Sónia Ell fotografa o lixo marinho e quer levar as provas do que encontra às escolas. Só as novas gerações nos podem salvar, diz.

Em matéria de lixo marinho e suas consequências, “isto é um bocadinho como o carma” — “a gente manda para longe mas ele volta”. A imagem é usada por Sónia Ell, com as devidas reservas de crenças, para falar do “grave problema” de poluição dos oceanos: “Mandamos o lixo para o mar, mas mais cedo ou mais tarde ele vem-nos parar à mesa.” Palavra de mergulhadora, que anda desde 2015 a recolher provas fotográficas do plástico que encontra no oceano, ao largo dos Açores, e quer levar esse testemunho às escolas: “É preciso alertar as gerações mais novas, são elas que podem reverter o que as gerações do meu pai e do meu avô fizeram.”


O projecto +1=-1 é a “herança” que Sónia Ell, 44 anos, aspira deixar ao planeta. “Quero dizer às crianças que mais um significa menos um”, explicou ao P3 numa conversa telefónica: “Se pusermos mais um plástico no mar é menos um que podemos reciclar e mais um destruído com a erosão natural que vem parar à mesa.” A consciência ambiental foi-lhe entrando pela casa enquanto menina, ganhou dimensão quando se tornou mergulhadora (com o objectivo de combater o medo da água com algas e chegar mais perto da sua enorme paixão, os tubarões), e teve o clique definitivo no momento em que assistiu ao documentário Racing Extinction, onde se revelam imagens perturbadoras de espécies em perigo. “Ainda nos esquecemos muitas vezes das consequências dos nossos actos.”

Desde os anos 80 que Filipe Mora Porteiro, director regional dos Assuntos do Mar do Governo Regional dos Açores, vem notando o aparecimento de lixo e plástico na costa. Mas nessa altura, este era ainda um “problema menor”. Com o passar dos anos, o dilema foi crescendo e tornou-se preocupação política. No terreno, há vários projectos que procuram “minimizar” uma dor de cabeça ambiental que vai muito para lá das fronteiras das ilhas açorianas e se torna, por isso, difícil de contornar. “O lixo marinho de origem endógena, produzido nas ilhas e pelas frotas locais, está a diminuir”, aponta, para logo de seguida ir ao ponto principal: “É difícil avaliar a tendência global, mas parece-me que há mais lixo. Ainda não se tomaram medidas globais que consigam inverter esta tendência.” 

O Plano de Acção para o Lixo Marinho nos Açores (PALMA) congrega diversas entidades e iniciativas que abordam o problema em distintas perspectivas: há, por exemplo, campanhas de recolha e monitorização de lixo costeiro e subaquático, acções de sensibilização da população e junto de pescadores e desportistas náuticos. Só entre final de Maio e de Junho houve 25 campanhas de limpeza em todas as ilhas, envolvendo centenas de voluntários. E as ilhas estão também a ser equipadas com centros de triagem e pontos de recolha selectiva, de forma a minimizar a entrada de resíduos no meio marinho.


Sempre que vai à praia, Sónia perde algum tempo a limpar alguns metros quadrados de areal. Como mergulhadora, pensa sempre duas vezes antes de apanhar qualquer objecto. Talvez nunca tenham pensado nisto: “No fundo do mar, uma garrafa pode tornar-se o habitat natural de um animal. Se retirar uma garrafa posso trazer lá dentro um polvo bebé, por exemplo, que é tão pequeno que não se vê.”

Na areia e na água, à tona ou nas profundezas, Sónia encontra de tudo. Chinelos, carrinhos de supermercado, brinquedos, embalagens de comida, garrafas, escovas dos dentes, coisas muito grandes e partículas já minúsculas, provavelmente em processo de erosão há anos, redes fantasma perdidas no fundo do mar e a “pescar animais eternamente”, matando-os.


Para debaixo de água, Sónia levava uma máquina fotográfica e ia “fazendo prova” do que via. Mostrava-as aos amigos e familiares, espantada e revoltada, mas não fazia montra com o problema. O projecto +1=-1 foi o salto que lhe faltava: Sónia Ell não tem aspirações na área fotográfica, mas quer usar as provas em formato de pixel para fazer passar uma mensagem que de outra forma talvez não fosse eficaz. Uma espécie de “ver para crer” com um número impressionante que Sónia, directora de uma joalharia de luxo em Lisboa, nunca deixa esquecer: “Em 2050 teremos mais plástico do que peixe no mar”.

O problema ganhou notoriedade sobretudo “a partir de 1997, quando foi descoberta a grande mancha de lixo do Pacífico Norte”, recorda a bióloga e investigadora em microplásticos e lixo marinho, Paula Sobral. A bordo de um catamarã, o oceanógrafo californiano Charles J. Moore encontrava uma ilha de plástico flutuante no oceano e levava o assunto à comunicação social e mais tarde à comunidade científica. Mais recentemente, o enfoque colocou-se nos microplásticos, “que são provavelmente o que representa o maior impacto no ecossistema marinho e no ser humano”, diz ao P3. “Como são partículas muito pequenas que podem ser invisíveis, os microplásticos podem ser ingeridos. Já foram detectados em vários alimentos humanos e todos os animais marinhos de alguma maneira acabam por ingerir partículas de plástico e fibras.”


A poluição dos oceanos é, ainda assim, um problema “muito desigual”. Confrontando a costa portuguesa com a da Ásia, por exemplo, estamos incomparavelmente melhor. Nos Açores, como na Madeira, a exposição é maior: “Na zona central dos oceanos existe uma acumulação maior de lixo marinho. A dinâmica de circulação global oceânica faz com que nessas zonas se encontrem uma espécie de pequenos vórtex que acabam por concentrar no seu interior aquilo que está a flutuar.”

Para Paula Sobral, coordenadora do projecto pioneiro “Poizon - Microplásticos e poluentes persistentes. Uma dupla ameaça à vida no mar”, a população está até “bastante atenta” ao problema. “Mas isso vale o que vale, porque não corresponde de maneira nenhuma a uma mudança de hábitos”. A solução, acredita, passa por “um conjunto de medidas partilhadas por vários sectores da sociedade, consumidores, indústria” — incluindo algumas “imposições, de banir ou substituir determinados materiais”.


É um caminho lento, mas tem de ser iniciado “já”, diz Sónia Ell: “A humanidade já esgotou o seu crédito”. Entre o trabalho na joalharia de luxo e a actividade amadora de fato de mergulho, Sónia vai continuar a construir a sua herança: “Acredito que se salvarmos um coração salvamos a humanidade. Sou optimista: a pouco e pouco chegamos lá.”

Fonte: Público

Embalagem é encontrada dentro de peixe jurássico que vive no fundo do oceano


Não é por sua aparência somente que o celacanto é um peixe conhecido como “fóssil vivo”: estima-se que tal espécie exista no actual estado evolutivo há 400 milhões de anos. Mantendo há tanto tempo as mesmas características genéticas no fundo dos oceanos, onde o celacanto vive, é impossível medir a quantidade de adversidades que esse peixe enfrentou ao longo do tempo para sobreviver. A foto foi tirada por um pescador na Indonésia em 2016, mas somente veio a público agora. Apesar de viver nas profundezas – onde as alterações no habitat acontecem de forma radicalmente mais lenta do que em outras partes do oceano ou do planeta – até mesmo o celacanto parece enfim ameaçado pelo efeito da acção humana nos mares. Até então era justamente o estado inalterado do fundo dos oceanos, aliado às suas características genéticas, que faziam com que o celacanto tenha sobrevivendo com tanta resiliência. As características fizeram do celacanto um ponto fora da curva do processo evolutivo: as estimativas dos biólogos sugerem que tal espécie deveria ter sido extinta há 65 milhões de anos. Para se ter uma ideia da longevidade dessa espécie, acredita-se que o celacanto seja parente próximo do primeiro vertebrado a sair das água para a terra. Se o cenário actual já é apocalíptico no que diz respeito à poluição nos mares, o prognóstico é ainda mais terrível: pesquisas afirmam que até 2025 os oceanos estarão três vezes mais poluídos do que hoje. Pelo visto, nem mesmo o indestrutível celacanto será capaz de vencer a ignorância humana. 



Fonte: Hypeness



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Acidificação dos oceanos deve intensificar nas próximas décadas


Considerado um dos fenómenos que mais afectam os oceanos actualmente, a acidificação oceânica só foi mencionada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no seu quinto relatório de avaliação (AR5), publicado em 2013 – o primeiro relatório é de 1990.
O órgão da ONU destaca no Sumário para formuladores de políticas públicas do AR5 que o oceano tem absorvido cerca de 30% do dióxido do carbono atmosférico (CO2) emitido pela acção humana.
O aumento da concentração e da dissolução de CO2 tem diminuído o pH da água superficial dos oceanos desde o início da era industrial e aumentado a sua acidez, afirmaram os autores do relatório. A partir de então, a acidificação dos oceanos passou a integrar todos os cenários de mudanças futuras do clima do AR.
O tema deve ganhar ainda mais destaque no AR6 – previsto para ser finalizado em 2021 – e no Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera num Cenário de Mudanças Climáticas, que deve ser finalizado pelo IPCC em Setembro de 2019, estimou Jake Rice, membro do grupo de especialistas da Avaliação Mundial dos Oceanos da ONU.
Especialista em ecologia e biologia marinha, conselheiro e cientista-chefe do Departamento de Pesca e Oceanos do Canadá, Rice é um dos investigadores convidados da São Paulo School of Advanced Science on Ocean Interdisciplinary Research and Governance. O evento, realizado pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), com apoio da FAPESP, ocorre até 25 de Agosto no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.
“Há uma confiança muito alta de que a acidificação dos oceanos tem aumentado e têm sido bastante documentado os efeitos desse fenómeno em organismos marinhos que dependem de carbonato de cálcio para os seus processos de calcificação”, disse Rice.
“As séries temporais de observação dos oceanos, que permitiriam estimar a taxa e a trajectória desse fenómeno ao longo das últimas décadas, contudo, são muito curtas. As de acidez oceânica em águas costeiras, por exemplo, datam de pouco antes de 2005”, disse.
De acordo com o investigador, os modelos de sistemas terrestres projectam um aumento global na acidificação e diminuição no pH oceânico em todos os cenários de emissão e concentração de gases de efeito estufa, mas com grandes e incertas variações regionais e locais.
Os países em desenvolvimento e as pequenas ilhas dos trópicos, que dependem de recursos marinhos, serão os mais afectados directamente ou indirectamente pelo fenómeno.
Os impactos negativos da acidificação oceânica devem variar de mudanças na fisiologia e comportamento dos organismos (como moluscos) e na dinâmica populacional que afectarão os ecossistemas marinhos (como os recifes de corais), durante séculos se as emissões de CO2 continuarem no ritmo actual. Mas há uma série de outros impactos, muitos dos quais ainda não compreendidos, ponderou Rice.
“A acidificação dos oceanos ilustra vários dos desafios que temos enfrentado na ciência do oceano. É preciso mais dados que nos permitam estabelecer relações entre as propriedades físicas de sistemas dinâmicos, com impactos biológicos nos ecossistemas e na sociedade”, afirmou.
Na opinião do canadiano, um dos factores que tornam mais difícil fazer ciência dos oceanos em comparação com as ciências da terra é a maior facilidade em entender a dinâmica terrestre porque vivemos em terra. Dessa forma, é possível ver e analisar directamente como o sistema terrestre funciona.
“A nossa compreensão do oceano precisa prestar mais atenção às evidências e menos à percepção de que é possível entendê-lo por analogia ou inferência do conhecimento sobre a terra e os seus sistemas biofísicos”, disse Rice.
Fonte: Exame

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Nova Caledónia restringe pesca e turismo para proteger recifes e baleias



A Nova Caledónia, território francês situado no oceano Pacífico, impôs esta terça-feira restrições de circulação a embarcações turísticas e de pesca. Esta medida representa um esforço para a protecção dos recifes corais existentes na região e, ao mesmo tempo, serve para criar um santuário para as baleias-corcunda e outras espécies marinhas. As restrições foram conhecidas esta terça-feira através de um comunicado do governo local. A medida afectará o Parque Natural do Mar de Coral, que é a quarta maior área marítima protegida do mundo, com cerca de 1,3 milhões de quilómetro quadrados, abrigando 41% dos recifes de coral da Nova Caledónia, segundo a agência Reuters. As novas restrições, que ajudarão a proteger este habitat marítimos e as suas espécies, abrangerão 28 mil quilómetros quadrados do tamanho total do parque, onde a pesca será estritamente proibida. A fiscalização será feita com a colaboração da marinha francesa. Como o turismo é uma das principais fontes de receita do arquipélago com 260 mil habitantes, os recifes ainda poderão ser visitados, mas somente por grupos pequenos previamente autorizados. Estima-se que a Nova Caledónia receba cerca de 600 mil turistas por ano. Vários países têm tomado medidas idênticas pela defesa da vida marinha, enfrentando, em grande parte dos casos, os interesses comerciais relacionados com as indústrias do turismo e da pesca. Em Abril, a Austrália anunciou que iria investir mais de 300 milhões de dólares para proteger a Grande Barrreira de Coral, que se encontra ameaçada sobretudo pela poluição e pesca ilegal. Este arquipélago do Pacífico abriga uma rica variedade de fauna selvagem, incluindo 2,5 milhões de aves marinhas e mais de 9300 espécies marinhas, como as baleias-corcunda. Este conjunto de restrições, anunciado pelo executivo local, já foi alvo de elogios por parte de várias organizações ambientais. “É este o tipo de liderança que queremos ver no âmbito da conservação dos recifes corais e, por isso, aplaudimos”, afirmou Jonh Tanzer, director da WWF para os assuntos relacionados com os Oceanos, citado pelo jornal britânico Guardian. Mas algumas organizações ambientais ainda não estão completamente satisfeitas e consideram que esta restrição ainda é insuficiente para uma protecção eficaz da vida marinha daquela região, uma vez que abrange apenas 2% dos 1,3 milhões de quilómetro quadrados da área total do Parque Natural do Mar de Coral. "Apesar de considerarmos esta medida como um grande avanço para a protecção ambiental, estamos convencidos que a Nova Caledónia pode ir mais longe, e ser o exemplo para os outros países do pacífico", reiterou Christophe Chevillon, da organização ambiental Pew Bertrarelli, que trabalhou na elaboração do esboço para este projecto de lei. Segundo a WWF, os corais, que são de extrema importância para a fauna marítima, pois, apesar de cobrirem apenas 0,1% da superfície do oceano, suportam um quarto das espécies marinhas conhecidas, estão em declínio no mundo, encontram-se ameaçados pelas mudanças climáticas e pela poluição.

Fonte: Público