sexta-feira, 25 de maio de 2018

31,4% dos stocks marinhos estão em sobrepesca e 58,1% esgotados


55% dos Oceanos Mundiais estão a ser alvo de pesca, sendo que isto equivale a quatro vezes mais do que a área ocupada para agricultura. 31,4% dos stocks marinhos encontram-se em sobrepesca e 58,1% completamente esgotados. Os dados foram revelados pela Quercus – Associação Nacional de Conservação da Natureza, a propósito do Dia Europeu do Mar.
Este dia é celebrado anualmente desde 2008, e foi designado pela Comissão Europeia, pelo Conselho e Parlamento Europeu.
Este ano de 2018 o evento foi realizado em Burgas, na Bulgária. Em 2019, por proposta do Governo de Portugal, as celebrações deste dia terão lugar em Lisboa.
O Dia Europeu do Mar foi criado para enaltecer a importância dos oceanos e mares para toda a sociedade, colocando em debate as oportunidades e desafios que estes enfrentam ao nível do Continente Europeu.
«À medida que a população mundial cresce, principalmente nas últimas décadas, a dependência da proteína que é obtida do Mar tem aumentado exponencialmente», salienta a Quercus em comunicado.
Os dados recolhidos sobre os stocks marinhos «evidenciam que, enquanto a maioria dos Países parece pescar predominantemente dentro de suas próprias zonas económicas exclusivas (ZEE), 85% da pesca em mar alto é realizada pela China, Espanha, Taiwan, Japão e Coreia do Sul, sendo que a China apresenta de longe a maior percentagem».
Além da sobrepesca dos stocks, «existe ainda o problema associado às pescas acidentais, designadas por bycatch, que colocam ainda mais pressão sobre as populações de peixes, afetando espécies chave para o equilíbrio dos ecossistemas».
A pressão colocada sobre os mares e oceanos «provem de várias fontes e as suas problemáticas têm de ser abordadas sobre vários aspectos, quer em termos de políticas, de investigação e de economia», acrescenta a Quercus.
«Têm de ser analisadas as diferentes fontes de ameaças, quer ao nível da pesca, da poluição, das alterações climáticas e das diversas atividades humanas que dependem do Mar e dos Oceanos», diz ainda aquela associação ambientalista.
Por isso, defende a Quercus, «é necessário e impreterível que se adopte medidas mais activas para assegurar o uso sustentável dos recursos marinhos. São necessárias políticas de gestão sustentável das pescas nacionais e internacionais, para que parte dos problemas que os oceanos e mares enfrentam a nível Mundial seja efectivamente resolvidos».


Oceanário de Lisboa. Há 20 anos a dar a conhecer o fundo dos oceanos


É uma das atracções mais emblemáticas da Expo 98 e continua a deslumbrar os visitantes como no primeiro dia. Falou-se com o CEO do Oceanário de Lisboa sobre os 20 anos de existência do aquário. João Falcato refere que, agora, a principal missão é a conservação dos oceanos 
Com mais de oito mil organismos, entre animais e plantas, de mais de 500 espécies diferentes, o Oceanário de Lisboa permite-nos fazer uma viagem ao mundo subaquático. Àquilo que os olhos veem junta-se o que os ouvidos captam. A visita aos vários aquários é sempre acompanhada por sons que nos remetem para os diferentes habitats que vamos conhecendo. Foi neste ambiente que o i falou com João Falcato, CEO do Oceanário de Lisboa, sobre a celebração dos 20 anos de existência do aquário.
Inaugurado em 1998 com a Expo – cujo tema foi “Os oceanos, um património para o futuro” –, o Oceanário eternizou a ligação de Lisboa com o oceano e tornou-se um dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade. “Além do objectivo de trazer o mar de volta a Portugal, a ideia era também reformular toda uma área da cidade. Esses dois objectivos, em conjunto, passavam muito pelo equipamento do oceanário”, conta João Falcato. 
De acordo com o biólogo marinho – que acompanhou o projecto do oceanário desde o início –, quando se pensou em revitalizar a área do agora chamado Parque das Nações concluiu-se que era necessário construir um equipamento que fizesse o pós-Expo funcionar, continuando a trazer visitantes todos os dias. O Oceanário nasceu também com esse propósito e, para João Falcato, o objectivo foi cumprido. “Foi um grande sucesso. Fechámos durante 15 dias (depois de a Expo terminar), voltámos a abrir e tivemos logo mais de um milhão de visitantes no primeiro ano. Isso fez com que toda esta área nunca morresse e tornou a Expo em Portugal, do que eu sei, o maior sucesso histórico. Não há nenhuma Expo que tenha tido tanto sucesso no pós-Expo. A estratégia de criar um equipamento que trouxesse a esta zona da cidade muita gente e revitalizasse a vida aqui funcionou”, explica.
João Falcato conta que o início foi um grande desafio e teve as dificuldades inerentes à construção de um projecto desta dimensão. “Os desafios passaram, por exemplo, pelo transporte dos animais, como um tubarão que está cá desde 1998 e já era grande. Agora está só um bocadinho maior. Pensámos: ‘Como é que eu o trago do outro lado do mundo?’ Era preciso ter em conta toda a tecnologia e todas as ferramentas necessárias para que o transporte corresse bem, para que os animais estivessem bem e para que o seu bem-estar estivesse garantido”, descreve o CEO. 
Seis meses antes da abertura foram postos os primeiros peixes no aquário do Oceanário de Lisboa, algo que João Falcato afirma que não aconteceu nos outros projectos deste tipo espalhados pelo mundo. O CEO refere que foi tudo muito bem planeado na criação do Oceanário de Lisboa e que o bom funcionamento se mantém. “Hoje olhamos para estes animais e estão perfeitos. Passados 20 anos, estão aqui extremamente saudáveis e com comportamentos completamente naturais. Toda a planificação para trazer para aqui um ecossistema novo e trazer animais dos quatro oceanos para que o público que nos visita possa perceber a beleza que existe debaixo de água funcionou muito bem”, afirma.
Turismo O oceanário tem um papel importante no panorama turístico da cidade de Lisboa. Cerca de 60 a 70% dos visitantes do oceanário são turistas e 27% dos turistas que vêm à capital visitam o oceanário. Segundo João Falcato, o oceanário sempre foi mais visitado por estrangeiros do que por portugueses. 
Actualmente está prestes a atingir o patamar dos 23 milhões de visitantes e é considerado pelo site Trip Advisor o melhor aquário do mundo. “É um equipamento que honra a cidade. Sendo considerado o melhor aquário do mundo, acho que contribui para um aumento da qualidade e reconhecimento da oferta turística da cidade. Contribui também, eventualmente, para que visitem a nossa cidade por ser considerado um equipamento que é muito bom e que se ajusta a todas as idades e que, para além de nos divertir, envolver e emocionar, nos ensina a contribuir para um mundo melhor amanhã”, refere o CEO.
Conservação dos oceanos Depois das infraestruturas construídas e das várias espécies adquiridas – apesar de continuarem sempre em busca de novos animais que “tenham uma história para contar” –, a principal missão do oceanário baseia-se agora na literacia azul e na preservação dos oceanos. “Não faria sentido um equipamento deste género existir sem ter essa missão e esse objectivo final”, explica João Falcato.
Para isso usam ferramentas como a sensibilização do público que visita o Oceanário de Lisboa e promovem um programa educativo ambiental. “Temos de tocar cada vez mais gente e temos de ter cada vez mais visitantes para lhes mostrar como é bonito o mar, como é importante garantir que esta beleza e estes recursos se mantêm para o futuro. Para além disso, temos um programa educativo que julgo ser o maior programa educativo do país a nível ambiental. O ano passado chegámos a 168 mil crianças e adultos com o nosso programa educativo”, refere o biólogo marinho.
Este ano, o oceanário está ainda a desenvolver um projecto de educação ambiental em movimento que promove actividades lúdico-pedagógicas gratuitas “fora de portas”. O “Vaivém Oceanário” já visitou mais de 200 municípios de todos os distritos de Portugal continental e regiões autónomas, com impacte em mais de 240 mil pessoas.

Depois, actuam também no terreno. João Falcato considera que é importante não se focarem apenas no principal problema – que somos nós, os seres humanos –, educando e sensibilizando, mas também actuar directamente nos oceanos. “É fundamental ir para o oceano tentar contribuir para que algumas espécies sejam conservadas e continuem a existir no nosso planeta quando estão em risco. É isso que temos vindo a fazer, financiando inúmeros projectos normalmente desenvolvidos por universidades. São elas que vão para o terreno, financiadas e desafiadas por nós, para desenvolver alguns projectos. No ano passado financiámos alguns relacionados com tubarões e raias, mas desde 2007 que financiamos muitos projectos de tartarugas-marinhas, peixes-lua e tubarões. De certeza que hoje há muitos animais que estão a nadar nos oceanos porque nós existimos”, explica.
Para o futuro, há uma grande ambição. João Falcato afirma que, desde que a Fundação Oceano Azul adquiriu o oceanário, em 2015, a capacidade de actuação nos oceanos é completamente diferente do passado. “Actualmente, todas as nossas receitas e todos os nossos lucros são aplicados 100% na conservação dos oceanos e na literacia azul, o que não era a realidade quando éramos um equipamento público. Nessa altura, os nossos resultados eram distribuídos em dividendos. Hoje são totalmente aplicados na conservação, ou seja, estamos a iniciar – começámos em 2016 – um novo percurso com uma capacidade de actuação, fora daqui, muito superior”, refere.
Fonte: Ionline

O que nos diz o caboz sobre os oceanos mais ácidos do futuro?

Equipa portuguesa testou em laboratório os efeitos da acidificação dos oceanos – devido ao excesso de dióxido de carbono na atmosfera – no caboz-de-duas-pintas. Verificou que se reproduz mais, mas não ainda se sabe se haverá consequências negativas na vida adulta desta espécie.


O caboz-de-duas-pintas é um peixe que se reproduz de forma peculiar. Durante a sua curta vida, tem só uma época de reprodução: as fêmeas depositam os ovos no ninho mas são os machos que depois cuidam deles. Contudo, a acidificação dos oceanos pode afectar a reprodução do caboz-de-duas-pintas. Uma equipa de cientistas portugueses estudou vários exemplares desta espécie em laboratório e concluiu que, num ambiente acidificado, se reproduziram duas vezes mais do que os que estavam num ambiente sem esse efeito. As larvas também nasceram mais pequenas.

 O caboz-de-duas-pintas (Gobiusculus flavescens) distribui-se nas zonas costeiras desde Portugal até à Noruega. Como precisa de um lugar para se esconder, em Portugal encontramo-lo em recifes rochosos e, nos países nórdicos, em florestas de kelp. “É uma espécie que forma cardumes e precisa de algum material estruturado para se abrigar e proteger dos predadores”, explica Ana Faria, bióloga marinha do Mare – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente, ISPA – Instituto Universitário, em Lisboa, e principal autora do artigo científico publicado na revista Marine Environmental Research.

Mede entre três e cinco centímetros já no estado adulto. “Tem características muito interessantes”, avisa Ana Faria. Só vive um ano a um ano e meio e tem uma única época de reprodução entre Março e Julho na costa portuguesa. Nesse período, reproduz-se várias vezes.

É em ninhos nas fendas das rochas ou nas conchas vazias de bivalves que tudo acontece. “No início da época de reprodução, o macho seduz as fêmeas com cortes nupciais. E, geralmente, os machos maiores são os mais atractivos para as fêmeas”, conta a bióloga. A fêmea entra no ninho, desova e vai-se embora. O macho permanece, fertiliza os ovos (que podem ser de várias fêmeas, que podem reproduzir-se muitas vezes) e cuida deles no período embrionário durante dez a 15 dias nas águas portuguesas. “O macho pode passar a época de reprodução no ninho a cuidar dos ovos.”

É fácil distinguir os machos das fêmeas. Afinal, esta é uma espécie com dimorfismo sexual. Na época de reprodução, as fêmeas têm uma barriga grande e laranja, que indica que têm ovos. Os machos têm duas pintas – uma na zona caudal e outra na barbatana peitoral –, que dão o nome à espécie.


O caboz-de-duas-pintas é também usado como modelo laboratorial para estudar a selecção sexual. “No início da época de reprodução, aparentemente são os machos que são mais selectivos na escolha da fêmea. Mas se há machos que vão morrendo ao longo dessa reprodução, a uma dada altura há mais fêmeas e são elas que são mais selectivas. Há aqui uma inversão da escolha sexual”, explica a bióloga, acrescentando que este é um comportamento descrito nos países nórdicos mas que nunca foi estudado em Portugal.

Ana Faria e a sua equipa estudaram o efeito da acidificação dos oceanos nesta espécie. A acidificação ocorre quando o excesso de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera é absorvido pela água do mar, causando algumas reacções químicas, como a redução do pH e o aumento da pressão de CO2 na água.
Actualmente, o pH médio oceânico é de cerca de 8,1 e a pressão de CO2 de cerca de 400 microatmosferas (unidade de medida da concentração de CO2). Já na costa, onde está o caboz-de-duas-pintas, esses valores serão mais elevados, pois há mais influência das actividades humanas. “Na costa portuguesa, em particular junto ao [rio] Tejo e Sado, existem valores ‘normais’ que variam entre 500 e 600 microatmosferas”, indica a bióloga marinha. “Em condições de upwelling [fenómeno de afloramento costeiro que consiste na subida de águas subsuperficiais] na nossa costa, já houve registos de 1800 microatmosferas.”

Portanto, quis desvendar-se o que pode acontecer aos peixes que vivem nessas condições. “Os peixes têm uma capacidade muito grande de regular as trocas iónicas e de se manterem em equilíbrio. No entanto, regular e manter o equilíbrio exige mais energia da sua parte, o que pode prejudicar outros processos, como a reprodução e as taxas de crescimento.”

Peixe-palhaço perto do perigo

Para estudar o caboz-de-duas-pintas, a equipa capturou 18 machos e 18 fêmeas no Parque Marinho da Arrábida antes do início da época de reprodução. Depois, simulou num ambiente acidificado – com um pH de 7,6 e uma pressão de CO2 de 2300 microatmosferas – previsto para o final do século XXI, sem esquecer os fenómenos de upwelling. Simulou-se ainda as condições actuais na costa portuguesa. E, depois, os peixes reproduziram-se.

Observou-se então que no ambiente acidificado o caboz-de-duas-pintas se reproduziu duas vezes mais do que no ambiente sem esse efeito. “As fêmeas colocavam, em média, cerca de 40% mais ovos do que os peixes em ambiente de controlo”, diz Ana Faria. Quanto ao tamanho dos ovos, não houve diferenças, mas as larvas do ambiente acidificado eram significativamente mais pequenas.

E quanto ao tamanho dos peixes na vida adulta? “Não sabemos, porque o trabalho terminou com as larvas à nascença”, responde a bióloga. Aparentemente, o aumento da reprodução podia ser uma boa notícia. Mas ainda não se sabe quais as consequências. “Parece estar a haver uma troca de investimento: as fêmeas estão a colocar mais ovos e a reproduzirem-se mais vezes, mas depois as larvas nascem mais pequenas. Embora não tenhamos a certeza se isso é bom ou mau, a verdade é que há uma troca de investimento que pode ter consequências. Perceber isso é o passo seguinte.”

A partir deste ano, Ana Faria vai tentar perceber se o tamanho mais pequeno do caboz-de-duas-pintas à nascença afecta as taxas de crescimento e sobrevivência ou se há algum mecanismo compensatório. Também vai estudar se os progenitores dessa espécie expostos a agentes de stress transmitem à descendência características que lhes permitam sobreviver num meio mais agressivo.

Os efeitos da acidificação dos oceanos têm sido estudados sobretudo nos recifes tropicais. “De forma geral, o que os trabalhos parecem indicar é que acidificação vai ter implicações nos comportamentos de decisão, seja de lateralização ou na escolha de odores, de predadores, habitats ou sons”, resume Ana Faria. Por exemplo, o peixe-palhaço sob o efeito de um oceano mais acidificado é atraído pelo odor dos predadores e expõe-se mais a esse perigo. Já o peixe-rei pode ter problemas com a lateralização, que é importante, por exemplo, na fuga ao predador.
Outros estudos em larvas do peixe-rei e do peixe-palhaço indicam que com a acidificação há um desequilíbrio num dos receptores do GABA, principal neurotransmissor inibidor no sistema nervoso central. O resultado é uma alteração do estado inibitório para excitatório, o que afecta os comportamentos dos peixes. Ainda não se sabe se a acidificação tem influência no mesmo receptor do caboz-de-duas-pintas. Ana Faria espera revelar em breve mais novidades sobre os efeitos de um oceano mais ácido nos peixes.

Fonte: Público

O oceano está transformado numa sopa de plástico


Parecem cardumes, mas um olhar mais atento não encontra peixes a nadar nos oceanos de Mandy Barker. O colorido cenário é, afinal, negro: os animais marinhos foram todos engolidos por plástico, os mesmos restos de balões, palhinhas ou garrafas que são encontrados no interior dos seus estômagos — e, por isso, desapareceram todos. Resta agora uma “praga” a flutuar numa “sopa” (Soup, assim se chama um dos muitos projectos da fotógrafa inglesa dedicados à poluição marítima) de restos de plásticos acumulados. É bonito, julgamos, é “assustador” e “chocante”, alertam-nas as fotografias de Barker, que trabalha sempre em conjunto com biólogos marinhos, durante expedições para estudar e resgatar restos de plásticos, quer de praias e oceanos, quer de estômagos de gaivotas ou peixes, que depois usa em colagens sobre fundo preto. “Já não há áreas livres de plástico”, diz, numa entrevista à Greenpeace, onde surge numa praia deserta, a calcar areia tapada por garrafas. Terá razão: por ano, chegam ao oceano 13 milhões de toneladas de plásticos. E 80% do lixo marinho é plástico (o equivalente a 150 milhões de toneladas).

Mandy Barker, que aos 54 anos soma vários prémios de fotografia de ambiente, é uma das fotógrafas destacadas na edição de Junho da revista National Geographic, na qual se lança uma pergunta que urge respostas rápidas. “Plástico ou o planeta?” Escolhe um.

Fonte: Público

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Ciclo “No Fundo Portugal é Mar” no CCB até Julho

O ciclo parte de uma exposição que envolve várias instalações. Até 31 de julho pode visitar "As Portas do Mar", "Balaena plasticus" e "TerraMar" no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.


O ciclo intitulado “No Fundo Portugal é Mar”, que parte de uma exposição que envolve várias instalações, vai decorrer até 31 de julho no âmbito da programação da Fábrica das Artes do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.
Este ciclo, que tem início esta terça-feira, resulta de uma parceria com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), segundo o CCB, e agrega três propostas artísticas: “As Portas do Mar”, “Balaena plasticus” e “TerraMar”.
“As Portas do Mar” é uma instalação de faróis que traz o universo sonoro do mar, dos portos e praias, e os códigos sonoro-luminosos dos faróis portugueses, segundo a programação.
“Balaena plasticus” é outra instalação que recria o esqueleto de uma baleia de barbas, da autoria de Ana Pêgo e Luís Quinta, criada com lixo plástico que o mar devolve e que “grita a urgência de reaprendermos muitos gestos” a favor do ambiente.
Por seu turno, “TerraMar” é uma instalação vídeo de Graça Castanheira, criada com base em materiais cedidos pela Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), captados por um ROV, um robô telecomandado que desce a seis mil metros de profundidade, propondo ao público uma experiência debaixo de água.
Na receção da Fábrica das Artes, os visitantes poderão ainda experimentar a instalação “Mãos de Areia”, um módulo interativo produzido pelo Pavilhão do Conhecimento — Centro Ciência Viva, que permite explorar a topografia dos fundos marinhos, através de uma mesa de areia e um sistema de realidade aumentada.
O ciclo aprofunda os significados das instalações em oficinas exploratórias que passam pela escrita criativa, pelo confronto com monstros imaginários e reais, pelas formas líquidas das esculturas marinhas, e pela simetria entre o mar e o cosmos.
No Jardim das Oliveiras decorrerão ainda três concertos, sessões com contadores de histórias e conversas marinhas “entre tão improváveis interlocutores quanto variada é a fauna humana que entre nós vive o mar”. Por fim, o clássico “A Menina do Mar”, de Sophia de Mello Breyner Andresen, a partir da música de Bernardo Sassetti, surge nesta programação na forma de um espetáculo de Filipe Raposo, Carla Galvão e Beatriz Bagulho.
Fonte: Observador

segunda-feira, 30 de abril de 2018

Paquete "Infante D.Henrique" - Os Últimos Dias.


O paquete "Infante D. Henrique" realizou o seu último cruzeiro ao Funchal de Dezembro de 1976 a 3 de Janeiro de 1977, ficando fundeado no mar da Palha até Maio de 1977, ano em que o GAS ( Gabinete da área de Sines) o adquiriu para acomodar alguns dos milhares de trabalhadores do complexo da área de Sines. Foi colocado numa lagoa artificial tornando-se uma presença bizarra e cara por terras alentejanas, degradando-se rapidamente.

Ao contrário do que acontecera a outros navios portugueses, cujo o fim era Kaohsiung, o cemitério de navios para a sucata, na Ilha Formosa, no ano de 1986, com o crescimento do mercado de cruzeiros no mundo, o armador grego George Potamianos adquiriu-o e transformou-o num paquete de luxo. Totalmente renovado interiormente, mantendo as linhas clássicas, o navio chegou a Lisboa em 1988, com o nome de «Vasco da Gama». 

Potamianos fez renascer este navio que, durante seis anos, realizou cruzeiros nas Caraíbas e deu a volta ao mundo por diversas vezes. Continuou a ser motivo de admiração e registo em qualquer porto a que aportava.


Em 1994, foi vendido à Premier Cruises, companhia americana, para cruzeiros nas Caraíbas. No ano 2000, ficou sedeado na Europa, em Barcelona, para cruzeiros no Mediterrâneo, mas sem grande sucesso, devido á forte concorrência de outras companhias, como a Costa Crociere, o que provocou, uma vez mais, a sua imobilização. Por falência da companhia e por ordem da Autoridade do Porto de Barcelona, o navio ficou arrestado nesse mesmo ano. O seu último comandante foi Amadeu Albuquerque.


Durante três anos permaneceu acostado ao molhe norte do porto de Barcelona aguardando que alguém novamente o pusesse a navegar pelos quatro cantos do mundo ou simplesmente o adquirisse para o tornar num ex-libris. Encontrava-se em excelentes condições podendo assim navegar por mais uns 40 anos, mas a má sorte bateu de vez à porta.
Foi vendido para sucata e desmantelado na China em 2004.



Ordenamento do Espaço Marítimo: Consulta Pública de 30/04 a 30/06


A DGRM – Direcção-Geral de Recursos Naturais, Segurança e Serviços Marítimos, divulgou o Aviso que dá início à abertura do período de discussão pública do projecto de Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo, que decorrerá entre 30 de Abril e 30 de Junho de 2018.

O Plano de Situação é um instrumento de ordenamento do espaço marítimo nacional que constitui uma ferramenta essencial para a política do mar, assegurando o desenvolvimento da economia azul e a sustentabilidade do meio marinho tal como definido pela Directiva-Quadro “Estratégia-Marinha” e pela Estratégia Nacional para o Mar.

Trata-se de um plano estruturante e fundamental, que abrange todo o espaço marítimo nacional, desde as linhas de base até ao limite exterior da plataforma continental, integrando as águas interiores marítimas, o mar territorial, a zona económica exclusiva e a plataforma continental, incluindo para além das 200 milhas náuticas.

O Plano de Situação do Ordenamento do Espaço Marítimo identifica a distribuição espacial e temporal dos usos e actividades existentes e potenciais, identificando também as áreas relevantes para a conservação da natureza, biodiversidade, os valores correspondentes ao património cultural subaquático e as redes e estruturas indispensáveis à defesa nacional, à segurança interna e à protecção civil e combate à erosão costeira.

Promovendo a compatibilização entre usos ou actividades concorrentes, tendo em vista contribuir para um melhor aproveitamento económico do meio marinho e minimizar o impacto das actividades humanas no meio marinho, este plano é ainda o instrumento que permite a atribuição de Título de Utilização Privativa do Espaço Marítimo Nacional.

Objetivos: 
- Executar os objetivos da Estratégia Nacional para o Mar;
- Promover a exploração económica sustentável, racional e eficiente dos recursos marinhos;
- Contribuir para a coesão nacional e reforço da posição geopolítica e geoestratégica de Portugal na bacia do Atlântico;
- Contribuir para o ordenamento da bacia do Atlântico;
- Assegurar o Bom Estado Ambiental das Águas Marinhas;
- Ordenar os usos e actividades, prevenindo e minimizando conflitos entre usos e actividades concorrentes;
- Contribuir para o conhecimento do oceano e reforçar a capacidade científica e tecnológica nacional;
- Garantir a segurança jurídica e a transparência na atribuição dos Título de Utilização Privativa do Espaço marítimo Nacional;



Yilport Leixões: 3000 TEU diários é mais frequente.


Abril com produtividade a mil – com este provérbio adaptado poderíamos descrever facilmente o trajecto da concessionária Yilport Leixões no que toca à movimentação de contentores no porto nortenho: a empresa voltou, pela segunda vez num espaço de escassos dias, a roçar a marca dos 3 mil TEU diários.
No passado dia 7 de Abril, já a concessionária havia dado conta desse registo de elevada eficiência, com a operação de seis navios que resultou no processamento de 1.803 contentores, ou 2.932 TEU. À data, «faltaram 68 TEU para atingir a marca dos 3.000 TEU», lembrou a Yilport Leixões.
A marca dos 3 mil TEU voltou a pairar no Porto de Leixões no passado dia 11 de Abril, mostrando a persistência dos bons resultados na movimentação de contentores: a «Yilport Leixões voltou a testar a barreira dos 3.000 TEU movimentados num único dia de trabalho», uma meta «cada vez mais frequente», assinalou a empresa.

«Prova da capacidade de resposta da Yilport Leixões», enaltece a empresa

No dia 11 de Abril foram carregados/descarregados «1.739 contentores, a que corresponderam 2.987 TEU», veiculou a empresa, lembrando que apenas «faltaram 13 TEU» para a celebração da meta dos 3 mil TEU diários. «A produção alcançada é tanto mais relevante quanto foi o resultado da operação de oito – oito! – navios, com as exigências operacionais e as perdas de tempo que isso implica».
Fonte: Cargo

sábado, 28 de abril de 2018

Federação dos trabalhadores portuários exige ser recebida pela ministra do Mar


A Federação Nacional dos Sindicatos de Trabalhadores Portuários (FNSTP) criticou o "silêncio" da ministra do Mar aos pedidos de audiência dos sindicatos, avisando que se não houver resposta até 25 de maio, a greve será uma possibilidade.

Os dirigentes das oito associações sindicais que integram a federação estiveram reunidos no Porto de Sines na quinta e sexta-feira, tendo escrito uma carta à ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, a exigirem para serem recebidos para discutirem "a necessidade de melhorar as condições" dos trabalhadores portuários, disse o presidente da FNSTP, Aristides Peixoto, à Lusa.

Perante a falta de respostas, a federação disse que vai "aguardar até ao dia 25 de maio de 2018" para que a ministra viabilize o encontro, sob pena de a FNSTP "promover iniciativas legais de expressão prejudicial ao normal funcionamento dos portos".

Segundo explicou Aristides Peixoto, "a greve será o último recurso, mas pode acontecer".

A federação acusa a ministra de ter "um procedimento pessoal e institucional insólito e lamentável" desde meados de 2016, uma vez que se abstém desde essa altura de responder ao pedido de audiência que "repetidamente" tem sido feito pela FNSTP.

A falta de resposta a um documento entregue pela federação à ministra em 15 de Julho de 2016 "exprime e denota uma indesculpável irresponsabilidade cívica e política, a par de falta de respeito para com instituições do sector" por parte da governante, dizem os sindicatos na carta dirigida a Ana Paula Vitorino.

Segundo a federação, a UGT também já interveio perante o "anómalo estado de alheamento e indiferença" da ministra do Mar, mas não obteve resposta, submetendo a organização sindical portuária a um "inacreditável silêncio ou ostracismo".

Vagas de calor no mar estão a aumentar há um século

Um estudo publicado pela Nature Communications mostra que a frequência de vagas de aquecimento da água do mar aumentou, bem como a duração de cada onda de calor.


As vagas de calor no mar aumentaram em número e em intensidade ao longo do século passado, resultado directo do aquecimento global, revela um estudo divulgado.

Publicado pela revista Nature Communications, o estudo foi feito por investigadores do ARC — Centro de Excelência para os Extremos Climatéricos, um consórcio que junta cinco universidades australianas e uma rede de organizações da Austrália e de outros países, e o Instituto de Estudos Marinhos e Antárticos, um centro de investigação da Universidade da Tasmânia, também na Austrália.

Segundo o estudo, entre 1926 e 2016 a frequência de vagas de aquecimento da água do mar aumentou 34% e a duração de cada onda de calor aumentou 17%, o que se traduz num aumento de 54% do número de dias de temperaturas acima do normal no mar em cada ano.
“A nossa investigação também descobriu que desde 1982 houve um assinalável aumento da tendência de vagas de calor marinhas”, disse o principal autor do estudo, Eric Oliver, da Universidade de Dalhousie, Canadá.
“Se bem que podemos desfrutar das águas quentes quando vamos à praia, essas ondas de calor têm impactos significativos nos ecossistemas, biodiversidade, pesca, turismo e aquacultura. Há muitas consequências económicas profundas que andam de mão dada com esses eventos”, disse o responsável.
Uma onda de calor na Austrália Ocidental em 2011 mudou por completo o ecossistema, que deixou de ser dominado por florestas de laminárias (algas de grandes dimensões) para passar a ser dominado por algas rasteiras. No ano seguinte, no Golfo do Maine (costa nordeste dos Estados Unidos) uma onda de calor levou a um aumento da população de lagostas que fez os preços caírem e o sector foi seriamente prejudicado. E entre 2014 e 2016 uma vaga de calor no Pacífico Norte levou ao encerramento de estruturas de aquacultura e à proliferação de algas nocivas ao longo das costas.
Para as conclusões do estudo os investigadores usaram diversos dados, combinando os fornecidos por satélite com outros que ao longo do século foram recolhidos por navios e estações de medição terrestre, descontando no final as oscilações naturais.
“Houve uma relação clara entre o aumento da temperatura média da superfície do mar e o aumento das vagas marinhas de calor”, disse Neil Holbrook, da Universidade da Tasmânia, acrescentando ser provável que essas vagas de calor continuem a aumentar.
Fonte: Observador

Primeira máquina para limpar o plástico do mar em testes no Pacífico


Vai ser experimentado pela primeira vez um sistema que promete limpar a maior mancha de plástico no mar - são quase 80 mil toneladas de detritos de plástico que ocupam uma área entre a Califórnia e o Havai equivalente a três vezes a França.

O sistema idealizado originalmente pelo adolescente holandês Boyan Slat, agora engenheiro e fundador da fundação The Ocean Cleanup, vai ser implementado este Verão. Pretende limpar o que ficou conhecido como "The Great Pacific Garbage Patch" - a grande mancha de lixo do Pacífico.
Esta mancha, detectada pela primeira vez em 1977, contém mais de 1,8 mil milhões de fragmentos de plástico, segundo o último estudo. E é a primeira vez que se faz a tentativa de a limpar.
Não se trata de uma ilha ou de uma massa única, mas sim de uma vasta área com grandes quantidades de plástico, com detritos que vão dos pequenos bocados a elementos maiores, como redes de pesca abandonadas, que representam 46% do total, segundo o estudo publicado a 22 de Março no boletim Scientific Reports, da revista científica Nature.

MANCHA DE PLÁSTICO EQUIVALENTE A TRÊS FRANÇAS

A quantidade de plástico encontrada nesta área está "a aumentar exponencialmente", de acordo com o trabalho desenvolvido pela fundação Ocean Cleanup e por investigadores de instituições na Nova Zelândia, Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha e Dinamarca.
Os cientistas utilizaram dois aviões e 18 barcos para avaliar a poluição causada pelo plástico no oceano. "Queríamos ter imagem uma clara e precisa daquela extensão de lixo no mar", disse o coordenador do estudo, o investigador Laurent Lebreton, da Ocean Cleanup.
"Pensamos que há cada vez mais plástico a acumular-se nesta área", salientam os cientistas.
A quantidade da massa de plástico presente é quatro a 16 vezes maior que o anteriormente referido e continua a acumular-se mais devido ao sentido das correntes marítimas e ao descuido dos humanos, tanto no mar, como em terra.
A maior parte daquele plástico tem provavelmente origem em países do Pacífico, mas também pode vir de qualquer ponto do mundo pois aquele material anda por todo o oceano e até já foi encontrado no Ártico, segundo Laurent Lebreton.

PLÁSTICOS AMEAÇAM ANIMAIS E ENTRAM NA CADEIA ALIMENTAR

Plásticos, como cotonetes, palhinhas ou sacos de plástico descartáveis, vão parar aos oceanos e deterioram-se, dando origem a pequenas partículas que são ingeridas pelos animais e podem levar à sua morte.
Através dos peixes, os microplásticos chegam à cadeia alimentar humana.
Os microplásticos também são ingrediente de muitos cosméticos e produtos de higiene pessoal, como exfoliantes para cabelo, corpo e rosto, pastas e cremes dentais, entrando na rede de esgotos, mas como são demasiado pequenos para serem completamente filtrados nos sistemas de tratamento vão para os rios e mares.
A poluição do mar pelos plásticos é um problema global. Em 1990, a produção de plástico era metade da actual e daqui a alguns anos poderá existir no oceano mais plástico do que peixe, se nada for feito para evitar o elevado consumo deste material, segundo organizações ambientalistas.
Com o início das operações marcado para Julho deste ano, os especialistas acreditam conseguir retirar metade dos detritos - cerca de 40 mil toneladas - nos próximos cinco anos.
sistema consiste numa série de tubos gigantes - ironicamente feitos de plástico - que vão formar uma longa barreira flutuante. Telas de nylon (material sintético extraído do petróleo) presas às barreiras vão actuar como pás de lixo a recolher os detritos que as marés vão juntando. Estas telas não são capazes, no entanto, de recolher os microplásticos.
Os peixes vão conseguir escapar as estas redes, nadando por baixo, garante a Ocean Cleanup.
A equipa da Ocean Cleanup prevê começar a instalação nas próximas semanas a partir da baía de São Francisco para que tudo esteja pronto em Julho. Depois, todas as seis a oito semanas, barcos vão recolher às redes o lixo acumulado.
Fonte: Sic Noticias

Adaptação genética de ‘ciganos do mar’ explica capacidade invulgar de mergulho

Os Bajau têm uma capacidade invulgar de permanecer debaixo de água. Estudo pode ajudar a fazer a ligação entre a genética e a resposta fisiológica à hipoxia (privação de oxigénio).


Os Bajau, conhecidos como ‘ciganos do mar’, têm uma capacidade invulgar de permanecer debaixo de água, que um estudo divulgado esta quinta-feira atribui a uma adaptação genética resultante num baço muito maior que o comum na generalidade dos humanos. O estudo, publicado na revista científica Cell, mostra que os Bajau, que vivem nos mares do arquipélago indonésio, têm um baço 50% maior do que populações vizinhas. A importância do baço na capacidade de os humanos poderem manter-se submersos não é nova, mas a relação entre o tamanho desse órgão e a capacidade de mergulho livre nunca tinha sido antes examinada em seres humanos a nível genético.
O baço tem um papel central no prolongamento do tempo de mergulho, porque se contrai quando o corpo é submergido e lança glóbulos vermelhos oxigenados na circulação, produzindo um aumento de até 9% no oxigénio que chega às células. O estudo divulgado esta quinta-feira tem implicações na investigação médica, porque pode ajudar a fazer a ligação entre a genética e a resposta fisiológica à hipoxia (privação de oxigénio).
Melissa Ilardo, investigadora da Universidade de Copenhaga e primeira autora do estudo, passou meses na ilha indonésia de Jaya Bakti onde colheu amostras de ADN e fez ecografias aos baços do povo Bajau e dos seus vizinhos “terrestres”, os Saluan. Os resultados, sequenciados na Universidade de Copenhaga, mostraram claramente que os Bajau têm um baço em média 50% maior do que os Saluan, incluindo os Bajau que não mergulham.
Conhecido como “ciganos do mar”, o povo Bajau vive no sudeste asiático e embora hoje muitos tenham passado a viver em terra, o modo de vida tradicional, que evoluiu ao longo de séculos, era completamente marítimo, com pequenos barcos ou ‘aldeias’ flutuantes como habitação e subsistindo apenas como caçadores-recoletores marinhos. Vagueando entre a Indonésia, Bornéu, Birmânia e Tailândia, os Bajau (como os Moken, como são designados os “ciganos do mar” na Tailândia) são mergulhadores exímios e a maioria nasceu, viveu e morreu no mar.
Os Bajau que foram objeto do estudo de Melissa Ilardo, que agora vivem na ilha de Jaya Bakti, continuam com forte ligação ao mar e são conhecidos em toda a região pela habilidade no mergulho, em que atingem regularmente profundidades de cerca de 70 metros para caçar peixes, e capacidade de ficarem muitos minutos debaixo de água, apenas com uma lança, uns pesos e óculos rudimentares em madeira. Um deles disse a Melissa Ilardo que tinha mergulhado 13 minutos consecutivos.
A investigadora suspeitava que os Bajau poderiam ter baços geneticamente adaptados, devido ao estilo de vida de caçadores-recoletores marinhos, até pelas descobertas em outros mamíferos. “Não há muita informação sobre os baços humanos em termos de fisiologia e genética”, disse a investigadora, lembrando que as focas, como a foca-de-weddell, uma espécie antártica, têm baços desproporcionadamente grandes.
A equipa de académicos das universidades de Copenhaga (Dinamarca), Cambridge (Reino Unido) e Berkeley (Estados Unidos), eliminou a possibilidade de que o baço maior fosse apenas uma resposta fisiológica ao mergulho, e nos estudos que fez dos Bajau descobriu que este povo tem um gene chamado PDE10A, que os Saluan não têm e que controla os níveis do hormónio tireoidiano T4. A glândula tiroide produz, armazena e liberta as hormonas T3 e T4, que regulam o metabolismo. “Acreditamos que os genes dos Bajau têm uma adaptação que aumenta a hormona da tiroide e, portanto, aumenta o tamanho do baço”, disse Melissa Ilardo.
Esta foi a primeira vez, afirmou, que uma adaptação genética ao mergulho foi encontrada nos humanos, já que “até agora era completamente desconhecido se as populações nómadas marinhas se tinham adaptado geneticamente ou apenas fisiologicamente ao seu estilo de vida extremo”. Nos “ciganos do mar” já tinha sido estudada outra característica, a superior visão subaquática, mas concluiu-se que era uma resposta ao ‘treino’ gerado pelo modo de vida.
As conclusões do estudo abrem o camp para outras investigações em população adaptadas a um modo de vida aquático, como as mulheres mergulhadoras haenyeo, da ilha de Jeju, na Coreia do Sul, cuja cultura faz parte desde 2016 da lista do Património Cultural Imaterial da UNESCO.
Fonte: Observador

domingo, 25 de março de 2018

Carga no Porto de Sines desce abruptamente.


De acordo com os dados da Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT), os portos de Portugal Continental movimentaram um volume de carga de 7,7 milhões de toneladas em Janeiro de 2018, o que representa um decréscimo de 7,5% em relação ao período homólogo. O Porto de Sines foi fundamental a descida tendo, em comparação com o volume registado em Janeiro do ano passado, movimentado menos 878,3 mil toneladas, correspondente a uma variação negativa de -18,8%”. Dentro dos vários segmentos, foi o de contentores (Terminal XXI) que registou  a maior quebra, com menos 22,8% (-480 mil toneladas).