terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Ministra do Mar afirma que terminal de Alcântara não vai crescer


A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, afirmou  que a área do terminal de Alcântara, em Lisboa, "vai continuar exactamente a mesma", aumentando apenas a capacidade daquela infra-estrutura.

"Aumentar a capacidade não é obrigatoriamente aumentar o tamanho", sublinhou Ana Paula Vitorino, quando questionada pela Lusa sobre a resolução aprovada em Conselho de Ministros em que é referido "um aproveitamento da frente de acostagem de 630 metros para 1070 metros, numa área de 21 hectares, com capacidade até 640 mil TEU" [carga contentorizada].

Segundo Ana Paula Vitorino, "ninguém falou em aumentar a dimensão do terminal", sendo que o que está em causa é colocar "equipamentos novos" naquela infra-estrutura para aumentar a capacidade de contentores por ano.

A governante sublinhou ainda que "os stakeholders (accionistas e partes interessadas) estabeleceram que o terminal de Alcântara é para manter e para desenvolver".

Sobre a construção do novo terminal no Barreiro, Ana Paula Vitorino referiu que "não há novidade nenhuma", sendo que o projecto está a ser revisto "em função dos pareceres da Assembleia Municipal do Barreiro".

De acordo com a resolução em causa, aprovada em Conselho de Ministros e publicada em Diário da República a 24 de Novembro, "o projecto visa aumentar a capacidade do terminal de Alcântara, aumentando a eficiência através da instalação de equipamentos modernos e do aumento de fundos para a escala de navios de maior dimensão".

Em termos de investimento, a resolução aponta que "o valor total do projeto está estimado em 44,9 milhões de euros e será totalmente financiado por fundos privados".

Para o PSD, esta decisão foi aprovada "quase que às escondidas dos lisboetas" e terá "graves consequências na cidade de Lisboa".

Por isso, os sociais-democratas colocaram cartazes nas ruas da capital e prometem tomar "todas as medidas legais possíveis para impedir este alargamento", disse à Lusa o presidente interino da concelhia do PSD de Lisboa, Rodrigo Gonçalves.

A acção do PSD poderá então passar por uma providência cautelar, pela apresentação de uma queixa, de uma petição, de uma reclamação, pela discussão da matéria no parlamento e ainda por um pedido de reunião com o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), indicou.

"O que se passa aqui é gravíssimo. Quando deveríamos estar a lutar por um paradigma de cidade virada para os moradores, virada para o turismo, estamos a fazer o contrário, e essa resolução faz o contrário", apontou o responsável, que é também deputado à Assembleia Municipal.

O PSD considerou ainda que esta obra "prova efectivamente que este Governo quer desinvestir no terminal de contentores do Barreiro", até porque poderá ser alargada "a concessão [de Alcântara] provavelmente para 2040".

A 14 de Setembro, a Administração do Porto de Lisboa anunciou que pediu uma nova Avaliação de Impacte Ambiental e a reformulação do projecto para o Barreiro.

Fonte: Público


quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

O Futuro do Planeta é o Futuro dos Oceanos


Por Tiago Pitta e Cunha

O futuro do Planeta está hoje gravemente ameaçado pelas alterações climáticas, pela redução da biodiversidade, com a extinção sem precedentes de inúmeras espécies animais e vegetais, pela continuação da exploração desenfreada dos recursos naturais, e pela poluição que resulta da imparável industrialização e da urbanização das sociedades humanas actuais.

Os impactos destas ameaças, durante anos apenas compreendidos pelos cientistas, tornaram-se visíveis a olho nu e os desequilíbrios ambientais e climáticos começam a produzir alterações drásticas que afectam o sistema de suporte de vida na Terra. A natureza, delapidada aceleradamente desde a revolução industrial, começa a tornar-se um bem escasso e como tal começa a ser valorada como um capital natural. A falência desse capital, sabemos hoje, será a falência a prazo do capital manufacturado, de que necessitamos para continuar a ter crescimento económico. Por esta razão, os problemas da Terra tornaram-se problemas societais. Tornaram-se o nosso grande problema. 


Nada pode ser mais importante para os oceanos. Os seus problemas tem sido vistos como problemas que afectam as baleias ou os peixes, mas que não nos dizem directamente respeito. Por isso, nunca nos preocupámos em encontrar soluções para eles. Mas hoje economia, oceanos e natureza são tudo a mesma equação. Pela primeira vez na nossa História e apenas nos últimos cinco ou dez anos compreendemos que sem sustentabilidade ambiental, pura e simplesmente, não haverá sustentabilidade económica e social. 

O século XXI vai ser, por isso, o o século da sustentabilidade ambiental, de que os oceanos são o factor determinante. A verdadeira economia azul, neste contexto, será mais importante para o sucesso das nossas sociedades e constituirá - no âmbito da economia da descarbonização que assistimos a emergir - uma alternativa real a muitos sectores da economia terrestre. O nosso actual modelo de desenvolvimento económico sofrerá alterações profundas e, mais do que continuarmos apenas a tornar a economia mais amiga do ambiente (a esverdear a economia), iremos assistir à transformação do ambiente na economia do século XXI. O capital natural passará a ser parte integrante da economia, como hoje a conhecemos. 


Portugal, que é um país com escasso capital manufacturado, mas que é detentor de capital natural, mais do que os outros países europeus, na imensidão das suas áreas marítimas, poderá ter aqui uma oportunidade e ser líder nesta transformação da economia mundial. 


Golfinho encontrado cadáver na Praia Vasco da Gama em Sines


Um golfinho, com cerca de dois metros, foi encontrado, já cadáver, no areal da praia Vasco da Gama, anunciou a Polícia Marítima, que ajudou na remoção do cetáceo do local. A população já tinha alertado nas redes sociais o sucedido, tendo a triste situação ocorrida despertado a atenção dos Sineenses. A Polícia Marítima de Sines informou em comunicado que foi alertada para a “existência de um cetáceo arrojado no areal da praia e que uma equipa se deslocou para o local, confirmando a existência de um golfinho, com cerca de dois metros, já cadáver, no areal”. Foi efectuada no local a ficha biométrica do animal, tendo tomada a iniciativa de informar o ICNF – Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas. Os procedimentos para a retirada do cetáceo da praia estiveram a cargo da Administração Portuária – APS.

Fonte: Noticias de Sines

Pai Natal dos Oceanos mergulha no Sea Life do Porto


O Pai Natal dos Oceanos está de regresso, e vai mergulhar no maior túnel subaquático do país já no próximo sábado, dia 16 de Dezembro.

A chegada do Pai Natal dos Oceanos acontece no SEA LIFE Porto e é já uma tradição, única no país, que acolhe todos os anos centenas de crianças.
O que seria do Natal sem o Pai Natal dos Oceanos? Diferente com certeza.

Por isso, o SEA LIFE Porto cumpre, mais uma vez, a tradição e esta personagem vai assumir o protagonismo do aquário portuense a partir do próximo sábado, dia 16 de Dezembro, contagiando os visitantes com o espírito natalício.
O Pai Natal dos Oceanos vai mergulhar e conviver com as criaturas marinhas do SEA LIFE Porto, prometendo fazer as delícias dos mais novos. Além de dia 16 de Dezembro, é ainda possível assistir ao tradicional mergulho nos dias 17 e 23, pelas 15:00, e no dia 24 de Dezembro, pelas 11:30.
Desta forma, o Pai Natal mergulhador vai comemorar a data ao lado da tartaruga Mariza, dos intimidantes tubarões e das incríveis raias, entre outros.
Mas há ainda mais e espectaculares motivos para visitar o SEA LIFE Porto em Dezembro.

Até 23 de Dezembro, às terças, sextas e domingos, pelas 15:00, todos vão poder viver uma nova experiência: a alimentação do polvo.
O aquário disponibiliza ainda ateliers natalícios para toda a família. As oficinas desafiam as famílias a partilharem um momento e a criarem decorações natalícias que podem levar para casa e colocar na árvore de natal.
O acesso às actividades é gratuito, sendo apenas paga a entrada no SEA LIFE Porto.
Fonte: Hardmusica

Pesca eléctrica pode tornar “oceano num deserto”


A Comissão das Pescas do Parlamento Europeu votou a favor da utilização de pesca eléctrica na Europa. A votação ganhou com 23 votos contra 3. A técnica consiste na utilização de descargas eléctricas para capturar os peixes, explicou a associação francesa Bloom, que abriu uma petição contra a pesca eléctrica na Europa.

A técnica caça os peixes com impulsos eléctricos, através da utilização de arrasto de vara, que são redes seguradas por uma estrutura rígida que consegue apanhar peixes. Neste caso a rede é substituída por uma rede eléctrica. Para o Director da associação Bloom, Frédéric Le Manach "a técnica é muito eficaz, mas transforma o oceano num deserto".

Ao reverem o regulamento das medidas técnicas, 23 deputados aprovaram um compromisso político para expandir o número de arrastões na Europa. Esse acordo permite equipar cinco por cento da frota de cada comércio com “técnicas inovadoras, que agora incluem a pesca elétrica”.

No Mar do Norte, o limite já foi alterado e passou para os 100 por cento, permitindo aos holandeses equipar a frota com redes de arrasto eléctricas.

Frédéric Le Manach explica na página oficial da associação que isto "é um escândalo do ponto de vista ambiental e social", acrescentando que não há justificação para se apoiar "uma posição tão escandalosa a favor de um pequeno número de industriais holandeses".

Na Europa, a pesca eléctrica foi proibida em 1998, no âmbito de derrogações concedidas pela Comissão Europeia. Ainda assim, é autorizado a cada Estado-membro cinco por cento de cada frota de arrastões eléctricos para uma prática no Mar do Norte.

A Bloom veio apresentar à Comissão das Pescas uma queixa contra a Holanda, explicando que a frota holandesa chegou a equipar 28 por cento dos navios com arrastões elétricos ilegais, ou seja, 84 navios foram munidos com redes elétricas numa frota que tem 304 embarcações, conforme indica o jornal Le Monde. Alguns navios alemães e britânicos também estão a utilizar esta técnica. 

A queixa foi apresentada com base nas licenças ilegais e, até à data, referem ainda não terem obtido resposta. 

As empresas de pesca industrial dos Países Baixos são as mais poderosas na Europa e têm vindo a tentar mudar os regulamentos de proibição de pesca elétrica, procurando uma maior permissividade. 

A associação Bloom quer acabar com "a pesca destrutiva" que tem impactos ambientais. 
Problemas ambientais

Para as associações ambientais estas medidas estão a enfraquecer a legislação em vigor. Já o presidente da Comissão das Pescas afirma que estão a regular "rigorosamente a pesca elétrica" sem abrir "qualquer porta para a sua extensão".

Os defensores desta técnica explicam que uma rede de arrasto mais leve consome metade do combustível de uma rede de arrasto tradicional e é menos prejudicial para o fundo do mar. 

Ainda não está a ser avaliado o impacto da pesca elétrica para as espécies marinhas. No entanto, segundo a Bloom, "muitos relatórios afirmam que o peixe capturado em redes de arrasto mostra queimaduras, contusões e deformações do esqueleto após a eletrocussão".

Em 2016, o Conselho Internacional para a Exploração do Mar comunicou que deve haver precaução devido a impactos a longo prazo. Alguns cientistas e políticos, indicou o Le Monde, pediram à Europa para proibir uma técnica "ameaçadora para os seres humanos", segundo as palavras utilizadas pela ex-ministra do ambiente francesa Ségolène Royal. 

As medidas ainda serão analisadas em sessão plenária do Parlamento Europeu, pois segundo a ex-ministra colocam em causa uma possível "banalização das redes de pesca eléctricas" na Europa, indo contra aos objectivos de desenvolvimento sustentável adoptados pelas Nações Unidas.

Fonte: RTP  Foto: 

Sindicatos solicitam audiência à ministra do Mar

Entre outros motivos, a FNSTP quer discutir a dignidade das condições de trabalho com Ana Paula Vitorino, a quem consideram responsável pela estratégia de competitividade portuária, onde consideram enquadrar-se as suas exigências.


A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores Portuários (FNSTP) solicitou com carácter de urgência uma audiência à ministra do Mar para debaterem as suas pretensões, na sequência da realização da sua Assembleia Geral.
Em comunicado, a FNSTP reclama a “implementação de regimes efectivos de formação profissional, de segurança no trabalho e de protecção da estabilidade de emprego, nomeadamente no quadro de reestruturações empresariais que ocorram no mercado dos serviços portuários, inclusive por efeito de processos de concessão em regime de exploração comercial da actividade operacional portuária”.
Ali se reclamam igualmente “medidas sociais decorrentes do desgaste prematuro dos trabalhadores portuários mais idosos em consequência directa do desempenho da sua actividade em ambiente de penosidade horária e funcional no desempenho da sua profissão ao longo de dezenas de anos consecutivos”.
Para os sindicatos, estas e outras medidas “não só se tornam patentemente justificadas, como também comprovadamente favorecentes de sensíveis ganhos de eficiência e de operacionalidade no trabalho, a bem da competitividade dos respectivos portos”. Com este argumento, associado à resolução de Conselho de Ministros que comete à ministra do Mar a responsabilidade pela implementação da estratégia para o aumento da competitividade dos portos, a FNSTP reforça o seu entendimento de que as medidas são justificadas.

Ministério do Mar prevê concessão do Terminal do Barreiro em 2020


O Terminal Multimodal do Barreiro poderá ser concessionado em 2020, prevê o Governo, esperando ainda este ano a entrega de uma proposta. O Terminal Multimodal do Barreiro poderá ser concessionado em 2020, prevê o Governo, que espera ainda este ano a entrega de uma Proposta de Definição de Âmbito à Agência Portuguesa do Ambiente, que está a analisar o projecto. O Ministério do Mar refere que o “grupo de trabalho criado pela ministra do Mar para a optimização do projecto do Terminal do Barreiro tem vindo a trabalhar regularmente, estando prevista a entrega até ao final do corrente ano na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) de uma Proposta de Definição de Âmbito”. Esta proposta “incluirá os resultados da consulta pública e os pareceres das entidades conhecidos durante o procedimento de Avaliação de Impacto Ambiental anterior”, acrescenta o gabinete de Ana Paula Vitorino. Com isto, o Governo pretende “garantir, por um lado, que o estudo prévio e o Estudo de Impacto Ambiental em reformulação no âmbito do grupo de trabalho criado pela ministra do Mar dê satisfação a todas as recomendações da APA e, por outro, que a solução resulte consensual entre todas as entidades que integram o grupo de trabalho, em particular a Câmara Municipal do Barreiro”. Em 14 de setembro, a Administração do Porto de Lisboa anunciou que pediu uma nova Avaliação de Impacte Ambiental e a reformulação deste projeto, cujo valor total está estimado em 400 milhões de euros. O Ministério explicou que “previamente à construção do terminal haverá que obter uma Declaração de Impacte Ambiental favorável e lançar o concurso para a concessão do projeto, da construção, da operação e do financiamento do Terminal do Barreiro, que será da responsabilidade da iniciativa privada”. “Nestes termos e cumprindo-se os pressupostos de aprovação ambiental do projeto, de acordo com o calendário previsto, a concessão do terminal poderá ocorrer em 2020”, esclarece o gabinete. Relativamente ao terminal de Alcântara, o Ministério esclareceu que a Estratégia para o Aumento da Competitividade da Rede de Portos Comerciais do Continente – Horizonte 2026 prevê “o aproveitamento da frente de acostagem já existente de 1.070 metros e da área de 21 hectares que correspondem à atual área concessionada”. “Não existe qualquer ampliação associada ao projeto, mas antes o aproveitamento de toda a frente acostável existente e a melhoria da eficiência operacional que permitirá no mesmo espaço movimentar maior número de contentores, mediante a instalação de equipamentos modernos e utilização de tecnologias de ponta”, acrescenta o ministério. O Ministério do Mar adiantou ainda que “não se prevê o aumento significativo do número de contentores em parque, mas antes o aumento na sua movimentação”, prevendo-se também uma “redução do tráfego rodoviário gerado pela movimentação no Terminal de Contentores de Alcântara, passando parte da carga contentorizada a circular por ferrovia e por via fluvial até à plataforma logística de Castanheira do Ribatejo”. O Ministério liderado por Ana Paula Vitorino esclareceu que “não haverá interrupção de funcionamento do Terminal de Alcântara”, e que os novos equipamentos deverão começar a ser instalados “a partir de 2018”. Apontando que “a construção do Terminal do Barreiro não é justificada pela necessidade de ‘aliviar a frente rio’, o Ministério do Mar explicou que “os estudos técnicos, de mercado e económico-financeiros concluem pela viabilidade económico-financeira da coexistência das duas concessões”.

Fonte: Dinheiro Vivo Foto: Steven Governo / Global Imagens

Revolução digital terá "grande impacto" no futuro da Economia do Mar

A revolução digital em curso terá "um grande impacto" na economia do mar, dependendo o desenvolvimento do sector da capacidade de captar os benefícios do digital e de mitigar os riscos da nova realidade, conclui um inquérito hoje divulgado.


Intitulada "A Revolução Digital e a Economia do Mar", a oitava edição do projecto de responsabilidade social LEME - Barómetro PricewaterhouseCoopers (PwC) da Economia do Mar inquiriu 50 gestores de topo e personalidades ligadas à economia do mar em Portugal, 90% dos quais consideraram que "todas as indústrias do mar terão um 'elevado impacto' provocado pela revolução digital".

As conclusões do trabalho, a que a agência Lusa teve hoje acesso, apontam as fileiras dos portos, dos transportes marítimos e ainda a acção do Estado no mar como sendo "áreas impactadas pela quase totalidade dos 12 temas inerentes à Revolução Digital".

Os temas em questão são a 'análise de dados em massa através de ferramentas informáticas'; 'algoritmos de inteligência artificial que permitem retirar informação útil a partir de dados'; 'serviços de armazenamento e processamento de dados na 'nuvem' (servidores partilhados)'; 'informação integrada em todos os elos da cadeia de valor de uma indústria ou processo' e 'ferramentas de garantia de privacidade, confidencialidade, validade e segurança de dados'.

Também considerados foram os temas da 'disponibilização de serviços que permitem executar tarefas através da Internet ou do telemóvel'; 'utilização de sensores que recolhem, enviam, analisam e processam dados'; 'dispositivos colocados em equipamentos que adicionam informação relacionada com o mundo real em contexto'; 'alteração relevante de modelos de negócio provocada por avanços tecnológicos'; 'massificação da oferta costumizada de produtos e serviços através do uso de tecnologia'; e 'serviços preventivos de informação sobre necessidade de manutenção em tempo útil'.

Entre estes 12 temas, a análise de dados em massa através de ferramentas informáticas ('big data analytic'), a disponibilização de serviços que permitem executar tarefas através da internet ('Internet of things', como por exemplo ligar uma câmara de vídeo que monitoriza uma aquacultura) e a utilização de sensores que recolhem, enviam, analisam e processam dados ('smart sensors') foram os aspectos da revolução digital que os inquiridos afirmaram que influenciarão o maior número de indústrias do mar.

Do inquérito realizado resultou ainda uma chamada de atenção para os riscos que a revolução digital também encerra, designadamente no que diz respeito às vulnerabilidades face a ciberataques.

Para o consultor das actividades marítimas da PwC responsável pelo inquérito, fica demonstrado que "os líderes das diferentes indústrias do mar começam a ter a noção que se não abraçarem a revolução digital, aproveitando todos os seus benefícios e construindo bases sólidas de protecção contra ciberataques, a economia do mar será como uma embarcação à deriva num vendaval de transformações".

Contudo, considera Miguel Marques, se "o interesse pelos temas da transformação digital aumentou consideravelmente no seio da comunidade marítima portuguesa" e "as acções digitais no terreno" já são uma realidade, o facto é que "o conhecimento dos riscos associados a ciberataques e sua mitigação é ainda incipiente". 


quarta-feira, 15 de novembro de 2017

O mistério dos polvos que abandonam o Mar


Durante três noites, numa praia galesa, algo inesperado foi captado em vídeo. Cerca de 25 polvos foram avistados enquanto saíam do mar e rastejavam pela areia. A investida dos moluscos já foi classificada por especialistas, em declarações à imprensa inglesa, como um comportamento nada habitual. 
As fortes tempestades que têm assolado parte da Europa são a justificação mais plausível para este comportamento pouco frequente dos cefalópodes. 
Brett Jones, Director do SeaMôr, empresa especializada em viagem de barco para observação de golfinhos, disse que viu o fenómeno pela primeira vez quando regressava de um passeio de barco ao final da tarde.
"Era um cenário um pouco semelhante ao fim do mundo", disse Brett Jones à BBC. "Havia provavelmente entre 20 a 15 polvos na praia. Nunca tinha observado estes animais fora de água daquela maneira", acrescentou.
Jones garante que é extremamente raro estas criaturas estarem em terra e deixou o apelo a quem se deparar com estes animais fora de água para os colocarem novamente no mar, com a ressalva: "usem luvas, eles mordem que nem loucos".
"Talvez os polvos estejam a ficar confusos devido às luzes brilhantes do porto de New Quay e talvez estejam a morrer depois deste verão ou talvez estejam só confusos devido às recentes tempestades", culminou.
O curador do Aquário Marinho Nacional de Plymouth, James Wright, explica ao “The Telegraph” que este é um “comportamento comportamento estranho, que sugere que algo está errado com estes animais”.
“As áreas, em que os octópodes têm abandonado o mar, coincidem com duas áreas atingidas por depressões atmosféricas e tempestades associadas aos furacões Ophelia e Brian, o que pode ter provocado este efeito nos polvos”, acrescentou James Wright.
Fonte: TVI24 

Ministra do Mar. É sustentável pescar até 14.500 toneladas de sardinha


A pesca de sardinha até 14.500 toneladas por ano é sustentável. É a posição do Governo português e reafirmada pela ministra do Mar.
De acordo com Ana Paula Vitorino, uma quota de pesca entre as 13.500 e as 14.500 toneladas garante a sustentabilidade do recurso e é essa proposta que o Executivo vai levar à União Europeia.
Nestas declarações admite não ter evidências científicas para propor um valor mais elevado. “A análise feita pelos nossos cientistas é que essa quantidade se situaria entre 13,5 e 14,5 mil toneladas. Por isso, o que nós vamos tentar junto da União Europeia é que aceitem esta nossa argumentação e nós possamos defender essa quantidade. Gostaria muito de ter evidência científica para que pudesse propor um valor maior, não tenho”, disse. Numa primeira reacção, a Associação de Produtores de Pesca do Cerco diz que o Governo poderia ir mais longe.
No entanto, Humberto Jorge reconhece que o número avançado pela ministra do Mar é um bom ponto de partida.
“Achamos que entre as 17 e as 20 mil toneladas será possível chegar a um número adequado para 2018. No entanto, para nós, 14.500 ou 15 mil obviamente é melhor que zero”, refere.
Um parecer do Conselho Internacional para a Exploração do Mar chegou a avançar que a pesca da sardinha deveria ser proibida em 2018 em Portugal e Espanha, face à redução acentuada do "stock" na última década.
"Deve haver zero capturas em 2018", recomenda o documento daquele fórum científico inter-governamental dedicado ás ciências marinhas no Atlântico, habitualmente consultado pela Comissão Europeia para dar parecer sobre as possibilidades de pesca.
Fonte: RR Foto: Tiago Petinga/Lusa

Tartaruga de 100 quilos volta ao Mar


Uma tartaruga comum (Caretta caretta), com cerca de 100 quilos, foi devolvida ao mar pela Polícia Marítima e pela Estação Salva-Vidas de Aveiro, na passada quinta-feira. A devolução do animal, que viveu nos últimos 20 anos no Aquário Vasco da Gama, contou com a colaboração do Centro de Reabilitação de Animais Marinhos. Durante os últimos anos, a tartaruga foi alvo de reabilitação e preparação para que se pudessem reunir as condições meteo-oceanográficas favoráveis para o regresso ao mar.


Fonte: CM

Há um “mar” de lixo entre as Honduras e a Guatemala


Ninguém se entende. As Honduras garantem que a culpa é da Guatemala. A Guatemala faz o mesmo e culpa as Honduras. Mas culpa de quê ao certo? Da quantidade de lixo que se acumulou no mar das Caraíbas, a norte das Honduras, nomeadamente ao largo das ilhas de Roatán, Omoa ou Puerto Cortés. É tanta a poluição (como as imagens da fotojornalista Caroline Power testemunham na galeria acima) que quase se forma uma “ilha de lixo”. E há de tudo lá: lixo doméstico, resíduos hospitalares — como seringas, por exemplo –, animais mortos e até… cadáveres humanos.
Os ministros do Ambiente de ambos os países têm-se reunido ao longo das últimas semanas. Consenso? Não há. Soluções? Menos ainda. Pelo menos não para o imediato. Mas o governo da Honduras fez um ultimato aos vizinhos guatemaltecos: têm cinco semanas para impedir que o lixo vindo do país chegue ao mar e às praias hondurenhas. Mas chegará este da Guatemala? O ministro dos Recursos Naturais e Meio Ambiente de Honduras, José Antonio Galdames, garantiu à BBC que sim, descrevendo o problema ambiental como “insustentável”, por exemplo, para o turismo no país.
Os turistas não querem ir à praia porque têm medo de ser contaminados ao entrar na água. Não é bom para ninguém estender a toalha, deitar-se e ser picado por uma agulha”, começou por dizer Galdames, acrescentando depois que a responsabilidade é de um rio que atravessa parte da Guatemala: “A maior parte da bacia do rio Motagua está no lado guatemalteco. Dos 95 municípios que estão ao longo do rio, 27 estão a despejar resíduos sólidos no Motagua. Nós temos apenas três municípios que fazem fronteira com esse o rio Motagua. Por isso, 86% das descargas vêm da Guatemala”.
Para atestar que o que diz é verdade, o ministro garante que, entre as inspecções que técnicos do seu ministério fizeram, foram encontrados vários objectos com a descrição “Made in Guatemala”. “Estamos a receber roupa, plástico, lixo hospitalar, objectos ensanguentados, seringas, animais e até mesmo corpos humanos”, acusa José Antonio Galdames. O congénere da Guatemala, Sydney Alexander Samuels, nega tudo. “Cadáveres? Nunca ouvi falar de cadáveres. Se há cadáveres temos de investigar de onde vêm. Nunca ouvi tal coisa. As acusações [das Honduras] só levam em conta a parte da Guatemala. Têm um rio lá, o Chamelecón, que é praticamente um esgoto a céu aberto”, disse à BBC.
No entanto, Samuels faz um mea culpa e promete agir para reduzir a poluição. “Sim, nós contaminámos o mar das Caraíbas através do rio Motagua. Asseguro que no próximo ano já não transportaremos lixo para o mar, pois teremos todas a infraestruturas para que tal não aconteça mais”, afirmou.
Para o ministro do Meio Ambiente de Honduras as medidas não podem ser a médio prazo; têm que ser imediatas. Caso contrário, as Honduras prometem apresentar queixa dos “vizinhos” guatemaltecos e pedir uma indemnização.
O que nós pedimos é que eles tomem medidas desde já: limpar os rios, limpar as praias, deixar de atirar lixo. E têm que estabelecer um sistema de alerta para que possamos saber que o lixo chegará. Se eles não fizerem nada, vamos proceder de acordo com o estabelecido nos acordos internacionais relacionados com a protecção da diversidade biológica”, afirmou José Antonio Galdames.
Sydney Alexander Samuels reagiria: “Não há moral para dizer que vão processar a Guatemala ou pedir uma compensação. Vamos resolver o problema até Agosto. E o que é que as Honduras estão a fazer? Absolutamente nada.”
Fonte: Observador

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Descoberto astrolábio da nau de Vasco da Gama

Os investigadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, acreditam que o astrolábio recuperado ao largo da costa de Omã é o mais antigo instrumento de navegação alguma vez descoberto.


A nau Esmeralda terá naufragado no Oceano Índico em 1503. Foi uma de duas naus da frota de Vasco da Gama (a outra foi a São Pedro) que se sabe ter naufragado durante a segunda viagem do navegador português à Índia.
Os restos da nau Esmeralda foram descobertos ao largo da costa de Omã há quase duas décadas. Os restos… ou que se acreditava ser os restos; muitos arqueólogos começaram por contestar a descoberta. Agora, e depois de a localização exata da nau Esmeralda ter sido divulgada no último ano, uma descoberta arqueológica feita pouco antes vem provar definitivamente que, sendo ou não a nau Esmeralda, aquela era definitivamente uma embarcação portuguesa que pertenceu à época dos Descobrimentos.

Em meados de 2014, o investigador britânico David Mearns, responsável da Blue Water Recoveries, liderou uma expedição até aos restos da nau. Entre os quase três mil artefactos que Mearns recuperou durante a expedição encontrava-se um disco em bronze com 17,5 centímetros de diâmetro e dois milímetros de espessura. Tratava-se na verdade de um astrolábio, acreditando os investigadores que é o mais antigo instrumento de navegação alguma vez descoberto.
O astrolábio tinha dois símbolos que viríamos a identificar: um era o brasão de armas português; o outro era o emblema pessoal de D. Manuel I, à época rei de Portugal”, afirmou David Mearns à BBC. E acrescentou: “Sabemos que foi fabricado antes de 1502 porque esse foi o ano em que a nau [Esmeralda] deixou Lisboa. E o rei D. Manuel só subiu ao trono em 1495 — este astrolábio não teria o emblema do monarca se ele ainda não fosse o rei de Portugal. Penso que é justo afirmar que o astrolábio data do período de 1495 a 1500”.
Depois de recuperado durante a expedição a Omã, o astrolábio foi analisado mais detalhadamente por investigadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido. O disco em bronze não tinha quaisquer marcas de navegação. Mais tarde, e depois do recurso à tecnologia laser, os cientistas de Warwick que estudavam o astrolábio encontrariam marcas (com intervalos de cinco graus) à volta do disco. Tratar-se-ia, definitivamente, de um astrolábio. E é raro descobrir astrolábios usados por navegadores daquela época: pouco mais de uma centena foram catalogados até hoje.

O responsável da Blue Water Recoveries sabe-o. “É um grande privilégio encontrar algo tão raro, algo tão importante do ponto de vista histórico, uma descoberta que vem preencher uma lacuna e que está a ser alvo de grande interesse pela comunidade científica”, afirmou David Mearns à BBC. O astrolábio era utilizado pelos navegadores para medir a altitude do Sol em relação ao horizonte, determinar a posição de outros astros no céu e possibilitar a localização das embarcações, permitindo-lhes saber que direção seguir.
Portugal não foi até agora oficialmente informado pelas autoridades de Omã sobre a descoberta da nau Esmeralda. No entanto, esta pode ser considerada património do Estado português. E o Governo já afirmou a sua intenção de enviar peritos para Omã para investigar o naufrágio da nau Esmeralda, aguardando a resposta das autoridades omanitas.
Fonte: Observador