sábado, 8 de julho de 2017
ISQ cria plataforma de qualificação na Economia do Mar
A empresa procura inserir-se na formação de quadros enquadrada na digitalização de processos portuários e na investigação para a construção naval, por exemplo.
O ISQ assinouum protocolo de cooperação com várias entidades incluindo da indústria naval, do ensino universitário, centros tecnológicos e outros organismos nacionais e regionais. O acordo estabelece para a criação de um “hub” ou plataforma agregadora para qualificação e formação no sector marítimo e economia do mar.
“Trata-se de criar uma parceria sólida e sustentável entre ‘stakeholders’ estratégicos em Portugal (…) que permita dinamizar, inovar, criar emprego qualificado, gerar maiores níveis de competitividade, impulsionar a internacionalização e acompanhar os desafios do paradigma económico e tecnológico da digitalização da industria no quadro da indústria 4.0”, explica Pedro Matias, presidente do ISQ.
A cooperação incluirá os segmentos da construção, reparação naval, mas também gestão portuária e é assinado durante a 7ª. edição do Forum do Mar – Business2Sea 2017. Integrado na plataforma deve evoluir um consórcio formado pelo ISQ, AtlanticEagle Shipbuilding, Universidade de Coimbra e Quasar. Este será “uma parceria privada que visa dinamizar a qualificação dos profissionais que trabalham nos portos, a partir de experiências já realizadas noutros países e que são consideradas boas práticas”, diz Margarida Segard, adjunta da direcção de formação do ISQ.
O objectivo é alargar o grupo a a outros parceiros, “nomeadamente na área da investigação e desenvolvimento” tendo em vista a internacionalização. “São necessárias novas competências para a Economia Azul e novas estratégias de formação para responder aos desafios da digitalização dos portos, adaptação ao LNG (Liquefied Natural Gas) e à modernização das indústrias navais”, explica a responsável.
O instituto lembra em comunicado que a economia do mar em Portugal apresenta alguma deficiência de qualificações e uma população envelhecida sobretudo ao nível da adaptação aos novos equipamentos, processos e serviços. “Na área de construção e reparação naval e gestão de portos, o cenário é ainda mais preocupante, não há quadros qualificados e a solução passa pela subcontratação a fornecedores externos (Espanha, Argélia e Marrocos)”, diz a nota de imprensa.
Figueira recebe “hub” da construção naval
A Atlanticeagle Shipbuilding e a Universidade de Coimbra são dois dos parceiros do “hub” (consórcio) de qualificação e formação para a construção, reparação naval e gestão portuária que irá ser criada na Figueira da Foz. O acordo foi rubricado na 7.ª edição do Fórum do Mar – Business2Sea, que decorreu na Alfândega do Porto.
Para além da dona dos Estaleiros Navais do Mondego e da instituição universitária de Coimbra, o acordo engloba ainda o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) e a Quasar (consultora de recursos humanos). O objectivo é “criar uma parceria sólida e sustentável entre ‘stakeholders’ estratégicos em Portugal neste sector (…) que permitam dinamizar, inovar, criar emprego qualificado, gerar maiores níveis de competitividade, impulsionar a internacionalização e acompanhar os desafios do paradigma económico e tecnológico da digitalização da industria no quadro da indústria 4.0”, afirmou o presidente do ISQ, Pedro Matias.
Esta decisão decorre do facto de, no início do ano, o barómetro Leme, da consultora PwC, ter referido que “mais do que resiliente, como até agora tem sido, a economia do Mar está numa trajectória de crescimento”. Devido ao elevado potencial de empregabilidade e localização geográfica privilegiada, o sector da construção e reparação naval, assim como a área de gestão de portos, enfrenta um problema: “não tem quadros qualificados”, o que tem levado a indústria naval a subcontratar pessoal em países como Espanha, Argélia e Marrocos.
Fósseis revelam o papel do oceano na última Era do Gelo
Fósseis encontrados em sedimentos marítimos fornecem algumas chaves para se entender a função do oceano na última Era do Gelo, ocorrida de 18 mil a 125 mil anos atrás.
O estudo, publicado na revista Earth and Planetary Science Letters, analisa a forma como o oceano absorveu o dióxido de carbono da atmosfera nesse período glacial a partir de um banco de dados da temperatura do mar nos últimos 125 mil anos.
Esta base de dados foi determinada com a ajuda de elementos químicos e biológicos achados em fósseis, que permite colocá-los em categorias de temperatura.
“Este estudo mostra pela primeira vez como as temperaturas mudaram em todo o oceano à medida que a Terra vivia a sua última Era Glacial”, explica a autora principal do estudo, Karen Kohfeld, em comunicado da Universidade da Tasmânia.
Segundo Kohfeld, o gelo marítimo à volta da Antártida reagiu com rapidez ao arrefecimento do mar, enquanto que outras partes, como as correntes profundas do fundo do mar, fizeram-no mais lentamente e precisaram de mais 30 mil anos para mudar o seu estado.
O estudo da temperatura do mar serve para explicar a variação do nível de dióxido de carbono na atmosfera, cuja concentração caiu várias vezes antes de entrar na última glaciação, há 20 mil anos.
Uma primeira queda de dióxido de carbono ocorreu há 115 mil anos devidos a um arrefecimento antecipado dos pólos e a expansão do gelo oceânico à volta da Antártida. Uma outra descida aconteceu há 70 mil anos, ao coincidir com uma reorganização das profundidades do oceano e um aumento da produtividade dos mares.
Segundo a cientista, nível mais baixo foi registado há 20 mil anos, quando as temperaturas do oceano, a produtividade, a circulação profunda e o gelo marítimo sofreram a maior quantidade de mudanças.
Fonte: ZAP
"O surf foi o desporto que mais evoluiu em Portugal, depois do futebol"
Nic Von Rupp acredita que o surf nacional está em constante crescimento e, em entrevista ao Desporto ao Minuto, diz acreditar que não ficará por aqui. Quanto aos planos para o futuro, o atleta português fala de um... "triângulo amoroso".
Nick Von Rupp considera que o surf é o desporto que mais cresce em Portugal, não só em termos técnicos mas como também a nível mediático.
o surfista enumerou os nomes que têm elevado o surf português além fronteiras, falou das "maravilhas" que o deixam cada vez mais rendido ao país que o viu nascer e revelou quais os planos para o futuro.
Num continente onde o futebol reina, como está a ser desenvolvido o surf europeu?
Há países em que o surf ainda não está muito desenvolvido, como o caso da Alemanha e a Suécia, que poderão ter surfistas de topo nos próximos anos. Tudo graças à construção de piscinas com ondas, que ajudarão os atletas a evoluírem. Daqui a uns tempos poderemos ter surfistas de qualidade sem nunca terem estado no mar. Poderemos ter uma revolução no surf.
E em Portugal?
Agora, com os campeonatos que se disputam em Portugal, tudo melhorou. Para além disso somos o país europeu que recebe mais competições internacionais, à frente dos Estados Unidos por exemplo. De acrescentar ainda que os campeonatos nacionais estão muito bem estruturados. Posso dizer que o surf foi o desporto que mais evoluiu em Portugal, depois do futebol. No entanto, o nosso país é pequeno e há pouco investimento e poucos praticantes da modalidade
Conseguiremos ter um surfista português no topo mundial nos próximos anos?
Nós já temos, não é dada é a devida atenção mediática... Por exemplo, o Alexandre Botelho, um surfista de ondas grandes, que, para mim, é o melhor que está a surfar ondas gigantes da Nazaré. Temos o Frederico Morais que está na ‘fórmula 1’ do surf ou até mesmo o Vasco Ribeiro, que foi vice-campeão do mundo de juniores… estamos rodeados de grandes talentos
E qual é para ti, além de Frederico Morais, o surfista que agora está mais em voga em Portugal?
Em Portugal temos vários e, para além disso, os surfistas têm momentos. Isto no surf não é como um campo de futebol, onde a tua performance por vezes depende da equipa onde te inseres. No surf está dependente do mar, do clima... Existem vários fatores que afetam um surfista. Contudo, tenho de dizer que o Vasco Ribeiro, que foi campeão do mundo de juniores há três anos, é um surfista que tem estado em grande forma no surf nacional
O que é necessário para um atleta singrar no surf?
Qualquer carreira de um surfista é feita de altos e baixos. Se olharmos para o famoso Kelly Slater vimos que passou mais tempo a perder do que a ganhar. Nas competições é difícil mostrar o teu melhor surf em apenas 25 minutos. Temos sempre o fator X, que é o mar. Acima de tudo, é preciso ter sorte neste desporto
Para terminar, o que pretendes ainda conquistar nesta modalidade?
Se um psicólogo ouvir o que vou dizer dá-me um tiro [risos]. Bem, como já referi, o mais importante não é propriamente a competição. Eu tenho um triângulo amoroso: surfar, manter a forma física e ser feliz com o que faço. Por exemplo, ainda no outro dia vi que havia uma boa ondulação no Taiti e arranquei para lá. Quando cheguei a Portugal estive cá 12 horas e parti novamente, desta vez para a outra ponta do mundo, a Indonésia. Mas, como é claro, gostaria de continuar a ganhar campeonatos
E quando já não tiveres ‘pernas’ para prosseguires a prática do Surf, qual será a próxima etapa na tua vida?
Eu tenho imenso prazer de receber pessoas no nosso país, fartei-me de viajar e de dar a conhecer Portugal, numa altura em que não estava na moda. Quando dizia que era de Portugal, muitas das pessoas não sabiam onde ficava ou perguntavam mesmo de se fazia parte de Espanha. Eu dizia que ‘Portugal é um país brutal, tem história, tem cultura, é seguro e tem belas praias. Mas pronto, hoje em dia isso é diferente e toda a gente passou a conhecer as maravilhas deste país e eu fico contente. Como se pode ver, eu gostaria de me envolver em projectos ligados ao turismo.
Fonte: Notícias ao Minuto
Nas profundezas dos oceanos, os corais brilham para sobreviver
Já se interrogou porque razão alguns corais das águas mais profundas são fluorescentes? Segundo um estudo hoje publicado, por uma questão de sobrevivência, já que dão luz às microalgas, com as quais convivem em simbiose.
Constituídos por milhares de animais minúsculos, os corais vivem numa estreita relação com as algas microscópicas, conhecidas por zooxantelas. Estes organismos unicelulares abrigam-se neles, mas em contra-partida fornecem dióxido de carbono e nutrientes essenciais.
Já as microalgas produzem, através da fotossíntese, açúcares simples e oxigénio que são utilizados posteriormente pelos corais. Esta colaboração é vital, já que perfazem cerca de 90% das suas necessidades. As algas, por seu turno, necessitam de luz para sobreviver, ainda que não em excesso.
Por isso, em águas pouco profundas, os corais produzem proteínas fluorescentes que funcionam - até certo ponto - como protecção solar para as zooxantelas, segundo concluíram os investigadores do Laboratório sobre os Corais da Universidade Southampton, no Reino Unido, que publicaram o estudo na Proceedings of the Royal Society B.
Em colaboração com o Instituto das Ciências Marinhas de Eilat e com a Universidade de Haifa (Israel), a equipa de Southampton procurou compreender o motivo que leva a que os corais brilhem também em águas profundas, pouco iluminadas e de uma cor azul-escura.
Os investigadores descobriram que os corais conseguem sobreviver nas profundezas porque produzem um certo tipo de proteína fluorescente que capta a luz azul, que irradiam de volta, mas num tom laranja-avermelhado. Esta luz, por sua vez, penetra ainda mais nos tecidos dos corais, algo que vai favorecer a fotossíntese das microalgas.
"É um passo importante para compreender como os misteriosos pigmentos fluorescentes dos corais funcionam", considera o biólogo Jörg Wiedenmann, da Universidade de Southampton e um dos autores do estudo.
Diante das ameaças que recaem sobre os corais, mais concretamente o aquecimento global e da poluição das águas, alguns especialistas esperam que as zonas de águas profundas — por serem mais frias — possam funcionar como uma espécie de abrigo. Contudo, o presente trabalho mostra que isso não é tão simples quanto se pensava inicialmente.
"É possível chegar à conclusão que os corais precisam de determinadas características para se adaptar à vida nas profundidades", afirmou Wiedenmann. "Devemos fazer tudo o que for possível para manter as águas pouco profundas habitáveis para os corais", disse.
Fonte: 24
sexta-feira, 7 de julho de 2017
Saldo da balança comercial da pesca é negativo em 787,4 milhões
No
ano de 2016, Portugal importou 1922,1 milhões de euros em “produtos
de Pesca e
relacionados”, segundo as últimas Estatísticas da Pesca,
divulgadas pelo INE no final de Maio. No ano passado, o saldo da
balança comercial do sector agravou-se em 69,3 milhões de euros,
para um défice de 787,4 milhões de euros, segundo os dados
recolhidos e analisados pelo Instituto Nacional de Estatística.
Portugal vendeu para o exterior 1134,7 milhões, mais 8,2% que um ano
antes - com Espanha a concentrar “mais de metade das exportações
totais” (56,1%) e crescendo 11,7% face a 2015.
Explica o INE que “esta evolução desfavorável [do saldo da balança
comercial] deveu-se ao aumento das importações ter superado o
crescimento das exportações” de pescado, passando a taxa de
cobertura para 54%. O único segmento onde o saldo comercial com o
exterior fica acima da linha de água, salienta ainda o INE, é o das
conservas portuguesas. Nas “preparações, conservas de peixe e
preparações de ovas de peixe”, o saldo das transacções com o
exterior permaneceu positivo”, atingindo 68 milhões de euros.
Aquicultura gerou 54 milhões em 2015
A
análise estatística do INE divulgada em Maio passado só tem dados
da aquicultura relativos a 2015. E, nestes, dá conta que a “produção
na aquicultura” em mar português foi de 9561 toneladas naquele
ano, gerando uma receita de 54,1 milhões de euros. Face a 2014 foi
uma redução de 14,8% em volume, mas um acréscimo de 4% em valor.
Segundo o INE, já então, o resultado deveu-se “a problemas relacionados com a actividade empresarial das infra-estruturas dedicadas à produção de pregado” – leia-se unidade da Acuinova em Mira – “tendo resultado numa menor produção desta espécie”. Mais precisamente uma quebra na produção de pregado de 36% num ano. Com uma menor oferta veio “uma maior valorização do preço por quilo” face a 2014. Mas a Acuinova não foi a única que reduziu actividade: no final de 2015 “existiam 1504 estabelecimentos licenciados em aquicultura para águas doces, salgadas e salobras, menos 17 unidades em relação a 2014”, segundo o INE. A dimensão média, contudo, aumentou 4%, para 3,28 hectares por estabelecimento aquícola, o que o instituto estatístico explica pela “autorização de novos estabelecimentos aquícolas em mar aberto, que apresentam áreas de ocupação muito alargadas”.
Fonte: Público
Oceanário tem dois novos tubarões
Os
dois exemplares nasceram na Alemanha, no âmbito de um programa
internacional de reprodução em aquário desta espécie dos recifes
de coral, no qual o Oceanário participa, e vão continuar a ser
monitorizados aqui
Elegantes,
lá vão eles, através da transparência azul. Nas suas voltas,
muito perto da superfície, cruzam-se aqui e ali com os outros peixes
- mais pequenos, uns, outros bem maiores, como o imponente
tubarão-touro. Eles são os dois novos residentes do aquário
central do Oceanário: dois pequenos
tubarões-de-pontas-negras-de-recife (Carcharhinus melanopterus), e
já podem ser ali visitados.
Nascidos
em 2015 no Sea Life Centre Oberhausen, na Alemanha, os dois juvenis,
que têm agora mais de um metro de comprimento e nove quilos de peso
cada um, chegaram a Lisboa em Setembro do ano passado, no âmbito do
programa de reprodução e monitorização da espécie em aquário,
no qual o Oceanário de Lisboa participa. Vieram juntar-se a outros
três exemplares da espécie que estão no Oceanário desde a
primeira hora e, como diz a bióloga Núria Baylina, curadora e directora de conservação do Oceanário, a sua vinda é um
acontecimento importante. "Os três
tubarões-de-pontas-negras-de-recife que já cá estavam têm agora
mais de 20 anos e estão a chegar ao fim de vida", explica a
bióloga, sublinhando que os dois juvenis "garantem que o
Oceanário vai continuar a ter exemplares desta espécie".
Mas
não é só isso. Os dois animais nasceram no âmbito do programa de
reprodução em cativeiro da espécie, que só recentemente, há
cerca de quatro anos, conseguiu o seu primeiro sucesso. Por isso,
eles integram o chamado stud-book europeu deste tubarão. Ou seja,
fazem parte da população de aquário que está a ser monitorizada
para daí se recolherem novos conhecimentos que permitam otimizar a
sua gestão para a conservação no seu habitat natural - os recifes
de corais do Indo-Pacífico, onde vive a espécie, que está neste
momento classificada como "quase ameaçada".
Conhecer
para conservar
"É
importante continuar a recolher informação e a monitorizar esta
espécie nos aquários, porque os novos conhecimentos que assim
adquirirmos vão permitir fazer comparações com a sua evolução no
meio natural e, eventualmente, conseguir estabelecer programas de
conservação mais eficientes", sublinha Núria Baylina.Os
dois novos exemplares de tubarão-de-pontas-negras-de-recife do
Oceanário passaram por um período de quarentena e depois por uma
fase de adaptação - um total de nove meses - antes de passarem para
o aquário central, onde estão agora "perfeitamente adaptados",
segundo a bióloga. Como juvenis que são, mantêm-se por agora muito
perto da superfície - é isso que eles fazem também na natureza
para se proteger dos predadores. Com o tempo, hão de aventurar-se
mais. Essa evolução, o seu ritmo de crescimento, os parâmetros de
bem-estar, os pormenores da dieta e a sua maturação sexual serão
cuidadosamente monitorizados pela equipa de Núria Baylina, e depois
comunicados ao coordenador internacional do programa de reprodução
da espécie em aquário.Este
não é, no entanto, o único programa para a reprodução de
espécies em aquário em que o Oceanário está envolvido. Neste
momento, há mais de uma dezena de programas em curso a nível
europeu e internacional e um deles, o da uge-de-pintas-azuis, uma
espécie de raia, é inclusivamente coordenado pela equipa do
Oceanário."Esse
foi o segundo programa do género a ser lançado a nível
internacional, em 2007, e desde então já enviámos para vários
aquários da Europa, dos Estados Unidos e de Israel mais de 15 raias
desta espécie, que nasceram no Oceanário", garante Núria
Baylina.
Fonte: DN
Foto: GERARDO SANTOS / GLOBAL IMAGENS
domingo, 2 de julho de 2017
Como tratar de uma picada de um Peixe-Aranha.
- Para muitos um suplício, saiba já o que fazer em caso de encontro imediato com este malfadado peixe
- Eis que chega o Verão e começam a aparecer os casos sempre muito frequentes de picadas por peixe-aranha, a designação do peixe-aranha engloba várias espécies. Em Portugal a maior parte das picadas deve-se ao peixe-aranha-menor (Echiictys vipera ou Trachinus vipera), que possui um espículo venenoso junto de cada opérculo branquil e 3 dos raios da primeira barbatana dorsal também são venenosos.Vivem em fundos arenosos móveis, mas vêm muitas vezes às zonas costeiras onde estão a poucos centímetros de profundidade, semienterrando-se na areia podendo picar um membro de um animal que esteja na praia. Também podem ser apanhados em redes de pesca onde podem picar as mãos de pescadores mais incautos e animais que se encontrem por perto.A sua picada provoca uma dor imediata, violenta, intensa e muito próxima do intolerável, que pode durar entre 2 a 24 horas.Existem várias “opiniões” sobre a melhor forma de tratar uma picada deste malfadado peixe, mas seguramente a PIOR coisa a fazer é aplicar o Spray milagroso (Cloreto de Etilo), pois embora as dores acalmem momentaneamente devido ao rápido arrefecimento da zona afetada, isto faz com que os vasos sanguíneos (arrefecidos) se "contraiam" e o veneno fique "estático" no local da picada! Passado o efeito do spray (poucos minutos) os vasos sanguíneos "retornam ao seu tamanho normal" e o que acontece é tudo menos agradável, basicamente a toxina liberta-se e os sintomas não são nada agradáveis sendo o principal uma DOR angustiante, começando no local da picada e alastrando-se, acompanhando a progressão do veneno!Como tratar a picada de forma eficiente:- Sair da água da forma mais calma possível e chamar um nadador salvador;- Espremer o máximo a zona da picada;- A toxina do peixe-aranha é termolábil (é destruída com alta temperatura), logo são apontadas diversas soluções tais como, colocar o membro afetado em água quente, por estranho que pareça outra solução pode passar por urinar na zona afetada, ou ainda aproximar um cigarro incandescente (muita atenção aproximar sem tocar na zona afetada) da zona onde foi picado, na maior parte das vezes os benefícios da aplicação do calor na zona em questão fazem-se sentir rapidamente.Conselhos finais:- Verificar se a espícula partiu e ficou na pele (é necessário tirar, mas não urgente, é tipo pico do ouriço do mar, já não está a "injetar" veneno);- Desinfectar o local da picada (como se fosse uma vulgar ferida);- Nas horas seguintes estar atento ao aparecimento de outros sintomas (inchaço, retorno alastrado da dor, derrames, náuseas, vómitos, etc.) e nesse caso recorrer imediatamente ao serviço de urgência do hospital mais próximo;- Por fim se conseguir pescar o malfadado peixe-aranha vingue-se e faça dele uma caldeirada!!
- Fonte: Meo BeachCam
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Sardinha de Aquacultura será mais-valia para a Indústria Conserveira
Também no mar, com a chegada da primavera, os peixes começam a reproduzir-se. Este ano, «a corvina que está nos tanques exteriores começou a pôr ovos dois meses mais cedo» do que é habitual, algo que surpreendeu Pedro Pousão Ferreira, investigador, biólogo e director da Estação Piloto de Piscicultura de Olhão (EPPO).
Ao longo dos últimos seis anos, esta infraestrutura do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem vindo a desenvolver estudos que permitem «a quem quiser produzir corvina em terra, ter a tecnologia bastante dominada. Claro que o conhecimento nunca acaba, está sempre a evoluir, mas o que temos, neste momento, já dá perfeitamente para produzir grandes quantidades, por exemplo, modelando a temperatura da água para que cresça mais depressa».
«O que nos falta mesmo são os investidores. Mas penso que são questões de momento. Quem diria que, de repente, Portugal iria ter este boom de turismo? As pessoas poderiam não querer sair de casa, pelo facto de haver conflitos no Médio Oriente. Mas visitam-nos, porque o país se tornou atractivo», compara.
«Sabemos que no âmbito do Mar2020 os investidores estão a aparecer. Não precisamos de muitos, apenas de dois ou três que invistam a sério» de forma a duplicar a produção nacional de aquacultura.
«As condições estão criadas para isso. Nós respondemos à parte biológica e tecnológica da questão», garante. «Começámos a estudar o linguado em 1985. Na altura, o sector não tinha muito interesse. E agora houve um boom no mercado. Neste momento, já há uma empresa do norte a produzir em circuito fechado e há várias empresas espanholas que arrancaram em força. Em relação ao robalo e à dourada, estamos em fase de afinação», informa o director da EPPO.
Sardinha em aquacultura pode interessar às conserveiras
Questionado sobre a produção de sardinha, uma das espécies que mais preocupações tem dado ao sector das pescas, Pedro Pousão Ferreira reconhece que não tem sido uma prioridade, por limitações de pessoal e de fundos. No entanto, a EPPO é parceira de vários projectos de investigação que passam por «fazer sardinha com uma taxa sobrevivência de x por cento, em y tempo e z densidade nos tanques. Agora é que nos vamos dedicar a 100 por cento.
Engordá-la é bastante fácil, agora a reprodução e o cultivo larval têm algumas dificuldades que nós ultrapassaremos. Já se fizeram testes em anos anteriores. Aliás, quando fizemos corvina pela primeira vez foi difícil e agora é fácil. É uma questão de compreender os peixes e avançar», garante.
«Temos de olhar um pouco mais para a frente. No caso da corvina temos todas as informações para oferecer ao sector privado. Quem quiser investir fará contas para perceber qual o ganho. Neste momento, poderá não se ganhar com a sardinha, mas se calhar daqui por cinco anos, previsivelmente sim, porque o consumo é enorme e o preço vai subir». Sem querer fazer futurologia, o director da EPPO acredita que «é muito provável que daqui a uns anos, dentro dos peixes de aquacultura, a maioria da produção se concentre em duas ou três espécies-charneira. Será 80 por cento corvina, robalo e dourada, e depois um pouco de tudo o resto», prevê. Ainda sobre o valor comercial da sardinha de aquacultura, poderá ser interessante para as conserveiras. «Penso que a indústria conserveira é uma indústria de sucesso. Uma conserva é uma coisa muito prática. Não vejo razão para que não possamos criar peixes, desde que haja uma boa relação preço/ qualidade que satisfaça esta procura. Deixamos a sardinha do mar, em fresco, para assar na brasa e esta para a lata. Podemos não ter preço agora, mas daqui a uns anos, acredito que sim».
Repovoamento de sardinha não resolve escassez no mar
Em 2016, a Estação Piloto de Piscicultura de Olhão libertou 25 mil corvinas ao largo da Armona e também uma grande quantidade de meros, ao largo de Quarteira e Armação de Pêra. «Não estamos apenas a deitar peixe ao mar. Com o mero queremos repovoar locais destinados ao mergulho», já que é um peixe curioso à presença humana. À medida que as condições do mar melhoram e os mergulhadores retomam o desporto, as informações irão chegar à EPPO. «Queremos ver o resultado. Imagine que desapareceram todos, se calhar é porque os libertámos num local muito exposto», explica. Já sobre a corvina, «esperamos ter informação mais amiúde dos pescadores. Imagine que nos dizem que está magra ou muito concentrada ou que não apareceu nenhuma», talvez predada pelos golfinhos. Os resultados ditarão as próximas ações. E não se poderia fazer o mesmo com a sardinha, para repor os stocks no mar?
«Sim, mas teremos de perceber porque é que estamos a repovoar. Se não corrigirmos as causas do desaparecimento, não valerá a pena», diz Pedro Pousão Ferreira, que não culpa apenas a sobrepesca. «Há muitas outras causas. Nós alterámos o planeta. As pessoas têm de meter isto na cabeça de uma vez por todas. Serão também factores ambientais. Nós passamos a vida a deitar lixo para o mar e depois queremos que tudo funcione eternamente. Em vez de fazer sardinhas em cativeiro, e lançar ao mar, se calhar é melhor parar a frota um ano e indemnizar os pescadores para que o peixe se possa reproduzir. Talvez uma melhor gestão pudesse ter mais efeito», conclui.
Fonte: Barlavento
CCMAR é o único parceiro português em dois projectos europeus de Aquacultura
O Centro de Ciências do Mar (CCMAR) é o único parceiro em dois grandes projectos de grande importância na área da Aquacultura no Mediterrâneo, os quais são financiados pela União Europeia, através de fundos H2020, cujos projectos intitulado PerformFISH e MedAID, serão desenvolvidos por equipas do CCMAR, durante os próximos quatro e cinco anos, respectivamente.
A Europa consome actualmente o dobro de peixe que produz, sendo que as importações preenchem esta lacuna, porém, apesar deste facto, a Aquacultura contribui com apenas 20% da produção, empregando directamente cerca de 85 mil pessoas, maioritariamente em zonas costeiras e rurais.
Em contraste com o desenvolvimento observado noutros países mediterrânicos não europeus, a produção em Aquacultura está a estagnar na Europa, sendo este um dos motivos que levou a Comissão Europeia a propor como objectivo o aumento da produção do sector.
PerformFISH
O projeto PerformFISH foca-se no desenvolvimento da produção em aquacultura, orientada para o consumidor, integrando abordagens inovadoras, que ajudem a assegurar a competitividade e sustentabilidade do sector de produção de dourada e robalo, sendo o mesmo coordenado pela University of Thessaly (UTH), na Grécia, tendo um financiamento de sete milhões de euros (Comissão Europeia – H2020). Neste projecto, o CCMAR é um dos 28 parceiros que fazem parte da equipa, oriunda de dez países diferentes.
O kick off do PerformFISH foi dado em Maio, na Grécia, numa reunião onde participaram 72 investigadores e empresários do sector, sendo a participação da indústria um dos focos deste projecto, que junta também associações de produtores da Grécia, Espanha, Itália, França e Croácia.
Com duração de cinco anos o projecto trabalhará para assegurar um crescimento sustentável da indústria aquícola, baseando-se na percepção do consumidor e demanda do mercado, bem como pretende ajudar empresários a operar não só em condições económicas e ambientais ideais, mas também de um modo social e culturalmente responsável.
MedAID
O projeto MedAID (Mediterranean Aquaculture Integrated Development), é considerado projeto irmão do PerformFISH, que arrancou em Maio e tem como objectivo melhorar a produção aquícola no Mediterrâneo e vai desempenhar um papel muito importante na identificação de factores de sucesso para aumentar o crescimento da produção aquícola.
Ao trabalhar lado a lado com a indústria e as partes interessadas no setor, o MedAID vai propor novas práticas, ferramentas inovadoras e soluções práticas para os desafios que é necessário ultrapassar, com vista ao aumento do setor e da produtividade.
O MedAID recebeu um financiamento de sete milhões de euros da Comissão Europeia, através do fundo H2020, o qual é coordenado pelo Mediterranean Agronomic Institute of Zaragoza (IAMZ-CIHEAM) em conjunto com o Institute of Agrifood Research and Technology of Catalonia (IRTA), sendo o CCMAR um dos parceiros, de entre os 30 que participam no projeto, de 12 países diferentes.
Fonte: Região Sul
terça-feira, 27 de junho de 2017
Universidade de Aveiro descobre solução para erradicar plástico no Mar
A chave para o grave problema ambiental dos micro plásticos nos oceanos pode ter sido descoberta na Universidade de Aveiro (UA) e dá pelo nome de Zalerion maritimum. Trata-se de um fungo marítimo que não só consegue degradar o micro plástico como o faz de forma rápida e eficiente. Esta é a primeira solução ecológica alguma vez descoberta para combater os plásticos nos oceanos já que ao optimizar-se o raro apetite do fungo recorre-se a uma solução oferecida pelo próprio mar.
Comum na costa portuguesa e com um habitat espalhado a vários oceanos do planeta, o estudo do apetite do Zalerion maritimum por micro plásticos foi publicado no último número da revista Science of The Total Environment tendo sido destacado pelo editor como um novo campo de investigação. E os dados apresentados pelos investigadores do Departamento de Química (DQ) e do Centro de Estudos do Ambiente e do Mar (CESAM) da UA não deixam margem para dúvidas: isolado em laboratório num ambiente em tudo semelhante ao do mar poluído com micro plásticos, em sete dias o Zalerion maritimum consegue reduzir 77 por cento daquele material.
“As experiências foram efectuadas, em pequena escala, em reactores de 100 mililitros usando um volume de 50 mililitros de meio enriquecido com um mínimo de nutrientes e 0,130 gramas de micro plásticos. Entre 7 a 15 dias foram removidos 0,100 gramas de micro plásticos”, congratula-se Teresa Rocha Santos, a coordenadora do estudo. Este trabalho deu os primeiros passos há um ano atrás pela mão de Ana Paço, então estudante finalista da Licenciatura em Biotecnologia da UA. Os investigadores do DQ e do CESAM, João Pinto da Costa e Armando Duarte, são outros dois membros de uma larga equipa envolvendo outras universidades e centros de Investigação que assinam igualmente este trabalho que é um primeiro passo rumo à biodegradação global dos micro plásticos presentes nos oceanos.
Solução inédita num fungo quase desconhecido
“Este é sem dúvida o primeiro estudo a apresentar estratégias de biorremediação [processo que utiliza organismos vivos para reduzir ou remover contaminações no ambiente] de microplásticos. Portanto este trabalho pode ser considerado um primeiro passo e uma contribuição para a resolução deste problema”, apontam os investigadores.
Em cima da mesa dos investigadores está ainda o estudo das enzimas do fungo envolvidas na degradação dos plásticos e dos mecanismos que lhes permitem operar uma façanha até hoje desconhecido entre os organismos marinhos. Uma vez descobertos os segredos deste fungo, até agora muito pouco estudado entre a comunidade científica mundial, os investigadores antevêem que o Zalerion maritimum possa ser cultivado em massa e utilizado em áreas controladas dos oceanos para efectuarem a despoluição.
Com a produção plástica anual a superar a marca dos 300 milhões de toneladas, lembram os investigadores, “a reciclagem falhou enquanto solução para eliminar os resíduos de plástico que continuamente se acumulam no meio ambiente, nomeadamente nos rios e oceanos” do planeta. Assim, “torna-se maior a urgência de encontrar novas formas de reduzir essa ameaça ambiental”.
De aspecto esponjoso e cor esbranquiçada, o Zalerion maritimum afigura-se como uma solução que junta o útil ao agradável: para além de conseguir degradar os microplásticos, num processo barato e amigo do ambiente, os investigadores antevêem que “a utilização deste fungo evita a introdução de tecnologias sofisticadas no mar já que o organismo ocorre na natureza em águas marítimas, tornando-se assim uma estratégia para a poluição com microplásticos em águas costeiras a nível planetário”.
Fonte: Correio da Beira
No mar ou no rio, conheça os seus limites
Os perigos existem, os afogamentos acontecem, todo o cuidado é pouco. Não vire as costas ao mar, frequente praias vigiadas, não subestime as correntes do rio. Falámos com o Director do Instituto de Socorros a Náufragos sobre as principais precauções que devemos ter quando vamos a banhos.
Paulo Tomás de Sousa Costa, Capitão de Mar e Guerra, director do Instituto de Socorro e Náufragos (ISN).
A época balnear já começou e todo o cuidado é pouco: não vire as costas ao mar, olhos bem abertos nos passeios à beira da água, sobretudo na areia molhada, nadar paralelamente ao areal se for apanhado por um agueiro, atenção às correntes dos rios. Não arrisque, não facilite. No caso das crianças, máxima atenção. E frequente sempre praias vigiadas.
Portugal tem 118 quilómetros de praias vigiadas, 482 quilómetros não vigiados, e mais de 5300 nadadores-salvadores certificados, que todos os anos têm uma responsabilidade grande – até ao fim de setembro são esperados 75 milhões de visitas às nossas praias, 63 milhões de portugueses, 12 milhões de turistas.
Falámos com o Director do Instituto de Socorros a Náufragos (ISN), o Capitão de Mar e Guerra Paulo Sousa Costa, sobre cuidados a ter, vigilância, formação, afogamentos. A instituição, que completou 125 anos em abril, será condecorada com a Ordem do Infante D. Henrique pelos serviços prestados.
«As pessoas, muitas vezes, arriscam e devem conhecer os seus limites», avisa o Director do ISN. Ir ao mar ou ao rio sabe sempre bem, mas cada pessoa deve conhecer os seus limites. Se sabe ou não sabe nadar. Até onde pode ir. Isso é fundamental. Se o mar não estiver propício a umas braçadas, se as correntes do rio estão fortes, então o melhor é ficar em terra. Não convém arriscar e pôr o pé na água.
Outro aviso: «Nunca se deve virar as costas ao mar e sobretudo não caminhar descontraidamente nas zonas onde a areia está molhada porque se está molhada a onda foi lá», diz o responsável. Se há um golpe do mar, se não nada bem ou não se sente confortável na água, é meio caminho andado para um acidente. No caso das crianças, todos os olhos são poucos. Não conhecem os perigos, os pais podem distrair-se, e basta um segundo para irem para a borda de água e serem apanhadas por uma onda. Vigilância permanente nos mais pequenos.
«Nunca se deve virar as costas ao mar e sobretudo não caminhar descontraidamente nas zonas onde a areia está molhada porque se está molhada a onda foi lá.»
Nas praias, é preciso especial atenção aos agueiros, essas correntes de retorno perigosas que é conveniente evitar. Se olhar para o mar e localizar uma área em que a água está com uma cor mais acastanhada, é sinal de que há ali zonas de correntes que revoltam a areia. Nesses locais, há fundões, declives maiores, fica-se rapidamente sem pé, é-se puxado pela corrente. «A primeira tendência é começar a nadar contra a corrente para vir para terra, o que é um erro. É preferível descontrair, boiar, deixar-se ir e tentar nadar paralelamente à praia para sair dessa zona do agueiro. Depois de sair dessa corrente pode nadar calmamente para a praia», diz Paulo Sousa Costa. «Muitos dos acidentes mortais nos agueiros acontecem exactamente por isso, porque as pessoas tentam lutar contra a corrente, o que é um erro crasso.»
Outro conselho importante: frequentar praias vigiadas. Sem nadadores-salvadores por perto, está por sua conta e risco. Nos rios, já se sabe, de um momento para o outro, perde-se o pé e a corrente não dá tréguas. Não deve nadar junto às barragens por causa da abertura das comportas que provocam correntes mais fortes e puxam quem estiver na água. E o lodo que se acumula no leito pode ser traiçoeiro. «Muitas vezes, nas praias fluviais, uma pessoa anda três ou quatro metros, uma coisa mínima, e afunda logo, perde o pé muito rapidamente», avisa o Director do ISN. «É impossível pôr um nadador-salvador atrás de cada pessoa», sublinha.
Portugal tem 899 unidades balneares vigiadas e 281 não vigiadas. São 118 quilómetros de praias vigiadas e 418 quilómetros não vigiados. Há uma portaria que define o início da época balnear, que difere de praia para praia, de zona para zona. No Sul, começa mais cedo normalmente a 15 de maio, no Norte é mais tarde, a 15 de junho (regra geral arranca a 1 de junho), e pode terminar no final de setembro ou esticar um pouco mais. Isto tem uma explicação. «A frequência das nossas praias não é igual em todo o país.»
«Muitas vezes, nas praias fluviais, uma pessoa anda três ou quatro metros, uma coisa mínima, e afunda logo, perde o pé muito rapidamente.»
Nesta altura do ano, os afogamentos voltam à ordem do dia. O diretor do ISN diz que é preciso tratar bem a informação e perceber do que se fala. «Desde que começou a época balnear, em praias vigiadas temos zero mortes. De facto, morreram vinte pessoas antes da época balnear, desde janeiro até agora.» Ou seja, antes de haver nadadores-salvadores nas praias. No ano passado, na época balnear, morreram quatro pessoas em praias vigiadas e nove em não vigiadas. Há dois anos morreu uma e há três anos também uma em zonas vigiadas. Com 75 milhões de visitas às praias, os números mostram que o sistema funciona, defende o diretor do ISN.
segundo o diretor do ISN Portugal precisa, em números redondos, de cerca de dois mil nadadores-salvadores e tem neste momento 5332 nadadores certificados. As certificações têm a validade de três anos, muitos nadadores são estudantes que exercem a atividade um ou dois verões. Segundo a lei, a contratação é da responsabilidade dos concessionários de praia. Onde não há concessões, não há nadadores-salvadores, embora alguns municípios entendam que ter vigilância nas suas praias é bom para o turismo e asseguram esses serviços.
A lei prevê dois nadadores-salvadores por 100 metros de praia e mais um nadador por cada 50 metros. Ou seja, uma praia com 150 metros tem de ter três nadadores-salvadores. Mas pode haver uma redução deste número. Os concessionários podem juntar-se e proporem um plano integrado de salvamento ao capitão de porto. A proposta é remetida ao ISN que emite um parecer vinculativo. Nalguns casos, é então possível reduzir o número de nadadores-salvadores naquela praia.
Em Portugal, a formação dos nadadores-salvadores é feita em escolas privadas. Para exercerem a actividade têm de fazer o exame específico de aptidão técnica, feito pelo ISN. Se passam recebem o cartão de nadador-salvador e estão aptos.
Fonte: Notícias Magazine
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