sexta-feira, 16 de setembro de 2016

"Exigimos demasiado dos oceanos" , diz Obama



O Presidente norte-americano, Barack Obama, apelou para uma rápida mobilização internacional em defesa dos oceanos, confrontados com "novas ameaças", ao anunciar a criação de uma reserva natural no Atlântico para proteger espécies e ecossistemas em risco.
"Exigimos demasiado dos oceanos ao querer que se adaptem a nós. Não podemos verdadeiramente proteger o nosso planeta sem os proteger", disse Obama.
Apontando, entre outras, as práticas de pesca não sustentáveis, o Presidente insistiu na imperiosa necessidade de tornar os oceanos mais resistentes às alterações climáticas, que modificaram profundamente a vida submarina.
"Os nossos oceanos alimentam-nos, protegem-nos, regulam o nosso clima", prosseguiu, numa cimeira que reúne cerca de 90 países, cientistas e organizações não-governamentais, intitulada "2016 -- Our Ocean Conference".
Desde que chegou ao poder há quase oito anos, Obama já protegeu mais zonas, em terra e no mar, que qualquer dos seus antecessores, para tal recorrendo à Antiquities Act, uma lei assinada em 1906 por Theodore Roosevelt, fervoroso defensor da proteção dos recursos naturais.
"Os oceanos [têm um papel primordial] para "a nossa economia, a nossa política externa e a nossa segurança nacional, mas também para o que somos", defendeu o presidente dos Estados Unidos que se prepara, aos 55 anos, para deixar o poder, frisando quanto esta questão é, para ele, pessoal.
"Cresci no Havai, o oceano lá é magnífico. A ideia de que o oceano com o qual cresci não seja uma coisa que eu possa transmitir às minhas filhas e aos meus netos é inaceitável, inimaginável", observou.
A nova reserva natural hoje anunciada, situada ao largo da costa de Nova Inglaterra, é a primeira criada no Atlântico por um chefe de Estado norte-americano.
Ela estender-se-á por cerca de 12.700 quilómetros quadrados e permitirá, em particular, proteger diversas espécies de baleias e tartarugas do mar, bem como corais de águas profundas, segundo a Casa Branca.

Fonte: Dnoticias

Extinção em massa: nos oceanos o tamanho importa

Os maiores animais marinhos são os que têm maior risco de desaparecerem das águas do planeta. É um padrão de extinção sem precedentes, avisam os cientistas que analisaram o passado de moluscos e vertebrados recuando até há 445 milhões de anos.


Debaixo de água, os maiores animais são os que correm mais perigo de extinção, conclui um estudo publicado esta semana na revista científicaScience. A ameaça, diz uma equipa de cientistas dos Estados Unidos, vem do homem, mais precisamente, da pesca. O que está a acontecer nos oceanos é muito diferente do que se passou há milhões de anos, constatam os autores do trabalho que relaciona o nível de ameaça com as características ecológicas dos animais.

“Percebemos que a ameaça de extinção nos oceanos modernos está fortemente associada com o tamanho do corpo dos animais”, refere Jonathan Payle, investigador da Universidade de Stanford, na Califórnia, no comunicado sobre o estudo que analisou 2497 espécies marinhas extintas e actuais — de fora ficaram animais com menos de cinco centímetros, difíceis de se encontrar no registo fóssil. “Isto deve-se muito provavelmente ao facto de as pessoas terem agora como alvo espécies maiores para o consumo”, acrescenta, realçando que o desaparecimento destes animais seria devastador para os ecossistemas marinhos.

O motor desta mudança inédita no padrão de extinções no oceano está nas tecnologias que nos levaram de uma pesca limitada a zonas costeiras até aos mares mais profundos, a bordo de embarcações maiores e mais preparadas para a pesca a grande escala. “Quando os humanos entram num novo ecossistema, os maiores animais são os que são mortos primeiro. Os sistemas marinhos foram poupados até agora porque os humanos estiveram restritos a áreas costeias e não tinham a tecnologia para pescar no oceano profundo numa escala industrial”, nota Noel Heim, outro dos autores do artigo.

“A baleia-azul está em perigo de extinção devido à caça da baleia, o atum-do-sul, muito usado no sushi, está em perigo crítico de extinção. O dugongo-de-steller, parente do manatim, foi levado à extinção no século XVIII por causa da caça. Vivia no Norte do oceano Pacífico”, diz Andrew Bush, outro autor do estudo, da Universidade de Connecticut.  

Os cientistas analisaram a associação entre o nível de ameaça de uma espécie e características como o tamanho, em dois grandes grupos de animais marinhos — os moluscos e os vertebrados — nos últimos 500 anos. E compararam esta informação com o registo fóssil marinho desde há 445 milhões de anos, com uma atenção maior para os últimos 66 milhões de anos. O registo fóssil mostra que no passado houve vários momentos de extinção em massa. O último terá ocorrido há 65 milhões de anos, quando os dinossauros foram extintos, após a colisão de um meteoro com a Terra.

Agora, mergulhamos na anunciada “sexta extinção”. E a ameaça não vem do espaço. Investigadores de várias áreas concordam que o responsável pela limpeza de espécies — que ocorre a um ritmo assustador — é, desta vez, o homem. Mas a época em que vivemos é única, comparando com as extinções em massa que ocorreram no passado, pelo impacto que está a ter nas maiores criaturas marinhas, revela este estudo.

Nos continentes o padrão tem sido igual. “As extinções passadas, de origem humana, afectaram principalmente organismos grandes, estamos a falar da extinção da megafauna, principalmente mamíferos e aves, que ocorreu há alguns milhares de anos e que levou à extinção de 70 a 80% dos animais com mais de 35 quilos, os moas, os mamutes, os grandes rinocerontes, por exemplo”, explica Miguel Araújo, professor na Universidade de Évora e investigador na Rede de Investigação em Biodiversidade e Biologia Evolutiva.

“Usámos registos fósseis para mostrar, de uma forma convincente e concreta, que o que está a acontecer no oceano moderno é realmente diferente do que aconteceu no passado”, afirma Noel Heim. Os investigadores concluíram que animais com uma massa corporal dez vezes maior, têm 13 vezes mais hipóteses de serem extintos. Quanto maior, pior. Os cálculos e cenários propostos pelos investigadores levam a crer que os efeitos da sexta extinção podem ultrapassar, em número de espécies e ritmo, o que aconteceu há 65 milhões de anos.

“Desde o princípio dos anos 2000 que houve contribuições importantes em revistas como a Science e a Nature, que descrevem o efeito do que se chama ‘fishing down the food web’ o que quer dizer que estamos a pescar no sentido decrescente da cadeia trófica. Pescávamos os grandes predadores, vamos passar aos intermédios e, qualquer dia, estamos aí a apanhar alforrecas”, refere Henrique Cabral director do MARE (Centro de Ciências do Mar e do Ambiente) da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Um dos autores citados pelo investigador português é Daniel Pauly, um biólogo marinho francês da Universidade de British Columbia, no Canadá, que tem publicado vários artigos que mostram como os resultados da pesca intensiva e o impacto no ambiente marinho são muito maiores do que se pensava. Fora do radar das estatísticas oficiais, denuncia Daniel Pauly, faz-se uma pesca intensiva sem limites ou remorsos que está a destruir muitas espécies.

Fenómeno complexo

Assim, os resultados do novo estudo não surpreendem Henrique Cabral, que é especialista em ecologia marinha. “Os peixes de maiores dimensões, como é o caso dos atuns e de alguns tubarões, há muito que estão ameaçados. Já para não falar dos mamíferos marinhos que em grande parte dos oceanos não são pescados mas também são muito afectados porque as suas presas são alvo de pesca”, diz, sublinhando que os organismos que estão no topo das cadeias tróficas têm uma capacidade de reprodução bastante limitada. E exemplifica: “Um tubarão pode ter apenas uma, duas, três crias por geração. Sendo que alguns tubarões só conseguem reproduzir uma vez porque demoram bastante tempo a atingir a maturidade sexual, eles têm de viver 40 anos para chegar pela primeira vez a um evento reprodutivo. E com a pressão da pesca, a alteração dos ambientes marinhos e a poluição, começa a ser difícil”.

Infelizmente, a pesca não é a única mas apenas uma das ameaças, defende o cientista: “É muito difícil distinguir o efeito isolado de pressões. Não conseguimos saber o efeito da pesca só, e o efeito das alterações climáticas, e o da poluição. Eles aparecem todos juntos. Na nossa costa temos todos esses factores. O que se diz muitas vezes em artigos talvez um bocado apocalípticos é que estas sinergias de efeitos negativos poderão levar à extinção de algumas espécies”. Um apocalipse que, aliás, pode acontecer em breve. “Nos artigos que se publicavam sobre estes assuntos há duas ou três décadas nem se falava em prazos. Dizia-se apenas ‘atenção, estas espécies estão a diminuir’. Agora, há artigos que tentam projectar isso no tempo e que nos falam de desaparecimento e extinção em décadas, poucas décadas”.

Para Douglas McCauley, outro dos autores do estudo, as alterações climáticas poderão tornar-se no maior problemas de todos. “Se não fizermos nada em relação às alterações climáticas o fim desta história das extinções pode ser um pouco diferente. As alterações climáticas podem até tornar-se no maior responsável das extinções”, disse o investigador, da Universidade da Califórnia.

Possivelmente temos andado pouco atentos ao que se passa debaixo de água, concentrando as atenções no que temos em terra firme, mais próximo de nós. “Durante décadas ou séculos houve uma ideia de que o oceano é gigantesco e é impossível o homem ir a todos os lados no oceano e, por isso, ele estava a salvo. O que hoje temos cada vez mais evidência é que não é assim. Alguns ecossistemas são únicos, bastante limitados e frágeis. Uma pequena alteração, mesmo que seja remota, desse ambiente devido ao homem pode ter efeitos significativos, que começam agora a estar documentados e que desconhecíamos”, diz Henrique Cabral. Miguel Araújo acredita na “resiliência do sistema oceano”. Mas até a um certo ponto: “Quando se dão mudanças neste sistema, elas são bruscas e têm repercussões em todo o sistema terrestre e planetário.”

A real percepção do que está a acontecer nos oceanos está a vir ao de cima. Mas, falta a incontornável questão: ainda vamos a tempo de mudar alguma coisa? Jonathan Payne responde que sim. “Não podemos fazer muito para reverter as tendências do aquecimento dos oceanos e da acidificação, que são duas ameaças reais que têm de ser encaradas. Mas podemos mudar as ameaças relacionadas com a forma como caçamos e pescamos. As populações de peixes têm a capacidade de recuperar muito mais rapidamente que a química dos oceanos ou do clima. Com decisões de gestão apropriadas ao nível nacional e internacional, podemos dar a volta a isto relativamente rápido”. 

Autora: Andrea Cunha Freitas
Fonte: Público

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

José Luís Cacho vai liderar portos de Sines e Algarve

João Soares Franco, administrador público mais antigo em funções, despede-se com duas realidades díspares: Sines a superar estimativas e os portos de Faro e Portimão em dificuldades.


O Governo prepara-se para substituir os actuais membros da Administração dos Portos de Sines e do Algarve (APS). O novo presidente será José Luís Cacho, que foi presidente do porto de Aveiro e do porto da Figueira da Foz até Março de 2015. O nome do novo gestor já foi enviado para análise da Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública e a decisão também foi comunicada ao actual presidente do conselho de administração, João Soares Franco.

 “A senhora ministra informou-me, na sexta-feira passada, que iria haver alteração da composição da administração”, disse nesta terça-feira João Soares Franco, num encontro com jornalistas, em que acrescentou deixar a empresa com “enorme solidez financeira” e “excelente relação com todos os concessionários”.

Segundo o responsável, “os negócios estão a correr muitíssimo bem”, o porto de Sines tem “um volume de negócios de 45 milhões de euros, um resultado líquido, no final deste ano, de 18 milhões e quase 40 milhões em caixa”, tendo atingido uma quota de mercado em Portugal superior a 55% e uma “clara implantação internacional”, além de ser uma referência “em termos tecnológicos”.

Em 2016, o porto de Sines vai atingir perto de 48,4 milhões de toneladas de carga movimentada, superando as estimativas iniciais, que eram de 45,5 milhões (atingidas já este mês de Setembro, até dia 12). Com este resultado, o porto alentejano, de acordo com a APS, afirma-se como terceiro maior da Península Ibérica em carga movimentada, atrás dos portos de Algeciras e Valencia e à frente de Barcelona.

O movimento em Sines cresceu este ano também em número de navios (13,9%), para um total de 2284 até ao momento, além de que “a dimensão dos navios também está a aumentar”. João Soares Franco concluiu que “há boas razões para pensar que Sines tem um futuro risonho pela frente”, embora existam questões pendentes de decisão política, sobretudo a expansão do terminal de contentores, concessionado à PSA até 2029.

A empresa de Singapura está disponível para pagar 140 milhões dos custos de alargamento do terminal e do respectivo equipamento, como novos pórticos, mas o Estado português terá de pagar a construção do molhe de protecção – uma obra de 60 milhões de euros – e aceitar o alargamento do prazo de concessão à PSA por mais entre 10 e 20 anos, dependendo das negociações.

A alternativa a esta opção é a concessão do novo terminal de contentores a uma segunda empresa.

Portos do Algarve em dificuldades

No caso dos portos do Algarve, que representam 0,5% do volume de negócios da APS e que empregam cerca de 30 trabalhadores, o ainda presidente revela que enfrentam uma situação difícil, apesar dos investimentos feitos nos últimos anos.

“Faro não é negócio” disse João Soares Franco, explicando que o porto de carga desta cidade algarvia está dependente da actividade da cimenteira de Loulé, uma unidade industrial que tem vindo a enfrentar dificuldades e redução de produção. O administrador afirma que “é preciso arranjar uma solução se a cimenteira falhar” e aponta a reparação naval, a recolha de barcos e o uso para barcos de recreio como eventuais alternativas para evitar o encerramento do porto de Faro no futuro.

Para o porto de Portimão, vocacionado para navios de cruzeiro, João Soares Franco diz que são necessárias também decisões politicas. “Coloca-se a questão de saber que investimento fazer, já que os navios de cruzeiro também estão a aumentar de dimensão”. A APS está, por isso, a preparar opções de investimento, entre 12 a 35 milhões de euros, para apresentar ao Governo em 2017. O responsável avisa, no entanto, que, além de implicações ambientais, a ampliação do porto de Portimão terá pouca viabilidade económica. “O negócio de cruzeiros nunca pagará o investimento, mesmo na opção mais reduzida”.

Fonte: Público

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Navio de Vasco da Gama pode ter sido encontrado em Omã.

Os destroços de um navio encontrados em 1998 junto à costa de Omã pode pertencer a "Esmeralda", o navio que Vasco da Gama usou na segunda viagem à Índia. O estudo foi publicado na passada sexta-feira.


Partes do navio que Vasco da Gama utilizou durante os Descobrimentos portugueses do século XVI podem ter sido descobertos ao largo da costa de Omã. Novos dados sobre as buscas estão a ser avançadas esta sexta-feira num estudo publicado esta sexta-feira no “Journal of Nautical Archaeology“. Essas porções do navio foram encontrados em 1998 junto à ilha de Al Hallaniyah, no mar Arábico, mas as escavações arqueológicas feitas no local permitiram obter mais pormenores sobre a infraestrutura.
Tudo indica que este pode ser o navio Esmeralda, que o explorador português utilizou na sua segunda viagem marítima para a Índia. Esse navio pode ter sido destruído durante uma tempestade no século XVI. De acordo com as informações dispostas no estudo, “a baía onde o navio foi encontrado tem uma concordância geográfica quase perfeita para onde se supõe que os navio Esmeralda e São Pedro afundaram”.
Depois da descoberta do caminho marítimo para a Índia em 1498, os portugueses começaram a aventurar-se anualmente até àquele país asíatico. Era uma das viagens mais perigosas e mortíferas para os marinheiros: estima-se que, entre 1498 e 1650, morreram 219 portugueses naquela que era chamada a Carreira da Índia. No entanto, pouco se sabia sobre os navios: nunca foram encontradas muitas carcaças dos navios afundados nesta época, provavelmente por terem sido saqueados. Além disso, há um grande espaço em branco nos relatórios dos arqueólogos: sabe-se muito pouco sobre o que aconteceu entre a data da primeira viagem à Índia até 1552, ano em que o navio São João se destruiu no mar.

Pôr a História em pratos limpos

D. Manuel I tinha muito respeito por Vasco da Gama. As missões de Pedro Álvares Cabral, que tinha ao seu comando treze navios, não tinham satisfeito o rei: é que só seis dessas embarcações conseguiram chegar à costa de Malabar entre 1500 e 1501. Mas Vasco da Gama tinha encontrado uma fonte de riqueza na Índia que viria a ser útil a Portugal, por isso o rei podia garantir assim que ficaria na História como um líder de prestígio e ambição. Era algo que parecia longe de acontecer e a religião era parte do problema: quando Álvares Cabral chegou à costa de Malabar, depois de um grande investimento real no oceano Índico, os caminhos das especiarias eram controlados pelos soldados egípcios, com quem o explorador português não manteve amizades.
Aos olhos do rei, Vasco da Gama era um homem mais ponderado. Por isso, apostou na criação de uma frota de vinte navios, cinco deles postos na mão de homens da confiança do navegador. Foi a maior frota do Caminho das Índias alguma vez constituída. Além de Vicente Sodré e de Brás Sodré, seus tios, foram chamados Estêvão da Gama (primo), Álvaro de Ataíde (cunhado) e Lopo Mendes de Vasconcelos (futuro cunhado).
De todos eles, Vicente Sodré era o protagonista: era ele quem deveria substituir Vasco da Gama caso este morresse na viagem, uma ordem dada pelo rei quando este decidiu reagir à agressividade asiática com uma resposta militar. D. Manuel I chamou Vicente (um cavaleiro da Ordem de Cristo) e deu-lhe o comando do esquadrão de cinco navios da família Gama, que funcionava quase independentemente das outras quinze embarcações. O objetivo: iniciar uma guerra contra os navios de Meca na costa de Malabar e à entrada do rio Vermelho para conseguir o controlo forçado dos caminhos das especiarias. Os cinco navios iam carregados de armas.
Vasco da Gama voltou a Lisboa, mas Vicente Sodré continuou a patrulhar o sudoeste da costa indiana para manter as fábricas portuguesas em segurança. Mas o navegador ignorou as ordens de D. Manuel I e decidiu levar o esquadrão, a bordo do Esmeralda, para o Golfo de Áden para assaltar os navios da Arábia. Conseguiu-o com a ajuda do irmão, a bordo do São Pedro, que incendiou os navios inimigos matando todos a bordo. Mas só depois de os saquear e ficar com tudo: roupa, açúcar, pimenta, arroz, entre outros bens.
Claro que os navios portugueses não ficaram intactos. Em busca de um local onde os pudessem arranjar, os irmãos Sodré levaram o esquadrão para a ilha Al Hallaniyah, a única ilha habitada na costa de Omã. Ficaram várias semanas por lá, acabando por manter amizade com os locais. Um dia, os habitantes da ilha avisaram os irmãos Sodré de que uma tempestade estava prestes a chegar àquela costa e que os navios não sobreviveram à violência do fenómeno, a não ser que fossem levados para o sotavento da ilha. Vicente e Brás Sodré mantiveram os dois navios principais, Esmeralda e São Pedro, na mesma costa, confiantes de que as âncoras eram fortes o suficiente para os proteger.
Não foi o que aconteceu. Os dois navios foram completamente destruídos pelo vento, pelas correntes marítimas e pelas rochas. Julga-se que nenhum homem a bordo do navio Esmeralda sobreviveu e que Vicente Sodré morreu durante a tempestade. Quando o tempo acalmou, os sobreviventes enterraram os seus corpos. Ao fim de seis dias, Pêro de Ataíde, um dos navegadores, tomou comando dos navios e viajou até à Índia para se encontrar com Francisco D’Albuquerque. Antes de morrer, já de regresso a Portugal e a passar ao lado de Moçambique, Pêro de Ataíde escreveu uma carta a D. Manuel I contando toda esta odisseia, que pode ser vista no Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa.
Fonte: Observador

Transporte de contentores tem 1,7 milhões de TEU a mais

A sobrecapacidade de oferta no mercado de transporte marítimo de contentores atinge os 8,1% da frota mundial, medida em TEU, de acordo com a consultora norueguesa Xeneta.


Tendo em conta que, segundo a Alphaliner, a capacidade da frota mundial é de 20 719 986 TEU (dados de 7 de Setembro), o sector terá cerca de 1,7 milhões de TEU em excesso.
Da consultora lembram que só no ano passado entraram no mercado mais de duas centenas de navios, agravando o desequilíbrio entre a oferta e a procura.
A sobrecapacidade, aliada à descida da procura, é uma das causas para a crise por que passa o sector, de acordo com os especialistas.”É demasiado espaço para tão pouca procura”, salientam desde a Xeneta, que apontam a fragilidade da economia europeia e a descida do comércio entre a Ásia e os Estados Unidos como principais causas para o arrefecimento da procura. Com consequências no nível dos fretes e, logo, na facturação das companhias.
A resposta dos operadores a este cenário parece passar por mais fusões e aquisições e por mais anulações de rotações, mas isso não será suficiente para resolver o problema de fundo no futuro próximo, segundo os analistas. Aliás, avisam, os recentes aumentos dos preços dos fretes em alguns tráfegos apenas disfarçam a crise.
Os especialistas avisam que é necessária, também, uma mudança de mentalidade da parte dos operadores que, para assegurar volumes, assinaram contratos de longo prazo a preços muito baixos com os carregadores. “Os operadores começam a renegociar as tarifas para não voltarem a ficar presos”, indica a Xeneta.
Fonte: T e N

Exportações diminuem 4,6% em Julho


Os dados do INE, divulgados esta sexta-feira, mostram que as exportações nacionais caíram 4,6% e as importações 7,2% durante o mês de Julho, quando comparadas com o mesmo mês de 2015. Os dados mostram ainda que os as exportações para países fora da UE foram as que mais contribuíram para a redução global verificada. 

Assim, as exportações diminuíram 39,9% para Angola, 22,6% para os Estados Unidos e 29,6% para a China. Já as nas importações, Espanha foi o país que mais contribuiu para a redução global, com uma variação homóloga de -5,7%, sendo de salientar ainda as quedas de Angola (-54,7%) e dos Estados Unidos (-23,4%).

No conjunto de importações e exportações, o défice da balança comercial de bens diminuiu 174 milhões de euros para os 557 milhões de euros. Excluindo os combustíveis e lubrificantes, reduziu-se em 13 milhões de euros, situando-se nos 353 milhões de euros.

Já no trimestre terminado em Julho de 2016, as exportações de bens caíram 2,3% e as importações de bens diminuíram 3,9%, em termos homólogos (respectivamente -1,5% e -3,4% no segundo trimestre de 2016).

O INE lembra que desde meados de 2015, as exportações e importações, excluindo os combustíveis e lubrificantes, "têm registado taxas de variação superiores às da totalidade das exportações e importações", diferencial de evolução que "reflecte em larga medida o impacto da redução dos preços dos combustíveis e lubrificantes".

O INE disponibilizou também os resultados provisórios de 2015, sendo que os definitivos serão conhecidos em maio de 2017. Os resultados provisórios do comércio internacional face aos definitivos de 2014 mostram que as exportações terão subido 3,7%, assim como as importações terão aumentado 2,2%.


Mónaco vai crescer sobre o Mar


O Mónaco, que nos últimos 150 anos conquistou 40 hectares ao mar, está agora em vias de ganhar outros seis. Em causa está o projecto de construção do bairro de Le Portier, no valor de dois mil milhões de euros, que visa acolher o cada vez maior número de residentes no principado. Por ano chegam 600 novas pessoas para viver ali.
O projecto, apoiado pelo Governo do Mónaco, será no entanto financiado totalmente por construtores privados, que esperam recuperar o investimento através da venda de 60 mil metros quadrados em imóveis de luxo. Um dos arquitectos envolvidos é Renzo Piano, sendo responsável pelo edifício à entrada da nova marina.

E como é possível construir no mar?

As obras deverão arrancar até ao final de 2016 e estar concluídas até 2020. A primeira fase, tal como conta o Euronews, consiste em deslocar as espécies marinhas protegidas para reservas naturais, sendo que a área de construção será isolada por uma barreira protectora, para minimizar o impacto da empreitada no ecossistema.
O leito rochoso, indica ainda, será limpo para acolher os taludes onde repousam blocos de betão armado que contêm a extensão. O paredão será estruturado de forma a reocupar o local com vida marinha. No interior do muro de protecção, será colocada areia para sustentar a península artificial. Concluída essa etapa, poderá começar o processo de urbanização do bairro, onde o mar vai garantir 40% das necessidades energéticas.
“Não há muitos países no mundo que possam alargar o seu território sem provocar uma guerra. O Mónaco necessita de uma nova extensão porque está limitado a uma área de dois quilómetros quadrados. As construções subterrâneas e em altura não são suficientes para dar uma resposta à necessidade de alojamento das pessoas que vêm instalar-se aqui”, declara Michel Roger, ministro de Estado do Mónaco.
Fonte: Idealista

Água do mar a 26º C aproxima tubarões das praias


Subida da temperatura da água está a atrair mais tubarões à costa. Mas não são um grande perigo: só procuram peixes e plâncton

Que a costa portuguesa é abastada de tubarões já não é propriamente novidade. Serão mais de 30 as espécies que "moram" lá para alto-mar, a um mínimo de dez quilómetros dos areais. Mas este verão aconteceu algo invulgar. A temperatura da água subiu para valores recordes, a rondar os 25 a 26 graus, tendo atraído o mais famoso dos predadores - que até Spielberg celebrizou no cinema - para próximo das praias. Mas não há razão para medo. Os especialistas garantem que os tubarões que por cá temos só andam atrás de novos cardumes e não representam perigo para os humanos. É que chegaram peixes invulgares por estas paragens, que este ano se deixaram convencer pela água quente. Quando arrefecer voltarão ao Mediterrâneo.
O avistamento de um tubarão-martelo de 2,5 metros, filmado esta semana por um grupo de pescadores na zona da Comporta, ao largo de Setúbal, é um dos mais curiosos, enquanto dois pescadores foram mordidos. Um ao largo de Peniche, tendo sido resgatado de urgência pela Marinha na quarta-feira, e um outro camarada também sofreu uma dentada a 26 de Julho ao largo da Póvoa de Varzim. Ambos estariam a manusear o peixe preso nas redes. Mas há mais testemunhos de quem também foi surpreendido por tubarão-frade ou tintureira, conhecido por tubarão-azul, o mais comum em Portugal.


Que o diga Paulo Martins, pescador da Costa de Caparica, cujas redes de arte xávega têm trazido tintureiras como nunca. "Têm meio metro e é preciso ter cuidado quando as estamos a manusear, porque podem morder para tentarem fugir", revela, recorrendo à experiência de anos para garantir que as águas mais quentes estão a trazer novas espécies e a afastar outras.
"A sardinha e o carapau quase não existiram este verão", diz, revelando que há dias apanhou um lírio com 24 quilos que vendeu em lota por 180 euros, depois de estar tentado a devolver o exemplar ao mar antes de conhecer o seu valor. Desconfia que terá sido o primeiro pescador da zona a capturar esta espécie mais comum nos Açores. "Mas ainda agora fiz nova captura e apanhei seis palmetas, o que também era raro", insiste.
É no encalço das novas espécies que os tubarões se aproximam das praias, como confirma o diretor do Departamento de Educação do Zoomarine, João Neves. "É um fenómeno igual ao dos golfinhos que também têm registado mais avistamentos nas praias, porque andam à procura de outros peixes junto à costa", compara, acrescentando que o risco para os banhistas é "zero".
Recorre às estatísticas para assegurar que Portugal não tem registos objetivos de ataques de tubarão, admitindo que algum animal possa morder um pescador no momento em que está a ser "manipulado", considerando que isso é apenas o instinto de sobrevivência para tentar escapar. "Nós não somos comida para eles e até fogem quando nos veem", insiste o especialista, admitindo que se o aquecimento global elevar a temperatura da água do mar para valores próximos aos deste ano é possível que os tubarões apareçam com mais frequência. "Uns alimentam-se no fundo e outros mais à superfície. Talvez o tubarão-frade, que não tem dentes e come plâncton, passe a ser mais visto", diz.
Nuno Moreira, do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), confirma que as temperaturas este verão andaram acima do normal e que as várias situações de levante no Algarve aqueceram o mar como não havia memória, elevando a temperatura da água até às zonas da Comporta e de Troia. "Não tivemos o arrefecimento típico de verão com a chamada nortada."

Fonte: DN

Peixe: O ouro do nosso Mar

Há quem diga que Portugal tem o melhor peixe do mundo. Embora não científica, a tese assenta em argumentos de peso: um mar com as condições ideais, uma costa heterogénea e uma gastronomia que sabe tratar o alimento.


No campeonato gastronómico, Portugal leva a taça na categoria peixe. Esta ideia começou a ganhar forma quando o famosíssimo chefe catalão Ferran Adrià anunciou que “Portugal tinha o melhor peixe do mundo”. Depois de alguma estranheza, o conceito foi-se entranhando, apoiado em fortes argumentos oferecidos pela biologia e pela meteorologia. “O nosso mar tem uma boa oxigenação, temperatura óptima para o crescimento e reprodução e excelente disponibilidade e qualidade do alimento”, enumera a bióloga e especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) Bárbara Serra Pereira. Na confluência das águas frias do norte e das quentes das regiões tropicais apanhamos com o melhor dos dois mundos. Além disso, temos ainda a agradecer ao fenómeno do afloramento costeiro, ou upwelling, que traz água mais fria às praias, mas que faz maravilhas pela vida marinha. Este movimento das águas, que resulta de uma combinação entre o vento e o movimento de rotação da Terra, arrasta as massas de água à superfície, afastando-as da costa, e uma subida de águas mais profundas, das camadas abaixo dos 200 metros. Esta renovação, que acontece nos meses de verão, transporta nutrientes à superfície, pequenos animais e vegetais, que vão sustentar toda a cadeia alimentar. 
Uma costa muito variada permite-nos ter uma grande riqueza de animais – sardinhas a norte e linguados ao centro – exemplifica a investigadora do IPMA. Só nos Açores, haverá 600 espécies de peixes diferentes.

FILETES: UM DESPERDÍCIO

O chefe Vítor Sobral não se coíbe de traçar elogios ao ingrediente de eleição no seu restaurante Peixaria da Esquina, em Lisboa. “Em Portugal existe com certeza dos melhores peixes do mundo. Uma matéria-prima fantástica, que inclui os mais raros e os mais comuns. Além disso, temos formas muito peculiares de cozinhar”, sublinha. “Há pratos de peixe para ricos, para pobres, de interior e de litoral. Um receituário incrível. Grelhados, fervidos, arrozes”, salienta.
Na gastronomia portuguesa, o peixe ocupa grande destaque – estamos entre os maiores consumidores a nível mundial, algures entre o terceiro e o quarto lugar. Mas é preciso que não se perca todo este património, alerta a crítica gastronómica e autora do livro O Melhor Peixe do Mundo (Assírio & Alvim), Fátima Moura. “Os nossos peixes são saborosos – alimentam-se de coisas boas, como camarões e amêijoas – temos boas lotas e uma boa distribuição”, reforça. “Servimos o peixe inteiro, que é coisa que não se vê no resto da Europa, onde vem tudo em filetes”. Mesmo assim, Fátima Moura lamenta que nas cozinhas portuguesas não se arrisque muito, fugindo às douradas, robalos e bacalhau. Aliás, a contabilidade das pescas isso o demonstra: 60% do que pescamos é sardinha, cavala e carapau. “Às vezes, as pessoas têm medo do peixe. Desperdiçam as cabeças, os fígados de tamboril, que são deliciosos”, nota. É com pesar que Rosa Cunha, peixeira no Mercado da Ribeira, em Lisboa, transforma um belo linguado num par de filetes. Ou que se desperdicem as cabeças do peixe. “Fazem uns caldos deliciosos”, ensina a dona da banca Rosanamar, que serve alguns dos principais chefes em Lisboa.

PEIXE DA ÉPOCA

Além de diversificar nas espécies, seria importante respeitar a sazonalidade. “A salema fora de época sabe a palha, no tempo próprio é deliciosa”, refere Fátima Moura. Para fomentar este consumo mais sustentado, que favorece a reposição dos stocks, a autora está a pensar num projecto de divulgação das épocas próprias de consumo de cada espécie.
E se não vai a bem, vai a mal. É muito provável que sejamos todos obrigados a diversificar, com a entrada em vigor de legislação europeia que proíbe atirar peixe fora. Em algumas pescarias, só 10% do que vem à rede é aproveitado. A partir de 2019, os pescadores serão obrigados a trazer tudo para terra, num esforço de poupança dos stocks.
Mesmo assim, a nossa pesca até é bastante sustentável, sobretudo se compararmos com a que se pratica na Ásia, ou até em Espanha e Marrocos aqui mais perto. “As nossas técnicas são relativamente artesanais. Respeitamos os habitats e as cotas estabelecidas”, defende a especialista do IPMA, organismo que tem a responsabilidade de inspeccionar os mares, monitorizando a pesca e avaliando a evolução das espécies. São os dados recolhidos por estes especialistas, em cruzeiros científicos e no acompanhamento do peixe desembarcado, que servem de base às, por vezes duras, negociações das cotas na Comissão Europeia.
E até na aquacultura, que é vista como obrigatória num mundo onde o apetite por peixe cresce de ano para ano, Portugal é um bom exemplo. Ao contrário do que acontece na Grécia, Turquia ou Ásia, grandes produtores, em que o regime adoptado é sobretudo o intensivo, em tanques com grande concentração de animais, no nosso país pratica-se sobretudo a aquacultura semi-intensiva, com aproveitamento de salinas abandonadas. Neste sistema, há mais espaço para os peixes nadarem, o que dá origem a animais mais musculados e saborosos. Num sinal claro de que esta é uma aposta do Governo, a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, anunciou esta semana um novo pacote de medidas para o sector, com financiamento público de 80 milhões de euros. Objectivo: duplicar a produção nacional até 2020 e reduzir as importações. Foi ainda apresentado um novo regime de licenciamento das explorações, reduzindo de nove para apenas uma entidade – um pedido antigo da Associação Portuguesa de Aquacultura. Para que não nos falte à mesa o melhor do mundo.

Como saber se o peixe é bom

Olhos - Devem ser brilhantes e salientes 
Pele - Firme e húmida. Quando comprimida, deve regressar à posição inicial. Se a marca do dedo permanecer é porque já não está fresco 
Guelras - Brilhantes, de cor rosa ou vermelho intenso 
Escamas - Brilhantes, unidas entre si, bem agarradas à pele

Rota gastronómica

Se há quem viaje só para beber um bom vinho, porque não há de haver quem faça quilómetros, por terra ou por ar para se deliciar com um peixe bem cozinhado. Portugal figura de proa é um projecto da Associação Portuguesa de Turismo de Culinária e Economia (Aptece) que quer tornar o peixe, de mar e de rio, num pretexto para portugueses e estrangeiros conhecerem o País. Para isso, será feito um guia em papel e numa aplicação, que funcionará como um roteiro gastronómico, com itinerários onde se indica o que comer, em que altura, e o que fazer na região. Eventos como os festivais da lampreia ou do achigã ou a sugestão de uma visita ao museu do bacalhau, em Ílhavo, são um exemplo do género de informação também disponível. A apresentação do guia, dedicado ao Norte, Centro e Alentejo, vai decorrer, em Londres, no restaurante Taberna do Mercado, do chefe português Nuno Mendes.
Fonte: Visão 

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Baleia chega a Lisboa arrastada por navio de carga

O barco, que vinha de Marrocos para Lisboa, trazia uma baleia morta presa na proa. O animal só será retirado de dentro de água amanhã.


Um cargueiro que atracou no passado domingo de manhã em Lisboa trazia, preso na proa, uma baleia morta, noticiou a SIC Notícias. O corpo da baleia será retirado da água e incinerado.
O animal, que terá entre 12 e 15 metros, foi entretanto rebocado desde a Doca de Alcântara, onde atracou o navio de carga, até junto do Centro de Coordenação e Controlo de Tráfego Marítimo do Porto de Lisboa, em Algés.
O barco era proveniente de Marrocos e tinha como destino Lisboa. No caminho percorrido passou por uma zona que é normalmente usada pelas baleias que procuram alimento.
Marina Sequeira, técnica do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, disse à SIC Notícias que se pode tratar de uma baleia-comum – uma espécie ameaçada, que foi alvo de caça intensiva durante muitos anos e que ainda não conseguiu recuperar o número de indivíduos.
Mas só será possível confirmar a que espécie pertence na segunda-feira, depois de o animal ser retirado da água. Nessa altura serão também recolhidas algumas amostras para análise e de seguida a baleia será encaminhada para incineração.
Fonte: Observador

Viagem histórica. O primeiro grande navio a cruzar o Ártico


As alterações climáticas abriram a Passagem do Noroeste e um grande cruzeiro com cerca de 1700 pessoas a bordo já se fez ao mar... e aos gelos. Há muitos críticos deste novo luxo 
Já atravessaram o estreito de Bering, e no último fim de semana acostaram a Ulukhaktok. Esta pequena aldeia de Nunavut de 400 habitantes, no Alasca canadiano, marca, justamente, o início da etapa mais ansiada - e também mais perigosa - da viagem do Crystal Serenity, o primeiro grande navio de cruzeiros, com 13 andares e capacidade para 1700 pessoas (incluindo mais de 650 tripulantes), que se aventura no oceano Ártico através da rota Northwest Passage (a Passagem do Noroeste), antes só acessível a quebra-gelos e navios mais pequenos. A nova rota é uma consequência do degelo oceânico naquela região polar, causado pelas alterações climáticas. Mas esta viagem de estreia do Crystal Serenity é tudo menos pacífica. Meticulosamente preparado ao longo de três anos, o cruzeiro largou de Anchorage, no Alasca, no dia 17 de agosto e tem chegada prevista a Nova Iorque, do lado oposto da América do Norte, a 17 de setembro, depois de atravessar todo o Ártico, tocar a Gronelândia, Boston e Newport, em Rhode Island. Mas a etapa crucial, afinal o principal destino deste cruzeiro que prometeu aos seus quase mil passageiros avistamentos de ursos-polares, de morsas e de baleias, é a da travessia da Passagem do Noroeste, que está agora a iniciar-se e onde os perigos, sob a forma de gelos submersos ou eventuais tempestades, são uma possibilidade muito real. Por mais seguro que o Crystal Serenity seja, não é um navio construído com o objetivo de fazer face aos gelos do Ártico. Por isso, a preparação da viagem levou cerca de três anos e a empresa proprietária do navio apostou tudo na segurança, incluindo no aluguer de um pequeno quebra-gelos equipado com dois helicópteros, que acompanha a navegação do princípio ao fim, para o que der e vier. Há, no entanto, quem critique a decisão de fazer este cruzeiro por motivos de segurança, como o antigo comandante da marinha de costa Robert Papp, actual representante especial dos Estados Unidos para o Ártico, que à Radio Canada International (RCI) se mostrou preocupado em relação à capacidade real de reacção a um acidente com um navio que transporta 1500 passageiros, numa zona onde o socorro é dificultado pelas suas condições extremas. E, se a segurança é uma questão, não é a única. Na outra face da moeda estão os problemas ambientais e o impacto que uma travessia deste género pode causar numa região do planeta que até agora tem estado salvaguardada das intromissões humanas pelas duras condições que a caracterizam. Que impacto terá na vida selvagem local, perguntam-se ambientalistas e cientistas, preocupados não apenas com esta viagem em concreto, mas com as portas que ela pode abrir a cruzeiros regulares na região. Está previsto, aliás, que o Crystal Serenity repita o cruzeiro no verão de 2017. Um dos cientistas que colocam a questão é Michael Byers, investigador no Ártico e professor na Universidade de British Columbia. "Quando penso na possibilidade de dezenas de grandes navios de cruzeiro virem a atravessar o Ártico canadiano todos os verões, fico preocupado", afirmou à RCI. "Preocupo-me, por exemplo, com o impacto de um eventual derramamento de combustível, ou com os efeitos do ruído do navio nos mamíferos marinhos, como as morsas ou as baleias", sublinha, notando que os benefícios económicos deste tipo de cruzeiros para pequenas comunidades humanas locais não são relevantes. Outra voz que se fez ouvir foi a da WWF, através de Elena Agarkova. Aquela dirigente ambientalista analisou os possíveis impactos da viagem e explica que o navio está obrigado, por exemplo, a fazer os seus despejos de águas residuais a pelo menos 12 milhas náuticas ao largo da costa, para evitar a poluição nas comunidades costeiras. No entanto, afirma Agarkova, citada no jornal online irlandês The Journal, "esta viagem é simbólica das mudanças rápidas no Ártico, e não dispomos hoje dos regulamentos necessários para reduzir os riscos [deste tipo de atividade] para a vida selvagem e as comunidades humanas na região, nem a capacidade necessária para responder a um eventual acidente". Menos preocupados estarão os cerca de mil passageiros a bordo, que pagaram entre 18 mil euros e 153 mil euros por cabeça, mais um seguro obrigatório de 45 mil euros para poderem participar nesta viagem inaugural. "Os bilhetes esgotaram em 48 horas", assegurou o comandante do navio, o norueguês Birger Vorland, ao canal local KTVA Alaska. Também para este homem do mar, que há três décadas comanda navios de cruzeiro, esta é uma viagem muito especial, um pouco como um tributo ao seu pioneiro compatriota, Roald Amundsen, o primeiro que fez esta travessia, entre 1903 e 1906. Mas, nota, "nós vamos fazê-la em 32 dias e com muito mais conforto". Fonte: DN

Mike Stewart disputa campeonato do mundo de bodyboard em Viana


Mike Stewart, um dos criadores do bodyboard está entre os cerca de 80 atletas que vão disputar, de 21 a 25 deste mês, em Viana do Castelo a sexta etapa do campeonato mundial da modalidade, revelou a organização.
"É uma referência, uma figura lendária da modalidade que nos orgulha muito ter em Viana do Castelo", afirmou esta quinta-feira o presidente do Surf Clube de Viana do Castelo (SCV), João Zamith.
O responsável, que falava em conferência de imprensa no Centro de Alto Rendimento durante a apresentação da prova, sublinhou que Viana do Castelo tem "responsabilidades históricas" no desenvolvimento do bodyboard uma vez que, "em 1994, o SCV conseguiu trazer a prova para a cidade realizando-se, pela primeira vez, fora do Havai, e levando à criação do World Tour".
A prova de Viana do Castelo que conta com o apoio da Câmara local e da Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal (ERTPNP), vai decorrer na praia da Arda, em Afife, e contará ainda com a participação do sul-africano Jared Houston, campeão mundial em título.
Zamith adiantou que o clube "tem provas dadas e grande capacidade organizativa", sendo este o quarto mundial de bodyboard que realiza.
O currículo do clube conta ainda com a organização de "três europeus de bodyboard, três mundiais e europeus de surf e largas dezenas de campeonatos nacionais e regionais".
O presidente do SCV referiu que este tipo de evento desportivo "tem um impacto muito grande", estimando "em cerca de 1 milhão o número de pessoas que vão acompanhar, através das transmissões em direto, a etapa do tour mundial".
João Zamith revelou também que a prova de Viana do Castelo "vai integrar um jogo mundial de bodyboard praticado por milhões de pessoas e que levará bem longe o nome da cidade".
Na sexta etapa, onde estão em causa quatro mil pontos no ?ranking' e 25 mil dólares em prémios, vão marcar presença 80 atletas de Portugal, França, Espanha, Brasil, Austrália, África do Sul, Chile, Argentina, Peru, EUA - Hawai, Marrocos e Inglaterra.
Paralelamente, também na mesma data e na mesma praia vai decorrer o mundial de bodyboard de juniores, para atletas sub-18 e com um prémio de dois mil dólares.
Presente no encontro com os jornalistas, o presidente ERTPNP, Melchior Moreira frisou que os eventos desportivos "são um produto estratégico" para a região por "representarem um retorno financeiro fantástico no turismo".
No entanto, o responsável reclamou a atribuição de "mais apoios para a promoção turística" da região.
"É preciso olhar para o turismo com outros olhos. É preciso mais apoio para a promoção turística. Nós temos capacidade de fazer mais mas precisamos de mais apoios, ou seja, de descentralização do poder central para as áreas regionais" disse.
Elogiou a aposta da Câmara local nos desportos náuticos quer através da construção de equipamentos desportivos quer do programa "Náutica nas Escolas" implementado há três anos.
Já o presidente da Câmara, José Maria Costa referiu que a escolha de Viana do Castelo para o evento mundial "resulta do um trabalho sério, construtivo e de responsabilidade dos dirigentes desportivos que tem sido apoiado pelas entidades públicas".
"A construção de um conjunto de equipamentos desportivos permitem agora potenciar o território, dando projecção internacional à cidade e ao país", referiu.
Na véspera do arranque da competição vai decorrer a primeira conferência mundial com o tema "Passado, Presente e Futuro do Bodyboard".
Além do campeonato do mundo, já nos dias 17 e 18 o SCV vai organizar o campeonato Luso Galaico, entre surfistas galegos e portugueses e vai acolher a Semana Europeia do Desporto.
"Viana é a única cidade em território nacional a acolher um evento oficial da Comissão Europeia, no dia 12 de Setembro, com a presença de 12 associações sociais e cerca de 200 praticantes", explicou João Zamith.
Fonte: O Jogo