quinta-feira, 21 de julho de 2016

Até quando vamos ter peixe?

Há um apetite voraz por peixe. O seu consumo duplicou, a nível mundial, nos últimos 60 anos, e a tendência é continuar a crescer. Não é para menos: é riquíssimo em nutrientes essenciais. Mas a poluição, as alterações climáticas e a sobrepesca põem em risco a sobrevivência de algumas espécies. E quem está disposto a abdicar do bacalhau e da sardinha?


Célia Rodrigues tem as mãos todas estragadas. Arranhões, cicatrizes, manchas vermelhas. São o seu instrumento e usa-as nuas, sem proteção, para puxar os sacos de ostras, arrancar algas, eliminar um caranguejo intrometido. Filha mais velha de um armador de Peniche, começou a andar embarcada quando ainda mal sabia nadar. Apanhou sustos de morte, esteve dias inteiros a vomitar, fez juras de não voltar. Mas não conseguiu fugir ao destino. “A minha mãe nunca quis que eu estivesse ligada a esta vida, mas ...” conta, enquanto nos mostra a sua produção de ostras, em Setúbal. Primeiro quis ser “varredora de mares”, depois bióloga marinha. Acabou na produção animal e passou muitos anos em aquacultura. “Eu é que fazia tudo, mas trabalhava para outros.” Há quatro anos, decidiu montar a sua própria empresa, a Neptune Pearl, dedicada à criação de ostras, camarão e erva salicórnia, que vai muito bem a acompanhar.
A produção acontece em salinas abandonadas, no estuário do rio Sado. Ao todo, há 500 mil ostras a crescer, e os 200 quilos que apanha por semana quase não chegam para as encomendas. Vende para França e para a Galiza, onde fica o mercado de Vigo, líder europeu em descargas de peixe fresco, e ainda para alguns chefs nacionais. A sua ostra tem fama, porque apresenta uma boa proporção entre a quantidade de 'carne' e a de água e casca. Célia consegue uma taxa de 25% no chamado “índice de condição”. Sendo que a partir de 15% as ostras já são “consideradas especiais”, sublinha. Há o clima da Península de Setúbal, as águas favoráveis do estuário e, claro, os 'mimos de mãe' com que a produtora revira e agita os sacos ou as gaiolas com ostras mergulhadas na água, retira as algas, verifica se alguma está estragada e elimina os caranguejos invasores. Neptuno, o rafeiro alentejano que às duas da tarde se esconde do sol na casa de apoio, ajuda a afastar os ladrões.
A situação ainda não é a ideal. A produtora sonha com uma aquacultura integrada, em que no mesmo espaço se consiga produzir toda a cadeia alimentar. Com ostras, macroalgas, peixes herbívoros e peixes carnívoros. Mais fácil de dizer do que de fazer. “Demora 30 anos até percebermos como funciona uma espécie num sistema de aquacultura”, nota. Mas o caminho terá de ser esse – porque, para alimentarmos o nosso apetite, não há outro.

O ALIMENTO DA MODA

O consumo de peixe tem vindo a subir constantemente. No último relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), revelado na semana passada, aponta-se para um consumo anual per capita a ultrapassar os 20 quilos – o dobro do valor nos anos 60 do século passado. Ou seja, o crescimento na procura de peixe ultrapassa muito o aumento demográfico. O primeiro tem vindo a crescer a uma taxa de 3,2% ao ano, desde 1961, enquanto a população segue a um ritmo de 1,6% ao ano.
Vários fenómenos concorrem para isto. O peixe é um animal rico em vitamina A, D e B, minerais, proteínas e, no caso dos peixes de profundidade como o salmão e o atum, uma excelente fonte de ácidos gordos essenciais, como o ómega 3, que o nosso organismo não consegue sintetizar. É, por isso, obrigatório numa dieta equilibrada. Com o crescimento da classe média no continente asiático, há cada vez mais gente a procurar esta proteína de qualidade, que já representa 17% da consumida a nível mundial. A ajudar, há a má fama que vem agarrada à carne vermelha e aos enchidos, que tem desviado os consumidores. Mas como é que vamos conseguir dar de comer aos dez mil milhões de pessoas que deverão habitar na Terra em 2050?
Um estudo feito ao longo de 15 anos sobre a evolução das pescas a nível mundial, entre 1950 e 2010, revela dados “alarmantes”, classifica um grupo de cientistas num artigo publicado na revista Nature, no mês passado. No documento The Sea Around Us (“o mar à nossa volta”) diz-se que a captura de peixe tem vindo a decrescer à razão de 1,22 milhões de toneladas por ano, desde 1996 – o ano recorde no que toca às pescas. Esta avaliação é bastante mais drástica do que a feita pela FAO, que para o mesmo período aponta uma diminuição de 0,38 milhões de toneladas ao ano. Só a aquacultura tem permitido sustentar os níveis de consumo.
Quanto aos culpados, nisto estão todos de acordo: a degradação do habitat marinho devido a práticas de pesca destrutivas, a poluição industrial, alterações climáticas e urbanização das zonas costeiras. Como de costume, uns vão sofrer mais que outros. Os países mais em risco estão nas latitudes mais baixas, onde a alimentação depende muito da pesca selvagem. Curiosamente, os problemas com as reservas de peixe começaram nas regiões de latitudes mais altas, no Atlântico Noroeste, com a industrialização das pescas. A preocupação com a gestão de recursos e a introdução da aquacultura vieram permitir alguma recuperação. “Só assim temos conseguido manter o aumento da produção”, sublinha o biólogo marinho David Abecasis, do Grupo de Investigação Pesqueira da Universidade do Algarve.
Quando o assunto é peixe, os portugueses põem-se em sentido. Estamos no topo da lista de consumidores, a nível mundial (aparecemos em terceiro, quarto ou quinto lugar, consoante o organismo que faz a avaliação e a metodologia usada), mas estamos quase totalmente dependentes. “Se contássemos só com a produção própria – pescas e aquacultura –, ficaríamos todos os anos sem peixe por volta do dia 30 de março”, diz David Abecasis.

DOIS ANOS PARA 'FAZER' UMA DOURADA

O pequeno trator aproxima-se do tanque de uma antiga salina e vai largando uma nuvem de poeira. Milhares de bocas vêm à superfície. Os peixes reconhecem o barulho e estão habituados à rotina. Todos os dias, de manhã e ao final do dia, são alimentados com ração. A máquina anda à volta do tanque, obrigando douradas e robalos a ir à caça da comida. Por cima dos reservatórios, uma rede protege-os do ataque de corvos marinhos – chegam a devorar 30% da produção. Ou até a dizimar todos os peixes, quando os que escapam ao ataque entram em stresse, fogem e acabam por morrer de asfixia.
Como o Sol já vai alto, só aparecem douradas, um bicho que está sempre pronto a comer. É omnívoro e tudo lhe serve. Já o robalo, carnívoro, prefere a noite para se alimentar. Edo Alexandre, dono e gestor da exploração, obriga os peixes a andar de um lado para o outro para “ganharem músculo”. Gasta mais dinheiro em gasolina, mas a sua aposta é na qualidade. E quem lhe compra valoriza. Vende a dourada a sete euros o quilo e o robalo a mais meio euro (o preço é definido em função do valor da dourada). Mantém um regime semi-intensivo, o mais comum em Portugal, onde os animais são alimentados a ração, mas também beneficiam dos bivalves e outros animais pequenos misturados na água do Sado que enche os 27 tanques. Ao todo, vivem ali 320 mil peixes. Chegam com 10 gramas, vindos das maternidades, e saem com 400 – o chamado 'tamanho dose' – ao fim de um ano e meio, dois anos. Às vezes, deixa-os ficar até ao quilo e meio, e aí são quatro anos de estadia. “As pessoas costumam pensar que isto aqui é como nos aviários. Que se faz um frango em meia dúzia de meses”, desabafa o presidente da Associação Portuguesa de Aquacultura, Fernando Gonçalves. Outra ideia feita que se esforça por destruir é a de que vai tudo corrido a antibióticos. “Agora o que se faz é prevenção. Reduzem-se as densidades, o stresse a que os animais estão sujeitos, e vacinam-se. Quando aqui chegam estão protegidos contra as doenças da infância”, conta Edo Alexandre. Mesmo assim, admite, “ainda vai demorar muito até os consumidores deixarem de associar os antibióticos à aquacultura”.
Em Portugal, só há duas explorações a funcionar em regime intensivo: uma em Sines e outra na Madeira. Neste tipo de explorações, em jaulas, há uma grande concentração de peixes, e em alguns casos aumenta-se a temperatura da água para acelerar o crescimento (abaixo dos 12ºC, douradas e robalos deixam de comer e perdem peso). Na Europa, o campeão da produção intensiva é a Grécia. Vem daqui boa parte do que se encontra à venda nos hipermercados. O outro grande fornecedor é a Turquia. Mas a aquacultura não pode ser a única solução, até porque as rações são feitas à base de outros peixes. Para produzir um quilo de dourada, gasta-se um quilo e meio de ração seca, o que pode equivaler a quase cinco quilos de peixe húmido. “Se estivermos a pensar só em peixes carnívoros, não resolve. O objetivo deverá ser encontrar uma espécie herbívora com um sabor que agrade aos consumidores”, defende o investigador do Centro de Ciências do Mar, Adelino Canário.
“Com uma gestão adequada, conseguiríamos os 160 milhões de toneladas que consumimos anualmente só com peixe selvagem”, garante o biólogo David Abecasis. A Europa começa a dar alguns passos importantes neste sentido. A par da definição dos tamanhos mínimos de captura, para assegurar que o animal chega à fase adulta e se reproduz (conseguindo fazer o dito recrutamento), há as interdições à pesca quando os stocks estão mais fragilizados e ainda a definição de quotas de pesca. Para breve está a proibição de atirar peixe fora. “Na pescaria do camarão, 80% do que é apanhado é lançado à água”, exemplifica David Abecasis.
O professor da Universidade do Algarve, Jorge Gonçalves, admite a dificuldade em controlar o processo. “Portugal até está bem organizado. Todo o peixe vai parar à Docapesca, que contabiliza tudo o que é pescado. Atingido o limite da quota, deixa de ser possível vender. Mas noutros países, mesmo europeus, não é bem assim.” E depois de termos posto em risco os grandes carnívoros, como o atum e o bacalhau, de estarmos e dar cabo dos robalos, poderemos estar a comprometer a nossa cultura gastronómica – e abdicar dos nutrientes essenciais que o peixe nos dá. “A própria indústria da pesca vai ter de se autorregular, ou perdemos todos.”
Fonte: Sara Sá - Visão

sexta-feira, 15 de julho de 2016

"Caçadores" do tsunami de 1755 encontram sinais da onda em praias do Algarve

Investigadores procuraram e encontraram vestígios da maior catástrofe natural a afectar Portugal. Nas zonas baixas, a água chegou a mais de um quilómetro da costa.


Pedro Costa é investigador do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e costuma identificar-se a si próprio como "caçador de tsunamis".
Ele e uma equipa internacional de 11 investigadores de várias áreas andaram nos últimos anos à procura dos efeitos do tsunami de 1755 (a que também se pode chamar maremoto) na costa algarvia.

Um trabalho que pode parecer uma curiosidade, mas que tem utilidade prática pois ajuda a prever os efeitos de um evento semelhante no futuro e a perceber de quanto em quanto tempo é que Portugal costuma ser atingido por um tsunami tão grande.
No limite, espera-se que no futuro este tipo de estudos também resolva um mistério cuja resposta não reúne consenso entre os especialistas: qual foi o epicentro do terramoto que gerou o tsunami do século XVIII.
O investigador explica que o trabalho que já fizeram através de análises das areias em várias zonas do Algarve ou fotografias aéreas de radar permitem perceber que o tsunami de 1755 foi o único em três mil anos na costa portuguesa.
O último estudo, publicado há dias na revista científica Geomorphology, faz exactamente o retrato dos efeitos desse maremoto histórico nos cordões dunares do Algarve, nomeadamente na zona de Alcantarilha e Salgados, entre Armação de Pera e Galé.
Como encontrar sinais do tsunami
Pedro Costa admite que não é algo óbvio, mas é possível a qualquer pessoa menos experimentada, com algum esforço, encontrar em várias praias do Algarve sinais do tsunami que 'varreu' a costa em 1755.
O geólogo dá alguns exemplos e explica que na praia dos Salgados ou da Boca do Rio basta escavar menos de um metro para encontrar camadas arenosas relacionadas com o tsunami.
Além das areias, também há praias onde se encontram blocos de pedra diferentes do habitual, com conchas típicas de zonas mais profundas, trazidos para terra pelo evento de 1755.
Esses sinais que podem ser do tamanho "de uma melancia ou de um carro" são visíveis em algumas zonas do Algarve, mas também em Cascais, nomeadamente na Boca do Inferno ou no Cabo Raso, onde existem blocos que chegam a ter 50 toneladas e que foram "chutados" durante vários metros para terra pelas ondas do tsunami.
Fonte: TSF


7 olhares sobre o mar: Pedro Salgado

Biólogo, professor e ilustrador científico, Pedro Salgado sempre viveu perto do mar e sente-se em casa rodeado de peixes e vida marinha. Aos 56 anos, faz questão de partilhar um olhar estético que não esquece a vertente ética.

Que importância tem o mar na sua vida?

O mar esteve bem presente em toda a minha vida. Desde criança, o mar tem sido o meu terreno privilegiado de contemplação, curiosidade e fascínio, onde desenvolvi as minhas actividades de pesca, mergulho, desporto, estudos universitários, vida profissional... e até familiar: os meus filhos mergulham comigo desde pequenos. Vivo e sempre vivi perto do mar, que visito durante todo o ano. As minhas viagens são quase sempre perto do mar, e não dispenso o acesso regular ao mundo submarino.

O que acha mais importante partilhar com as pessoas sobre o oceano no teu trabalho?

Pela minha parte, talvez um olhar estético que nos remeta para a beleza do mar, suas harmonias e diversidade de formas fantásticas, um vasto mundo vivo com inúmeros padrões, cores, texturas. Esperar que as imagens possam contribuir de alguma forma para uma sensibilização das pessoas para o ambiente e o mar em particular, talvez até uma contribuição do estético para o ético. Talvez transmitir o respeito pelo mar, na sua riqueza em diversos níveis, e o respeito pela vida marinha, e também por nós próprios, que em primeira análise dependemos da saúde do mar.

Portugal tem aproveitado da melhor forma a localização geográfica que tem?

Penso que Portugal tem aproveitado de alguma forma a sua localização geográfica, mas duvido que seja o suficiente. Acredito que se pode pensar e fazer mais e melhor. Genericamente, penso que, com tanto mar que temos e tanto potencial, será de incentivar, cada vez mais, tudo o que se puder fazer para o cuidar, valorizar, intervir de forma positiva, de forma sustentável. Temos de pensar que mar vamos deixar para as próximas gerações.


Vamos ter de dizer adeus à Sardinha e ao Bacalhau?



Os portugueses não passam sem peixe: somos os terceiros consumidores a nível mundial. Mas a nossa preferência gastronómica pode estar em risco.

Poluição, alterações climáticas, desperdícios, má gestão dos recursos aquacultura e um consumo de peixe a nível mundial, sempre a subir desde 1961, levaram a que praticamente 90% dos recursos pesqueiros estejam sobre-explorados ou no limite da sustentabilidade. E a aquacultura, tal como tem vindo a ser praticada, também não é a solução: para fazer um quilo de dourada são precisos um quilo e meio de ração seca. Até quando vamos ter peixe?
Fique a par do estado do mar, com alguns indicadores
3,2%

Taxa de crescimento anual do consumo mundial de peixe, desde 1961
73,8

milhões de toneladas
De peixe produzido em aquacultura

41%

Do atum é sobre-explorado
160

milhões de toneladas
Consumo anual de peixe, no mundo

62%

Da produção de peixe em aquacultura está na China
1,5 kg de ração para produzir um quilo de dourada
Fonte: Visão

terça-feira, 12 de julho de 2016

Submarino português preso em arrastão. Não há danos nem vítimas.

O submarino português Tridente ficou hoje de manhã preso nas redes de um barco de pesca francês em águas britânicas, num incidente sem danos materiais ou humanos, disse o Estado-Maior General das Forças Armadas (EMGFA).


O incidente ocorreu durante uma missão de treino com a marinha britânica, na viagem de regresso do Tridente a Portugal, depois de ter estado em missão no Báltico, segundo o EMGFA.

"O Tridente veio à superfície para garantir a sua própria segurança e a do pesqueiro, libertou-se do cabo em que estava preso e continua a sua missão", disse à Lusa o porta-voz do EMGFA, Hélder Perdigão.
"Foi um pequeno incidente, não houve danos", acrescentou.
O incidente ocorreu cerca de 55 quilómetros a sudeste do Cabo Lizard, a ponta sudoeste da Grã-Bretanha, em águas britânicas.
O arrastão largou a rede, com a ajuda de meios da Marinha britânica e regressou a França, indica um comunicado do comando marítimo do Atlântico francês, citado pela France Press.

Pessoas com deficiência fazem surf na Caparica


"Anda. Não tenhas medo. Pões os braços assim (estendidas para a frente) e depois deslizas", dizia Paulo Moreira, enquanto exemplificava para Ana Clara Cruz, que ia ter a sua primeira aula de surf com os voluntários da Associação Surf For All, na Praia do Castelo, na Costa da Caparica, em Almada. Paulo e Ana são dois dos mais de 30 utentes portadores de deficiências cognitivas que esta quinta-feira participaram na quinta edição do maior evento de surf adaptado da Europa. "Este ano devemos bater o recorde, com uma média de cerca de 120 participantes", explicou ao CM Hugo Maia, presidente da associação e atleta da Selecção Nacional de Basquetebol em Cadeiras de Rodas. O evento, que começou na passada quarta-feira e terminou na sexta-feira, visou "proporcionar o prazer do deslizar nas ondas a pessoas portadoras de deficiências motoras e cognitivas. Mas também passar a energia que o mar dá e todo o ambiente que se vive", sublinha o atleta. "O maior desafio para estas pessoas é vencer o medo inicial, depois adaptam-se bem à água e alguns já voltam todos os anos", conta Tiago Rodrigues, surfista, empresário e um dos 35 instrutores voluntários, que das 9 horas da manhã às 16 horas ajudaram pessoas como o Paulo e a Ana a surfar. Cada um dos alunos especiais conta com a ajuda de três a cinco instrutores devidamente preparados para lhes prestar assistência. "Temos formação na área da saúde, da fisioterapia com as instituições que nos enviam os seus utentes, porque temos de estar preparados para lidar com todas as situações. Este ano recebemos participantes de 12 instituições e muito gratificante ver como todos os anos a adesão é maior", afirma Tiago Rodrigues.

O evento tem vindo a crescer e isso só tem sido possível graças aos patrocinadores e ao apoio da Câmara Municipal de Almada. É, aliás, a parceria com a autarquia que torna possível que Tiago Rodrigues, através da sua escola de surf Duck Dive, proporcione aulas de surf adaptado, e gratuito, a utentes de várias instituições todas as quintas-feiras, de Maio a Outubro. A emoção de pegar numa prancha, entrar no mar e apanhar uma onda era visível no rosto daqueles alunos especiais, a maioria da Fundação AFID Diferença. "Na água, sente-se assim… suave. Gosto de estar deitado, de barriga na prancha, ainda não consigo ficar de pé", explica Paulo Moreira, de 33 anos, que, na retaguarda, teve a ajuda de Joana Sales, jornalista do CM e uma das voluntárias. Também Luís Ferreira, 29 anos, contou que esta foi a "segunda vez" que fez surf e que diz nunca "ter tido medo". Já Ana Clara Cruz, 38 anos, depois do incentivo dos amigos, vestiu o fato e entrou na água. "Tive um pouco de medo, mas depois gostei. Quando a onda veio deitei-me na prancha. Queria ficar de pé, mas ainda não consigo", conta. Paulo Gomes, 76 anos, professor de natação voluntário na Fundação AFID Diferença, contou ao CM que alguns destes surfistas são seus alunos e que há três anos vivem este dia com uma imensa alegria. "É muito bom para eles esta oportunidade. Estão perfeitamente adaptados ao meio aquático, respeitam a água e não têm medo. Para eles é uma sensação de liberdade", revela. Uma sensação de liberdade por dentro que se traduziu em sorrisos de alegria por fora e que na passada quinta-feira encheram a Praia do Castelo na Costa da Caparica.

Fonte: CM

Porto de Sines apresenta taxa média de crescimento de 13,2% ao ano




Entre Janeiro e Maio, os portos do Continente movimentaram cerca de 36,9 milhões de toneladas, mantendo o nível de movimentação global quando comparado ao período homólogo de 2015, registando uma quebra de -3,1% na carga embarcada e um acréscimo de +2% na carga desembarcada. Sines, com uma taxa média de crescimento de +13,2% ao ano (considerando os períodos de Janeiro-Maio desde 2012), mantém a posição cimeira, representando 53,3% do total do movimento portuário, após ter atingido 19,6 milhões de toneladas.

Tal comportamento do sistema portuário é explicado principalmente pelas quebras de movimentação que se verificaram em todos os portos, à excepção de Sines que registou um acréscimo de +9,6%. Ao contrário de Sines, durante o período em análise, o porto de Lisboa registou uma quebra de -21,6% - influenciada pela quebra de -47,5% registada no passado mês de Maio - face ao período homólogo de 2015, explicada pela greve dos trabalhadores portuários nos primeiros 20 dias deste mês. Dos restantes portos, sublinha-se a quebra de Viana do Castelo (-1,4%), Setúbal (-1,8%), Leixões (-4,2%), Figueira da Foz (-7,2%), Aveiro (-13,8%) e Faro (-17,6%). 

Em termos de tráfego global de contentores, o porto de Sines mantém a posição de líder neste segmento de mercado com 53,9% do total de TEU (+1,5 pontos percentuais), seguindo-se Leixões com 26,9% (+0,8 pontos percentuais), Lisboa com 11,9%, descendo 2,6 pontos percentuais, e Setúbal com 6,5% (+ 0,1 pontos percentuais).

Explica a AMT que a carga embarcada, com origem no hinterland dos portos comerciais, na qual as “exportações” assumem um peso importante, registou no período de Janeiro-Maio de 2016, um volume de 15,5 milhões de toneladas, uma diminuição de cerca de -3,1% face ao período homólogo de 2015, representando 42,1% do tráfego total. A generalidade dos portos registou quebras no volume de carga embarcada, face ao igual período de 2015, como é o caso de Aveiro (-39,7%), Lisboa (-35,7%) e Faro (-17,6%). Apenas Viana do Castelo e Sines registaram variações positivas com +11% e +17,2%, respectivamente.

Quanto ao volume de carga desembarcada com destino ao hinterland dos portos, na qual as “importações” representam em regra mais de 90%, registou um aumento superior a +2%, face ao valor registado no mesmo período de 2015, atingindo 21,3 milhões de toneladas, explicado pela carga Contentorizada que registou um crescimento global de 14%.


Fonte: Cargo

Depois de Fukushima, oceanos já recuperaram


Os cientistas acreditam que, após o acidente na usina nuclear japonesa de Fukushima1, o nível de radiação nos oceanos voltou ao normal. Esta conclusão consta do relatório do Comité Científico de Pesquisas Oceânicas (Scientific Committee on Oceanic Research), que reúne especialistas de todo o mundo.

O relatório é baseado em 20 medições dos níveis de radiação em diferentes partes do Oceano Pacífico — do Japão à América do Norte. Segundo os cientistas, as razões de redução da radiação nos oceanos são as correntes submarinas, que transportam as substâncias nocivas para o fundo do mar, onde elas parcialmente perdem as suas características. Os investigadores acreditam que durante cinco anos todas as substâncias radioactivas serão completamente dissolvidas na água ou serão inactivas.
No que diz respeito à fauna pelágica, como foi observado por um dos autores do relatório, o professor australiano de radioquímica Pere Masque, em 2011 cerca de metade das amostras de peixe nas águas costeiras de Fukushima continham uma quantidade de radiação significativamente acima da norma, mas, em 2015, este número caiu abaixo de 1%.
Assim, podemos esperar uma nova queda deste indicador, o que fará com que todo o peixe na área se torne saudável. Apesar disso, a vigilância da situação ecológica vai continuar.
Os resíduos radioactivos líquidos podem ser vertidos ao oceano de umamaneira especial ou ser armazenados em fossas oceânicas, diz o geoquímico russo e especialista em radio-ecologia Viktor Kopeikin:

"É costume considerar um prazo de armazenamento dos resíduos fortemente radioactivos de mil anos ou mais. Ao mesmo tempo, deve ser garantida a segurança do local de armazenamento. Mas quem realmente pode dar essa garantia? Vemos como em diferentes áreas, calmas durante milhares de anos, de repente ocorrem cataclismos fortes e muito destrutivos. Nem vale a pena falar do Japão, onde constantemente há perturbações".
Centenas de toneladas de água armazenada na usina nuclear da usina Fukushima foram purificadas de césio e estroncio. Mas o trítio (um isótopo radioactivo de hidrogénio) modifica as moléculas de água, e, portanto, é difícil separá-lo. Este ano, uma comissão especial vai considerar três projectos que chegaram à final do concurso internacional para a purificação de água de trítio anunciado pelo Japão. São um projecto russo da companhia RosRAO, outro da empresa norte-americana Kurion e um terceiro, do consórcio canadiano-japonês GE/Hitachi.
No entanto, a purificação da água de trítio é um processo muito dispendioso, por isso, é possível que a água seja lançada para o oceano. Os ambientalistas japoneses exigem que o trítio seja removido da água, apesar de a sua radiação ser mais fraca do que a de estrôncio ou de césio. Mas muitos cientistas dizem que os receios são infundados, porque o trítio é considerado um dos materiais radioactivos menos perigosos produzidos em usinas nucleares. "A radioactividade do trítio é tão fraca que ela não penetra nem mesmo através de um invólucro de plástico", argumenta Shunichi Tanaka, físico japonês, vice-presidente do Instituto de Pesquisas Nucleares (The Nuclear Regulation Authority).

Cátedra UNESCO sobre os oceanos lançada na Universidade Nova de Lisboa


A Universidade Nova de Lisboa (UNL) lançou uma cátedra com a chancela da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), dedicada ao património cultural dos oceanos, que prevê investigação científica, formações de nível superior avançado, mas também uma abertura a toda a sociedade.

"Esta cátedra UNESCO é um selo dado à Universidade Nova para este tema em particular, o Património Cultural dos Oceanos. Serão desenvolvidas actividades relacionadas com o tema central – o património cultural dos oceanos – em áreas como a investigação científica, a formação avançada em ensino superior (pós-graduação, mestrado e doutoramento), e divulgação científica", explicou à Lusa Cristina Brito, coordenadora científica da cátedra.

De acordo com a responsável, esta chancela prevê também actividades para o público em geral, como cursos de verão, sessões públicas, exposições, conferências e palestras e actividades programadas para escolas.

"Actuamos a vários níveis da sociedade, não é apenas direccionado para a academia ou para a investigação", disse. A Cátedra UNESCO – Património Cultural dos Oceanos foi apresentada na Reitoria da UNL, contando com a presença do reitor da universidade, António Rendas, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, a presidente da Comissão Nacional da UNESCO, Ana Maria Martinho, e com o director do Centro de História d'Aquém e d'Além Mar (CHAM), João Paulo Oliveira e Costa. O CHAM, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da UNL, lidera a cátedra.

A rede de parceiros que vai trabalhar sob esta chancela da UNESCO tem uma extensão "muito transatlântica", contando com parceiros na Europa, como a Irlanda e Espanha, mas também no norte de África, como Marrocos, da comunidade de países de língua oficial portuguesa, como Cabo Verde, e do outro lado do oceano Atlântico, como o Brasil e a Colômbia, que, explicou Cristina Brito, garantem coerência à rede internacional de parceiros no âmbito das investigações e actividades a desenvolver.

A cátedra já arrancou oficialmente, mas as primeiras actividades previstas devem acontecer a partir de Setembro, com workshops e conferências subordinados ao tema dos oceanos. O primeiro grande evento no âmbito deste selo da UNESCO será a CHAM International Conference, em Julho de 2017.

Há já algumas investigações a decorrer, relacionados com património marítimo subaquático, história marinha e história ambiental marítima, que "formaram a base para esta proposta" aprovada pela UNESCO.

A chancela mantém-se por quatro anos, até 2020, devendo o trabalho desenvolvido no seu âmbito ser avaliado dentro de três anos, estimou Cristina Brito, que acrescentou que uma avaliação positiva poderá dar "uma continuidade longa" a este selo atribuído à UNL. "Após a avaliação será lançado um novo programa de actividades", disse.

Os centros parceiros da cátedra recorreram a capitais próprios para assegurar o financiamento da fase inicial da cátedra, mas o objectivo, explicou a coordenadora científica do projecto, é que este selo seja o ponto de partida para a obtenção de financiamento externo, público e privado, para o restante ciclo de actividades.

Recifes de coral sofrem devido à alta temperatura do oceano


Os recifes de coral do planeta estão vivendo em águas mais quentes que o normal pelo terceiro ano consecutivo, um período sem precedentes. Esse "sofrimento" provoca o branqueamento de corais registado, que já é o mais longo registado,  informaram as autoridades norte-americanas.
O branqueamento coralino global começou em meados de 2014, decorrente do aquecimento global e de um fenómeno El Niño particularmente intenso, que resultou em temperaturas oceânicas mais altas que o normal, de acordo com a Administração Oceanográfica e Atmosférica Nacional (NOAA).
A NOAA apresentou a sua perspectiva sombria para os recifes de coral do mundo num simpósio internacional que se realizou no Honolulu, capital do Estado do Havaí.
Segundo a entidade, o impacto deverá ser particularmente forte nos recifes de territórios dos Estados Unidos. Os recifes no Havaí, Guam, Ilhas Marianas do Norte, Florida Keys, Ilhas Virgens Americanas e Porto Rico também estão vulneráveis.
"Todos os recifes de coral dos Estados Unidos já viveram em temperaturas acima do normal e mais de 70% deles foram expostos às prolongadas temperaturas altas que podem causar branqueamento", informou a NOAA.
A organização também observou que os estudos têm demonstrado que cerca de 93% da Grande Barreira de Coral da Austrália foi branqueada desde Abril.
Além disso, há 90% de chances de que o fenómeno iminente La Niña, que pode causar altas temperaturas oceânicas no Pacífico ocidental, cause um branqueamento difundido de corais na região da Micronésia, grupo de ilhas localizada na Oceânia.
"É hora de direccionar essa discussão para o que pode ser feito para conservar estes organismos incríveis perante este evento de branqueamento global sem precedentes", disse Jennifer Koss, Directora do programa de conservação de recifes de coral de NOAA.
Segundo Koss, os esforços locais de conservação se revelaram insuficientes, e é necessário um maior esforço global para responder aos efeitos das mudanças climáticas.
Os corais alimentam-se de algas microscópicas, chamadas de dinoflageladas, que vivem em grandes colónias na sua superfície.
As algas consomem nitrogénio, fósforo e outros nutrientes provenientes dos corais, e utilizam a luz para transformar essas substâncias em energia.
A fotossíntese também liberta energia nos tecidos do coral, o que lhe permite construir o exoesqueleto calcário que serve de habitat para estas algas unicelulares.
Quando o coral está sob stress, ele perde os seus essenciais dinoflagelados e embranquece.
O desaparecimento dos recifes de coral tem tido um grande impacto sobre o ecossistema marinho, porque eles fornecem alimento e abrigo para muitas espécies de peixes e crustáceos.

Salva desportista em risco no Mar


Depois de enfrentar ondas de três metros durante 45 minutos, cheguei a duvidar se ia conseguir resgatá-lo do mar." As palavras são de Daniel Vieira, nadador-salvador, que resgatou ontem um praticante de caiaque do mar, na praia da Azurara, em Vila do Conde. Daniel Vieira foi alertado pelo proprietário de um bar de praia, pelas 09h00, para um homem que estava no mar a pedir socorro. O nadador, de 21 anos, accionou de imediato todos os meios de salvamento. Depois, lançou-se ao mar e nadou cerca de cinco minutos até conseguir alcançar o desportista. "Falei com ele e tentei acalmá-lo. Mas o mar estava tão violento que demorei 45 minutos a trazê-lo para terra", contou o nadador-salvador

Fonte: CM

Viver perto da água melhora ( mesmo ) a saúde mental


Todos gostamos de paisagens marítimas, contemplar o oceano, rios, lagos. Parece haver algo com a água que nos tranquiliza e a ciência vem confirmar os efeitos benéficos que a presença de água tem para a saúde mental.


Viver perto da água - seja mar, seja rio ou mesmo um pequeno lago - chega a ultrapassar os benefícios dos espaços verdes. Um estudo, publicado na revista Health & Place, concluiu que quem vive perto da água tem uma saúde mental melhor do que quem vive noutros lugares.
Os investigadores tiveram o cuidado de olhar para outros factores, como o poder económico das pessoas e o nível de stress em que vivem, mas chegaram sempre à conclusão de que, se houver água por perto, o bem-estar psíquico é sempre superior.
Que poder tem então a água?
Relativiza e põe as coisas em perspectiva. Contemplar o movimento das águas e ouvir o som, sentir o cheiro fresco, acalma a alma, comprovam os investigadores. É algo maior que nós próprios, os nossos problemas, o que ajuda a colocar a nossa vida noutra perspectiva. Mesmo que não tenhamos consciência disso, o nosso subconsciente trabalha nesse sentido.
O ar do mar sempre foi uma das recomendações dos médicos para várias maleitas. Muitas vezes aconselhado a pacientes em que tudo indicava que a saúde física estava bem e os médicos suspeitavam que era a saúde mental que estava em causa. A verdade é que algum tempo perto do mar sempre fez as pessoas sentirem-se melhor.
Não é, por isso, por acaso que um dos destinos de férias preferidos é a beira-mar. Cheiros, sons, cor, o movimento incessante das ondas e regular, todos os nossos sentidos sentem o bem estar que a água oferece.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

Interdita a apanha e captura de bivalves em Portugal


Foi no dia mundial dos oceanos que o IPMA lançou um alerta temporário em relação à apanha e captura de bivalves na nossa costa, devido ao excesso de poluição.
Devido à presença de fitoplâncton produtor de toxinas marinhas ou de níveis de toxinas ou de contaminação microbiológica acima dos valores regulamentares* estão reclassificadas temporariamente e/ou interditas temporariamente a apanha e captura, com vista à comercialização e consumo, as espécies de bivalves provenientes das seguintes zonas de produção: consultar lista aqui.
O IPMA informa que as interdições de captura dos bivalves por toxinas marinhas aplicam-se ao público, mariscadores profissionais e amadores, independentemente do processo de captura.

A ingestão de bivalves contaminados por toxinas marinhas pode causar graves problemas de saúde.

Para mais informações podem consultar o site do IPMA | Imagem: Mapio