sábado, 6 de fevereiro de 2016

Tubarões estão muito vulneráveis à pesca no oceano Atlântico

Cerca de 80% do território ocupado pelo tubarão-azul e pelo tubarão-anequim no Atlântico Norte sobrepõe-se à rota das frotas pesqueiras portuguesa e espanhola, conclui estudo que inclui cientistas portugueses e que defende quotas de pesca para as duas espécies.


Todos os anos, dez milhões de tubarões são pescados nos oceanos. As vulgares linhas de pesca dos navios, com os seus 100 quilómetros de comprimento, facilmente capturam mais de cem indivíduos da espécie tubarão-azul (Prionace glauca) em apenas um dia. Tanto esta espécie como o tubarão-anequim (Isurus oxyrinchus) têm sido alvos das frotas pesqueiras, já que não há quotas para a sua pesca.
Preocupada com o estado de conservação destes tubarões, uma equipa internacional de cientistas foi investigar a sua vulnerabilidade. Para isso, analisou a sobreposição espacial e temporal de 99 tubarões, monitorizados com equipamentos electrónicos, e as frotas pesqueiras de Portugal e de Espanha, no oceano Atlântico. “Os nossos resultados indicam que os pescadores estão presentes em habitats-chave dos tubarões durante uma boa parte do ano, o que levanta questões sobre o futuro da sua sustentabilidade”, lê-se no artigo publicado na revista norte-americana Proceedings of the National Academy of Sciences, assinado por investigadores de Portugal, de Espanha, do Reino Unido e dos EUA.
Provavelmente, a melhor medida para proteger as duas espécies de tubarões seria a introdução de quotas de pesca”, diz Nuno Queiroz ao PÚBLICO. O investigador, do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (Cibio), no Porto, é um dos autores do trabalho.
A situação destas duas espécies de tubarões é diferente da do atum (espécies do género Thunnus) ou do espadarte (Xiphias gladius), que têm quotas de pesca. O espadarte, inclusivamente, só pode ser comercializado a partir de um certo tamanho. “Os pescadores podem apanhar os tubarões que quiserem. A única condição é que, quando desembarcam, as barbatanas têm de vir agarradas aos tubarões”, explica o investigador português.
As barbatanas são as partes mais caras dos tubarões. Esta medida foi introduzida para evitar que os navios de pesca pescassem os tubarões, lhes cortassem as barbatanas e atirassem o resto do corpo para o mar. Isto permitia trazer muito mais barbatanas — já que os navios de pesca não tinham de carregar os corpos dos animais, que no caso dos tubarões-azuis podem atingir os três metros de comprimento — e, por isso, permitia pescar muitos mais tubarões.
Ainda assim, não havendo quotas para aquelas duas espécies, os navios podem pescar o número de tubarões que quiserem. Segundo Nuno Queiroz, o Índico é o oceano onde a pesca ao tubarão é mais intensa, a seguir é o Atlântico e por fim é o Pacífico, que, como é maior, o esforço de pesca por quilómetro quadrado acaba por ser inferior.
As análises mostram que o risco de extinção dos tubarões e das raias é maior do que para a maioria dos outros vertebrados”, lê-se no artigo, no qual se argumenta que é necessário uma melhor gestão destas espécies para as conservar. O problema, segundo os autores, é que há pouca informação sobre a vulnerabilidade dos tubarões à pesca. Uma característica destes animais que aumenta as incertezas sobre este aspecto é o facto de serem migradores.
Por isso, os cientistas seguiram por satélite o movimento de 99 tubarões de seis espécies (incluindo tubarões-azuis e tubarões-anequim) entre 2006 e 2014 no Atlântico Norte. E analisaram os trajectos de 186 navios de pesca ibéricos (23 portugueses) entre 2003 e 2012. Desta forma, a equipa obteve um mapa que mostrava haver 80% de sobreposição do habitat dos tubarões-azuis e dos tubarões-anequim com os locais onde os navios pescam. Além disso, cada tubarão destas espécies está em média dois a três dias por mês perto de um navio de pesca, havendo por isso condições para ser pescado.
O que choca nos resultados é os valores serem tão altos [para estas duas espécies]”, observa Nuno Queiroz, acrescentando que estes animais acabam por ter poucos refúgios onde estão livres da pesca. Ainda assim, os resultados subestimam a realidade. O Atlântico é explorado por cerca de 40 grandes frotas pesqueiras, incluindo de países que não têm costa no Atlântico, como da Rússia e do Japão. As frotas de Espanha e de Portugal, embora sendo importantes, representam apenas uma parte dos navios que pescam os tubarões.
A equipa descobriu que as zonas de sobreposição mais importantes são onde há transições súbitas de água mais quente para água mais fria, onde os cardumes de peixes como a sardinha ficam presos. Regiões como as que existem mais a norte, entre a corrente quente do Golfo e a fria de Labrador, ou a Sudoeste dos Açores, por cima da Dorsal Médio-Atlântica, atraem especialmente os tubarões e os navios que os pescam.
Segundo a Lista Vermelha da União Internacional para Conservação da Natureza, que avalia a vulnerabilidade de extinção das espécies, o tubarão-anequim tem o estatuto de “vulnerável”, estando em “risco elevado de extinção na natureza”. Já o tubarão-azul tem o estatuto de “quase ameaçado”. “Há menos tubarões-azuis do que há 40 anos no Atlântico”, diz Nuno Queiroz, que espera que as quotas de pesca para estes animais avancem. 
Fonte: Público

Vilamoura acolhe prova internacional de vela

Evento antecede Campeonato do Mundo de Optimist, que acontece em Vilamoura no próximo mês de Junho.


O 42º Torneio Internacional de Vela do Carnaval “Carnival Regatta” decorre entre os dias 6 e 8 de Fevereiro e conta com a participação de 400 Velejadores dos quais mais de 200 crianças provenientes de 16 países inscritos na classe Optimist.
A Carnival Regatta, para além das classes Laser 4.7, Laser Radial, 420, que disputam a PAN-Prova de Apuramento Nacional, inclui ainda as classes Snipe e Dart, assim como a 1ª Etapa do Circuito de Surf Algarve 2016 - evento que se disputará na Praia da Rocha Baixinha Nascente.
Ao longo dos próximos dias o resort algarvio espera receber centenas de visitantes, entre eles alguns nomes ilustres da vela internacional, como por exemplo Phillip Allen, o Director da equipa de Abu Dhabi Ocean Racing – que será o convidado da próxima edição das V-Talks, a decorrer a 7 de Fevereiro, pelas 19h, no Museu Cerro da Vila. A presença de participantes, staff e curiosos vai traduzir-se em boas receitas para o turismo da região: no total, serão servidas mais de 2500 refeições e estão reservadas mais de 1000 dormidas.
De acordo com Paul Taylor, Presidente de Vilamoura World, “este é mais um exemplo de um evento desportivo de relevo que Vilamoura se orgulha de organizar e que tem um óptimo palco: a premiada Marina de Vilamoura. Estão reunidas todas as condições para que esta seja mais uma prova de sucesso; o nosso trabalho é garantir que os visitantes levam boas recordações deste fim- de-semana no Algarve”.
Fonte: Sapo

Metade das despesas do Ministério do Mar seguem para a investigação


Pela primeira vez com direito a um ministério autónomo, o Governo assume no relatório que acompanha o Orçamento do Estado para 2016 o “desafio e a responsabilidade” de passar da teoria à prática a aposta que tem vindo sucessivamente a ser apontada para a chamada “economia azul”.
O Ministério do Mar, tutelado por Ana Paula Vitorino, tem como prioridades de governação o lançamento do Programa Mar 2020 — que já foi aprovado nas instâncias comunitárias (e tem uma dotação orçamental de 500 milhões de euros, mas que ainda precisa de ser regulamentado) e se destina a apoiar projectos na área da criação do conhecimento — e a constituição de um Fundo Azul, destinado a fomentar a criação de novas empresas de base tecnológica, e apoiar a investigação científica.
A dinamização da actividade portuária surge também nas prioridades deste novo ministério, que pretende “incentivar os concessionários a modernizarem as suas concessões” e “apostar na especialização da actividade de cada porto no seu hinterland específico”.
A aposta na investigação e inovação é também visível na estrutura de distribuição da despesa, que atinge o total de 80 milhões de euros em 2016. As medidas relacionadas com investigação científica orçamentadas atingem os 43,6 milhões de euros, ou 46% do total da despesa. As actividades relacionadas com a pesca merecem uma fatia de 20%, através dos orçamentos do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) e da Direcção Geral dos Recursos Marítimos (DGRM).
Fonte: Público

Investigação científica luso-chinesa em Ciências do Mar



Até 29 de Fevereiro estão abertas candidaturas para financiamento de projectos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico, na área das Ciências do Mar, desenvolvidos em conjunto por equipas de investigação portuguesas e chinesas.
O concurso é bilateral e promovido conjuntamente pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) e a National Natural Science Foundation of China (NSFC), no âmbito de um Protocolo  subscrito por ambas as entidades em Julho de 2015, com o objectivo de apoiar e incentivar a cooperação entre entidades de investigação e universidades na China e em Portugal.
Para as equipas portuguesas, a FCT disponibiliza um total de 300 mil euros, sendo que cada projecto escolhido beneficiará de apoio até ao limite de 100 mil euros. A NSFC fica responsável pelo co-financiamento destinado às equipas chinesas. O financiamento aos projectos bilaterais conjuntos tem uma duração de trinta e seis meses.
Pela FCT, as candidaturas estão abertas a “equipas de investigação de Instituições do Ensino Superior, seus Institutos e Centros de I&D; Laboratórios Associados; Laboratórios do Estado; Instituições privadas sem fins lucrativos que tenham como objecto principal actividades de Ciência e Tecnologia; empresas desde que inseridas em projectos liderados por Instituições de I&D públicas ou privadas sem fins lucrativos; outras instituições públicas e privadas, sem fins lucrativos, que desenvolvam ou participem em actividades de investigação científica”, conforme refere o site da FCT.
A avaliação será feita mediante revisão por pares, baseada no “mérito científico e relevância da proposta, conduzido de modo independente pela FCT e NSFC”. No caso da FCT, será realizada por um painel internacional. No final, terá lugar uma reunião de uma Comissão Mista formada por elementos da FCT e da NSFC para decidir as propostas a apoiar.

Sardinha: campanha cientifica revela aumento da biomassa



Este ano os pescadores portugueses e espanhóis poderão capturar 19 mil toneladas de sardinhas. A novidade foi comunicada pelo Ministério do Mar, que acrescentou que o valor é idêntico ao de 2015. Em causa o não colocar em perigo a gestão da pesca da sardinha. Isto é particularmente importante dado os problemas verificados há já algum tempo – diminuição da quantidade de peixe existente no oceano.
O número foi definido tendo por base os resultados da campanha cientifica realizada em Dezembro, que indicam uma recuperação da biomassa e dos índices de recrutamento nas águas portuguesas.
No ano passado os dois países (Portugal e Espanha) capturaram cerca de 19 mil toneladas, tendo o total de capturas da frota nacional de cerco ascendido a 13 mil toneladas.
O valor (pretendido) agora anunciado pelo Ministério do Mar é importante dado que, em Julho do 2015 o ICES (Conselho Internacional para a Exploração do Mar, organismo cientifico de aconselhamento da Comissão Europeia) que propôs, para 2016, um limite de capturas entre um mínimo de 1.587 toneladas e um máximo de 14 mil toneladas a dividir entre os dois Países.
Em Dezembro do ano passado, como forma de obter informação que permitisse confirmar (ou contrariar) os números avançados pelo ICES foi realizado um cruzeiro cientifico sobre a sardinha que, posteriormente, levou a reuniões de trabalho de negociação com Espanha e a Comissão Europeia “para articular as necessárias medidas de gestão”.
O comunicado do Ministério do Mar revela que os dados obtidos por essa campanha cientifica indicam um aumento da biomassa de sardinha e um aumento considerável do recrutamento. Dados que originaram um acordo com Espanha (e aceite pela Comissão Europeia) para uma gestão responsável e que estabeleceu um limite de capturas de 10 mil toneladas até Julho. Isto ao mesmo tempo que serão intensificadas as campanhas científicas para monitorização e avaliação da biomassa. “Com os dados já recolhidos é expectável a revisão em alta dos níveis de captura, permitindo atingir as 19.000 toneladas até ao final do ano. Ou seja, um nível de capturas para 2016 equivalente ao do ano anterior.”

Governo define em 2016 a localização do novo terminal de contentores




O Executivo de António Costa vai determinar este ano a localização do novo porto de águas profundas que vai servir a região de Lisboa, que está previsto para o Barreiro.
A proposta de Orçamento do Estado para 2016, entregue na passada sexta-feira na Assembleia da República, prevê que este ano "será ainda definida a localização do novo terminal de contentores para a área da grande Lisboa".
O Barreiro tem sido a localização apontada para a construção do futuro terminal de contentores, sendo a única alternativa que está neste momento a ser estudada de forma a que seja comprovada a sua viabilidade.


O Governo de António Costa garante que este ano tomará a decisão, o mesmo acontecendo com a promoção do projecto do Arco Ribeirinho Sul que visa a requalificação urbanística de um vasto território na margem sul do estuário do Tejo, predominantemente áreas industriais desactivadas situadas nos municípios de Almada, Barreiro e Seixal.


No sector dos portos, a proposta de Orçamento realça a importância da actividade portuária para o desenvolvimento da economia portuguesa, nomeadamente na alavancagem das exportações.


Para o Governo, "é importante assegurar o reforço e a modernização dos portos nacionais, aumentando a sua competitividade e reforçando a ligação à rede transeuropeia de transportes, como resposta à intensificação dos transportes marítimos".


De igual forma, refere no documento, "é indispensável que as empresas portuárias desenvolvam políticas que conduzam a relações socio-laborais sãs, contribuindo para a confiança nos portos portugueses e, consequentemente, para um maior desenvolvimento económico, assente num maior dinamismo do sector exportador nacional".


Recorde-se que em Novembro do ano passado o sindicato dos estivadores entregou sucessivos pré-avisos de greve, que tiveram como consequência no porto de Lisboa a suspensão das escadas de grandes armadores como a Maersk e a Hapag-Llopyd.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Abrandamento nos Porta-Contentores


Frota com o crescimento mais baixo de sempre


A capacidade da frota global de porta-contentores deve crescer 4,6% em 2016, o valor mais baixo de sempre, de acordo com a Aplhaliner, uma plataforma informativa ao serviço da indústria do transporte marítimo.
Paralelamente, a Alphaliner refere o ritmo lento das entregas de navios e o aumento previsto do número de porta-contentores a vender para desmantelamento, como contributos para uma queda para menos de um milhão de TEU no crescimento líquido da capacidade nominal dos navios em 2016.
A mesma entidade nota também que as entregas de navios devem atingir este ano um total de 1,25 milhões de TEU (que poderá ser ainda menor se a tendência para um mercado fraco se mantiver ao longo de 2016), abaixo dos 1,72 milhões de TEU de 2015.
A continuação de uma procura lenta pode levar a um adiamento das entregas de navios e, nos casos de estaleiros com dificuldades financeiras, pode conduzir mesmo a cancelamentos.

Troia-Mar é a praia com maior capacidade da costa alentejana

A praia Troia-Mar, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal, é a que tem a maior lotação da costa alentejana, segundo uma proposta da ...