terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Energia Positiva - A resposta dos portos aos desafios da sustentabilidade


A União Europeia apesar dos poucos recursos naturais conhecidos – 1% das reservas mundiais em petróleo, 1,5% de gás natural e 4% de carvão – continua a afirmar-se como um dos maiores consumidores de energia do mundo. Com 28 países e mais de 505 milhões de pessoas, o “velho continente” acolhe apenas 10,5% da população mundial que consome 20% da energia produzida no mundo. Refém dos mercados externos para a satisfação das suas necessidades energéticas e a debater-se com os fenómenos do desemprego, do envelhecimento da população e exclusão social das populações mais jovens, a Europa está a envelhecer envolvida numa espiral de regulação não simplificada que lhe condiciona a capacidade de acompanhar um mundo em permanente mudança.

Devido à sua influência económica, o sector de transportes tem estado na linha da frente, implementando ações de combate às mudanças climáticas, sobretudo porque este sector possui um padrão energético baseado fundamentalmente em combustíveis fósseis (cerca de 96% das suas necessidades energéticas), o que apresenta uma forte relação com o aumento das emissões de gases do efeito estufa e emissão de partículas nocivas.

A concentração das diferentes modalidades de transporte e equipamentos nas operações portuárias contribuem negativamente para a saúde das pessoas e para a boa relação do sector com as dinâmicas dos territórios envolventes - sendo igualmente responsáveis por elevados consumos energéticos, produção de ruído e libertação de dióxidos de enxofre, óxidos de nitrogénio e CO2 na atmosfera.

Nos últimos anos, tivemos a oportunidade de visitar diversos portos e terminais, e assistir a conferências nos mais variados continentes. Observamos processos de implementação e os resultados de diversas iniciativas de baixo carbono, ao mesmo tempo que chegamos ao diálogo com técnicos e decisores que assumiram a missão de contribuir para um sistema logístico e portuário inteligente, inclusivo, eficiente e amigo do ambiente.

Destacamos iniciativas que contribuíram para a coesão territorial, como é o caso do Porto de Gotemburgo, um dos pioneiros no abastecimento de energia eléctrica a navios, o que reduziu a poluição atmosférica e os odores que afectavam o bem-estar das populações vizinhas. Logo ali ao lado, a Noruega pretende afirmar-se como líder mundial na concepção e utilização de navio “limpos” e amigos do ambiente, com o Porto de Oslo a apoiar um grupo de engenheiros, investidores e representantes do sector marítimo que estão a apostar na concepção de navios híbridos.

No Porto de Bremenhaven, questionamos o seu CEO, Robert Howe, relativamente às prioridades para o futuro do porto. Numa pronta resposta, afirmou a sua crença na indústria das “eólicas offshore” como resposta à redução do desemprego da região, em simultâneo com a redução da dependência energética da Alemanha. Bremenhaven tem uma estratégia clara para atrair ao cluster portuário todo o tipo de indústrias relacionadas com as eólicas. O espaço em que outrora havia um aeroporto foi convertido num parque tecnológico para centros de excelência e indústrias que contam com um moderno e especializado terminal - desenhado para responder aos requisitos específicos destas características de carga. Para além da geração de valor e a movimentação daqueles enormes artefactos, a criação de condições favoráveis à prosperidade das eólicas colocou o porto num patamar de resposta ao combate ao desemprego da região e numa alavanca para proteger a economia alemã da dependência dos mercados externos.

Nos Estados Unidos, os portos de Los Angeles e de Long Beach, na Califórnia, investiram dois biliões de dólares para reduzir 45% das emissões. Destacam-se iniciativas como o investimento na instalação de redes eléctricas nos terminais, para que os navios possam desligar os seus motores enquanto permanecerem acostados; na modernização de pórticos e gruas por sistemas que permitam o reaproveitamento da energia gasta; na substituição dos tradicionais veículos de transporte de contentores por rebocadores, empilhadores, e camiões híbridos ou eléctricos, e outras viaturas eléctricas e menos poluentes. 

O Porto de Long Beach pretende assumir-se como o porto mais verde do mundo, investindo na redução contínua das emissões de carbono ao mesmo tempo que procura aumentar a actividade económica. Para o Mayor de Long Beach, Robert Garcia, este objectivo depende sobretudo da concepção de infraestruturas sustentáveis e inovadoras que optimizem a eficiência operacional do porto, aumentem a velocidade de movimentação das mercadorias e que facilitem a integração dos diferentes elos das cadeias de abastecimento.

O processo de gerir, consumir e fornecer energia eléctrica está a marcar as tendências de uma nova Era de desenvolvimento da economia portuária. Esta tendência abrirá caminho para um novo paradigma do porto enquanto produtor de energia. Disso mesmo temos sinais vindos do Porto de Long Island, onde o conceito “Energy Island” está a começar a dar resposta à demanda energética, através do potencial combinado das fontes solar, eólica, geotérmicas e das marés. 

Quer no outro lado do Atlântico, quer na Europa, comprovamos que o caminho que está a ser percorrido, na adaptação dos portos às necessidades energéticas e desafios das alterações climáticas, pode atrair novos negócios, criar postos de trabalho, aumentar a receita, reduzir custos, melhorar a qualidade de vida das pessoas e a preservar os ecossistemas. Este é um caminho que está longe do horizonte da sustentabilidade, mas muito perto de obter resultados concretos em matéria de coesão social e territorial num horizonte de médio-curto prazo. Sigamos este rumo…


Fonte: Cargo
Autores: Ana Cristina Ribeiro e Hugo Metelo Diogo são dirigentes da unidade de negócios da “Economia do Mar” a Blue Growth by Compta

Sardinha é o peixe com maior valor comercial em Portugal

A sardinha é o peixe com maior valor comercial em Portugal, enquanto na aquacultura o primeiro lugar pertence ao pregado.


A sardinha é o peixe com maior valor comercial em Portugal, enquanto na aquacultura o primeiro lugar pertence ao pregado, segundo divulga nesta terça-feira o Observatório Europeu do Mercado dos Produtos da Pesca e da Aquacultura. O relatório de 2015 mostra ainda que, em 2013, os portugueses gastaram 3,098 milhões de euros em produtos de pesca e aquacultura, mais 2,9% do que no ano anterior.
No que respeita a valor comercial de produtos de pesca — e ainda segundo dados relativos a 2013 — a sardinha surge em primeiro lugar (14,5%), seguindo-se o polvo (12,7%), o carapau (7,4%), a cavala (6,0%), o peixe-espada (4,6%) e o atum-patudo (4,5%) — espécies que no seu conjunto representam metade do valor comercial das pescas portuguesas.
Em termos de volume de pescado desembarcado, a cavala está na primeira posição, com 27,2% do total, seguindo-se a sardinha (16,5%), o carapau (13,5%), o polvo (8,0%), o atum-patudo (3,2%) e o peixe-espada (2,7%).
Os dados do observatório sobre a aquacultura — relativos a 2012 – mostram que o pregado é a espécie com maior valor comercial (38% do total das receitas), seguindo-se as amêijoas (37,7%), a dourada (9,0%), o robalo (6,7%), as ostras (4,0%) e a truta (2,6%).
Em termos de volume, o pregado surge novamente em primeiro lugar (42,7%), seguindo-se as amêijoas (23,2%), a dourada (8,7%), as ostras (7,0%), o robalo (5,4%) e a truta (4,6%).
O valor dos desembarques dos produtos de pesca aumentou para 274 milhões de euros em 2013 (251 milhões em 2012), segundo o relatório, enquanto o dos produtos de aquacultura caiu de 62 milhões (em 2011) para os 53 milhões de euros (em 2012).
Portugal, recorde-se, detém o recorde europeu de consumo de peixe ‘per capita’: 56,8 toneladas em 2011, seguido da Lituânia (43,4% toneladas) e Espanha (42,4 toneladas). No extremo oposto da tabela estão a Bulgária (6,6 toneladas), a Roménia (6,1 toneladas) e a Hungria (5,3 toneladas).
Fonte: Observador

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Pesca portuguesa é a que mais captura acima do recomendado pelos cientistas

Quotas negociadas entre Portugal e Espanha com UE excedem, em média 37% as recomendações científicas.


Portugal é um dos países europeus com mais capturas pesqueiras acima do recomendado pelas entidades científicas, com aumentos de quota a exceder 37% os conselhos dos cientistas, disse um responsável da Associação de Ciências Marinhas e Cooperação (Sciaena) nesta quarta-feira.

"Portugal e Espanha, em termos de stocks pesqueiros, são dos piores, os que mais desrespeitam os pareceres científicos", afirmou Gonçalo Carvalho, que falava num encontro com jornalistas sobre o ponto de situação da Política Comum de Pescas (PCP).

"Os ministros portugueses, com os espanhóis, negociaram os maiores aumentos de quota pesqueira da União Europeia (EU), excedendo em média 37% as recomendações científicas", explicou Gonçalo Carvalho.

Os ministros das Pescas da UE reúnem-se a 14 e 15 de Dezembro para definir as quotas de capturas para o próximo ano, depois da proposta da Comissão Europeia e da análise do Parlamento Europeu, tendo em conta os pareceres científicos acerca do estado dos stocks.

Na Europa, apesar dos objectivos definidos na nova PCP, em vigor desde Janeiro de 2014, com metas ambientais "claramente definidas", a Sciaena conclui que "a sobrepesca não está a diminuir conforme o desejado" e mesmo naquele ano, "a maior parte dos totais admissíveis de captura (TAC) foi fixada acima do recomendado pelos pareceres científicos".

Aliás, a proposta da Comissão Europeia para 2016 continua neste caminho e "não segue os pareceres científicos para vários stocks", um sinal de que dificilmente serão conseguidos os objectivos marcados para 2020 de acabar com a sobrepesca.

As organizações não-governamentais, principalmente da defesa do ambiente, têm vindo a alertar que várias espécies, como a sardinha, enfrentam problemas e a sustentabilidade das pescas exige limites nas capturas.

"Não somos contra a pesca, mas a sua gestão deve ser sustentável para garantir o futuro da actividade a longo prazo", disse o biólogo da Sciaena, acrescentando que o assunto deve ser tratado como um objectivo político de curto prazo.

Para Gonçalo Carvalho, como para a generalidade das organizações não-governamentais das pescas (reunidas na PONG Pesca), é necessária uma mudança na forma como este assunto é gerido.

"Falta mudar a postura política", realçou o especialista, e explicou que "Portugal continua a actuar politicamente como se tivesse uma frota industrial", o que já não acontece, depois da redução exigida pela UE.

Portanto, "não tem capacidade para esgotar um recurso e passar para o próximo. Falta esta percepção a nível político", defendeu.

Assim, "é preciso gerir bem o que temos, de forma sustentável, e permitir uma actividade económica estável e rentável", resumiu Gonçalo Carvalho.

Questionado acerca do papel das alterações climáticas na evolução das espécies pescadas, o responsável da Sciaena disse que "é difícil quantificar" os efeitos destas mudanças, como o aumento da temperatura do mar, na evolução dos stocks, e "incorporá-los nos planos de gestão", mas os especialistas estão a tentar.

Fonte: Público

Antuérpia recebe pórticos de 50 metros de altura

O porto de Antuérpia recebeu cinco pórticos de cais com 50 metros de altura, no âmbito do programa de expansão e modernização do MSC PSA European Terminal (MPET)

Estes “monstros”, que chegaram ao porto belga a bordo do Zhen Hua 27, navio de carga especial com bandeira de Hong Kong, podem operar navios com até 25 filas de contentores.
De acordo com o MPET, o terminal vai mudar-se de Delwaide (margem direita), onde está desde 15 de Junho de 2005, para Deurganckdock (na margem esquerda) para apoiar a expansão. Os responsáveis pelo MPET, que é uma joint-venture da PSA International e da Terminal Investment Limited (braço da MSC para o negócio dos terminais de contentores), prevêem que o terminal atinja uma capacidade de nove milhões de TEU, tornando-se no maior da Europa.
Nos primeiros nove meses de 2015, o porto de Antuérpia movimentou 156,5 milhões de toneladas, mais 5,5% do que no período homólogo do ano passado. Os responsáveis pelo porto belga acreditam estar no bom caminho para atingir 200 milhões de toneladas movimentadas no total do ano, o que será um recorde.
Fonte: T e N


Porta-contentores inactivos somam 1,24 milhões de TEU

A frota inactiva de navios porta-contentores atingiu, de acordo com a Alphaliner, 306 navios, com uma capacidade acumulada de 1,24 milhões de TEU.


Este valor representa 6,3% da frota mundial em capacidade, e é um máximo de cinco anos. Aquele número é mais elevado em 280 mil TEU que o anterior recorde de 1,52 milhões de TEU, registado em Dezembro de 2009.
Segundo a Alphaliner, a dimensão média dos navios imobilizados por falta de trabalho atingiu os 4 050 TEU, o que é um novo pico, resultado do facto de haver cada vez mais navios acima de 7 500 TEU a pararem. O maior  de todos é um Triple-E de 18 000 TEU da Maersk Line.
“Com as previsões a apontarem para que a procura no Ásia-Europa se mantenha fraca, ao mesmo tempo que as rotas trans-Pacífico entram na sua época baixa, o número de navios inactivos deverá aumentar nas próximas semanas”, remata o relatório da Alphaliner.
Fonte: T e N

França adopta novo regime de trabalho portuário

Ao cabo de dois anos de concertação, a França aprovou um novo regime laboral para os trabalhadores portuários. Os dirigentes sindicais satisfeitos mas atentos.


O objectivo da proposta de lei socialista é simplificar e clarificar o regime do trabalho portuário. A versão aprovada pelo Senado francês resultou da comissão mista paritária de deputadas e senadores. A proposta havia sido aprovada pela Assembleia Nacional no passado dia 17 de Novembro.
O diploma aprovado tem como base as conclusões, enviadas há praticamente um ano ao secretário de Estado dos Transportes francês, de um grupo de trabalho com os parceiros sociais implicados na actividade portuária. Este grupo foi criado em 2013, depois de terem sido encontradas ambiguidades na legislação, com o progressivo desaparecimento do estatuto dos estivadores temporários, que existia desde 1947, em favor da contratação mensal de estivadores profissionais, de acordo com a lei Le Drian, de 1992.
A proposta agora aprovada consolida o princípio da prioridade de emprego para os trabalhadores portuários e moderniza a definição do que é, e do que não é, trabalho portuário. Além disso, prevê a instituição de um acordo de incidência nacional entre os operadores portuários e os representantes dos trabalhadores portuários.
O secretário de Estado dos Transportes francês, Alain Vidalies, citado nos media gauleses, disse acreditar que “foi encontrada a solução adequada”. A confederação de sindicatos de trabalhadores portuários, CGT FNPD, também mostrou satisfação com a aprovação da proposta, mas salientou que “vai estar vigilante” quanto à regulamentação da lei, à definição do perímetro do trabalho portuário e à instauração do anunciado convénio nacional.
Fonte: T e N

Tanger Med regista descida de 11,5% no tráfego de contentores


No terceiro trimestre deste ano, o porto de Tanger Med, em Marrocos,  movimentou tráfegos de contentores que perfizeram 707 mil TEU, registo que representa um decréscimo de 11,5 % em relação à marca de  799 mil TEU movimentados pelo porto marroquino no período homólogo de 2014. 

O tráfego doméstico totalizou 26 mil TEUs (registando um decréscimo de 10,6% em relação ao terceiro trimestre de 2014), dos quais 12 mil TEUs em importações (queda de 5,7% em relação ao período homólogo) e 13 mil TEUs em exportações (nova queda, esta de 14,8 %), enquanto o tráfego de transbordo totalizou 681mil TEUs (descida de 11,5 % em relação a igual período de 2014).

Nos primeiros nove meses de 2015, o tráfego de contentores total representou cerca de 2,3 milhões de TEUs  uma queda de 1,0% em comparação com Janeiro- Setembro do ano passado. O tráfego doméstico ascendeu a 83 mil TEUs (+ 0,8%),  dos quais 41 mil TEUs em importações (-2,1%) e 42 mil TEUs em exportações ( + 3,8%) . O transbordo ascendeu a 2,2 milhões de TEUs (-1,0%).

Fonte: Cargo.

Troia-Mar é a praia com maior capacidade da costa alentejana

A praia Troia-Mar, no concelho de Grândola, distrito de Setúbal, é a que tem a maior lotação da costa alentejana, segundo uma proposta da ...