quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Peixe-leão está dominando o oceano Atlântico e isso preocupa especialistas



Cientistas estão preocupados com a destruição causada por uma espécie de apetite voraz: o peixe-leão (Pterois volitans). Esses animais são um dos maiores invasores das águas dos Estados Unidos e têm causado um desequilíbrio ecológico no Oceano Atlântico, em especial nos ecossistemas da costa leste norte-americana até ao Golfo do México.
Num estudo publicado no jornal Marine Ecology Progress Series, cientistas explicaram como ocorre o ataque dos peixes-leão: eles lançam um jacto de água a partir da boca e engolem a sua vítima por inteiro. O movimento é tão rápido, que mesmo os peixes que estão próximos não percebem.
“É na verdade bem difícil descrever como um peixe-leão se alimenta, pois ele o fazem num segundo”, afirmou Kristen Dahl, investigador da Universidade da Flórida, ao portal Live Science.
Biólogos acreditam que os animais têm dominado a cadeia alimentar devido ao factor surpresa: a espécie é criada tradicionalmente em aquários, então é uma novidade na natureza e acaba não sendo reconhecida por outros peixes como uma ameaça.

Pela primeira vez, um homem alcançou o ponto mais profundo de todos os 5 oceanos


Escondida sob o Estreito de Fram, uma passagem que separa a Gronelândia e Svalbard, fica o ponto mais profundo do Oceano Árctico, onde o fundo do mar chega a 5.550 metros. Agora, o explorador Victor Vescovo tornou-se na primeira pessoa a alcançá-lo.
Em 24 de Agosto, Vescovo desceu ao fundo do chamado Molloy Deep, uma vala gelada que fica a 274 quilómetros a oeste de Svalbard, na Noruega. Para chegar a Molloy, Vescovo desceu num submersível chamado DSV Limiting Factor entre 64 a 80 quilómetros da borda de um bloco de gelo, de acordo com um comunicado. Após o mergulho solo inicial de Vescovo, a equipa mergulhou mais duas vezes.
“Estava frio, claro, e tivemos apenas seis a oito semanas de bom tempo por ano para experimentar”, disse Vescovo ao Live Science. “No inverno, o local de mergulho é coberto de gelo e, quando não é, as tempestades podem ser um problema“.
A expedição inteira foi cronometrada em torno das estreitas janelas climáticas que permitiriam mergulhar nos oceanos Ártico e Meridional. “Felizmente, os deuses do tempo sorriram-nos este ano.”
Com os mergulhos mais recentes, Vescovo e a sua equipa concluíram a “Expedição Five Deeps”, uma missão para chegar ao fundo dos cinco oceanos do mundo – uma conquista filmada para Deep Planet, uma série de documentários que será exibida no Discovery Channel ainda este ano.
Vescovo já desceu até a parte mais profunda do Oceano Atlântico, o Oceano Antártico, o Oceano Índico e do o Oceano Pacífico. Em maio, quebrou o recorde de James Cameron com o mergulho a solo mais profundo de todos os tempos no Oceano Pacífico. O explorador desceu 10.927 metros do Challenger Deep, o ponto mais profundo do planeta e parte da Fossa das Marianas.
Vescovo disse que a sua parte favorita de estar nas profundezas era o facto de estar a ir a um lugar ninguém tinha ido antes e “trazendo luz a lugares que não a veem há milhões de anos”. Explorar as profundezas era um sonho de Vescovo desde que era criança, quando lia história sobre as grandes aventuras dos exploradores do século XX.
“Com a equipa certa, talentosa e apaixonada, e a tenacidade de superar contratempos, tudo é possível”, disse. “Ainda há uma quantidade enorme de coisas para explorar pela primeira vez neste mundo”.
Este mergulho também fez de Vescovo a primeira pessoa a mergulhar na parte mais profunda de todos os oceanos do mundo.

O Oceano Atlântico pode começar do outro lado do mundo


Uma questão chave para os cientistas do clima é sobre a possível desaceleração do sistema de circulação principal do Oceano Atlântico, o que poderia ter consequências dramáticas para a Europa e outras zonas.
Porém, um novo estudo sugere que a ajuda para este oceano pode vir de uma fonte inesperada: o Oceano Índico. O novo estudo, conduzido por Shineng Hu, da Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia-San Diego, e Alexey Fedorov, da Yale Universitypublicado na revista Nature Climate Change, é o mais recente de uma crescente corpo de pesquisa que explora a forma como o aquecimento global pode alterar os componentes do clima global, como a circulação de retorno do Atlântico Sul (AMOC).
A AMOC é um dos maiores sistemas de circulação de água do planeta. De acordo com a Europa Press, funciona como uma escada rolante líquida: transporta água quente até ao Atlântico Norte através de uma corrente superior e envia água mais frio para o sul através de uma corrente mais profunda.
Ainda quem se tenha mantido estável durante milhares de anos, os dados dos últimos 15, assim como as projecções de modelos de computador, têm preocupado alguns cientistas porque tem mostrado sinais de desaceleração durante esse período. Desconhece-se, porém, se é o resultado do aquecimento ou apenas uma anomalia a curto prazo relacionada com a variabilidade natural do oceano.
“Ainda não há consenso”, admite Fedorov, “mas acredito que a questão da estabilidade do AMOC não deve ser ignorada. A mera possibilidade de colapso deve ser motivo de preocupação numa época em que a atividade humana está a forçar mudanças significativas nos sistemas da Terra”.
“Sabemos que a última vez que a AMOC enfraqueceu substancialmente foi há 15 mil a 17 mil anos e teve um impacto global”, acrescentou. “Estamos a falar de invernos duros na Europa, com mais tempestades ou um Sahel mais seco na África devido à mudança descendente da faixa de chuva tropical, por exemplo”.
Grande parte do trabalho de Fedorov e Hu concentra-se em mecanismos e características climáticas específicas que podem estar a mudar devido ao aquecimento global. Usando uma combinação de dados de observação e modelos sofisticados de computador, rastreiam os efeitos que as alterações podem ter com o tempo.
Para o novo estudo, analisaram o aquecimento no Oceano Índico. “O Oceano Índico é uma das impressões digitais do aquecimento global”, disse Hu. “O aquecimento do Oceano Índico é considerado um dos aspectos mais fortes do aquecimento global”.
Os investigadores apontam que o seu modelo indica uma série de efeitos em cascata que se estendem do Oceano Índico ao Atlântico: à medida que o Oceano Índico aquece cada vez mais rápido, gera chuvas adicionais. Isto, por sua vez, atrai mais ar de outras partes do mundo, incluindo o Atlântico, para o Oceano Índico.
Com tantas chuvas no Oceano Índico, haverá menos chuvas no Oceano Atlântico. Menos chuvas levarão a uma maior salinidade nas águas da porção tropical do Atlântico, porque não haverá tanta água da chuva para diluí-la. A água salgada no Atlântico, ao chegar ao norte através do AMOC, arrefecerá muito mais rápido que o normal e afundará mais rápido.
“Isso funcionaria como um impulso para o AMOC, intensificando a circulação”, explica Fedorov. “Por outro lado, não sabemos por quanto tempo esse aquecimento melhorado do Oceano Índico continuará. Se o aquecimento de outros oceanos tropicais, especialmente o Pacífico, chegar ao oceano Índico, a vantagem do AMOC vai parar”.
Esta última descoberta ilustra a natureza intrincada e interconectada do clima global. À medida que os cientistas tentam entender os efeitos das mudanças climáticas, devem tentar identificar todas as variáveis ​​e mecanismos climáticos que podem desempenhar um papel.
Foto: Tiago Fioreze / wikimedia

Quatro mulheres nadam 25 quilómetros por um mar livre de lixo



Uma portuguesa e três espanholas nadam no sábado, 28 de Setembro, cerca de 25 quilómetros, em mar aberto, na região de Múrcia, Espanha, numa acção solidária a favor de uma associação ambientalista que visa dar “visibilidade à problemática da poluição marinha”.

Em declarações à agência Lusa, Sara Ramalho, nadadora de 33 anos natural de Viana do Castelo, explicou que o objectivo desta iniciativa é “aumentar a consciencialização sobre a poluição marinha e inspirar o mundo a repensar o uso de plástico”.

Além da portuguesa, integram o projecto solidário Brazadas de Vida as nadadoras espanholas Célia Pascual, de Huelva, Marina Martinez, de Villena (Alicante), e Nuria Consuegra, de Madrid. “Somos apaixonadas por nadar no mar, queríamos ir além da prática desportiva e alcançar um impacto positivo na sociedade. É por isso que, através do Brazadas de Vida, tentamos dar visibilidade, consciencializar e denunciar causas com as quais nos sentimos identificadas, e pensamos que são problemas actuais”, disse Sara Ramalho.

Natural de Monserrate, em Viana, Sara Ramalho reside na capital espanhola, desde 2009. Licenciada em Gestão e a trabalhar numa empresa inglesa, Sara Ramalho adiantou que o “desafio” que as quatro vão enfrentar terá uma duração estimada de “mais de oito horas, sem descanso”, com a começar “na região de Múrcia, no Parque Regional Puntas de Calnegre - Cabo Cope, paralelo à costa, e entrando no Puerto de Mazarrón e na torre de Cabo Cope”.

A acção solidária tem início pelas 07h30 (hora local, mais uma do que em Lisboa), na praia de La Reya, no porto de Mazarrón. Em 2017, as quatro mulheres nadaram durante seis horas entre as ilhas de Formentera e Ibiza, numa acção solidária para ajudar os refugiados que atravessam o Mediterrâneo. Na altura, pretendiam angariar 10.800 euros, equivalentes ao número de braçadas que cada uma teve de dar para percorrer os 18 quilómetros que separam as duas ilhas Baleares.

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Portugal quer classificar 30% do espaço marítimo como área protegida até 2030


O Oceano não é só uma vítima das alterações climáticas, é também uma das principais fontes de soluções. É a pensar nisso que 14 países assinaram na passada segunda-feira um compromisso para uma acção climática com base no Oceano – e entre eles está Portugal, que se comprometeu, entre outras medidas, a classificar 30% do seu espaço marítimo como área protegida até 2030, altura em que pretende também garantir que 10% da energia consumida no país seja produzida através de eólicas offshore ou através da energia das ondas. A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, esteve em Nova Iorque a participar na Cimeira do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), tendo acompanhado o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa. 

Estes compromissos foram assumidos durante uma reunião do Painel de Alto Nível para uma Economia do Oceano Sustentável (High Level Panel for a Sustainable Ocean Economy) que esteve reunido em Nova Iorque à margem da Cimeira do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), e que é composto por 14 países. Para além de Portugal, este Painel inclui a Noruega, Austrália, Japão, Quénia, México, Namíbia, Chile, Indonésia, Palau, Fiji, Gana, Canadá e Jamaica. Todos juntos representam cerca de 30% da linha costeira mundial, 30% das Zonas Económicas Exclusivas globais ou 20% da frota de navios em todo o mundo.

Cada um dos 14 países comprometeu-se com medidas concretas para desenvolver na próxima década, reconhecendo o Oceano como uma das principais fontes de soluções, pelo seu papel fulcral no combate às alterações climáticas, nomeadamente como regulador climático do Planeta ou pelo grande poder de absorção de CO2.  “O Oceano tem um grande impacto nas alterações climáticas, constituindo-se como uma grande fonte de absorção de CO2, retendo 50 vezes mais dióxido de carbono do que a atmosfera. É por isso que o Oceano tem de ser central naquele que é o grande objectivo global da descarbonização e do combate às alterações climáticas”, defendeu a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino.

Entre os compromissos mais emblemáticos assumidos por Portugal está a intenção de classificar 30% do espaço marítimo nacional como áreas marinhas protegidas (AMP) até 2030, o que significa uma intensificação dos esforços que já haviam sido assumidos anteriormente. Actualmente, as AMP ocupam apenas 7% do espaço marítimo nacional e em Junho, por ocasião da Conferência das Nações Unidas para o Oceano, Portugal apresentou como compromisso a classificação de pelo menos 14% do espaço marítimo sob jurisdição nacional como área marinha protegida. Agora pretende duplicar essa área e chegar as 30% em apenas uma década. De acordo com o compromisso assinado pela ministra do Mar, “as redes de áreas protegidas são a pedra angular das políticas de conservação da biodiversidade, concentrando-se na protecção de ecossistemas, habitats, espécies e recursos genéticos, proporcionando assim uma ampla gama de benefícios para a sociedade e a economia”.

Foto: Paulo Pimenta

Índia lança primeira tecnologia biométrica para o sector marítimo


A Índia se tornou o primeiro país do mundo a emitir o Documento de Identidade Biométrica para transporte marítimo. A tecnologia captura os dados biométricos faciais das pessoas que trabalham no sector marítimo da Índia.

O ministro de Estado da União para o transporte marítimo, Mansukh Mandaviya, lançou o projecto e na altura entregou os novos cartões BSID para cinco empresas marítimas na Índia.
A nova tecnologia biométrica facial é uma melhoria acentuada em relação aos dados biométricos baseados em íris ou em dois dedos, com recursos de segurança modernos.
O novo documento fornecerá aos marítimos uma identificação infalível que facilitará sua movimentação, facilitará o emprego e ajudará a identificá-los de qualquer lugar do mundo.

"O sector marítimo está experimentando importantes desenvolvimentos nas áreas de transporte marítimo costeiro, vias navegáveis ​​interiores e outras actividades marítimas. Isso está gerando emprego no sector, o que é evidente no crescente número de marinheiros indianos no sector de transporte internacional.", disse Mandaviya.
"O número total de pessoas que trabalham em navios de bandeira indiana ou estrangeira aumentou de 1,54.349 em 2017 para 2.08.799 este ano, o que mostra um aumento sem precedentes de 35%", disse.

O BSID terá um chip biométrico embutido. A segurança dos cartões BSID é garantida em vários níveis e através de diferentes métodos.
No momento da captura de dados, a face ao vivo é atravessada pela foto do passaporte usando um software de comparação de faces.
O cartão possui dois recursos de segurança ótica: microimpressões ou micro textos e um padrão único de linhas que se cruzam.

O software foi desenvolvido para capturar biometria facial e sua autenticação através da infraestrutura de chave pública.
Um registo de cada SID emitido num banco de dados nacional será mantido e suas informações relacionadas estarão acessíveis internacionalmente.
Nove centros de colecta de dados foram estabelecidos em Mumbai, Calcutá, Chennai, Noida, Goa, Nova Mangalore, Kochi, Vizag e Kandla para a emissão do BSID.
Qualquer pessoa que trabalhe no sector marítimo da Índia e possua um Certificado de Descarga Contínua emitido pelo governo estará qualificado para a emissão de um BSID.

Portugal país marítimo? "Os indicadores económicos não mostram isso"


Os portugueses dão muita importância ao mar, mas ficam-se pelo romantismo de uma linha azul no horizonte. A provocação da bióloga marinha Rita Sá deu o mote ao debate no programa "Da Capa à Contracapa", registado no final de Julho na Renascença, no programa semanal em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.
Emanuel Gonçalves, biólogo marinho e também administrador da Fundação Oceano Azul, proprietária do Oceanário de Lisboa, defendeu que os números não mostram Portugal como um país marítimo, que requer investimentos continuados e uma estratégia de longo prazo.
"Para sermos um país marítimo, temos que ter população de forma correspondente a fazer coisas no mar. Olhando para os indicadores de utilização de embarcações de recreio, perdemos para o norte da Europa onde o clima é muito pior. Falta acesso, cultura, para trazer as pessoas para o mar. Os indicadores sobre a bioeconomia ou economia dos recursos marítimos também não mostram investimento capaz de transformar a ciência em empresas produtivas para o sector", constata Emanuel Gonçalves que no passado esteve envolvido no grupo que preparou a Estratégia Nacional do Mar.
O que se perdeu então? Para o perito em Áreas Marinhas Protegidas, a Expo'98 marcou uma diferença significativa, juntando um conjunto de elementos dificilmente conciliáveis no tempo como a liderança governativa política, a capacidade financeira para investir e uma resposta da sociedade. "Houve clara vontade de trazer o Ano Internacional dos Oceanos para Portugal. Houve investimentos públicos necessários para transformar essa realidade em algo concreto. E aí a sociedades responde", argumenta Gonçalves na Renascença, que defende um alinhamento dos pontos de vista da governação, economia e social, sublinhando ainda assim a vantagem do tema não estar politizado.
Rita Sá concorda com o diagnóstico. "Falta estratégia, falta visão, falta vontade para que o mar seja algo que faça parte da vida de toda a gente de uma forma profunda. As estratégias ficam sobretudo no papel".
Pescar os pescadores para a conservação e a ciência para a política
A discussão em torno da sustentabilidade dos recursos pesqueiros tem sido marcada por divergências entre Estados, cientistas e comunidades piscatórias. Rita Sá assegura que tem sido tentado envolvimento dos pescadores na tomada de decisão na gestão de recursos da pesca. " É uma mudança de paradigma para que corresponsabiliza as pessoas pelas decisões", completa a activista da Associação Natureza Portugal que será uma das oradoras do encontro "O Futuro do Planeta" em Lisboa.
A bióloga considera que há compatibilidade possível entre a protecção de determinadas Áreas Marinhas e algumas actividades económicas desde que sejam mais controladas e monitorizadas, com envolvimento de comunidades.
Já para Emanuel Gonçalves, não foi possível ainda passar a mensagem de que o peixe e os pescadores são duas faces da mesma moeda. " Não vivem um sem o outro. Só consigo defender os pescadores se defender o peixe. Só consigo ter uma economia saudável baseada nos biorecursos se proteger o capital natural que existe no oceano", afirma o biólogo marinho.
Confrontado com as divergências entre as diversas partes com base em estudos apresentados como científicos, Emanuel Gonçalves considera que o problema está na incapacidade de admitir que esses pareceres são para seguir.
"Temos uma falta de incorporação da informação científica na tomada de decisão. Se assumirmos que os pareceres científicos são para levar a sério, as pessoas têm que ser consequentes com esses pareceres. Não podemos depois fingir que não existem esses pareceres ou fingir que as políticas contrariam esses pareceres. É uma questão cultural por ultrapassar", critica Emanuel Gonçalves que insiste na necessidade de criar conselhos científicos nas principais estruturas de decisão do país. " E os políticos devem tomar decisões de acordo com o seu entendimento que não se substitua aos cientistas na aferição da situação", insiste Gonçalves, ele próprio membro do Conselho Nacional de Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Não ter medo do mar, outra vez
Emanuel Gonçalves argumenta que o mundo vive em simultâneo uma emergência climática e uma crise de biodiversidade que requer a necessidade de escolhas políticas decisivas.
" Estamos a perder espécies que se estão a extinguir a uma escala sem precedentes e estamos a modificar a atmosfera do ponto de vista químico. As políticas de um país onde o oceano tem soluções para cada uma dessas crises têm que ser ajustadas a essa realidade. Se Portugal decidir optar pela exploração de hidrocarbonetos ou minerais no mar profundo, isso tem consequências. Essa escolha política tem consequências que nos afastam das soluções para estas duas crises", afirma Gonçalves que defende uma aposta num " cluster fortíssimo de biotecnologia, onde podemos ser lideres na exploração das soluções que o oceano nos traz" a par da recuperação de habitats costeiros que absorvem carbono, de uma aposta do sistema científico nacional capacitado para trazer inovação à economia".
O administrador da Fundação Oceano Azul afirma mesmo que " não é uma inevitabilidade que as pescas tenham de continuar a diminuir, que tenhamos que ver o sofrimento das comunidades costeiras, que os pescadores desapareçam e com eles a sua cultura. Será certamente uma inevitabilidade se continuarmos a não atacar esse problema com soluções concretas".
Emanuel Gonçalves reconhece que o mar português é grande, mas a sua dimensão não deve amedrontar políticos, empresas e cidadãos. Mas é preciso transferir a ciência para a economia do mar.
" As patentes que derivam da exploração dos recursos genéticos e outros marinhos têm retorno para um determinado país, empresa ou laboratório. É preciso mais formação mas também estratégia. Formámos um enorme número de doutorados em ciências do mar. O que estamos a fazer com esse capital humano que investimos? Não estamos a conseguir integrá-los no sistema produtivo e científico. Isto é trágico. Estamos a fornecer mão-de-obra qualificada para países concorrentes e outros com mais recursos por falta de capacidade e de estratégia para os integrar e transferir para sistema produtivo. Temos uma percentagem bastante significativa de artigos científicos em ciências do mar, mas temos uma das mais baixas taxas de patentes na OCDE", remata o biólogo marinho no debate sobre a relação entre os portugueses e o mar. 

Foto:DR

Alterações nas regras de combustíveis no sector marítimo levam a subida de preços


O custo do transporte marítimo de mercadorias atingiu os níveis mais altos em quase nove anos, devido ao facto de muitos armadores terem começado a retirar navios do mercado para fazer as alterações necessárias para enfrentar as novas regras para os combustíveis.
O Baltic Dry Index, um index que analisa fretes de quase tudo, desde carvão a minério de ferro a cereais, atingiu os 2.378 pontos na primeira semana de Setembro, a maior subida desde Novembro de 2010, segundo dados da Bolsa do Báltico, com sede em Londres. Os navios da classe Capesize estão estão neste momento a ser fretados por quase 35.000 dólares por dia, o valor mais alto desde há 5 anos e meio.
O sector marítimo está a preparar-se para algumas das mudanças mais significativas da sua história recente – um corte obrigatório nas emissões de óxido de enxofre que será imposto em pouco mais de três meses. Para atingir estas metas, milhares de navios estão a ser retirados do mercado para instalar equipamentos designados de scrubbers que vão permitir que estes possam continuar a queimar o combustível mais barato que hoje é utilizado. Os navios que não se adaptarem passarão a pagar taxas mais altas.
A paragem de navios para serem feitas as alterações está a causar uma falta de de oferta no mercado numa altura em que por várias razões a procura tem aumentado. Este aumento deve-se desde ao retomar das exportações de minério de ferro do Brasil (após a recuperação dos danos causados pelo colapso de uma barragem ), ao aumento das exportações dirigidas ao retalho no EUA, em antecipação ao aumento de taxas alfandegárias, na guerra comercial entre os EUA e a China. Outro factor foi que muitos navios foram abatidos. Todos estes factos alteraram o equilíbrio entre a oferta e a procura.
Assim, neste momento os valores dos fretes estão a subir em todas as classes de navios que são monitorizados pela Baltic Exchange. Os navios da classe Panamax, classe abaixo dos Capesizes, estão a cobrar 18.000 dólares por dia, o máximo desde 2010. A classe Handysize, com 9.700 dólares por dia, está num máximo desde 2011.
Segundo previsões dos especialistas a oferta total no mercado de transporte marítimo deve crescer quase 3% este ano. Enquanto na década passada, por vezes a capacidade expandiu-se em mais de 10%. Ainda assim, este aumento de preços recente pode não durar. As importações de minério de ferro por parte da China caíram 5% nos primeiros sete meses do ano – algo que é uma má notícia para um mercado que depende do país asiático para impulsionar o fluxo de cargas. Assim, muitos não prevêem que esta alta de preços seja estável apostando mais na volatilidade do mercado.

Os ouriços-do-mar têm uma boca cheia de dentes (e são afiados)


Desengane-se quem pensa que o tubarão é a criatura com os dentes mais assustadores a viver nas profundezas do oceano. Pode parecer estranho à primeira vista, mas estamos a falar do humilde ouriço-do-mar.
É certo que não temos muito a temer enquanto seres humanos. Embora as picadas dos seus espinhos sejam desagradáveis (e às vezes venenosas), a verdade é que estes animais não usam os dentes afiados para nos morder — as principais presas são as algas e os pepinos-do-mar.
De acordo com o Science Alert, uma nova investigação realizada pelo engenheiro mecânico e estrutural Horacio Espinosa, da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, usou técnicas de microscopia eletrónica para investigar como os dentes do ouriço-do-mar, localizados na parte inferior do seu corpo, se desgastam durante os processos de abrasão.
Os resultados agora obtidos confirmam uma hipótese já colocada anteriormente: os dentes afiam-se através da abrasão — tal como uma lâmina pode ser afiada com um afiador de facas, à medida que o material é removido da aresta de corte.
“O material na camada externa do dente exibe um comportamento complexo de plasticidade e dano que regula a lascagem ‘controlada’ do dente para manter a sua agudeza”, explica o engenheiro, cujo estudo foi publicado na revista científica Matter.
Quando o esmalte dos nossos dentes começa a desaparecer, desaparece definitivamente. No caso deste animal, os cinco dentes que tem são um bocadinho mais sortudos. Quando a camada fibrosa externa (chamada de “pedra”) lasca, é substituída por novos materiais que crescem de forma contínua. Com o tempo, esta nova camada volta a ficar quebradiça e é então que o ciclo se repete.
De acordo com os investigadores, este é um mecanismo biológico que pode levar a ciência a conseguir um dia fabricar materiais capazes de imitar este processo e talvez até levar ao desenvolvimento de “novos dentes artificiais para humanos com melhores propriedades”.
Via Zap

Nível dos oceanos pode subir com consequências para mais de mil milhões de pessoas, alerta novo estudo da ONU


Sem acção urgente para reduzir emissões de gases com efeito de estufa, os gelos permanentes vão derreter a um ritmo sem precedentes, elevando o nível dos oceanos com consequências para mais de mil milhões de pessoas, advertem peritos da ONU.


O alerta consta de um relatório lançado esta quarta-feira no Mónaco pelo Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas, dedicado ao impacto climático nos oceanos e na criosfera, as regiões cobertas por gelo e neve permanentes que constituem 10 por cento da superfície do planeta.
Durante este século, os oceanos deverão sofrer alterações “sem precedentes”, com temperaturas mais altas, água mais ácida, com menos oxigénio e condições alteradas de produção de recursos.
“Ondas de calor marinhas e fenómenos extremos ligados aos (fenómenos meteorológicos) ‘El Niño’ e ‘La Niña’ deverão tornar-se mais frequentes”, preveem os cientistas do IPCC, que ressalvam que “a frequência e a gravidade destas mudanças será menor num cenário de emissões de gases com efeito de estufa reduzidas”.
O IPCC estabelece que “o oceano e a criosfera acolhem habitats únicos e estão ligados a outros componentes do sistema climático através de trocas globais de água, energia e carbono”.
Alterações neste sistema afetam mais de mil milhões de pessoas em todo o mundo, desde os cerca de quatro milhões que vivem no Ártico aos 680 milhões das zonas costeiras e aos 670 milhões que se contam nas zonas de alta montanha, que poderão chegar aos 840 milhões dentro de 30 anos.
Os cientistas do painel constataram que o oceano global tem vindo a aumentar de temperatura desde 1970, absorvendo “mais de 90% do calor em excesso no sistema climático”, com ondas de calor marinho duas vezes mais frequentes desde 1982.
“Ao absorver mais dióxido de carbono, o oceano sofreu um aumento da acidez à superfície”, apontam os cientistas, considerando muito provável que 20% a 30% do dióxido de carbono (CO2) emitido pela atividade humana desde 1980 foi parar ao oceano e provocou uma perda de oxigénio desde a superfície marinha até aos mil metros de profundidade.
O nível médio global do oceano está a subir, com aceleração nas últimas décadas devido às perdas cada vez maiores das massas de gelo da Gronelândia e da Antártida e da perda continuada da massa dos glaciares e tem havido “aumentos da precipitação e de ventos tropicais ciclónicos, com episódios climáticos extremos que representam um risco para as zonas costeiras”.
O IPCC aponta uma subida “sem precedentes” do nível médio global dos oceanos no período de 2006 a 2015 em relação ao último século, a um ritmo de 3,6 milímetros por ano, atribuindo-a principalmente às massas de gelo e glaciares que derreteram.
Na Antártida, as perdas de gelo “triplicaram no período entre 2007 e 2016 em relação ao período 1997-2006”, lê-se no relatório em que se conclui com “confiança alta” que “a causa dominante da subida do nível médio do mar desde 1970 tem origem humana”.
A projeção dos cientistas é que a subida do nível dos oceanos atinja 15 milímetros por ano em 2100 e “vários centímetros por ano no século XXII”.
Níveis elevados das águas que se verificavam uma vez por século poderão ser uma realidade anual neste século.
Entre as consequências, o relatório aponta “alterações nas atividades sazonais e na abundância e distribuição de espécies animais e vegetais importantes ecológica, cultural e economicamente”, com “perturbações ecológicas e no funcionamento dos ecossistemas” e aumento do risco de extinção de espécies adaptadas a temperaturas baixas.
A perda das massas de gelo deverá “afetar recursos aquáticos e o seu uso”, com a libertação de metais como o mercúrio na água dos rios, consequências para a saúde, e na agricultura de zonas no sopé de montanhas, com “alterações nas cheias, deslizamentos de terras, avalanches e desestabilização dos solos”, com efeitos nas atividades humanas, da agricultura ao turismo.
Nos últimos 100 anos, “perto de 50% das zonas húmidas costeiras perderam-se em resultado da pressão humana, subida do nível do mar, aquecimento e eventos climáticos extremos”, perdendo-se “ecossistemas vegetais costeiros que protegem o litoral de tempestades e da erosão” e que absorviam dióxido de carbono, refere também o documento.
A tendência é para os glaciares continuarem a derreter nas próximas décadas: “as massas gelo da Gronelândia e Antártida deverão continuar a derreter a um ritmo crescente durante o século XXI e mais além”, uma realidade agravada no cenário de continuarem a aumentar as emissões de gases com efeito de estufa.
Medidas de mitigação dos efeitos descritos “ambiciosas e adaptação eficaz” são a única maneira de contrariar “os custos e riscos crescentes” de continuar a adiar ações concretas para limitar o aquecimento global.
“As pessoas mais expostas e vulneráveis são muitas vezes as que têm menos capacidade para responder”, nota o IPCC, frisando que muitas iniciativas ao nível governamental (como proteção de áreas marinhas ou sistemas de gestão de águas) estão “demasiado fragmentados em muitos setores administrativos” para serem eficazes face “aos riscos crescentes provocados pelas alterações climáticas”.
Entre as medidas apontadas como positivas, o IPCC refere a recuperação de ecossistemas vegetais costeiros, que poderão absorver cerca de “0,5% das emissões anuais atuais” e emitir menos dióxido de carbono, proteger o litoral de tempestades, aumentar a qualidade da água e trazer benefício à biodiversidade.
“Apesar das grandes incertezas sobre o ritmo e dimensão da subida do nível dos oceanos depois de 2050”, as comunidades costeiras beneficiarão de planeamento atempado, com “respostas flexíveis” que possam ir sendo adaptadas à realidade, diz o IPCC, admitindo medidas que podem ir de sistemas de alerta de cheia à relocalização de pessoas antes ou depois de desastres.
A redução “urgente e ambiciosa” de emissões é fundamental, consideram os cientistas, que defendem a mesma ambição para medidas de adaptação às alterações climáticas.
“Educação e literacia climática, monitorização e previsão, uso de todas as fontes de conhecimento disponíveis, partilha de dados, informação e conhecimento, financiamento e apoio institucional” são essenciais, salientam ainda. 

Foto: NSIDC/Ted Scambos

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Caverna em Maiorca mostra que a água do mar subiu 16 metros há milhares de anos


Escondida na costa nordeste da ilha espanhola de Maiorca, encontram-se as Cuevas de Artà, uma enorme rede de caverna repleta de estalagmites e estalactites.

Estas formações rochosas naturais dominam espaços cavernosos com nomes como a “Câmara do Purgatório” ou a “Câmara do Inferno” – mas a caverna Artà guarda um segredo antigo, revela agora um novo estudo.
Na nova investigação, uma equipa internacional de cientistas analisou depósitos minerais chamados espeleotemas dentro da Caverna Artà. Os espeleotemas, que incluem estalagmites e estalactites, assumem várias formas diferentes e desenvolvem-se lentamente à medida que precipitam nas reações químicas à base de água que ocorrem ao longo de dezenas a centenas de milhares de anos.
A análise desses depósitos geoquímicos pode dizer muito sobre as condições ambientais quando essa formação mineral surgiu.
No novo estudo, publicado no fim de agosto na revista especializada Nature, os cientistas analisaram caraterísticas chamadas supercrescimentos freáticos, que se formam dentro de cavernas, quando estas são inundadas pelo aumento da água do oceano.
Dentro da rede de cavernas, a equipa liderada pela geoquímica Oana Dumitru, da Universidade do Sul da Florida, identificou seis dessas formações de supercrescimento, encontradas em vários locais dentro da caverna e em elevações que variavam de 22,5 a 32 metros acima do nível do mar.
A análise das amostras extraídas desses supercrescimentos data dos depósitos de entre 4,39 a 3,27 milhões de anos atrás, indicando que se formaram durante a época do Plioceno, o último grande período de aquecimento da Terra, quando árvores até cresceram no Polo Sul. Mas isso não é tudo o que os investigadores descobriram.
Um intervalo durante o Plioceno Tardio, chamado Período Quente do Meio Piacenziano, é frequentemente considerado um tipo de análogo para o futuro aquecimento antropocêntrico. Isto porque as condições atmosféricas de dióxido de carbono eram comparáveis ​​às de hoje (cerca de 400 ppm) e o mundo estava entre 2 a 3°C mais quente do que uma temperatura média global pré-industrial.
Durante esse período, os cientistas descobriram que o nível médio global do mar estava a 16,2 metros acima do nível atual. De acordo com a equipa, é provável que, mesmo que o CO2 atmosférico se estabilize onde está hoje, o nível do mar provavelmente subirá inevitavelmente novamente às mesmas altitudes, embora reconheçam que possa demorar centenas ou milhares de anos.
“Considerando os padrões atuais de derretimento, a extensão do nível do mar provavelmente seria causada pelo colapso das camadas de gelo da Gronelândia e da Antártica Ocidental”, explicou Dumitru em comunicado.
Assim, escreve o ScienceAlert, se os humanos não são capazes de estabilizar ou reduzir o carbono atmosférico e outros gases de efeito estufa que capturam calor, poderíamos observar até 23,5 metros de elevação do nível do mar – algo que o mundo testemunhou pela última vez há quatro milhões de anos atrás, quando as temperaturas eram até 4°C superiores aos níveis pré-industriais.
Por outro lado, se conseguirmos manter com sucesso os aumentos acima da temperatura pré-industrial de 1,5 a 2ºC, estudos anteriores publicados no ano passado indicam que o aumento do nível do mar pode estar limitado entre dois a seis metros acima do atual nível do mar.
O objetivo científico dos invetsigadores é usar a química antiga contida na caverna Artà para ajustar a calibração dos futuros modelos de placas de gelo.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Será que o monstro de Loch Ness é uma enguia gigante?


Uma equipa de investigadores analisou cerca de 500 milhões de sequências de ADN para fazer um catálogo das espécies existentes no lago Ness e não encontrou nenhuma criatura gigante ou pré-histórica.

Um monstro gigante de pescoço comprido, a que carinhosamente se chama Nessie, tem alimentado mitos, livros, programas de televisão e filmes. O monstro de Loch Ness poderia ser um réptil pré-histórico encalhado naquele lago escocês, dizem alguns mitos. Agora, uma equipa internacional diz que pode não ser mais do que uma enguia gigante, noticiou a BBC. Será que, mesmo assim, o turismo movido pelo mito do mostro vai continuar a prosperar?



O primeiro relato de um monstro a viver naquelas águas escocesas remonta a 565 d.C., na obra do missionário irlandês Santo Columba, mas diz respeito ao rio Ness, não ao lago. Os relatos de uma criatura gigante a viver no lago surgem em 1933, descrevendo-o, por exemplo, como uma criatura semelhante a uma baleia que fazia agitar as águas.
A primeira fotografia do monstro surge no ano seguinte — e ficou conhecida pela “Fotografia do Cirurgião” —, mas 60 anos mais tarde a fotografia foi desmascarada e comprovou-se ser falsa. Afinal não passava de um brinquedo. Pelo caminho surgiram relatos de mais avistamentos, várias expedições e muitas teorias sobre o que poderia ser Nessie: elefantes dos circos que atuavam na região a nadar com a tromba de fora, ramos caídos a boiar, a ondulação do próprio lago, um peixe-gato gigante, um tubarão-da-gronelândia (o vertebrado mais antigo do mundo) ou mesmo um plesiossauro (um réptil marinho do período Jurássico).
Agora, uma equipa internacional, coordenada pela Universidade de Otago (Nova Zelândia), apresentou os resultados do ADN encontrado no lago. Foram recolhidas 250 amostras de água, em 2018, e analisadas cerca de 500 milhões de sequências do material genético aí encontrado, como se fossem pegadas ou impressões digitais deixadas dentro de água. As análises feitas permitem criar um catálogo de todas as espécies de plantas, insetos, peixes e mamíferos que vivem no lago.
O objetivo da equipa não era encontrar o monstro de Loch Ness. De facto, não encontraram e é nisso que se baseiam. Não encontraram vestígios de répteis marinhos pré-históricos, nem peixes gigantes, nem tubarões, nem tão pouco a presença de um animal de grande porte que correspondesse às descrições feitas da criatura. O que encontraram — e muito — foi material genético de enguias. Só não conseguem é dizer, com base no ADN, que tamanho têm as enguias que vivem naquelas águas.
Bem, os nossos dados não revelam o tamanho, mas a quantidade absoluta de material diz que não podemos descartar a possibilidade de haver enguias gigantes no lago Ness. Desse modo, não podemos descartar a possibilidade de que o que as pessoas veem e acreditam ser o monstro de Loch Ness seja uma enguia gigante”, diz Neil Gemmell, geneticista na Universidade de Otago.
E agora, quem é que quer ir ver o monstro de Loch Ness? Gary Campbell, que mantém um registo dos avistamentos, diz que todos os anos há pelos menos 10 relatos de algo inexplicável visto à superfície do lado. Para ele, o turismo que gira à volta do mito de Nessie não será afetado. “O monstro de Loch Ness é um ícone mundial.”
Chris Taylor, da VisitScotland, considera que as perguntas que continuam por responder só vão atrair mais visitantes à região em busca de respostas por elas próprias. Basta dizer que o lago é visitado anualmente por 400 mil pessoas.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Austrália diz que estado da Grande Barreira de Coral é agora “muito pobre”


A avaliação do estado da Grande Barreira de Coral passou de “pobre” para “muito pobre”, como resultado das alterações climáticas. É essa a conclusão de um relatório da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, na Austrália, que faz uma avaliação do estado de conservação da barreira a cada cinco anos.
“Os impactos significativos e em larga escala das temperaturas recorde da superfície marítima resultaram numa passagem do estado do habitat da barreira de coral de um estado pobre para muito pobre”, diz a agência governamental no relatório, citado pela Al Jazeera. “É urgente tomar acções de gestão fortes e efectivas a uma escala global, regional e local”, pede ainda o organismo, a fim de salvar a maior barreira de coral do mundo, com mais de dois mil quilómetros de comprimento.
The Guardian explica que o relatório conclui que os corais da Grande Barreira estão afectados e que há uma degradação do habitat que afecta peixes, tartarugas e aves.
A ministra do Ambiente australiana, Sussan Ley, destacou ainda que nos últimos cinco anos a Grande Barreira foi afectada por dois branqueamentos de corais de grande escala, bem como vários ciclones e uma invasão de estrelas-do-mar-coroas-de-espinhos, uma espécie predadora de corais. “Podemos mudar e estamos comprometidos com a mudança”, reforçou a ministra.
Imogen Zethoven, directora de estratégia da Sociedade Conservadora Marinha da Austrália, tem uma interpretação diferente: “Podemos dar a volta a isto, mas apenas se o primeiro-ministro se importar o suficiente para liderar um Governo que queira salvar [a Barreira]. Salvar significa liderar nesta matéria e conseguir reduzir as emissões de gases de efeito de estufa a nível mundial”, declarou à BBC. “Tivemos dez anos de avisos, dez anos de aumento das emissões e dez anos a ver a Barreira a caminhar em direcção a uma catástrofe.”