quinta-feira, 23 de agosto de 2018

Tubarões-baleia podem viver por até 130 anos


O maior peixe do mundo é o misterioso tubarão-baleia, que pode crescer e até pesar mais de 18 toneladas e ter 18 metros de extensão, embora a maioria chegue, no máximo a alguns metros e quilos menos do que isso. Parece também que esses gigantes podem viver por até 130 anos, segundo novas observações e modelos. Estudar como esses tubarões-baleia crescem ao longo do tempo, ou mesmo quantos deles existem, é um desafio. Pesquisas anteriores normalmente dependem de ossos de tubarão morto e podem ser imprecisas. Agora, uma equipe de cientistas trabalhando nas Maldivas está preenchendo as lacunas de conhecimento científico dessas enormes criaturas.
“Estimar as idades de tubarões em geral é difícil”, disse Mahmood Shivji, professor da Universidade de Nova Southeastern, na Flórida, em entrevista ao Gizmodo.
Cientistas estimam a idade de tubarões-baleia baseados em vértebras de espécimes mortos, que parecem ter anéis como as árvores. Mas não está claro como esses anéis se formam ao longo do tempo e se eles são de facto um marcador para o número de anos que a criatura existe.
Esses cientistas visitaram lugares em que os tubarões-baleia se reuniram ao longo de vários anos para fazer as medições. O estudante de pós-graduação Cameron Perry, primeiro autor do estudo da Universidade de Nova Southeastern, fez mergulho livre com tubarões diversas vezes nas Maldivas. A equipa fez medições em fitas, assim como com lasers e câmaras, para deduzir o tamanho. Eles rastrearam os novos e também os que retornavam, recolhendo dados de 186 encontros com 44 tubarões, a maior parte deles juvenil, ao longo de dez anos. Eles conseguiram reconhecer visitantes repetidos com base nos padrões de manchas nas costas dos animais.
Os cientistas então colocaram esses dados num modelo matemático — equações baseadas em observações anteriores e dados de como os tubarões-baleia cresceram ao longo do tempo que podiam estimar a idade do tubarão em diferentes tamanhos. O modelo calculou que os tubarões machos atingiam a maturidade aos 25 anos e viviam até os 130 anos. Essa não é a primeira estimativa da longevidade do tubarão-baleia, mas ela está dentro da faixa de outras estimativas, que vão de 79 a 174 anos. Ela é também parecida com estimativas feitas com contagem de vértebras.
No entanto, houve um número pequeno demais de fêmeas para se fazer uma estimativa da longevidade do tubarão-baleia fêmea. O artigo foi publicado na Marine and Freshwater Research.
Saber o quão grandes esses tubarões podem ficar e por quanto tempo eles podem viver é importante por motivos de conservação. “Uma compreensão mais profunda da idade e dos parâmetros de crescimento levará a estimativas melhores da capacidade das populações de tubarões-baleia de se recuperarem da superexploração, além de ser vital para planos de administração eficazes”, escrevem os cientistas. É mais fácil dizer quantos tubarões existem se souber por quanto tempo eles vivem.
No entanto, isso é um modelo, o que significa que é uma opinião especifica — os cientistas não confirmaram directamente a existência de um tubarão-branco de 130 anos. Ainda assim, essas medidas são as melhores que os cientistas têm a essa altura, disse Shivji, e as mesmas técnicas poderiam, talvez, funcionar com outras espécies de tubarão.
“Este é um novo método de medir tubarões vivos que pode ser aplicado a outros lugares”, disse Shivji. “Você não precisa depender de matar os animais ou de animais que são capturados em pescas.”

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Cinco países firmam histórico acordo sobre status do mar Cáspio



Autoridades dos cinco países à beira do mar Cáspio assinaram, no passado domingo no Cazaquistão, um acordo para definir o status deste mar.
Reunidos no porto cazaque de Aktau, representantes de Rússia, Irão, Cazaquistão, Azerbaijão e Turcomenistão firmaram este documento que concede um status de extensão marinha, em pleno vazio jurídico desde a dissolução da União Soviética.
O documento, que surge após 22 anos de diálogo - iniciado após a dissolução da União Soviética -, vai determinar questões como as actividades nas diferentes partes do Mar Cáspio, mas também matérias mais específicas, como a delimitação territorial, a navegação, a preservação, o meio ambiente e a segurança.
Na assinatura do protocolo, estiveram os líderes Ilham Aliyev (Azerbaijão), Hassan Rohani (Irão), Nursultan Nazarbaev (Cazaquistão), Vladimir Putin (Rússia) e Gubanguli Berdimujamedov (Turquemenistão).
O anfitrião da cerimónia, Nursultan Nazarbaev, do Cazaquistão, salientou na ocasião que este é um "acontecimento histórico".
"O consenso sobre este mar foi difícil de alcançar e demorou algum tempo", admitiu, realçando que "as negociações duraram mais de 20 anos e exigiram esforços significativos e conjuntos das partes envolvidas".
Por seu lado, Vladimir Putin falou numa cimeira "com significado para a época", apelando também a uma maior cooperação militar entre estes países do Mar Cáspio.
Este acordo deverá ainda servir para aliviar as relações diplomáticas entre os países deste território, que tem vastas reservas de hidrocarbonetos, bem como para preservar aquelas águas, uma vez que o fundo do mar e os recursos submarinos serão agora partilhados entre os cinco países.
Segundo Hassan Rohani, do Irão, o acordo está alinhado com o Plano de Acção Conjunto Global, acordo internacional relativo ao programa nuclear iraniano assinado em 2015 com o P5+1 (os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - China, Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia - e a Alemanha) e a União Europeia.
"Os países do Mar Cáspio vão defender o Plano de Acção Conjunto Global [entretanto abandonado pelos Estados Unidos] como um acordo internacional valioso", sublinhou Hassan Rohani, intervindo na ocasião.

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

A influência dos gases poluentes na vida do Oceano


A acidificação dos oceanos resultante das emissões de dióxido de carbono está causando a perda do olfacto dos peixes. Uma nova pesquisa revelou que, à medida que os níveis de ácido carbónico na água do mar aumentam, o robalo perde até metade de sua capacidade de distinguir odores.
As emissões de dióxido de carbono provocam acidez, quando o gás se dissolve na água, um fenómeno que também causa erosão na concha dos moluscos.
A descoberta é de grande importância, uma vez que o olfacto orienta os peixes nas suas actividades básicas, como encontrar alimentos, parceiros e perceber a presença de predadores.
“O nosso estudo é o primeiro a examinar o impacto da acidificação dos oceanos no olfacto dos peixes”, disse a investigadora da Universidade de Exeter, Cosima Porteus, que liderou a pesquisa.
Os investigadores compararam o comportamento dos robalos nos níveis actuais de dióxido de carbono na água do mar, com a reacção à presença de níveis maiores.
Eles perceberam grandes mudanças no comportamento dos peixes em águas mais ácidas. Os robalos começaram a movimentar-se menos e não notaram como antes, a presença de predadores.
Os resultados da pesquisa, publicados na revista científica Nature Climate Change, comprovam as evidências de estudos anteriores sobre a ameaça que a acidificação dos oceanos representa para a fauna marinha.
Segundo as pesquisas anteriores, a acidificação dos oceanos causada pelas emissões de dióxido de carbono afecta não só o olfacto dos peixes, como também prejudica o sistema nervoso dos animais e interrompe o processamento de informações nos seus cérebros.
“Ainda não se sabe com que rapidez o peixe será capaz de superar esses problemas, diante da previsão de um aumento de até duas vezes e meia de dióxido de carbono no final do século”, disse o professor Rod Wilson, da Universidade de Exeter, e co-autor do estudo.

Navios de carga ganham nova vida como casas ecológicas


Se é verdade que os navios de carga são, durante décadas de vida, responsáveis por uma quantidade elevada de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera, isso não quer dizer que não podem ser usados de forma sustentável. É essa a ideia por trás deste projecto, que pretende reciclar vários navios de carga desactivados, levando-os para terra firme, onde vão ser reconvertidos em moradias, confortáveis, energeticamente eficientes e rodeadas pela natureza.
A ideia foi proposta na Holanda, por quatro empresas a trabalhar em conjunto. Estas pretendem construir um parque, chamado Marine-doc Estate, onde os cargueiros vão ser instalados como se fizessem parte da paisagem natural. Vão ser habitados por pessoas que procurem uma moradia exclusiva, mas que tenham interesse em assegurar a sustentabilidade ecológica da ideia. Só falta encontrar locais para construir o parque, num conceito que pode até ser exportado para outros países.
A peça central deste projecto de construção vai ser o Kempenaar, que no seu tempo foi um dos maiores cargueiros a navegar pelos canais internos da Holanda. Agora, estava marcado para ser desmantelado, até surgir o projecto da Marine-doc Estate, que vai salvaguardar a identidade do Kempenaar ao mesmo tempo que aproveita os 60 metros de comprimento da sua estrutura para servir como lar para uma família. O interior pode ser alvo de uma grande quantidade de personalização, com espaço para um pátio e uma garagem. O convés tem um extenso espaço para jardim com vista para os terrenos circundantes.
As quatro empresas associadas pretendem construir dois condomínios Marine-doc Estate na Holanda e 16 noutros países. Cada um será diferente, acomodando entre seis e 14 navios de carga usados, conforme as condições do terreno. Os condomínios não serão fechados, pelo contrário, terão que ter acesso público, mas com caminhos desenhados para preservar a privacidade dos residentes.
Fonte: Motor24

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Atiras lixo para o mar? Mais dia menos dia ele vai parar à tua mesa



Mergulha nas profundezas do oceano em busca de beleza, mas o mar devolve-lhe também um filme de terror. Sónia Ell fotografa o lixo marinho e quer levar as provas do que encontra às escolas. Só as novas gerações nos podem salvar, diz.

Em matéria de lixo marinho e suas consequências, “isto é um bocadinho como o carma” — “a gente manda para longe mas ele volta”. A imagem é usada por Sónia Ell, com as devidas reservas de crenças, para falar do “grave problema” de poluição dos oceanos: “Mandamos o lixo para o mar, mas mais cedo ou mais tarde ele vem-nos parar à mesa.” Palavra de mergulhadora, que anda desde 2015 a recolher provas fotográficas do plástico que encontra no oceano, ao largo dos Açores, e quer levar esse testemunho às escolas: “É preciso alertar as gerações mais novas, são elas que podem reverter o que as gerações do meu pai e do meu avô fizeram.”


O projecto +1=-1 é a “herança” que Sónia Ell, 44 anos, aspira deixar ao planeta. “Quero dizer às crianças que mais um significa menos um”, explicou ao P3 numa conversa telefónica: “Se pusermos mais um plástico no mar é menos um que podemos reciclar e mais um destruído com a erosão natural que vem parar à mesa.” A consciência ambiental foi-lhe entrando pela casa enquanto menina, ganhou dimensão quando se tornou mergulhadora (com o objectivo de combater o medo da água com algas e chegar mais perto da sua enorme paixão, os tubarões), e teve o clique definitivo no momento em que assistiu ao documentário Racing Extinction, onde se revelam imagens perturbadoras de espécies em perigo. “Ainda nos esquecemos muitas vezes das consequências dos nossos actos.”

Desde os anos 80 que Filipe Mora Porteiro, director regional dos Assuntos do Mar do Governo Regional dos Açores, vem notando o aparecimento de lixo e plástico na costa. Mas nessa altura, este era ainda um “problema menor”. Com o passar dos anos, o dilema foi crescendo e tornou-se preocupação política. No terreno, há vários projectos que procuram “minimizar” uma dor de cabeça ambiental que vai muito para lá das fronteiras das ilhas açorianas e se torna, por isso, difícil de contornar. “O lixo marinho de origem endógena, produzido nas ilhas e pelas frotas locais, está a diminuir”, aponta, para logo de seguida ir ao ponto principal: “É difícil avaliar a tendência global, mas parece-me que há mais lixo. Ainda não se tomaram medidas globais que consigam inverter esta tendência.” 

O Plano de Acção para o Lixo Marinho nos Açores (PALMA) congrega diversas entidades e iniciativas que abordam o problema em distintas perspectivas: há, por exemplo, campanhas de recolha e monitorização de lixo costeiro e subaquático, acções de sensibilização da população e junto de pescadores e desportistas náuticos. Só entre final de Maio e de Junho houve 25 campanhas de limpeza em todas as ilhas, envolvendo centenas de voluntários. E as ilhas estão também a ser equipadas com centros de triagem e pontos de recolha selectiva, de forma a minimizar a entrada de resíduos no meio marinho.


Sempre que vai à praia, Sónia perde algum tempo a limpar alguns metros quadrados de areal. Como mergulhadora, pensa sempre duas vezes antes de apanhar qualquer objecto. Talvez nunca tenham pensado nisto: “No fundo do mar, uma garrafa pode tornar-se o habitat natural de um animal. Se retirar uma garrafa posso trazer lá dentro um polvo bebé, por exemplo, que é tão pequeno que não se vê.”

Na areia e na água, à tona ou nas profundezas, Sónia encontra de tudo. Chinelos, carrinhos de supermercado, brinquedos, embalagens de comida, garrafas, escovas dos dentes, coisas muito grandes e partículas já minúsculas, provavelmente em processo de erosão há anos, redes fantasma perdidas no fundo do mar e a “pescar animais eternamente”, matando-os.


Para debaixo de água, Sónia levava uma máquina fotográfica e ia “fazendo prova” do que via. Mostrava-as aos amigos e familiares, espantada e revoltada, mas não fazia montra com o problema. O projecto +1=-1 foi o salto que lhe faltava: Sónia Ell não tem aspirações na área fotográfica, mas quer usar as provas em formato de pixel para fazer passar uma mensagem que de outra forma talvez não fosse eficaz. Uma espécie de “ver para crer” com um número impressionante que Sónia, directora de uma joalharia de luxo em Lisboa, nunca deixa esquecer: “Em 2050 teremos mais plástico do que peixe no mar”.

O problema ganhou notoriedade sobretudo “a partir de 1997, quando foi descoberta a grande mancha de lixo do Pacífico Norte”, recorda a bióloga e investigadora em microplásticos e lixo marinho, Paula Sobral. A bordo de um catamarã, o oceanógrafo californiano Charles J. Moore encontrava uma ilha de plástico flutuante no oceano e levava o assunto à comunicação social e mais tarde à comunidade científica. Mais recentemente, o enfoque colocou-se nos microplásticos, “que são provavelmente o que representa o maior impacto no ecossistema marinho e no ser humano”, diz ao P3. “Como são partículas muito pequenas que podem ser invisíveis, os microplásticos podem ser ingeridos. Já foram detectados em vários alimentos humanos e todos os animais marinhos de alguma maneira acabam por ingerir partículas de plástico e fibras.”


A poluição dos oceanos é, ainda assim, um problema “muito desigual”. Confrontando a costa portuguesa com a da Ásia, por exemplo, estamos incomparavelmente melhor. Nos Açores, como na Madeira, a exposição é maior: “Na zona central dos oceanos existe uma acumulação maior de lixo marinho. A dinâmica de circulação global oceânica faz com que nessas zonas se encontrem uma espécie de pequenos vórtex que acabam por concentrar no seu interior aquilo que está a flutuar.”

Para Paula Sobral, coordenadora do projecto pioneiro “Poizon - Microplásticos e poluentes persistentes. Uma dupla ameaça à vida no mar”, a população está até “bastante atenta” ao problema. “Mas isso vale o que vale, porque não corresponde de maneira nenhuma a uma mudança de hábitos”. A solução, acredita, passa por “um conjunto de medidas partilhadas por vários sectores da sociedade, consumidores, indústria” — incluindo algumas “imposições, de banir ou substituir determinados materiais”.


É um caminho lento, mas tem de ser iniciado “já”, diz Sónia Ell: “A humanidade já esgotou o seu crédito”. Entre o trabalho na joalharia de luxo e a actividade amadora de fato de mergulho, Sónia vai continuar a construir a sua herança: “Acredito que se salvarmos um coração salvamos a humanidade. Sou optimista: a pouco e pouco chegamos lá.”

Fonte: Público

Embalagem é encontrada dentro de peixe jurássico que vive no fundo do oceano


Não é por sua aparência somente que o celacanto é um peixe conhecido como “fóssil vivo”: estima-se que tal espécie exista no actual estado evolutivo há 400 milhões de anos. Mantendo há tanto tempo as mesmas características genéticas no fundo dos oceanos, onde o celacanto vive, é impossível medir a quantidade de adversidades que esse peixe enfrentou ao longo do tempo para sobreviver. A foto foi tirada por um pescador na Indonésia em 2016, mas somente veio a público agora. Apesar de viver nas profundezas – onde as alterações no habitat acontecem de forma radicalmente mais lenta do que em outras partes do oceano ou do planeta – até mesmo o celacanto parece enfim ameaçado pelo efeito da acção humana nos mares. Até então era justamente o estado inalterado do fundo dos oceanos, aliado às suas características genéticas, que faziam com que o celacanto tenha sobrevivendo com tanta resiliência. As características fizeram do celacanto um ponto fora da curva do processo evolutivo: as estimativas dos biólogos sugerem que tal espécie deveria ter sido extinta há 65 milhões de anos. Para se ter uma ideia da longevidade dessa espécie, acredita-se que o celacanto seja parente próximo do primeiro vertebrado a sair das água para a terra. Se o cenário actual já é apocalíptico no que diz respeito à poluição nos mares, o prognóstico é ainda mais terrível: pesquisas afirmam que até 2025 os oceanos estarão três vezes mais poluídos do que hoje. Pelo visto, nem mesmo o indestrutível celacanto será capaz de vencer a ignorância humana. 



Fonte: Hypeness



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Acidificação dos oceanos deve intensificar nas próximas décadas


Considerado um dos fenómenos que mais afectam os oceanos actualmente, a acidificação oceânica só foi mencionada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) no seu quinto relatório de avaliação (AR5), publicado em 2013 – o primeiro relatório é de 1990.
O órgão da ONU destaca no Sumário para formuladores de políticas públicas do AR5 que o oceano tem absorvido cerca de 30% do dióxido do carbono atmosférico (CO2) emitido pela acção humana.
O aumento da concentração e da dissolução de CO2 tem diminuído o pH da água superficial dos oceanos desde o início da era industrial e aumentado a sua acidez, afirmaram os autores do relatório. A partir de então, a acidificação dos oceanos passou a integrar todos os cenários de mudanças futuras do clima do AR.
O tema deve ganhar ainda mais destaque no AR6 – previsto para ser finalizado em 2021 – e no Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera num Cenário de Mudanças Climáticas, que deve ser finalizado pelo IPCC em Setembro de 2019, estimou Jake Rice, membro do grupo de especialistas da Avaliação Mundial dos Oceanos da ONU.
Especialista em ecologia e biologia marinha, conselheiro e cientista-chefe do Departamento de Pesca e Oceanos do Canadá, Rice é um dos investigadores convidados da São Paulo School of Advanced Science on Ocean Interdisciplinary Research and Governance. O evento, realizado pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), com apoio da FAPESP, ocorre até 25 de Agosto no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.
“Há uma confiança muito alta de que a acidificação dos oceanos tem aumentado e têm sido bastante documentado os efeitos desse fenómeno em organismos marinhos que dependem de carbonato de cálcio para os seus processos de calcificação”, disse Rice.
“As séries temporais de observação dos oceanos, que permitiriam estimar a taxa e a trajectória desse fenómeno ao longo das últimas décadas, contudo, são muito curtas. As de acidez oceânica em águas costeiras, por exemplo, datam de pouco antes de 2005”, disse.
De acordo com o investigador, os modelos de sistemas terrestres projectam um aumento global na acidificação e diminuição no pH oceânico em todos os cenários de emissão e concentração de gases de efeito estufa, mas com grandes e incertas variações regionais e locais.
Os países em desenvolvimento e as pequenas ilhas dos trópicos, que dependem de recursos marinhos, serão os mais afectados directamente ou indirectamente pelo fenómeno.
Os impactos negativos da acidificação oceânica devem variar de mudanças na fisiologia e comportamento dos organismos (como moluscos) e na dinâmica populacional que afectarão os ecossistemas marinhos (como os recifes de corais), durante séculos se as emissões de CO2 continuarem no ritmo actual. Mas há uma série de outros impactos, muitos dos quais ainda não compreendidos, ponderou Rice.
“A acidificação dos oceanos ilustra vários dos desafios que temos enfrentado na ciência do oceano. É preciso mais dados que nos permitam estabelecer relações entre as propriedades físicas de sistemas dinâmicos, com impactos biológicos nos ecossistemas e na sociedade”, afirmou.
Na opinião do canadiano, um dos factores que tornam mais difícil fazer ciência dos oceanos em comparação com as ciências da terra é a maior facilidade em entender a dinâmica terrestre porque vivemos em terra. Dessa forma, é possível ver e analisar directamente como o sistema terrestre funciona.
“A nossa compreensão do oceano precisa prestar mais atenção às evidências e menos à percepção de que é possível entendê-lo por analogia ou inferência do conhecimento sobre a terra e os seus sistemas biofísicos”, disse Rice.
Fonte: Exame

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Nova Caledónia restringe pesca e turismo para proteger recifes e baleias



A Nova Caledónia, território francês situado no oceano Pacífico, impôs esta terça-feira restrições de circulação a embarcações turísticas e de pesca. Esta medida representa um esforço para a protecção dos recifes corais existentes na região e, ao mesmo tempo, serve para criar um santuário para as baleias-corcunda e outras espécies marinhas. As restrições foram conhecidas esta terça-feira através de um comunicado do governo local. A medida afectará o Parque Natural do Mar de Coral, que é a quarta maior área marítima protegida do mundo, com cerca de 1,3 milhões de quilómetro quadrados, abrigando 41% dos recifes de coral da Nova Caledónia, segundo a agência Reuters. As novas restrições, que ajudarão a proteger este habitat marítimos e as suas espécies, abrangerão 28 mil quilómetros quadrados do tamanho total do parque, onde a pesca será estritamente proibida. A fiscalização será feita com a colaboração da marinha francesa. Como o turismo é uma das principais fontes de receita do arquipélago com 260 mil habitantes, os recifes ainda poderão ser visitados, mas somente por grupos pequenos previamente autorizados. Estima-se que a Nova Caledónia receba cerca de 600 mil turistas por ano. Vários países têm tomado medidas idênticas pela defesa da vida marinha, enfrentando, em grande parte dos casos, os interesses comerciais relacionados com as indústrias do turismo e da pesca. Em Abril, a Austrália anunciou que iria investir mais de 300 milhões de dólares para proteger a Grande Barrreira de Coral, que se encontra ameaçada sobretudo pela poluição e pesca ilegal. Este arquipélago do Pacífico abriga uma rica variedade de fauna selvagem, incluindo 2,5 milhões de aves marinhas e mais de 9300 espécies marinhas, como as baleias-corcunda. Este conjunto de restrições, anunciado pelo executivo local, já foi alvo de elogios por parte de várias organizações ambientais. “É este o tipo de liderança que queremos ver no âmbito da conservação dos recifes corais e, por isso, aplaudimos”, afirmou Jonh Tanzer, director da WWF para os assuntos relacionados com os Oceanos, citado pelo jornal britânico Guardian. Mas algumas organizações ambientais ainda não estão completamente satisfeitas e consideram que esta restrição ainda é insuficiente para uma protecção eficaz da vida marinha daquela região, uma vez que abrange apenas 2% dos 1,3 milhões de quilómetro quadrados da área total do Parque Natural do Mar de Coral. "Apesar de considerarmos esta medida como um grande avanço para a protecção ambiental, estamos convencidos que a Nova Caledónia pode ir mais longe, e ser o exemplo para os outros países do pacífico", reiterou Christophe Chevillon, da organização ambiental Pew Bertrarelli, que trabalhou na elaboração do esboço para este projecto de lei. Segundo a WWF, os corais, que são de extrema importância para a fauna marítima, pois, apesar de cobrirem apenas 0,1% da superfície do oceano, suportam um quarto das espécies marinhas conhecidas, estão em declínio no mundo, encontram-se ameaçados pelas mudanças climáticas e pela poluição.

Fonte: Público

Apenas 13% dos oceanos não foram alterados pelo ser humano


Os oceanos cobrem aproximadamente 70% de toda a superfície da Terra e parece que nada desta expansão marinha está fora do alcance do ser humano – apenas 13% dos mares permanecem inalterados. 
Em todo o mundo, só 13,2% dos mares – cerca de 54 milhões de quilómetros quadrados – estão num estado verdadeiramente selvagem, não tendo sido alterados pelo Humano, aponta um novo estudo publicado na Current Biology.
Em termos de comparação, a Ásia cobre uma área total de 44,5 milhões de quilómetros
“Quase toda a área ainda selvagem está localizada no Ártico, na Antártida ou nas ilhas remotas do Pacífico”, disse Kendall Jones, co-autor do estudo e especialista em planeamento da Wildlife Conservation Society à Live Science.
Acrescentando que “nas regiões costeiras, onde a actividade humana é mais intensa, quase não há mais nenhuma área selvagem”.
“Descobrimos também que quase toda a natureza selvagem está desprotegida, deixando-a assim vulnerável para a ser perdida na totalidade a qualquer momento, já que as melhorias nas tecnologias de pesca e navegação nos permitem chegar e pescar mais fundo nos oceanos”, explicou.
Talvez tão perturbador quanto estes dados, adiantou Jones, é que: apenas 4,9% da natureza marinha selvagem está localizada em áreas protegidas, nas quais a lei restringe as actividades humanas.
Para o estudo, os investigadores consideraram como natureza selvagem as áreas “livres da intensa actividade humana”. Foram compilados dados sobre os níveis de várias actividades humanas nos mares e, em seguida, os cientistas identificaram as áreas de menor actividade humana.
Os investigadores atribuíram a cada quilómetro quadrado do oceano um valor que avalia o quão afectado o espaço foi por um dos 15 factores causados pelo Homem, tais como pesca, transporte comercial, escoamento de nutrientes e pesticidas e ainda factores relacionados com as alterações climáticas – acidificarão dos oceanos e aumento do nível das águas do mar.
“Os nossos resultados demonstram que não há quase nenhum lugar no oceano onde as pessoas não estejam interessadas em usar para algum propósito”, acrescentou Jones.
Então, o que nos reserva o futuro? Isso depende de como agirmos, explicou o especialista.  “É crucial proteger as áreas selvagens marinhas se quisermos proteger toda a biodiversidade marinha para o futuro”, concluiu.
Fonte: Zap

Peritos avançam recomendações para proteger biodiversidade da mineração no Mar


Uma equipa internacional – de que fazem parte três investigadores portugueses – desenvolveu um conjunto de recomendações que auxiliem a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos (ISA, na sigla em inglês) a proteger a biodiversidade do mar profundo face ao aumento da mineração nessas zonas. A ISA, criada pela Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, avalia “os pedidos de mineração no solo e subsolo marinhos fora da jurisdição nacional”, indicou à agência Lusa a investigadora Marta Chantal Ribeiro, do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (Ciimar), uma das entidades envolvidas no projecto. Essa entidade, prossegue Marta Chantal Ribeiro, especialista em direito, aplica igualmente um plano de gestão ambiental para essas zonas, “tendo estabelecido um objectivo de conservação de 30% a 50% da área total de gestão em cada região oceânica”. Este projecto, que deu origem a um artigo publicado em Julho na revista científica Science Advances, propõe um conjunto de critérios que permitem à ISA ter a base científica para pôr em prática o plano de gestão ambiental e avaliar o número, a forma, o tamanho, a distância e a localização das áreas seleccionadas para a definição de “zonas sem mineração”, em particular na Dorsal Médio-Atlântica. Estas recomendações foram desenvolvidas por uma equipa internacional com especialistas de 16 instituições de países como, além de Portugal, os Estados Unidos, o Reino Unido, a Rússia, a Alemanha e a França. Portugueses, além de Marta Chantal Ribeiro, participaram também os biólogos Ana Colaço e Telmo Morato, da Universidade dos Açores. O objectivo destas recomendações é “proteger um número representativo de importantes habitats e espécies associadas”, referiu Marta Chantal Ribeiro, também docente da Faculdade de Direito da Universidade do Porto. “A mineração é uma actividade altamente destrutiva”, sublinhou, acrescentando que a ISA “não reúne os requisitos científicos necessários para definir as áreas que devem ser excluídas da mineração”. As propostas apresentadas pelo grupo “contribuem de forma significativa para o processo de decisão e gestão da actividade de mineração nos fundos oceânicos, permitindo identificar regiões de importância ambiental crítica, como áreas próximas a fontes hidrotermais activas, onde nenhuma actividade de mineração deverá ocorrer”, indicou ainda. A par dos campos hidrotermais (emanações de fluidos quentes, minerais e metais vindos do interior da Terra), estas recomendações contemplam outros “ecossistemas vitais”, como os montes submarinos e as zonas de agregações de corais. Na plataforma continental portuguesa, aponta a investigadora, existem áreas de interesse geotermal ao largo dos Açores, “cuja gestão poderá beneficiar grandemente com a implementação destes critérios também a nível nacional”. As propostas elaboradas pela equipa levam em consideração as mudanças que podem ocorrer no fundo do mar nos próximos 100 anos devido às alterações climáticas, nomeadamente no que se refere às alterações do pH, da temperatura, do carbono orgânico e do oxigénio dissolvido. “Embora não possamos proteger tudo, é preciso criar zonas amplas de protecção. Dessa forma, caso uma comunidade fora do âmbito da protecção venha a ser afectada pela mineração, existe uma representatividade dentro dos campos dos ecossistemas protegidos, garantindo que as espécies possam comunicar-se, se for necessário”, salientou. “Dentro do grau de incerteza que o conhecimento actual determina”, com estas recomendações os especialistas esperam que, dentro das áreas identificadas, esteja “garantida a viabilidade futura do equilíbrio do oceano Atlântico, um objectivo mais difícil de alcançar”. “Dentro do grau de incerteza que o conhecimento actual determina”, com estas recomendações os especialistas esperam que, dentro das áreas identificadas, esteja “garantida a viabilidade futura do equilíbrio do oceano Atlântico, um objectivo mais difícil de alcançar”.
Marta Chantal Ribeiro contou que outra das preocupações dos envolvidos no projecto é garantir a dinâmica do plano de gestão ambiental regional. Assegurar que áreas abandonadas pelas empresas de mineração, por não serem rentáveis ou interessantes para mineração, passem a ser automaticamente protegidas no âmbito do plano é outro dos intuitos do grupo de trabalho.

Fonte: Público

Data center submerso: veja as câmaras da Microsoft no fundo do mar


A Microsoft escolheu as ilhas Orkney, na Escócia, para instalar um centro de dados debaixo de água com o objectivo de investigar se é possível aumentar a eficiência energética, bem como reduzir o custo do arrefecimento associados aos data center tradicionais.
Na altura, Ben Cutler, o responsável pelo projecto denominado Natick, explicou que dessa maneira seria possível conseguir “um arrefecimento muito mais eficaz dentro de água do que em terra”.
A instalação deste centro de dados “aquático” é também uma tentativa de criar uma alternativa mais sustentável para o armazenamento de dados, visto que pode ser alimentado por torres eólicas localizadas perto da água.
Por fim e tendo em conta que cerca de metade da população mundial vive perto da costa, este data center também vai permitir um acesso mais rápido aos serviços online.
Para ajudar a perceber os desafios que poderiam surgir à volta destes repositórios de dados, a empresa instalou duas câmaras para fazer streaming ao vivo do data center submarino.
Os interessados em saber o que se passa debaixo de água só têm que visitar o site do projecto e escolher a opção “Live Cameras”.
Os servidores instalados neste centro de dados podem ficar no fundo do oceano durante cinco anos.
Fonte: Tek
  

Esqueça as águas cristalinas e os peixes. O mar está entregue ao plástico.


Algumas praias deixaram de ser paraísos e passaram a ser verdadeiros infernos. Bali é um dos exemplos. São cenários trágicos, que chocam, mas continuam a multiplicar-se.

No verão, multiplicam-se sugestões para aproveitar as férias ao máximo. Entre os conteúdos mais partilhados estão listas com algumas das praias mais bonitas do mundo. No entanto, muitas vezes o que a natureza tem para dar já foi estragado pelo homem. É o caso de centenas de praias onde os mergulhos são dados no meio de... lixo. Falamos de casos onde já não há espaço para falar de águas cristalinas, porque estas deram lugar a verdadeiros mares de plástico. Um dos exemplos mais polémicos e dramáticos acontece em Bali, na Indonésia. 
Em Março, um mergulhador chocou o mundo ao partilhar no Youtube e nas redes sociais um vídeo em que nada perto de Bali, num mar onde o que mais se vê é lixo. O material mais visto? “Sacos de plástico, garrafas de plástico, copos de plástico, baldes de plástico, ferramentas de plástico, sacos de plástico, mais sacos de plástico, plástico e plástico. Tanto plástico”, respondeu Rich Horner, na publicação que acabou por ser vista um pouco por todo o mundo. 
Com a situação a horrorizar tanto turistas como ambientalistas, muitos começaram a insistir na necessidade de arranjar soluções, já que a poluição começou a afectar várias espécies. A agravar a situação está ainda o facto de a Indonésia produzir cerca de 130 mil toneladas de lixo sólido todos os dias. Com muito plástico no meio, metade chega às lixeiras, enquanto a outra metade é queimada ilegalmente ou atirada aos rios ou ao mar. 
Também a República Dominicana tem feito correr muita tinta na imprensa internacional. No mês passado, foi notícia que na praia de Montesinos, em Santo Domingo, foram recolhidas, em apenas três dias, 30 toneladas de plástico. Aquelas fotografias de praias paradisíacas desapareceram e deram lugar a outras que mostram uma realidade muito diferente. Um manto de lixo a boiar no mar foi o que se viu num vídeo partilhado por uma equipa da ONG Parley Oceans, que se dedica à conservação dos oceanos. 
“Precisamos de uma onda de mudança e de uma revolução material”, pediu a organização, depois de ter realizado o trabalho de limpeza em conjunto com as forças armadas, elementos da Marinha e ainda cerca de 500 funcionários públicos. 
“No passado enviávamos postais de praias mágicas e palmeiras. Agora, são ondas de resíduos plásticos. A menos que façamos alguma coisa já, a geração futura não irá acreditar que os cenários dos postais alguma vez tenham existido. Estamos a pedir uma Revolução Material – o plástico tem de desaparecer”, tem insistido Cyrill Gutsch, fundador desta organização. A verdade é que, depois de publicadas as imagens desta praia, muitas vozes se lhe têm juntado. 
Para conseguir ter mais expressão nesta luta contra o plástico, a organização decidiu transformar o plástico recolhido em produtos de consumo. A ideia tem como objectivo maior alertar para a poluição dos oceanos e para a necessidade de começar a mudar rotinas e consciências. 

Ao i, Marta Dias conta que, com viagem marcada para Punta Cana, pensou em desistir. Acabou por manter a viagem, mas para outro local: “Vamos na mesma, mas para um local que fica a 180 quilómetros do que estava planeado”. 
Dados assustam Segundo um estudo publicado em Março deste ano, quase 80 mil toneladas de detritos de plástico ocupam no oceano Pacífico, entre a Califórnia e o Havai, uma área que equivale a três vezes o território de França. O coordenador do estudo, o investigador Laurent Lebreton, da Ocean Cleanup Foundation, explica que a quantidade de plástico tem vindo a aumentar “exponencialmente” e salienta que é preciso olhar com atenção para os números. Em 1990, a produção de plástico era metade da actual. Dizem os especialistas que, se nada for feito para evitar o consumo deste material, acabaremos por ter mais plástico do que peixe.
Fonte: Ionline