terça-feira, 17 de julho de 2018

Descoberta de corais profundos nos mares da Madeira



O Observatório Oceânico da Madeira (OOM) anunciou a descoberta de uma planície de corais profundos ao largo da Ribeira Brava, a uma profundidade de dois mil metros, com o auxílio de um robô subaquático. "Para a Madeira é com certeza inédito", afirmou Rui Caldeira, director do OOM, adiantando não ser "muito comum ver-se em mar profundo uma concentração tão grande de espécies de corais" como aqueles que foram encontrados em frente à Ribeira Brava, concelho a oeste do Funchal.
O OOM tem um projecto financiado por fundos do FEDER e parte deste projecto visa ir ao mar para recolher nova informação, depois de uma campanha oceanográfica feita em 2017 que foi focada essencialmente na zona costeira da ilha da Madeira, tendo regressado este ano, durante o mês de Julho.
Em colaboração com o Instituto Hidrográfico e a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental foi possível ter na região o ROV Luso, (do inglês Remotely Operated Vehicle), um veículo de operação remota utilizado no estudo e na exploração do oceano a bordo do navio da Marinha Portuguesa NRP Almirante Gago Coutinho. "Foi durante a tarde do dia cinco de Julho de 2018 que o ROV Luso fez o seu primeiro mergulho a sul da Ilha da Madeira. Após uma hora e 30 minutos de descida, o ROV Luso pousou na planície abissal, a cerca de 2000 metros de profundidade, ao largo da Ribeira Brava", relatou.
Depois de este ser movimentado junto ao fundo, "a equipa de investigadores encontrou pela primeira vez na região uma grande concentração de corais de mar profundo, espécies com grande valor ecológico e importantes indicadores climáticos", disse. Ressalvou que não sendo especialista em corais, lhe é permitido, no entanto, afirmar que a descoberta dos corais é "um bom indicador da qualidade ambiental, por um lado, e como têm um esqueleto de carbonato de cálcio têm muitas assinaturas das alterações climáticas, sendo um indicador importante da saúde do ecossistema".
Disse ainda que "as fotos recolhidas pelo ROV Luso ao largo da Ribeira Brava revelam a diversidade de formas e de cores destes corais descobertos nestas zonas totalmente desprovidas de luz, bem como os complexos ecossistemas que estes ostentam em seu redor", afirmou. De acordo com o responsável, o trabalho científico de recolha vai continuar no sentido de se perceber a diversidade do sistema, numa equipa constituída por investigadores portugueses.


Dourada com sabor a mar!


A dourada tem um corpo de forma oval, de cor cinzento-prata, uma mancha dourada entre os olhos e o sabor que traz a história do oceano.
Apresentamos-lhe a Sparus aurata, ou, por outras palavras, a dourada. Este peixe encontra-se, sobretudo, no Atlântico Nordeste e Mar Mediterrâneo, onde habita a coluna de água em zonas até 150 m de profundidade. Vive solitária ou em pequenos grupos e alimenta-se de moluscos, crustáceos e ouriços-do-mar. Reproduz-se de outubro a dezembro e vive aproximadamente 15 anos, tendo um porte variável de acordo com seu habitat.
Um peixe peculiar
Esta espécie pode ser encontrada por toda a costa Atlântica e Portuguesa, Mediterrâneo e Norte de África e vive em fundos mistos de areia e pedra, procurando zonas de laje rochosa para a desova. Na época da desova, as douradas apresentam-se em grande número nas zonas preferidas de nidificação, como é o caso do Cabo Espichel, Vereda ou ao longo da costa da Comporta, em Setúbal. E, surpreenda-se, com esta particularidade: as douradas são hermafroditas, nascem macho mas com a maturação sexual, por volta dos dois anos, convertem-se em fêmea.
Benefícios do seu consumo
Para além disso, os benefícios do seu consumo para a saúde são muitos. Quando inserida numa alimentação equilibrada e num estilo de vida saudável, a dourada pode trazer inúmeros benefícios. A dourada é um peixe muito rico nutricionalmente, apresentando diversas vitaminas e minerais e contendo, sobretudo, gordura insaturada. Inserida num estilo de vida saudável, e pelo conteúdo em ómega 3 e potássio, pode ajudar no controlo de doenças cardiovasculares, nomeadamente pela manutenção dos níveis de colesterol no sangue e da pressão arterial normais.
Pode consumir a dourada de várias formas, sendo que, no forno, com batatas assadas, e grelhada - com um pouco de azeite e limão -, os seus nutrientes mantêm-se praticamente inalterados. O ceviche é também uma boa opção para consumir este peixe nos dias de maior calor, sendo ideal para quem gosta de marinadas cítricas. Optar por fazer este peixe ao sal pode ser uma boa forma de o tornar ainda mais suculento e húmido. Além disso, pode também fazer uma sopa de peixe utilizando a cabeça da dourada, onde se concentra grande parte do sabor deste peixe tão nutritivo e saboroso.
BENEFÍCIOS
Por ser rica em vitaminas do complexo B e vitamina D, o consumo de dourada, aliada a uma alimentação equilibrada, pode contribuir para o normal funcionamento do sistema imunitário, nervoso, função psicológica e regulação hormonal.
COMO CONSERVAR
A dourada deve ser conservada no frigorífico, na parte inferior, durante 1 a 2 dias.
VALOR NUTRICIONAL (por 100g)
167 kcal
Minerais: P, K
Vitaminas: B1, B3, B6, B12, D
SABIA QUE
No momento de escolher as douradas, deve lembrar-se que os olhos devem ser cristalinos, as escamas aderentes, o corpo brilhante, as guelras avermelhadas e a textura firme.
COMO CONSUMIR
A dourada pode ser consumida assada, grelhada, cozida, no forno ao sal ou em ceviche, uma excelente opção para consumir no verão, já que é refrescante e muito fácil de fazer. O peixe fica embebido nos sucos cítricos, que ajudam a realçar a frescura e o seu sabor marítimo. Fazer uma sopa de dourada é outra forma de a degustar. Se preferir, pode desfiar o peixe e juntá-lo a uma refrescante salada ou mesmo a um delicioso taco com salsa e pimentos.
Fonte: JN

Governo diz que não há razões para proibir pesca da sardinha em 2019


A ministra do Mar disse que o Governo entende que não há razão para proibir a captura de sardinha, considerando que o Conselho Internacional para a Exploração do Mar (ICES), "por vezes, peca por excesso".
"O ICES dá um parecer científico com base na informação que tem, mas o que é facto é que muitas vezes peca por excesso", disse aos jornalistas a ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, em Portimão, à margem da cerimónia de boas-vindas ao navio que faz a ligação entre o Funchal e aquela cidade algarvia.
De acordo com um parecer científico do ICES, a pesca da sardinha deverá ser proibida em 2019 em Portugal e Espanha, tendo em conta a diminuição do 'stock' verificada nos últimos anos.
"O Governo entende, tal como no ano passado, que não estamos em situação de fazer pesca zero. Podemos estabelecer uma cota para a captura mais baixa do que a deste ano e com medidas de gestão dos 'stocks' mais profundas", defendeu a ministra.
De acordo com a governante, o Governo "não acha que seja caso para reduzir à pesca zero, com base na informação científica de que dispõe".
Ana Paula Vitorino afirmou que o Governo "está a fazer um trabalho muito aprofundado sobre a matéria, para tentar conciliar dois objetivos: manter a captura elevada da sardinha e a sustentabilidade da espécie".
"A sardinha tem vindo a diminuir paulatinamente na nossa costa e para se conseguir cumprir o primeiro objetivo temos de garantir que as capturas são de modo a que continuemos a ter sardinha no futuro", sublinhou.
Na opinião de Ana Paula Vitorino, é no equilíbrio entre a captura e a sustentabilidade que terá de ser tomada uma decisão, até porque, sublinhou, "a sardinha faz parte da cultura dos portugueses e da economia".
Segundo a ministra, a quantidade de sardinha no mar português é superior à do ano passado, embora se verifique uma redução dos juvenis, o que se traduz numa redução da espécie em 2019.
"Embora se verifique essa redução de juvenis, não implica reduzir as capturas a zero", considerou a ministra, acrescentando que Portugal está a trabalhar em conjunto com Espanha e em contacto com a Comissão Europeia "para demonstrar que não existem razões socioeconómicas que levem a que os indicadores de preservação da espécie sejam tão exigentes como os apontados pelo ICES".