domingo, 17 de junho de 2018

Sesimbra acolhe Europeu de Vela


Atletas júniores de todo o mundo chegam a Portugal no início de Julho para competir no campeonato organizado pelo Clube Naval de Sesimbra
Sesimbra acolhe pela primeira vez um Campeonato Europeu de Júniores de Vela, organizado pelo Clube Naval de Sesimbra, que decorre entre 3 e 11 de Julho. Cerca de 400 jovens e 200 barcos, entre os 16 e os 24 anos, vão participar no campeonato, que se divide em duas classes: classe 420 e classe 470.
O Clube Naval de Sesimbra tem quase 90 anos de história e um contributo sólido para o crescimento da modalidade localmente, mas também a nível nacional. Receber este campeonato em Sesimbra é sinónimo de que estamos a cumprir a nossa missão na divulgação internacional da excelência das nossas águas para a modalidade, bem como reforça o investimento que temos feito na formação das classes mais jovens e no aumento de adeptos de vela”, comenta César Medalha Pratas, director da Vela do Clube Naval de Sesimbra.
Estão representados 15 países europeus e 5 países do resto do mundo nesta competição, que se realiza anualmente em diferentes países europeus. Em 2017 o campeonato teve lugar em Fraglia Vela Riva. A classe 420 inclui jovens entre os 16 e os 21 anos e a classe 470 com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos.
Os atletas começam a chegar a 3 de Julho, para se registarem e efectuarem medições no percurso. Um dos momentos altos do evento acontece a 4 de Julho, às 19h, com a Cerimónia Oficial de Abertura e desfile dos atletas, com os seus trajes oficiais e bandeiras de cada país, pelo centro de Sesimbra. As provas finais, que determinam os vencedores em cada classe, decorrem no dia 11 de Julho, dia que termina com a Cerimónia de Encerramento às 20h.
Ao longo dos seis dias de provas de qualificação, entre 6 e 11 de julho, decorrem três regatas por dia de cada classe (420 e 470), em dois campos, um para cada classe.
Todo o campeonato decorre com localização privilegiada, na primeira linha da praia do Ouro, no centro da típica vila piscatória de Sesimbra, em frente ao Hotel do Mar, onde funciona o Race Office, para os registos de atletas e equipas, o gabinete de júris e onde são apuradas as classificações e o controlo de rondagens.
O evento é organizado em parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra e conta com o apoio da Federação Portuguesa de Vela, das Classes Internacionais de 420 e 470, da APSS e Autoridade Marítima Nacional.
O Clube Naval de Sesimbra, criado em 4 de Setembro de 1930, é uma das principais associações sem fins lucrativos da típica vila piscatória, sinónimo da sua tradição e ligação com o mar. Ao longo de todo o ano o Clube Naval de Sesimbra disponibiliza aulas de vela e canoagem e no verão organiza férias desportivas.
Fonte: Distrito Online Créditos das fotografias: Luis Fráguas

O Oceano Atlântico é a casa de muitas espécies


Uma elevada abundância e diversidade marinhas caracterizam o Oceano Atlântico. A sobrepesca, a poluição e a pesca fantasma são alguns dos motivos que fazem deste oceano um habitat de espécies em perigo de extinção.

A bióloga marinha Sofia Silva, que colabora com o centro de investigação CETEMARES, do Instituto Politécnico de Leiria, explica que o Oceano Atlântico, o segundo maior do mundo, possui uma elevada abundância e diversidade de vida marinha. Considera-se que aproximadamente 95% do volume dos oceanos permanece inexplorado.

“A saúde dos oceanos em muito depende da sua biodiversidade e esta encontra-se em rápido declínio actualmente” que em muito se deve aos efeitos nocivos da sobrepesca, poluição e alterações climáticas.

Se o ser humano não mudar comportamentos muitas espécies continuarão a desaparecer “a um ritmo alarmante sem que antes tenhamos conhecimento da sua existência”.

ESPÉCIES “CARISMÁTICAS” E “EXÓTICAS”

Nos pratos portugueses é possível encontrar bacalhau no forno, sardinha assada ou camarão, mas numa viagem pelo Oceano Atlântico não são as únicas espécies que se podem encontrar. Golfinhos, orcas, baleias e tartarugas são alguns dos animais que compõem as espécies “carismáticas”, como Sofia Silva as apelidou, enquanto as “exóticas” são constituídas por diversos organismos como algumas algas, algumas espécies de peixes e alguns invertebrados. A diversidade não fica por aqui: podem ainda encontrar-se aves marinhas, tubarões e raias.

Para a bióloga, “o oceano Atlântico é a casa de muitas espécies, não apenas das economicamente interessantes (seja pelo seu potencial de uso ao nível da indústria alimentar, biotecnológica ou farmacêutica), mas também das inúmeras que não conhecemos”.

Há fenómenos surpreendentes que se escondem no interior dos nossos oceanos. A confluência entre as águas frias do norte e as águas quentes das regiões tropicais, permite uma elevada biodiversidade, o que contribui para uma elevada riqueza específica derivada à renovação de nutrientes presentes nas águas, formando assim uma cadeia alimentar aquática diversa. Sofia Silva dá o exemplo da presença dos tubarões e aves marinhas atraídos, também, pelo aumento das suas presas em zonas mais próximas da costa, devido aos fenómenos de “upwelling” (fenómeno oceanográfico que consiste na subida das águas subsuperficiais).

AVISTAMENTOS NA COSTA PORTUGUESA
As alterações climáticas, por exemplo, têm impacto “na área de distribuição dos organismos, assim como nos seus padrões migratórios”. Actualmente, já se verifica o “desaparecimento de espécies com afinidades boreais e o aumento ou ocorrência de espécies sub-tropicais”.

A costa portuguesa, por seu lado, tem recebido espécies cuja presença era menos notada. A bióloga marinha justifica o avistamento mais frequente de baleias e tubarões na costa continental com a exploração intensa do meio marinho e esclarece que a incidência destes animais se deve essencialmente ao aumento da presença humana em alto mar.

SABIA QUE...
As baleias-jubarte percorrem mais de 8000 km desde a Antártica até à Costa Rica, e representam a maior migração de um mamífero que ocorre no Oceano Atlântico.

... E QUE...
O fóssil vivo celacanto, que se julgava extinto à mais de 60 milhões de anos, foi capturado vivo em 1938 na costa africana do Oceano Atlântico.~

Fonte: Expresso

Plástico contamina 95% do Mar Mediterrâneo


O plástico representa 95% dos resíduos que flutuam no Mar Mediterrâneo, que alcançam "níveis recordes de contaminação" na maior parte dos países, sobretudo em Turquia e Espanha, indica um estudo da World Wide Fund for Nature (WWF).

A propósito do Dia Mundial dos Oceanos, a Organização Não Governamental chama a atenção para a poluição no Mediterrâneo e pede às instituições, empresas e cidadãos que se comprometam com a luta contra a contaminação marinha. Segundo o relatório, os turistas de um conjunto de países onde se inclui a Turquia, Espanha, Itália, Egito e França, provocam um aumento da poluição marinha em cerca de 40% em cada verão.
Em Portugal, "os microplásticos predominam nas areias das praias, representando 72% do lixo encontrado em zonas industriais e de estuários", salienta um comunicado divulgado pela organização em Lisboa.
O Mar Mediterrâneo está, segundo a WWF, a converter-se numa perigosa lixeira, com níveis recorde de contaminação de microplásticos que ameaçam várias espécies marinhas e a saúde dos seres humanos quando estes produtos entram na cadeia alimentar.
As Nações Unidas lembram que 80% da poluição dos oceanos é proveniente das pessoas.
Na sua página oficial, a ONU lembra também que oito milhões de toneladas de plástico acabam nos oceanos em cada ano, prejudicando a vida selvagem, mas igualmente a pesca ou o turismo.
E acrescenta que a poluição por plásticos custa a vida a um milhão de aves marinhas e a 100 mil mamíferos, também em cada ano.
E é também em cada ano que o plástico causa oito mil milhões de dólares (6,8 mil milhões de euros) de danos nos ecossistemas marinhos.
Fonte: JN Foto: LEGNAN KOULA/EPA

Antártida pode fazer subir água do mar em mais de um metro



As decisões da próxima década vão determinar o futuro da Antártida e do mundo, que pode ter um aumento do nível do mar superior a um metro, alertam cientistas num estudo divulgado. 

O trabalho publicado numa edição especial da revista científica Nature, sobre a Antártida, os cientistas afirmam que o tempo se está a esgotar para salvar o ecossistema antártico e que se não forem tomadas decisões corretas para preservar a Antártida nos próximos 10 anos o mundo sofrerá as consequências.
O estudo avalia o estado da Antártida em 2070 sob dois cenários, um em que não são tomadas medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa nem outras medidas de protecção, e outro em que são tomadas medidas de protecção ambiental.
Os autores do trabalho, no qual se incluem cientistas do Imperial College London, uma instituição universitária britânica, dizem que há mudanças que já são irreversíveis e que se nada for feito até 2070 haverá uma "perda dramática" das principais plataformas de gelo e um grande aumento do nível das águas do mar.
Ao contrário, dizem, com baixas emissões de gases com efeito de estufa as plataformas de gelo permanecem, a ameaça da subida do nível do mar é minimizada, a acidificação dos oceanos não piora e os ecossistemas permanecem intactos, e o aumento das temperaturas do mar não iria além dos 0,7 graus celsius.
No pior dos cenários, alertam os responsáveis, o nível das águas dos oceanos subiria um metro, podendo chegar a 3,5 metros, as correntes oceânicas mudariam, a água do mar aquecia mais dois graus e a acidez dos oceanos alcançaria um ponto em que algumas criaturas marinhas seriam incapazes de formar as conchas adequadamente.
Os cientistas defendem a importância de se manter o actual cenário de proibição de extracção de recursos (como carvão ou minério de ferro) na Antártida, e de se minimizar os impactos do turismo e da pesca, e enfatizam a necessidade de cooperação internacional e a criação e aplicação de regulamentos para a Antártida, apoiados em programas de investigação.
Fonte: RTP

Adeus França. Sede europeia da Liga Mundial muda-se para Lisboa


Anúncio foi feito na passada sexta-feira. Sede deixa França depois de 30 anos

A sede europeia da Liga Mundial de Surf (WSL) vai ser instalada em Lisboa, naquele que será mais um passo para "posicionar Portugal como principal país de surf na Europa", confirmou na passada sexta-feira o representante luso da estrutura, Francisco Spínola.

"Lisboa e Portugal vão ser a montra do surf europeu para o mundo", afirmou Francisco Spínola, em declarações à Lusa, confirmando a mudança da sede para a capital portuguesa, depois de quase 30 anos em solo francês.

De acordo com o responsável, esta mudança decorre da organização nas ondas portuguesas das principais provas da WSL, sejam etapas dos circuitos mundiais masculinos, femininos e de ondas gigantes, assim como dos Mundiais de juniores, mas também da proximidade das praias.

"Além de todas as acessibilidades de uma capital europeia, Lisboa oferece surf a meia hora do centro e condições para a prática da modalidade durante todo o ano", frisou, acrescentando que a estrutura vai ser instalada, numa primeira fase, em Lisboa, com cerca de 10 a 12 trabalhadores.

Portugal é o país europeu com mais provas da WSL, organizando, em 2018, uma etapa do circuito mundial (MEO Rip Curl Pro Portugal, em Peniche), três do de qualificação (Caparica Pro, Pro Santa Cruz e EDP Billabong Pro Ericeira) e uma de ondas gigantes (Nazaré Challenge).

Segundo Spínola, a estrutura a instalar em Portugal vai ficar como "centro decisório" do surf na Europa, mas também em África e no Médio Oriente.

Fonte: DN Foto: Jorge Amaral/Global Imagens

sábado, 2 de junho de 2018

No fundo Portugal é mar. E nós podemos dar um mergulho


Há uma baleia no jardim. E faróis que iluminam as oliveiras. E há imagens espectaculares do fundo do mar. Até Julho, a Fábrica das Artes do CCB tem um ciclo dedicado ao oceano.

De longe parece mesmo o esqueleto de uma baleia. Mas à medida que nos aproximamos, percebemos que não são ossos. São embalagens de iogurtes e de detergente, em plástico branco. A Baleana plasticus é uma escultura criada em 2014 pela bióloga Ana Pêgo e o fotógrafo Luís Quinta e que agora está instalada no Jardim das Oliveiras do Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa. Está ali, ao lados dos faróis da exposição As portas do mar, chamando a atenção para o ciclo "No fundo Portugal é mar", que vai ocupar a Fábrica das Artes nos próximos meses. Mas, mais do que isso, está ali chamando a atenção o problema da poluição dos oceanos e, especificamente, para o excesso de plástico.

Bióloga marinha, nos últimos anos Ana Pêgo tem-se dedicado à educação ambiental e passa muito do seu tempo recolhendo o plástico que aparece na praia, trazido pelas marés. "A minha preocupação com o lixo marinho foi aumentando", conta. No final de 2015 criou a página de Facebook Plasticus Maritimus para mostrar as coisas que ia encontrando na praia e também para pedir ajuda para identificar esses objectos. "Deixei de olhar para o lixo da praia como lixo mas antes como objectos com história, que já fizeram viagens", explica. Esses objectos são usados nas oficinas que orienta por estes dias no CCB, porque o mais importante agora é informar as pessoas do mal que estamos a fazer ao oceano e educá-las para o ambiente.

Expostos em vitrinas, organizados por cores ou por "famílias", os objectos apanhados na praia não deixam de causar espanto. Pauzinhos de cotonetes (porque as pessoas deitam nas sanitas). As palhinhas. Os balões. "São coisas que não noz fazem realmente falta no nosso dia a dia e são muito prejudiciais. Encontro centenas de bocados de balões, porque rebentam ficam no chão, acabam por ir parar às sarjetas com a chuva e daí para o mar." Bonecos pequenos. Patilhas dos protectores solares. Peças de lego. Flores artificiais. "Estas coisas podem parecer bonitas mas são um manifesto", diz Ana Pêgo.

Toda a programação deste ciclo - que inclui exposições, espectáculos, oficinas e conversas (ver coluna ao lado) - foi concebida em conjunto com a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental . Só assim foi possível ter acesso não só às imagens do fundo do mar como também à réplica do laboratório de campanha e ainda contar com a colaboração dos vários especialistas nestas actividades. "Esta programação tem três eixos: a educação ambiental, a ciência e a a criação artística", explica Madalena Wallenstein, programadora da Fábrica das Artes.

Um dos melhores exemplos dessa interligação é a instalação Terramar: a partir das imagens captadas pelo robot ROV, que vai até seis mil metros de profundidade e tem feito campanhas ao longo da costa portuguesa, e também imagens captadas por mergulhadores, a artista Graça Castanheira criou "quadros vivos" que nos levam literalmente até ao fundo do mar. Oportunidade para conhecer algumas espécies que habitam as profundezas, para nos deliciarmos com imagens do oceano - e também para suspendermos um pouco a nossa vida e deixarmo-nos levar, durante alguns minutos, pelo silêncio e pelo embalo das ondas.

PROGRAMA

As portas do mar e Balaena plasticus
Rui Rebelo imaginou estes faróis, com a colaboração de Marco Fonseca e Teresa Varela. As pessoas podem sentar-se, relaxar e ouvir os sons do mar. E também ver a baleia feita de detritos de plástico encontrados na praia, uma obra de Ana Pêgo e Luís Quinta, de 2014.
Jardim das Oli veiras, até 31 Julho

Terramar - instalação de Graça castanheira
A partir das muitas horas de imagens captadas pelo ROV Luso, um robot que tem andado a mergulhar pelo mar português, Graça Castanheira criou duas peças : um tríptico que nos leva para o fundo do mar e uma exposição com "quadros vivos".
Fábrica das Artes, até 31 Julho

Oficinas de palavras, dança e ambiente
Durante este três meses, a Fábrica das Artes tem programadas uma série de oficinas "à volta" do mar - para escolas mas também para famílias, ao fim de semana. Por exemplo com a bióloga e escritora Judite Canha Fernandes.
Fábrica das Artes, Maio e Junho

Um espectáculo: A menina do mar
Em 2011, Bernardo Sasseti e Beatriz Batarda fizeram uma Menina do Mar. A partir da música original de Sasseti e da história de Sophia, o pianista Filipe Raposo, a actriz Carla Galvão e a ilustraram Beatriz Bagulho criaram este espectáculo
Pequeno Auditório, 19-25 maio

Ciclo de conversas com o mar ao fundo
A chef de cozinha Patrícia Borges, a peixeira Tânia Silva, o investigador João Varela, os pilotos ROV Andreia Afonso e António Calado, o mergulhador Nuno Rodrigues e o pescador António Figueira são alguns dos palestrantes convidados
Jardim das Oliveiras, Maio-Julho

Concertos e contos no jardim
Rita Maria e Filipe Raposos trazem Canções da Terra e do Mar (30 Junho), Rui Rebelo e Carla Galvão fazem um Concerto co Faróis (14 e 15 Julho). E mais sessões de estórias e de músicas, sempre ao ar livre.
Jardim das Oliveias, Junho-Julho

Fonte: DN

Comissão Europeia quer acabar com lixo no Mar


A Comissão Europeia quer acabar com as garrafas e outros plásticos no fundo do mar.
Bruxelas apresentou por isso um pacote de medidas que inclui a proibição de usar plástico nos 10 produtos descartáveis mais utilizados e que representam 70% dos resíduos marítimos na União Europeia.Entre esses produtos estão cotonetes, louça descartável, embalagens de comida, garrafas ou pensos higiénicos. Se já existirem alternativas acessíveis em termos de preço, os produtos de plástico descartáveis serão proibidos. Se não houver alternativa, o objectivo é encontrar formas de reduzir o consumo em cada país. As organizações e associações ambientalistas alertam para a falta de metas específicas nesta proposta, mas saúdam a iniciativa. Ariadna Rodrigo da ONG Rethink Plastic Alliance reconhece que "é a primeira vez no mundo que vemos uma proposta que quebra efectivamente com o molde e transforma a União Europeia na campeã ambiental para um problema global." A Comissão impõe também que até 2025, os Estados-Membros recolham 90% das garrafas de plástico descartáveis, implementando por exemplo regimes de restituição de depósitos. Propostas que serão agora transmitidas ao Parlamento e ao Conselho Europeu para ser discutidas e adoptadas.
Fonte: Euronews

Software da UA prevê avanço do Mar e dá soluções para o deter



Não usa a bola de cristal para prever de que forma vai o mar avançar ao longo da costa portuguesa. Também não utiliza cartas de tarot para adivinhar que intervenções nas praias conseguirão suster as águas do Atlântico. Chama-se COAST, foi desenvolvido na Universidade de Aveiro (UA) e, ciências ocultas à parte, usa um software visionário que simula a evolução da linha de costa para as próximas décadas. Perante o nefasto avanço do mar, o COAST indica ainda que obras de defesa costeira melhor se adequam a cada praia tendo em conta custos e benefícios.
Composto por três ferramentas – projecção da evolução da linha de costa para diferentes cenários de intervenção; dimensionamento da intervenção quando o cenário contempla obras de defesa costeira; avaliação de custos e benefícios da intervenção – o COAST pretende ajudar não só os cientistas a estudarem a erosão costeira como também auxiliar os responsáveis pela protecção da costa na escolha da melhor estratégia para prevenir cenários catastróficos.
“Face à importância económica e social das zonas costeiras e aos problemas de erosão que enfrentam, é de antecipar um aumento dos investimentos necessários à realização e manutenção de intervenções de defesa costeira a curto e médio prazo”, aponta Márcia Lima, a investigadora do Departamento de Engenharia Civil (DECivil) da UA que desenvolveu o COAST.
No entanto, alerta a cientista, “é grande a complexidade associada à escolha da melhor intervenção, uma vez que as soluções economicamente mais atractivas conduzem a maiores perdas de território”. Por outro lado, “as soluções que melhor ajudam a manter ou a ampliar o território são pouco atractivas do ponto de vista económico”. A solução passa por um compromisso entre custos e benefícios.
“A grande mais-valia do COAST em relação às ferramentas já existentes é a integração de três valências importantes na avaliação de intervenções de defesa costeira e o facto de permitir análises custo-benefício das intervenções”, esclarece.

As simulações com o COAST, explica Márcia Lima, “exigem um registo passado e outro actual de batimetria [profundidade do mar] e topografia do local de estudo, e o conhecimento do clima de agitação [estudo das ondas]. É ainda necessário “conhecer o valor atribuído ao território, custos unitários dos materiais e estimativa de custos de manutenção das intervenções, ajustados à realidade do local de estudo”.“São várias as zonas críticas na costa portuguesa, nomeadamente, a zona do Furadouro, o troço entre a paria da Barra e Mira e a zona a sul da Figueira da Foz”, alerta Márcia Lima cujo trabalho, desenvolvido durante o Doutoramento em Engenharia Civil foi orientado por Carlos Coelho, também investigador do DECivil. Nestas, como noutras zonas susceptíveis de grande erosão “as perdas económicas que podem advir no caso de não serem implementadas medidas de intervenção de defesa costeira são extremamente elevadas”. “A aplicação da ferramenta deve ser ponderada e realizada com precaução, uma vez que os resultados dependem dos pressupostos admitidos quer na projecção de cenários quer na avaliação de custos e benefícios”, sublinha Márcia Lima. Como tal, “a ferramenta deve ser aplicada por especialistas possibilitando o apoio às entidades decisoras através de serviços de consultadoria”.
Fonte: Boas Notícias

Portugal e os recursos da Economia do Mar


Portugal não se pode dar ao luxo de enjeitar as oportunidades que tem. Caso contrário, o nosso discurso sobre o potencial do mar português, passará a ser visto como isso mesmo, um discurso.

Em boa parte dos últimos 45 anos, Portugal virou as costas ao mar, assistindo-se ao desmantelamento de um conjunto de estruturas empresariais consolidadas ao longo de décadas, com a respectiva perda do conhecimento e know how, assim como da perda de capacidades e competências dos recursos humanos afectos a actividades da economia do mar.

Esta perda de competências e capacidades, mesmo nas actividades mais tradicionais, levou a que se chegasse ao início do presente século com pouco mais do que uma mera afinidade emocional, presente em vários grupos da sociedade portuguesa, ainda que num contexto em que a larguíssima maioria dos agentes económicos nacionais não tem praticamente qualquer interacção económica com o nosso mar.

A partir de meados da década passada, vários agentes, quer políticos, quer empresariais e mesmo académicos, conseguiram pôr a economia do mar de novo na agenda política e mediática, ainda que a notoriedade ultrapasse em muito a relevância concreta do aproveitamento que os portugueses conseguem obter desse vastíssimo e largamente inexplorado recurso que é o “Mar Português”.

Em 2016, havia 177.000 empregos ligados à economia do mar em Portugal (fonte: Annual Economic Report on the EU Blue Economy 2018), um incremento de 22.000 face a 2009. Desse total, 75% referiam-se ao turismo de mar e 22% às pesca e apanha de marisco. A actividade portuária representava 2%, o transporte marítimo 0,7% e a construção e reparação navais apenas 1,9%.

A actividade de exploração de recursos energéticos no mar (essencialmente prospecção e exploração de petróleo e gás natural) não tinha qualquer expressão, ainda que para o conjunto dos países com frente de mar na União Europeia representasse 1,7% do emprego da economia do mar do conjunto destes países.  Embora registando um crescimento de 27% desde 2009, o Valor Acrescentado Bruto da economia do mar ainda representa apenas pouco mais de 3,5% do total da economia. Com uma produtividade em linha com a média do sector, o turismo de mar representa ¾ do valor criado, contra apenas 16% da pesca, em função da muito baixa produtividade do sector.

A produtividade portuguesa para o conjunto da economia do mar é baixa quando comparada com a média europeia, em boa parte devido à composição sectorial da economia do mar. Na verdade, o sector com maiores níveis de produtividade na União Europeia (países com costa) é o da prospecção e exploração de petróleo e gás, que representa 1,7% do emprego, 16% do valor acrescentado do sector, sector que até hoje não tem qualquer expressão em Portugal. Para além da diferente composição sectorial também a persistência de baixos níveis de produtividade em sectores relevantes como o da pesca condiciona o pior desempenho da economia do mar portuguesa.

O facto de se partir de trás não implica que o desígnio não tenha sentido ou que se tenha criado um enorme equívoco no consenso alargado sobre a importância de não negligenciar mais os nossos recursos marinhos. Pelo contrário, há clara margem de progresso e mesmo a opção estratégica pela ambiciosa exploração da nossa vasta plataforma continental (a nona maior do mundo e a segunda maior da Europa) insere-se no objectivo de tirar partido com o máximo de racionalidade e de forma sustentável das enormes riquezas do Mar Português: minerais, energéticas, biológicas, etc.  Só que, muito do que hoje se perspectiva venha a ser o enorme contributo dos recursos energéticos e minerais da plataforma está dependente de progressos a realizar na tecnologia de acesso, exploração e transporte, que demorarão décadas a concretizar-se plenamente.

É neste contexto, em que parece haver um consenso sobre a importância dos recursos do oceano para o crescimento do país, que tenho particulares dificuldades com as hesitações e até oposições quando se coloca uma oportunidade concreta em linha com a estratégia que todos parecem apoiar.  Trata-se, como é evidente, da prospecção de petróleo e gás a cinquenta quilómetros da costa sudoeste ou mesmo de hidrocarbonetos ao largo do Algarve.

Os avanços tecnológicos permitem levar a cabo operações deste tipo de modo sustentável, com bem menores riscos, nomeadamente para a costa e ecossistema marinho do que os que já temos em função da passagem de milhares de petroleiros por ano, muitos deles mais perto da costa.

Por outro lado, e, fundamentalmente, não faz sentido o país eleger o desenvolvimento da economia do mar como um desígnio, mobilizar recursos políticos, diplomáticos, humanos e financeiros para esse suposto fim e depois enjeitar as primeiras possibilidades de poder almejar a uma alteração qualitativa da sua importância para o conjunto da riqueza que colectivamente poderemos produzir.

Portugal não se pode dar ao luxo de, na sua actual situação e no que se antecipa possa vir a ser o seu futuro a médio e longo prazo, enjeitar as oportunidades que tem, e que pode desenvolver respeitando todas as dimensões do património colectivo. Caso contrário, o nosso discurso sobre o potencial do mar português, passará a ser visto como isso mesmo, um discurso.  E discursos, por muito mobilizadores que sejam, não são garantes de um futuro sustentável para as actuais gerações e para as que lhe hão-de seguir.

Professor Catedrático da NovaSBE e Presidente da Fórum 
Nota: este artigo reflete a opinião do autor e não vincula as instituições onde trabalha.
Fonte: Observador

PSA Internacional aposta na Automação ( Com Vídeo ).



A PSA Internacional, um dos maiores operadores portuários do mundo, ( Em Portugal possui a concessão do Terminal XXI em Sines ), continua a sua aposta em tecnologia de ponta para o sector portuário, de modo a aumentar a eficiência e diminuir quebras de produtividade. Algumas das propostas já tinham sido demonstradas no inicio do ano na Exposição "Porto Inteligente" efectuada no Terminal 3 do Terminal de Pasir Panjang.  A empresa reforça a aposta feita na adopção de tecnologia focada na automação, análise de dados, robótica e outras tecnologias.Numa primeira análise das tecnologias usadas nos terminais de contentores em Singapura, inclui drones anfíbios, gruas automatizados de cais, exoesqueletos para a equipa portuária e braços robóticos para actividades relacionadas com contentores e prime movers ( Camiões ) sem motorista. Actualmente o novo mega porto de Tuas, irá ser a peça central da visão de Nova Geração em Singapura, que permitirá que 65 milhões de contentores sejam movimentados por ano, em vez dos 40 milhões actuais. O terminal irá incorporar recursos como gruas de parque automatizados e equipamentos portuários para aumentar a produtividade e reduzir os custos de mão de obra, e será capaz de atender a mega-navios e às complexas necessidades que as alianças de transporte actualmente possuem. Outro exemplo, a PSA está considerando o uso de novos tipos de drones não tripulados que voam de forma autónoma por meio de planos de voo controlados por software.Os drones podem ser utilizados ​​para atender às entregas de navio para terra ou de costa a nave, ou para vigilância da segurança do terminal. Eles também podem ser usados ​​nas inspecções de equipamentos portuários básicos. É objectivo da PSA  alavancar a análise de dados em áreas como desempenho de equipamentos especializados, manutenção de gruas e modelos de simulação que permitem ao operador portuário simular operações portuárias. Ong Kim Pong, executivo-chefe regional para o Sudeste Asiático da PSA International, disse que a nova tecnologia é uma oportunidade para demonstrar o compromisso da PSA com tecnologias avançadas e inovação para operações portuárias nos seus terminais actuais e no projecto do Porto de Tuas. "Também esperamos ansiosamente as oportunidades de capacitar o nosso pessoal para que os novos sistemas entrem em operação. Eles são fundamentais para garantir que continuemos a atender nossos clientes no futuro, à medida que a consolidação do sector cresce". O Terminal XXI da PSA Sines já utiliza gruas de parque semi-automáticas que permite que um utilizador seja capaz de manobrar mais que um destes equipamento simultaneamente, sendo a aposta na automação recorrente na empresa. Portugal poderá ser no futuro uma das apostas desta tecnologia de ponta, que irá empurrar o sector para a vanguarda do futuro. No vídeo seguinte, uma das demonstrações de uma unidade AGV - Automatic Guided Vehicle ( Veículo  Guiado Automaticamente ).