sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Agentes de navegação exigem investimentos nos portos nacionais

Rui d'Orey, presidente reeleito da Agepor defendeu que "depois das condições económicas e financeiras da indústria [de transportes marítimos] terem ditado um processo de concentração, será a revolução digital a forçar os próximos passos".


O presidente reeleito da Direcção nacional da Agepor – Associação dos Agentes de Navegação de Portugal, Rui d’Orey, exigiu “a concretização de investimento nos portos portugueses”.
Num almoço de tomada de posse para um novo mandato de três anos à frente da Agepor, que teve lugar em Lisboa, Rui d’Orey assegurou que “estamos alinhados na estratégia que concorre para o investimento nos portos”, porque “só assim se podem continuar a receber os navios cada vez maiores que são colocados nos serviços, só assim se pode fazer parte das cadeias logísticas mais eficazes, só assim seremos capazes de atrair para Portugal investimento e conectividade, só assim iremos melhorar a competitividade externa, a competitividade das nossas exportações e só assim podemos assegurar o futuro da nossa economia, o futuro de Portugal”.
Em jeito de balanço do sector a nível mundial no ano passado, o presidente da Agepor sublinhou que, “em 2017, o mercado recuperou, a sobrecapacidade diminuiu, as novas alianças entraram em funcionamento, e os fretes subiram”.
“O contexto geral melhorou bastante embora as feridas causadas por estes anos [anteriores a 2017] possam deixar marcas que perduram no tempo. Mas há notícias de bons resultados no sector. Sabemos que números positivos trazem a estabilidade, a confiança e a sustentabilidade futura que, afinal, todos desejamos e precisamos”, adiantou Rui d’Orey.
Para o futuro, o presidente da Agepor está disponível para trabalhar com o Governo, em particular com o Ministério do Mar, liderado por Ana Paula Vitorino, no projecto de atrair investimento suplementar para os portos nacionais.
“Para se ver verdadeiramente atractivo num mundo em constante competição não basta ter portos com acessibilidades e capacidade instalada para as necessidades dos navios. É necessário ir mais longe”, alertou Rui d’Orey.
A ministra do Mar, Ana Paula Vitorino, não esteve presente neste almoço, tendo-se feito representar.
A revolução digital nos portos
O presidente da Agepor considera que “depois das condições económicas e financeiras da indústria terem ditado um processo de concentração, será a revolução digital a forçar os próximos passos”.
“A revolução digital está a transformar o mundo mas só levemente chegou ao ‘shipping’. Hoje, é trivial comprar um bilhete de avião ‘online’, mas o mesmo ainda não acontece com os fretes marítimos. São realidades diferentes, sobretudo porque a aviação é um negócio maioritariamente ‘B2C’ [‘business to consumer’, ou seja, numa perspectiva de negócios para o consumidor], enquanto o ‘shipping’ é essencialmente ‘B2B’ [‘business to business’, isto é, numa perspectiva de negócio para negócio]. Mas não ficaremos imunes. A revolução digital vai chegar!”, avisou Rui d’Orey.
No entender do presidente da Agepor, “para se ter o pleno êxito nesse campo e ganhar vantagem aos concorrentes, é fulcral que Portugal aposte forte inovando no domínio desta nova economia e continue a simplificar os processos, tornando cada vez mais rápida e transparente a intervenção das várias entidades e serviços públicos afectas ao transporte marítimo, às mercadorias e à logística”.
Fonte: JE

O fundo do oceano está a afundar-se (e a culpa é do aquecimento global)


O excesso de água que está a inundar os oceanos, devido ao aquecimento global que está a apressar o derretimento de camadas de gelo e glaciares, está a pressionar o fundo do mar, fazendo com que este afunde.
A conclusão é de um novo estudo feito por investigadores da Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, e da Universidade da Tasmânia, em Hobart, na Austrália, que foi publicado no Geophysical Research Letters.
Os cientistas concluíram que o peso adicional da água derretida das camadas de gelo e de glaciares que está a inundar os oceanos da Terra, em consequência das mudanças climáticas e do aquecimento global, está a pressionar o fundo do mar, levando-o a afundar.
Desta forma, as estimativas que têm sido feitas desde 1993, com as previsões quanto ao aumento do nível do mar, podem estar incorrectas, medindo por baixo este volume devido a esse recuo do fundo do mar.
A investigação debruçou-se sobre como a forma do fundo do mar pode ter mudado entre 1993 e 2014, considerando a quantidade de água acrescentada ao oceano em virtude do derretimento de camadas de gelo. Este factor nunca tinha sido contabilizado em pesquisas anteriores, asseguram os cientistas.
Analisando “as aproximações da perda de massa em terra, como o gelo derretido e drenado para os oceanos”, em comparação com “as estimativas de mudanças no volume do mar”, os investigadores “descobriram que em todo o mundo, desde há duas décadas, as bacias oceânicas deformaram uma média de 0,004 polegadas (0,1 milímetros) por ano, com uma deformação total de 0,08 polegadas (2 mm)”, cita o Live Science.
Mas estes níveis não são uniformes em todo o oceano e “a quantidade de afundamento em determinadas partes do fundo do mar, pode ser significativamente mais elevada“. No Oceano Árctico, nomeadamente, atinge 1 milímetro por ano e cerca de 20 milímetros no total da duas décadas.
Fonte: Zap

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Portugal vai integrar painel internacional para a economia sustentável dos oceanos

Portugal vai participar no painel internacional para a economia sustentável dos oceanos, iniciativa política impulsionada pela Noruega e lançada esta quinta-feira em Davos.


Portugal vai participar no painel internacional para a economia sustentável dos oceanos, iniciativa política impulsionada pela Noruega e que juntará países costeiros de vários continentes, disse esta quinta-feira à agência Lusa fonte do executivo português.
A mesma fonte adiantou que o primeiro-ministro, António Costa, aceitou o convite feito pela sua homóloga norueguesa, Erna Solberg, para participar neste painel internacional que reunirá chefes de Governo e de Estado de diversos países e cujo lançamento é feito esta quinta-feira em Davos, durante o Fórum Económico Mundial. Além da Noruega e de Portugal, este painel terá a participação de países como a Austrália, México, Japão, Gana, Guiné-Conacri, Namíbia, Indonésia, Fiji e Jamaica.
A economia sustentável dos oceanos é um dos temas que está na agenda de António Costa em Davos, durante a sua participação no Fórum Económico Mundial.
Na última Assembleia Geral das Nações Unidas, em Setembro passado, em Nova Iorque, o primeiro-ministro fez uma intervenção de fundo numa conferência sobre protecção ambiental dos oceanos, também promovida pela Noruega, em que defendeu a importância do desenvolvimento de uma “economia azul”. Nessa sua intervenção, António Costa salientou que Portugal está a trabalhar com governos e parceiros internacionais para estabelecer nos Açores um centro internacional de pesquisa.
“Uma organização científica internacional nas ilhas dos Açores que tem como objectivo desenvolver uma nova plataforma de pesquisa interdisciplinar, explorando as sinergias entre espaço, clima, energia, ciências do oceano e do conhecimento”, disse. O primeiro-ministro evocou também a tradição marítima de Portugal e os 500 anos da circum-navegação de Fernão Magalhães e referiu-se à importância da investigação científica marinha.
Fonte: Observador

domingo, 21 de janeiro de 2018

Mergulhadores descobrem maior caverna subaquática do mundo


Na exploração de novos lugares do planeta, a sabedoria popular recomenda "mergulhar fundo", mas o conselho raramente é recebido à letra. Desta vez foi: uma equipa de mergulhadores descobriu na parte leste do México uma caverna subaquática considerada a mais longa do mundo, a apenas cinco quilómetros a oeste das praias de areias brancas de Tulum.

As descobertas confirmam que o vasto Sac Actun, um sistema de cenotes naturais inundados com 263 quilómetros de extensão, está na verdade ligado ao sistema perto de Dos Ojos, de 83 quilómetros de extensão, elevando o comprimento total das cavernas a 347 sinuosos quilómetros. O tamanho é maior do que a altura combinada de 24 Montes Everest empilhados. O labirinto de cavernas também se estende para baixo, até uma profundidade de mais de 100 metros, o que torna a profundidade de algumas partes maior do que a altura do Big Ben, em Londres.

Mais emocionante do que as fotografias subterrâneas feitas nas cavernas, que parecem de outro mundo, é a possibilidade de decifrar os segredos da civilização maia, que governou a região antes das conquistas espanholas da América Central e da América do Sul no século XVI. Os cenotes eram muitas vezes lugares sagrados na cultura maia, vistos como portais para os deuses. Mergulhadores desenterraram artefactos religiosos e esqueletos humanos misteriosamente perfeitos em muitos deles, levando os exploradores do projecto Grande Aquífero Maia - dedicado ao estudo e à preservação dessas cavernas - a acreditar que eram usados para sacrifícios.

"Isso permite-nos apreciar com muito mais clareza como surgiram os rituais, os lugares de peregrinação e, finalmente, os grandes acordos pré-hispânicos que conhecemos", explicou o arqueólogo subaquático e director do projecto, Guillermo de Anda, à Reuters.

Esta é também mais uma razão para comprar passagens de avião para Tulum, que ganhou popularidade não só pelas praias imaculadas, pelos impressionantes recifes de corais e pelos retiros de pilates de alto padrão voltados ao público feminino, mas também pela impressionante e variada cena culinária.

Nos últimos anos, Tulum atraiu gente de renome como o chefe René Redzepi, que abriu por lá uma versão itinerante do restaurante Noma, de Copenhaga, em 2016. O local continua a ser um destino luxuoso para os amantes do conforto, seja com uma elegante casa de árvore com vista para o mar, seja com um hotel voltado à arte com trabalhos originais de Picasso, Warhol e Botero.

Os sistemas Sac Actun e Dos Ojos já eram importantes destinos de mergulho, mas com a descoberta, o sistema combinado certamente merece ser considerado um dos destinos de mergulho mais extremos do mundo. A notícia é positiva para a região de Quintana Roo como um todo, que no Verão passado foi incluída na lista do Departamento de Estado dos EUA de alerta aos americanos sobre viagens ao México devido ao aumento do índice de homicídios. A descoberta pode ser o prenúncio de um futuro brilhante.


Leito dos oceanos pode estar afundando


O aumento do nível da água nos oceanos pode ser realmente mais significativo e ter mais efeito do que pensávamos antes. O solo dos nossos oceanos está afundando pouco a pouco devido à crescente pressão causada pelo aumento do nível das águas sobre o fundo, revela um novo estudo científico.
Os cientistas que realizaram a investigação asseguram que o efeito que causa o aumento da temperatura das águas é subestimado.
Na sua opinião, o degelo não só aumenta o nível do mar, mas também provoca o afundamento do leito marítimo.
Em outras palavras, os investigadores confirmam que, para medir correctamente o aumento de água nos oceanos, é necessário prestar atenção não apenas "por cima" (ou seja, estimar o aumento do nível do mar), mas também "por baixo" (medir quanto o fundo desce).
"As mudanças na distribuição de água aumentam a massa total do oceano e provocam o seu afundamento — um fenómeno conhecido como deformação elástica. Devido à alteração no equilíbrio entre a massa de gelo e da hidrologia terrestre, os oceanos estão ganhando volume durante as últimas décadas, o que provoca um aumento da pressão sobre o fundo marítimo. Esta carga crescente fará que o solo oceânico se afunde", explicam.
Os investigadores usaram dados recolhidos entre os anos de 1993 e 2004, para determinar que neste período o aumento da quantidade de água nos oceanos fez com que o leito marítimo afundasse cerca de 2,5 milímetros (0,13 por ano).

Trump quer abrir todos os oceanos nos EUA à exploração petrolífera


A Administração Trump propôs a abertura de quase todas as suas águas territoriais à exploração de gás e petróleo, ignorando protecções ambientais nos oceanos Árctico, Atlântico e Pacífico.

A opção de expandir a produção de energia nos EUA enfrenta objecções de ambientalistas, autoridades estatais e de alguns grupos empresariais, preocupados com derrames e com o potencial impacto sobre o turismo nas zonas costeiras.

O secretário do Interior, Ryan Zinke, disse que o Programa de Exploração de Petróleo e Gás na Plataforma Continental Exterior Nacional de 2019 a 2024 irá permitir que mais de 90% da área da plataforma continental exterior esteja disponível para exploração, incluindo áreas que tinham sido protegidas pela Administração Obama.

“Queremos fazer crescer a nossa indústria energética nacional offshore, em vez de perdermos lentamente capacidade para o estrangeiro”, afirmou Zinke, enquanto apresentava parte do programa da Administração Trump “Domínio Energético Americano”.

O Departamento do Interior identificou 47 potenciais vendas de direitos de exploração, comparado com apenas 11 presentes na estratégia de Barack Obama. Este seria “o número mais elevado de vendas de contratos de exploração na história dos EUA”, diz Zynke, calendarizados num plano federal a cinco anos.

Semanas antes de abandonar a presidência, Obama proibiu novas explorações de petróleo e gás natural nas águas federais nos oceanos Atlântico e Árctico, deixando sob protecção 46,5 milhões de hectares de água ao largo do Alasca e 1,5 milhões ao largo da Nova Inglaterra e da Baía de Chesapeake.

Em Abril, o Presidente Donald Trump pediu a reversão dos planos de exploração existentes, que o Departamento do Interior dizia deixar de fora da exploração 94% da plataforma continental exterior.

A proposta surge numa altura em que o baixo preço do petróleo e o crescimento da produção em terra têm reduzido a procura por explorações offshore, levantando questões acerca dos benefícios da decisão.

Antes do anúncio da passada quinta-feira, congressistas dos dois partidos, grupos ambientalistas e empresários locais da costa atlântica, mostraram oposição a qualquer iniciativa para abrir a zona costeira a explorações energéticas, citando os riscos ambientais e as ameaças à lucrativa indústria do turismo.

Um porta-voz do governador republicano da Florida, Rick Scott, disse estar “agressivamente a lutar para proteger o ambiente da Florida, ao propor um pacote de mais de 3,8 mil milhões de dólares para o preservar”.

O fundador da Câmara do Comércio das Pequenas Empresas da Carolina do Sul, Frank Knapp, acusou o Departamento do Interior de favorecer os sectores do petróleo e do gás em desfavor do turismo. “A que parte do sector empresarial estão eles atentos? Não é certamente às pequenas empresas do litoral”, afirmou.

Fonte: Público

Os Polvos estão a tomar conta dos Oceanos


Desde os anos 50 do século passado que a população de cefalópodes (polvos, lulas e chocos) tem vindo a crescer drasticamente nos Oceanos globais, avança um estudo publicado no jornal Current Biology, e ninguém – ou melhor, nenhum cientista – sabe ao certo porquê.
Desenvolvido por um grupo de investigadores da Universidade de Adelaide, o estudo acaba por afirmar que uma mistura entre efeitos das alterações climáticas, sobrepesca e acidificação do Oceano tem causado o aumento do número de muitas espécies de peixes e crustáceos.
Ainda assim, os cientistas arriscaram uma explicação: o que está a causar a proliferação destas criaturas tentaculares é o facto de os humanos estarem a caçar muitos dos predadores que, normalmente, competem com os crustáceos pelo mesmo tipo de alimentos. Por outro lado, estas criaturas também estarão melhor equipadas para lidar com o aumento das temperaturas do mar que outros animais marinhos.
“Os cefalópodes podem expandir-se rapidamente – são chamados as ervas daninhas do mar. Se as condições ambientais forem boas, eles podem rapidamente explorá-las, uma vez que crescem de forma muito rápida”, explicou um autor principal do estudo, Zoe Doubleday, ao Gizmodo.
Infelizmente, estas não são boas notícias para as espécies envolvidas neste processo. Os investigadores avisaram que se o número de cefalópodes for demasiado alto, os animais podem ser forçados a recorrer ao canibalismo devido à falta de alimentos. E à medida que eles tomam conta de porções cada vez maiores do ecossistema marinho, eles podem também ser armazenados em grandes números e tornarem-se numa parte cada vez mais importante da dieta humana. Pelas piores razões, porém.
Fonte: Greensavers Foto: Jim Boon / flickr 

Maior travessia sobre o Mar do mundo vai ligar Hong Kong a Macau

A Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau é, apesar do que indica o nome, mais do que uma ponte: a travessia que une as pontas do Delta é constituída ainda por um túnel submarino e ilhas artificiais.


55 quilómetros de comprimento, 400 mil toneladas de metal e 16 mil milhões de euros: são estes os números que melhor descrevem a grandiosidade daquela que será a maior travessia sobre o mar do mundo. A construção vai ligar Hong Kong, Zhuhai e Macau, no Delta do Rio das Pérolas, região que conta ainda com as cidades de Guangzhou e Shenzen — uma espécie de Sillicon Valley chinês — e onde, ao todo, vivem cerca de 60 milhões de pessoas.
A travessia sobre o Mar da China meridional, onde desagua o Rio das Pérolas, é constituída por três pontes suspensas, um túnel submarino e duas ilhas artificiais. O objectivo é impulsionar a economia da região, que é responsável por 9,1% do PIB chinês e por 26% das exportações.
A construção vai permitir ligar as três cidades em 45 minutos, algo que demora agora entre 60 a 70 minutos de ferry e entre três a quatro horas de carro. A ponte, que está em construção desde 2009 e deveria ter sido inaugurada em 2016, deve ficar pronta ainda em 2018.
Os números da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau são estrondosos, mas os escândalos e problemas que a acompanham também. Sobre a obra pairam atrasos na construção, problemas técnicos e ambientais e cerca de 300 acidentes laborais, que resultaram em dez vítimas mortais e 600 feridos, escreve o El País.
A ponte esteve também no centro de um escândalo de corrupção que acabou com a detenção de 21 subcontratados acusados de falsificar provas da resistência do betão usado na ponte a troco de dinheiro.
Há também quem questione o impacto ambiental da obra na fauna local, nomeadamente do boto (golfinho) cor-de-rosa, uma espécie que já está em risco de desaparecer das águas chinesas.
A somar a tudo isto estão os sobrecustos, que parecem não ter fim. Já em Janeiro foi anunciado um gasto extra de 600 milhões de euros na construção da parte central da ponte, o qual será repartido entre os governos da China, de Hong Kong e de Macau.
Se por um lado a ponte está a ser promovida como um elo de ligação entre a China continental, Macau e Hong Kong, e um meio de aumentar o desenvolvimento económico da região, por outro há quem diga que o projecto é, acima de tudo, político e que pode resultar numa perda de identidade das regiões autónomas. Nathan Law, político e activista de Hong Kong e um dos líderes da Revolução dos Guarda-chuvas, afirma que a obra “é um projecto político que procura a integração de Hong Kong na China continental, algo que debilitará a singularidade e habilidade de desenvolvimento independente.”
Os mesmos que colocam em causa as razões para a construção da ponte também se questionam se os astronómicos 16 mil milhões de euros não poderiam ter sido investidos em educação, saúde ou na habitação, sendo esta última um grande problema de Hong Kong, que é a cidade com o preço de solo mais alto do mundo.
Fonte: Observador




Economia do mar depende de capital humano qualificado


O sector já emprega cerca de 160 mil portugueses, mas barómetro da PwC defende maior aposta na qualificação do capital humano de forma a melhorar a eficiência e produtividade.

Apesar da crise, a economia do mar foi resiliente e conseguiu «resistir bem» aos tempos mais turbulentos. E isso é visível pelo crescimento contínuo das exportações na fileira alimentar do mar, pelo número de turistas – que utilizam as nossas praias e viajam em transportes marítimos – e pela carga nos portos nacionais. «As evidências que o LEME tem reportado ao longo dos seus oito anos de existência são claras no que se refere à grande resiliência da economia do mar como um todo. Ou seja, nos picos da crise a economia do mar aguentou-se e quando a crise abrandou a economia do mar cresceu. Neste contexto, a evolução geral da economia do mar é positiva», revela a 8.ª edição do estudo LEME – Barómetro PwC da Economia do Mar, apresentado esta semana em Lisboa.
Ainda assim, Miguel Marques, partner da consultora, acredita que o sector poderia estar ainda mais forte, uma vez que continua a enfrentar vários obstáculos. Daí defender que muitos dos desafios estão relacionados com a necessidade de redução da burocracia, a necessidade de consistência das medidas no médio e longo prazo e a necessidade de investimento e financiamento pacientes, ou seja, que tenham maturidades também de médio e longo prazo. Outro desafio considerado importante é o da necessidade de renovação das frotas da marinha de guerra e de comércio, assim como a da pesca.
Capital humano 
Apesar dos recursos humanos associados a este sector terem melhorado nos últimos anos – mais de 160 mil em Portugal trabalham nas indústrias do mar, pesca, recreio e turismo – o barómetro continua a chamar a atenção para a necessidade de melhorar. E dá exemplos: em 2016, o número de pescadores e número de alunos colocados na 1.ª fase das candidaturas em cursos do ensino superior relacionados com o mar aumentou, mas em contrapartida o pessoal militar ao serviço da Marinha continuou a descer.
No entanto, o estudo da consultora aponta para a necessidade de dinamizar os diversos subsectores da economia do mar de forma a criar um impacto positivo no emprego, apostar na qualificação do capital humano de todos os subsectores para melhorar a eficiência e produtividade, assim como a capacidade inovadora do país.
Mas os desafios não ficam por aqui. É aconselhado também que o mar seja encarado como uma escola de talento e de competências base, como liderança, trabalho em equipa, flexibilidade, etc., aplicáveis a todos os sectores da economia portuguesa. «O ser humano apenas conhece uma pequena parte de todas as riquezas e potencialidades dos oceanos. Portugal deve investir no conhecimento e na investigação científica do mar Português», diz o documento. Um cenário que foi admitido pelos vários intervenientes que participaram na apresentação do estudo. Também o comandante Fernando Grego Dias, proprietário de dois navios, apontou para a falta de recursos humanos qualificados no sector.
Revolução industrial em marcha
Esta edição do LEME incluiu um inquérito a gestores de topo e personalidades da economia do mar. 90% dos inquiridos admite que a revolução digital terá um grande impacto no sector. 
«Os líderes das diferentes indústrias do mar, começam a ter a noção de que, se não abraçarem a revolução digital, aproveitando todos os seus benefícios e construindo bases sólidas de protecção contra ciberataques, a economia do mar será como uma embarcação à deriva num vendaval de transformações», revela Miguel Marques.
Ainda assim, o partner da PwC admite que «embora o interesse pelos temas da transformação digital tenha aumentado consideravelmente no seio da comunidade marítima portuguesa e as acções digitais no terreno tenham também iniciado caminho, o conhecimento dos riscos associados a ciberataques e sua mitigação é ainda incipiente».
Sector em crescimento
O Governo também já veio assumir a importância da economia do mar e assumiu que pretende duplicar o seu peso de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) para 5% até 2020. A pensar nessa meta, o Executivo anunciou 600 milhões de euros para financiar projectos na economia azul até ao final da legislatura. E dá exemplos. O Fundo Azul terá uma dotação de 54 milhões de euros e pretende apoiar o financiamento das actividades emergentes assim como apoiar o financiamento da inovação e do aumento da intensidade tecnológica ligada a este sector.
Já a partir do segundo semestre do ano vai ser lançado o programa EEA Grants com uma dotação de 44,5 milhões de euros para financiamento de novos projectos empresariais e de investigação científica inovadores e sustentáveis.
O Executivo disponibiliza o programa Operacional Mar 2020 destinado ao sector das pescas e aquacultura com uma verba de 500 milhões de euros. Em relação a este último programa, a ministra esclarece que já foram transferidos 52 milhões de euros para as empresas do sector, em especial para as empresas de transformação, congelados, conservas e aquicultura.
Ao mesmo tempo, o ministério do Mar prepara-se para alcançar níveis recorde nos portos. De acordo com Ana Paula Vitorino, o Porto de Lisboa deverá registar um crescimento de 8% nas escalas e uma subida de 18% no número de passageiros durante este ano.
Também o de Leixões deverá manter a trajectória de crescimento verificada no ano passado e irá registar uma subida de 19% de cruzeiros, crescendo de 84 para 100 cruzeiros e um aumento de 33% de passageiros (passando de quase 72 mil passageiros em 2016 para mais de 95 mil em 2017).
«O novo ano que agora começa será mais um histórico para os portos nacionais», referiu a ministra durante a apresentação do LEME, elogiando ainda os resultados obtidos pelos portos comerciais no ano passado ao registar um movimento total de 95,8 milhões de toneladas, o que se traduziu num crescimento de 3% face a 2016. Um valor que, segundo a mesma, está de acordo «com a nossa estimativa prevista na estratégia para aumento de competitividade da rede de portos comerciais do continente-horizonte 2026».
Fonte: Ionline

Terminal XXI entrou com novo horário


O ano de 2018 no Terminal XXI iniciou com a implementação de um novo horário de trabalho. O novo horário de trabalho, que envolveu um braço de ferro entre a PSA ( a concessionária do Terminal XXI) e o Sindicato XXI ( O mais representativo dentro do Terminal XXI ), culminou com uma assinatura de um acordo que previa a implementação de um novo horário de trabalho, ( abaixo das 40 horas semanais), a constituição de uma quinta equipa, a formação dos trabalhadores para novas funções e a contratação de mais de uma centena de novos elementos. 





sábado, 20 de janeiro de 2018

Hugo Vau surfou "Bomba" na Nazaré "Diferente de todas as outras"


O surfista português Hugo Vau recordou  a 'bomba' que surfou na quarta-feira na Praia do Norte, na Nazaré, distinguindo-a pela "velocidade impressionante" e pela "descida interminável".


"Esta sim, foi diferente de todas as outras ondas e tinha um tamanho acima da média da Praia do Norte. Estávamos à espera há sete anos de uma onda destas e esta rebentou de uma forma muito poderosa, muito agressiva e muitos dos presentes disseram que nunca tinham visto nenhuma deste tamanho", explicou Hugo Vau, em declarações à Lusa.



Perante a possibilidade de esta ter sido a maior onda já surfada no local, o surfista escusou-se a quantificar, remetendo esta avaliação para as entidades especializadas: "Naturalmente esta onda está entre as candidatas aos prémios XXL [para ondas gigantes], que tem um comité de avaliação".

Em 1 de novembro de 2011, o norte-americano Garrett McNamara surfou na Praia do Norte uma onda com uma altura estimada de 23,77 metros, o que constitui um recorde inscrito no livro do Guinness. No entanto, esta marca já poderá ter sido ultrapassada na Nazaré por outros surfistas, nomeadamente Hugo Vau, embora não haja registos oficiais.

"Não há um método científico para a medição, normalmente calculam o tamanho da onda a partir da altura do surfista", referiu, dedicando e agradecendo o seu feito à sua equipa, constituída pelos também surfistas Alex Botelho e Marcelo Luna e ainda pelo fotógrafo Jorge Leal.

Hugo Vau recordou que esta 'bomba' surgiu ao final da tarde de quarta-feira, depois de várias horas de espera, enquanto alguns dos surfistas que acorrem à praia nazarena 'deambulavam' entre o porto de abrigo e a Praia do Norte, numa altura em que aguardavam no canal, do lado da vila, fora da rebentação.

Fonte: Record

Jorge d’Almeida: «Se tudo funcionasse tão bem como o sistema portuário…»



Na sessão de apresentação da 8.ª edição do LEME – Barómetro da PwC para a Economia do Mar, liderada ontem por Miguel Marques (PwC) no Pavilhão do Conhecimento, Jorge d’Almeida foi uma das ilustres personalidades ligadas ao mar a ter oportunidade de dar o seu ponto de vista sobre a forma como vê a evolução da Economia do Mar em Portugal.
Desafiado a tecer alguns comentários sobre as áreas que tão bem domina – o shipping e os portos -, Jorge d’Almeida defendeu que uma das grandes oportunidades para o nosso país passa por criar um hub de referência do shipping mundial. «As empresas não têm de estar onde estão os navios», vinca Jorge d’Almeida, lembrando que devemos potenciar Portugal nesta área, não só pela sua ligação ao mar mas também por ser um «sítio agradável para viver» ou por ter «custos muito competitivos». «O principal entrave é mesmo a barreira fiscal, mas penso que estamos finalmente a resolver isso», acrescentou ainda o especialista.
Ora, Miguel Marques (PwC) aproveitou a introdução deste tema para recordar o trabalho que tem vindo a ser feito na dinamização do Registo Internacional de Navios da Madeira, vincando que este é um exemplo de «uma área na qual podemos ser um hub mundial».
Ainda neste campo de oportunidades, Jorge d’Almeida recordou a recente visita à China de uma comitiva portuguesa, liderada pela Ministra do Mar, na qual esteve presente. E, em jeito de balanço, admitiu que os trabalhos correram manifestamente bem e mostrou esperança de que a iniciativa servirá para colher frutos em diversas áreas da Economia do Mar.

Muitos elogios para os portos e para quem os tem liderado


Já sobre os portos nacionais, Jorge d’Almeida vincou que é das áreas que «melhor correm em Portugal» – algo que, na sua opinião, se deve muito «às pessoas que estiveram à frente dos portos nos últimos anos».
Lembrando que «não há nenhum porto português que não tenha crescido nos últimos anos», Jorge d’Almeida concluiu de forma esclarecedora: «Se tudo funcionasse tão bem como o sistema portuário…».
Porém, a verdade é que as várias edições do LEME têm deixado claro que nem todas as áreas do mar estão a ser devidamente aproveitadas no nosso país. E, no certame desta quinta-feira, a PwC questionou os participantes em relação ao aproveitamento do país de todo o potencial do seu mar. As respostas foram claras: 97% dos que estiveram presentes responderam que NÃO fazemos o devido aproveitamento do nosso mar!

Falta de financiamento trava Economia do Mar

A PwC divulgou um estudo onde destaca o atraso no desenvolvimento da economia do mar, derivado da falta de financiamento. Ainda assim, actividades do mar continuam em crescimento.


A economia do mar parece estar a passar por maus momentos, com as actividades ligadas ao mar a caírem há dois anos consecutivos, revela um estudo divulgado esta quinta-feira pela PwC. Uma quebra que pode ser justificada pela falta de conhecimento dessas áreas e, consequentemente, pela falta de financiamento. Ainda assim, os inquiridos considera que o mar português tem “boa qualidade ambiental”.
No estudo da PwC — “LEME – Barómetro PWC da Economia do Mar” –, há um problema por combater: o atraso no desenvolvimento da economia do mar. Contrariamente às restantes variáveis analisadas no estudo, este tema é o único que não regista uma evolução positiva no seu crescimento, estando em queda há dois anos consecutivos.
Este desempenho pode ser justificado pela falta de financiamento na actividades do mar, como explica José Marques, partner da PwC ao Jornal de Negócios (acesso pago): “A redução de estruturas no sistema financeiro provocou perda de conhecimento em diversas áreas económicas, uma dessas áreas foi o mar”. Isto faz com que, esses financiamentos, sejam realizados apenas nas áreas económicas mais conhecidas, como é o caso dos “portos e transportes marítimos”, onde o conhecimento ainda é “suficiente”. “Só se investe e só se financia aquilo que realmente se conhece e se consegue avaliar”. Por isso, explica que “o primeiro passo para resolver este problema é dotar novamente o sistema financeiro do conhecimento necessário sobre a realidade económica das indústrias do mar”.
No estudo, a PwC destaca que “a actual turbulência nos mercados financeiros tem agravado a possibilidade de obtenção de financiamento por parte de sectores que, por serem novos, não têm histórico, logo, esbarram na aprovação de produtos tradicionais de financiamento”. Uma realidade que se alarga “aos sectores tradicionais que, apesar de terem um histórico, revelam dificuldades estruturais, afastando as mesmas fontes tradicionais de financiamento”.
Ainda assim, apesar destas limitações no financiamento, as actividades da economia do mar continuam a crescer. “Se com limitações grandes ao financiamento a economia do mar tem crescido, como seria se tivesse melhor financiamento?”, questiona José Marques. Dados do Instituto Nacional de Estatística, citados no estudo, indicam que mais de 4,6 mil milhões de euros da economia portuguesa são gerados pelos mais de 160 mil portugueses que trabalham nas indústrias do mar.

Gestores reconhecem “boa qualidade” ambiental do mar português

Do total dos que defendem a boa qualidade do mar (72%), 78% afirmam que este é um argumento “usado de forma insuficiente por Portugal”. Já dos que consideraram que a qualidade do mar português é “fraca”, 96% sublinha que, no contexto europeu, as consequências da baixa qualidade no mar português são “significativas”.
Entre o total dos inquiridos, 39% refere que “acontece frequentemente” a presença de lixo no mar português e 24% diz que se verifica, com regularidade, situações de sobrepesca. Por sua vez, 77% diz que há um risco “reduzido” de se encontrarem resíduos radioativos e 62% defende a mesma posição face ao desmantelamento de navios no mar português. Relativamente ao impacto, 61% considera que a verificar-se derrames será “elevado” e 88% defendem a mesma posição em relação aos resíduos radioativos.
Conforme indica o ‘LEME’, “dos nove riscos analisados, sete (78%) estão no quadrante de risco e o impacto acima do razoável, a tender para o elevado. Assim, embora Portugal tenha uma muito boa qualidade da água, comparativamente com outros países europeus, está sujeito a riscos e possíveis impactos elevados, que podem vir a afetar negativamente a sustentabilidade ambiental, caso não se mantenha, no terreno, uma ação constante de monitorização e de mitigação de riscos”.
A PwC nota ainda que, ao solicitar aos inquiridos sugestões para que Portugal seja uma referência, no contexto internacional, em termos de boa qualidade ambiental do mar, de uma forma geral, foram referidas, entre outras, o tratamento de resíduos urbanos e industriais, o reforço da educação ambiental e o uso de energias limpas. Sobre o impacto futuro da economia do mar na revolução digital, 90% dos inquiridos diz que é “elevado”, 8% refere que é “médio” e 2% defende que é “baixo”.
Fonte: ECO