sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Carbono nos oceanos poderá atingir limiar catastrófico em 2100

310 gigatoneladas é o máximo de carbono que os oceanos aguentam antes de a libertação súbita deste gás alterar o meio ambiente de modo a provocar extinções em massa. Ao ritmo que a actividade humana produz carbono, este limite será atingido por volta do virar do século.


A quantidade de carbono nos oceanos poderá atingir em 2100 o limite acima do qual aconteceram extinções em massa no passado, avisam investigadores norte-americanos que usaram um modelo matemático para prever o que chamam "limiar da catástrofe".
Segundo o professor de Geofísica Daniel Rothman, 310 gigatoneladas é o máximo de carbono que os oceanos aguentam antes de a libertação súbita deste gás alterar o meio ambiente de modo a provocar extinções em massa que podem decorrer ao longo de centenas de anos.
"Isto não quer dizer que o desastre acontecerá no dia seguinte"ao limite ser atingido, salientou, indicando que "o ciclo do carbono passaria a estar instável e comportar-se-ia de uma maneira imprevisível", o que "no passado geológico, está associado com extinções em massa".
Rothman estima que, ao ritmo a que a actividade humana produz carbono, as 310 gigatoneladas serão atingidas por volta do virar do século.
Ao longo de 540 milhões de anos aconteceram na Terra cinco extinções em massa, cada uma marcada pela perturbação do ciclo do carbono que passa pela atmosfera e pelos oceanos.
Estas perturbações foram ocorrendo ao longo de milhares ou milhões de anos e coincidem com as marcas da extinção de espécies marinhas em todo o planeta.
Num estudo publicado na revista Science Advances, o investigador do Instituto de Tecnologia de Massachusetts afirma ter identificado um "limiar de catástrofe" nas extinções que já aconteceram, estabelecendo que o que importa não é a quantidade de tempo que demoram as perturbações no ciclo do carbono, mas a quantidade de carbono em causa.
No ciclo normal do carbono, que depende de um vaivém constante entre consumo e produção, há sempre uma quantidade adicional de carbono que é depositada nos fundos oceânicos.
Quando há um excesso de produção de dióxido de carbono, como a que caracteriza a actividade humana desde a industrialização, esse excesso leva ao aquecimento global e à acidificação dos oceanos, o que desencadeia as extinções globais.
Segundo as piores previsões, o nível de carbono nos oceanos poderá ser muito superior ao limite definido por Rothman e chegar às 500 gigatoneladas.
"Deve ser possível recuar nas emissões de dióxido de carbono", afirmou Rothman, salientando que a sua investigação "aponta razões pelas quais é preciso ter cuidado".
Fonte: TVI24 

Ambientalistas querem explicação das “sondagens” no mar entre Sines e Aljezur


Os movimentos Climáximo e Alentejo Litoral pelo Ambiente (ALA) "exigem" do Governo um "esclarecimento" acerca de alegadas "sondagens" feitas este mês no mar entre Sines e Aljezur e sobre o estado dos contratos de prospecção de hidrocarbonetos.

"Fomos consultar o registo de tráfego marítimo internacional que está disponível online e é público, e encontrámos a embarcação que estava registada como estando a fazer sondagem 'offshore' saindo de Sines na direcção de Aljezur", disse nesta quarta-feira, em declarações à agência Lusa, João Camargo, da Climáximo.

O ambientalista refere-se ao navio italiano "Vos Purpose" que, segundo divulgaram a Climáximo e o ALA num comunicado conjunto enviado à agência Lusa, terá feito "operações de sondagens no mar, partindo do Porto de Sines em direcção à região do mar de Aljezur".

"É um sinal de alarme para os movimentos contra a exploração de petróleo e gás a poucos dias das eleições autárquicas", consideram os ambientalistas no mesmo documento, em que lembram ainda estarem em vigor providências cautelares da Associação de Municípios do Algarve, da Câmara Municipal de Odemira e da Plataforma Algarve Livre de Petróleo.

A Climáximo e o ALA afirmam que, "nos dias 2 e 9 de Setembro, segundo os registos de tráfego marítimo internacional, o navio italiano 'Vos Purpose' esteve a realizar sondagens a partir do Porto de Sines, tendo-se dirigido à zona onde seria realizado o furo de Aljezur".

Fonte: Sábado 

Tsunami do Japão levou espécies marinhas nunca antes vistas nos EUA

Quase 300 espécies marinhas foram transportadas do Japão para a costa oeste dos EUA depois do tsunami de 2011, que, juntamente com o terramoto e o acidente nuclear de Fukushima, devastou o país.


Em 2011, o Japão foi devastado por uma tripla catástrofe. A 11 de Março, o terramoto mais forte alguma vez registado da história do Japão deu origem a um tsunami que varreu várias cidades e levou à catástrofe nuclear de Fukushima. Passados seis anos, um estudo publicado na revista Science revela que esse tsunami levou um milhão de criaturas marinhas de quase 300 diferentes espécies até à costa oeste dos Estados Unidos da América.
Os autores do estudo dizem que esta é a migração marinha mais longa de que há registo: os seres vivos percorreram quase 7800 quilómetros até o outro lado do oceano Pacífico. Como? A bordo de uma “frota” de detritos gerados pelo tsunami. As espécies alojaram-se e reproduziram-se maioritariamente em detritos não biodegradáveis e com propriedades flutuantes, como é o caso dos plásticos e das fibras de vidro, e foram arrastadas para as costas de estados como Washington, Califórnia, Alaska e Havai.
Segundo o estudo, dois terços das espécies nunca tinham sido vistas em costa americana. Desde junho de 2012 que espécies estão a aparecer na costa oeste dos EUA. Aquando da conclusão do estudo, no início deste ano, a equipa de investigadores ainda estava a descobrir seres como crustáceos e lesmas do mar alojados em destroços levados pelo tsunami.
A situação, contudo, pode vir a causar problemas para a fauna natural da costa oeste americana. Peritos dizem que ainda é cedo para perceber se estas espécies se estão a colonizar ao longo da costa, ameaçando as nativas.
A quantidade de destroços de tsunami é também um lembrete do perigo dos plásticos para o ecossistema marinho, não só a nível climático e de poluição, mas também de propagação de espécies marinhas para sítios indevidos.
Fonte: Observador





sábado, 16 de setembro de 2017

Tailândia lança campanha para promover limpeza dos oceanos


«Upcycling the Ocean» é o projecto ambiental lançado este mês em Ko Samet com o objectivo de preservar o mar e em especial as praias do Golfo da Tailândia, assim como transformar os plásticos encontrados no oceano em «tecido».
Para o Governador da Autoridade de Turismo da Tailândia (TAT), Yuthasak Supasorn, «este projecto vem reafirmar o compromisso na promoção de um turismo ambientalmente responsável e deverá servir como incentivo para impulsionar iniciativas de cariz ecológico. Com a ajuda de [mais de 100] mergulhadores e voluntários da TAT e da PTTGC (PTT Global Chemical), esta acção irá remover o lixo dos oceanos e das praias de Ko Samet, assegurando que permanecerá limpa e com as infraestruturas necessárias para recolha de lixo».
No continente asiático, a Tailândia surge como pioneira nesta acção da Ecoalf Foundation, que envolve também os pescadores locais e entidades competentes no desenvolvimento da tecnologia para tornar a recolha mais eficiente.
A acção, que irá transformar o lixo recolhido em produtos ecológicos, tem o apoio de fabricantes de têxteis, designers, marcas de roupas, administração local, comunidades, vilas piscatórias, voluntários, mergulhadores e turistas.

Cláudia Aguiar nomeada relatora para Governação Internacional dos Oceanos


Cláudia Monteiro de Aguiar foi nomeada na Comissão de Transportes e Turismo relatora do documento estratégico ‘Uma Agenda para a Governação dos Oceanos’. Este documento, assinalado como prioritário para Federica Mogherini - Alta Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança - apresenta 15 acções para o futuro dos Oceanos, com o objectivo de preservar, conservar e aproveitar de forma sustentável os recursos marinhos.
Segundo a Eurodeputada do PSD,este documento “é crucial pela importância que atribui na preservação dos oceanos, nas suas várias vertentes. E pela acção global que entidades públicas, privadas e sociedade civil são chamadas a adoptar em coordenação, pois a governação e gestão dos oceanos não têm fronteiras” .
O  parecer está em fase de negociação na Comissão dos Transportes e Turismo e na Comissão do Ambiente, pois ambas partilham competências nesta matéria. Segundo Cláudia Monteiro de Aguiar “os Estados-Membros são instados a um compromisso de aplicação de medidas concretas, que seja cumprido o objectivo 14 da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável, sobre a preservação e exploração sustentável dos oceanos. Estes compromissos são transversais a vários sectores, a transportes e turismo mas com o crivo de soluções ambientais e ecológicas.”
No documento apresentado pela Eurodeputada é ainda dado especial enfoque, entre outras matérias, à necessidade do estabelecimento de planos de ordenamento do espaço marítimo o mais tardar até 31 de Março de 2021 para que seja a União a liderar o Fórum a nível internacional; à necessidade de reforçar a segurança marítima; reforçar se necessário o apoio financeiro às Agências, com competências nesta matéria, pelo aumento de competência em matéria de controlo das fronteiras e no combate à poluição marítima e marinha.
Cláudia Monteiro de Aguiar sublinha ainda a necessidade de “desenvolver parcerias no domínio dos oceanos como meio para reforçar a cooperação em questões de interesse comum, como o Crescimento Azul, Soluções Digitais e de Tecnologia Marítima Avançada, em projectos de inovação em tecnologias azuis e energias limpas, como o LNG, para as infra-estruturas e transporte marítimo mais ecológicos.”
O relatório faz ainda referência ao Turismo Costeiro e Marítimo para que seja tido em consideração e para que seja incluído na Agenda Internacional para a Governação dos Oceanos.
Este Parecer Estratégico que vai ao encontro da primeira Conferência dos Oceanos da ONU, que aconteceu em Nova Iorque em Junho do passado, com a participação de 193 países. Além da adopção do compromisso pelos Estados, a conferência teve como objectivos: promover o diálogo entre governos, empresas, fundações e organizações não-governamentais e a realização de outros compromissos voluntários.
Fonte: Dnoticias

Sines pode ser a Capital da Economia do Mar



O título não é enganador. É a realidade e cada vez mais irá consolidar. De pequena cidade piscatória a uma bela cidade portuária, Sines tem tudo para se impor como Capital da Economia do Mar do nosso país. Não é um trabalho que se faz de um dia para o outro, mas sim continuamente. Mas quando se faz trabalho  a nível local, junto das instituições e do governo, independentemente da sua cor política, tudo é possível, se de facto o objectivo for fazer avançar este concelho que possui um potencial tremendo. O desenvolvimento mais sustentado de Sines passa por uma maior aproximação do Sector da Economia do Mar e às empresas que operam no sector. Se no segmento a parte portuária, de logística e de transportes, Sines é de facto um porto de referência, continua de facto a existir reforço do investimento tanto da parte privada como na complementação por parte da Administração Portuária de modo a crescer ainda mais nos próximos anos. Tornar Sines a sede de alguns dos principais players do sector seria interessante, na medida que o retorno esperado seria ainda maior do que se pode esperar. A Feira do Mar realizada em Sines desde 2016, ( que não deixa de ser uma ideia positiva ), deveria estar mais vocacionada para a atracção de investimentos e para a criação de emprego no sector, o que seria uma lufada de ar fresco. No que concerne ao Turismo Náutico, uma maior promoção do mesmo, um maior apoio, seria sempre bem-visto, porque a costa ao largo do concelho é de facto muito rica e até desconhecida para muitos em relação às suas riquezas, já que a vertente do Turismo Náutico no que concerne a um Terminal de Cruzeiros parece-me utópica, para além de muito dispendiosa. Uma maior aposta na náutica de recreio, seja na criação de eventos como na realização de um encontro anual seja sob formato de feira ou exposição seria igualmente uma boa ideia, sem esquecer desportos como o Surf, Bodyboard, Paddle Surf, Kitesurf entre outros. No que concerne à Pesca, actividade tradicional desde sempre de Sines, tem de existir um reforço nos mecanismos à actividade, seja no apoio local ou na desburocratização e ajuda no acesso aos apoios governamentais. Relacionado com esta área, seria igualmente existir programas de incentivo à aquacultura e a reconstrução da indústria conserveira que fez parte do portefólio industrial de Sines durante décadas. Sines possui mão-de-obra qualificada inclusive para fazer uma forte aposta na indústria da reparação naval. A quantidade de navios que passam por Sines todos os anos, justifica essa aposta, porque ao não fazemos nós essa aposta por cá, outros absorvem um serviço que poderia proporcionar muitos postos de trabalho por cá. Algo que tem de ser planificado, projectado e batalhado é um pólo de ensino relacionado com o Mar, como o da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar que existe em Peniche e está sobre a alçada do Politécnico de Leiria. Temos todas as condições para projectar a longo prazo a construção efectiva deste ideal e fazer dela uma realidade. O conceito de "Capital da Economia do Mar" não pode ser só um mero conceito, nem uma conjugação de números. Tem de ser uma aposta efectiva nas pessoas e na sua relação do Mar de modo a explorar o potencial deste Mar, que tanto nos dá. E nunca devemos deixar de ser vigilantes no cuidado que temos do nosso Mar. Seja nas tentativas de o prejudicar ambientalmente. Seja na ignorância e má gestão do mesmo. Com esta cidade de Sines e um Mar à sua frente que pode proporcionar um futuro brilhante, temos todos de fazer para a realidade seja de facto o melhor possível das opções que se tomam nos mais diversos patamares, sejam eles locais, governamentais ou institucionais.





Plataforma digital criada pode aumentar sustentabilidade da pesca

Uma plataforma digital criada nas Caldas da Rainha, que permite rastrear o peixe desde a captura até à sua venda e aumentar a sustentabilidade da pesca, foi apresentada na Conferência Mundial do Atum, em Vigo, Espanha.


Desenvolvida pela empresa BitCliq, sediada nas Caldas da Rainha (distrito de Leiria), a plataforma digital "Big Eye Smart Fishing" permite a "gestão de frotas pesqueiras em tempo real", fornecendo dados sobre "todas as operações realizadas em mar e em terra", explicou à Lusa o fundador da empresa, Pedro Manuel.

Através de sensores e de um sistema de informação integrado, a plataforma regista o processo desde que "o barco sai do porto de pesca, a procura de um local onde haja um cardume, o cerco, a captura, a congelação, o desembarque, o transporte, o armazenamento e a entrega final para transformação, exportação ou venda", explicou.
Os dados tratados em terra, "quase em tempo real", permitem aos operadores que "tenham vários barcos no mar em simultâneo e gerir a frota de forma mais eficiente, sabendo qual a quantidade e tipos de espécies capturadas, o seu custo instantâneo, o combustível consumido e em stock, entre outras informações", acrescentou.
A plataforma "que está a revolucionar a indústria da pesca sustentável à escala global" regista ainda "quantos e quem são os tripulantes que estão no barco e as horas de trabalho desenvolvidas durante a viagem", permitindo aferir "as suas condições laborais" e, por outro lado, "permitir-lhes aceder à internet e comunicarem com as famílias", adiantou ainda Pedro Manuel.
O software que permite o total controlo sobre a origem do peixe e as boas práticas dos pescadores e fornecedores é foi apresentado na cidade de Vigo, em Espanha, no âmbito da edição 2017 da Conferência Mundial do Atum, onde se concentra grande parte do mercado alvo da empresa.
O sistema, que começou a ser desenvolvido em 2014 numa frota piloto, está já implementado na Europa, nos Estados Unidos e em fase de ensaios na Tailândia.
Até 2016, registou dados de mais de centena e meia de viagens, com cerca de um mês de duração e com cerca de três dezenas de homens a bordo.
Segundo dados disponibilizados pela empresa, foram "mais de cinco mil atividades diárias registadas, mais de 60 mil toneladas capturadas, 23 mil ações de captura e 40 mil registos de pesagem no desembarque".
A empresa registou ainda" mais de 11.500 transacções de dados via satélite e o lançamento bem sucedido de uma dezena de actualizações automáticas de software em alto mar".
Actualmente com cerca de uma dezena de trabalhadores, a maioria dos quais engenheiros informáticos, a empresa está em fase de expansão da área comercial e de marketing para levar a plataforma a mais empresas de pescado e conservação em vários países do mundo.
Mas o próximo projecto de Pedro Manuel é estender a rastreabilidade digital "até ao consumidor", através de um rótulo digital em que que "através de uma aplicação no telemóvel o consumidor tenha acesso a toda a informação sobre o peixe que está a comprar".
Mas até lá, a 'start-up' portuguesa vai continuar a levar o "big eye" a fóruns internacionais ligados à pesca, o próximo dos quais nos Açores, em Outubro.

Animal misterioso deu à costa após passagem de furacão Harvey

Animal marinho, uma espécie de enguia, habita nas profundezas do Atlântico. Furacão Harvey pode ter contribuído para que desse à costa, para espanto e curiosidade da população.


Uma criatura misteriosa deu à costa numa praia no Texas, nos EUA, após passagem do furacão Harvey. Foi Preeti Desai quem se deparou com o animal numa praia em Texas City e tratou de publicar fotografias na rede social Twitter, questionando os internautas, sobretudo aos biólogos, sobre que animal seria aquele.

O biólogo Kenneth Tighe desvendou o mistério. Este especialista acredita tratar-se de um animal marinho, uma enguia, cuja designação, em inglês, é fangtooh snake-eel (serpente enguia). 
Os fortes ventos e inundações no Texas podem ter levado a que o animal desse, estranhamente, à costa, uma vez que habitualmente é encontrado nas profundezas (entre 30 a 90 metros) na zona oeste do Atlântico.
"Foi algo completamente inesperado, não é uma coisa que se veja normalmente na praia. A minha primeira reacção foi curiosidade", disse Desai à BBC.


Surf. Carol Henrique faz história e é campeã europeia


Carol Henrique continua a fazer história no surf português! A surfista de Cascais, 22 anos, conquistou na passada sexta-feira o título europeu de surf da World Surf League (WSL), a primeira vez que uma portuguesa alcança este troféu.
Depois de liderar o ranking europeu durante a maior parte do ano, a recém-coroada bicampeã nacional conseguiu o título no Anfaplace Pro Casablana, prova do circuito mundial de qualificação. Apesar de ter perdido cedo na competição, Henrique beneficiou da derrota nos quartos-de-final da espanhola Garazi Sánchez-Ortun às mãos da portuguesa Yolanda Hopkins.

"Estou muito feliz. Sabia que estava na liderança da corrida porque estive quase toda a ‘perna’ europeia na frente mas, com uma pontuação muito perto da Justine Dupont, da Garazi Sánchez e até da Maud Le Carr e da Camilla Kemp. Sabia que estava muito em aberto, havia muitas etapas. Até à última etapa estava acessível para a Garazi vencer. Depois, em Marrocos aconteceu que eu não tive um bom resultado mas os meus resultados anteriores acabaram por me favorecer e acabei por conquistar mesmo o título de campeã europeia. Não tinha a certeza se eu era a primeira a conseguir o título para Portugal, só depois tive a certeza absoluta. Estou mesmo feliz. Além de ser um objectivo pessoal, é também muito gratificante poder dar este título a Portugal” explicou Carol Henrique à agência Lusa.

Carol Henrique torna-se, então, na primeira portuguesa a conquistar o título europeu, depois de Justin Mujica e Pedro Henrique, seu irmão, já o terem também conseguido, em 2004 e 2015, respectivamente.

A Associação Nacional de Surfistas endereça felicitações a Carol Henrique, esperando que a surfista portuguesa, actual bicampeã nacional da Liga MEO Surf, continue a dar iguais e maiores alegrias ao surf português.

Nota final ainda para a surfista portuguesa Yolanda Hopkins que continua em prova no referido Anfaplace Pro Casablanca, onde já garantiu, no mínimo, o 3º lugar, o que é desde já o seu melhor resultado de sempre numa prova do circuito mundial de qualificação. As últimas baterias femininas da prova devem ir para a água no próximo Domingo.

Fonte: Ionline

Fotografia tirada mostra realidade assustadora sobre oceanos

Fotógrafo de vida selvagem captou imagem no ano passado, na Indonésia. Fotografia é agora finalista de um concurso do Museu de História Natural de Londres.


Uma fotografia da autoria de Justin Hofman, que mostra um cavalo-marinho a agarrar um cotonete, é finalista do concurso de ‘Fotografia do Ano sobre Vida Selvagem’ do Museu de História Natural de Londres. O tema da imagem é contundente: o estado da poluição dos oceanos.

A imagem foi tirada pelo fotógrafo norte-americano no ano passado perto da ilha de Sumbawa, na Indonésia, naquelas que serão algumas das águas mais poluídas do mundo. “A água contém cada vez mais objetos não-naturais, maioritariamente pedaços de plástico, e uma camada de resíduos sanitários cobre a superfície”, explicou.
Hofman, natural da Califórnia, indicou ao USA Today que gostava que a imagem não existisse. “Gostava que não tivéssemos que ver esta vida selvagem maravilhosa misturada com o nosso lixo. Viajo pelo mundo todo e não consigo lembrar-me de um único sítio onde as pessoas não tenham afectado o ambiente”, indicou.
A Indonésia é o segundo país que mais lixo deita ao mar, sendo ultrapassada apenas pela China. De acordo com o The Guardian, o país já começou a tomar medidas para resolver este problema, prometendo dedicar mil milhões de dólares aos esforços de diminuição da pegada de poluição marinha, a serem realizados nos próximos oito anos.

Mar 2020 aprovou investimentos de 250 milhões

Teresa Almeida, coordenadora do programa operacional, revela que foram recebidas candidaturas equivalentes ao triplo do que estava previsto.


Em pouco mais de um ano a partir da data da publicação dos primeiros avisos para a apresentação de candidaturas, o Programa Operacional Mar 2020 já aprovou projectos de cerca de 170 milhões de euros. Segundo dados recolhidos pelo Jornal Económico junto da equipa de coordenação deste programa de apoios comunitários, este montante, contabilizado a 30 de Agosto, implicava que o grau de compromissos já assumido neste programa equivalia a 35,7% do total destinado ao programa, que, como o próprio nome indica, se estende até 2020.
Os cerca de 170 milhões de euros já aprovados no âmbito do Programa Mar 2020 respeitam à parte pública, ou seja à comparticipação do Estado português e dos fundos comunitários. Associando a parte do investimento das empresas privadas que se candidataram, os projetos já aprovados equivalem a um investimento global de 247 milhões de euros, algum dele já em execução.
No total, o Programa Operacional Mar 2020 recebeu 1.786 candidaturas e aprovou 1.175 acções específicas de apoio ao sector das pescas e da aquacultura. Este instrumento de financiamento específico prevê apoios, até ao final da sua vigência em 2020, de 508 milhões de euros, dos quais 392 milhões de euros provenientes do Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas (FEAMP) e uma comparticipação nacional a rondar os 116 milhões de euros.
Teresa Almeida, gestora do Programa Operacional Mar 2020, sublinhou que “o anterior programa comunitário de apoios desta área não tinha, nem de longe, este tipo de adesões”. “Estamos neste momento com o triplo das adesões que esperávamos e financiámos todos os projectos que tinham condições”, garante esta responsável.
Teresa Almeida fez esta semana, na passada terça-feira a primeira de uma série de visitas a empresas que viram as suas candidaturas aprovadas no âmbito do Mar 2020, numa ronda que irá acompanhar uma empresa por cada DRAP – Direcção Regional de Agricultura e Pescas, esperando-se, portanto, mais quatro deslocações.
Esta semana, a anfitriã foi empresa de depuração e comercialização de bivalves e mariscos Aki D’El-Mar, localizada na zona industrial das Caldas da Rainha 
“Esta empresa está já passou a fase mais primária, estando construção os equipamentos, uma nova unidade, que deverá estar operacional até ao final deste ano e que lhe vai permitir quintuplicar a sua capacidade de produção”, destacou Teresa Almeida.
Outra das notas sublinhadas pela gestora do Mar 2020 é o fator da inovação, uma das condições para as candidaturas serem aprovadas. “O Mar 2020 financia estas actividades, mas sempre que haja inovação. É um desafio que esta empresa e que Portugal abraçaram e que vamos suportar. Estamos altamente satisfeitos. Estamos aqui a monitorizar o andamento do projecto e estas visitas servem também para tirar dúvidas, acertar pormenores e, se possível, ajudar à celeridade do seu andamento e de encontrar formas mais expeditas de chegarem a bom termo”.
“Neste caso, estamos ainda mais felizes, porque, a aprovação de projectos no âmbito do Mar 2020 é um processo que pode ter três anos de duração, mas com a Aki d’El-Mar, se a unidade arrancar antes do final de 2017, o processo nem vai durar um ano. Também aqui temos um factor de grande satisfação e este é também um sinal de que o nosso tecido empresarial está mais dinâmico, que tem mais confiança e que desenvolve os projectos com mais rapidez”, defendeu Teresa Almeida.
De acordo com os dados obtidos, no Continente, a área da transformação dos produtos da pesca e da aquacultura é aquela que, neste primeiro ano de vigência do Mar 2020, mobilizou candidaturas com maior volume de apoio financeiro, num total de 45 milhões de euros, respeitantes a 22 projectos aprovados.
Na área do desenvolvimento sustentável da aquacultura, foram aprovados 67 projetos, com um apoio financeiro total do Mar 2020 de quase 42 milhões de euros. Só estas duas áreas de investimento correspondem a cerca de 51% do montante total comparticipado até agora pelo Mar 2020.
Na Região Autónoma dos Açores, o FEAMP concedeu uma comparticipação de 14 milhões de euros, destinados a 651 projectos aprovados. Por seu turno, na Região Autónoma da Madeira o montante financiado aproximou-se dos cinco milhões de euros, num total de 62 candidaturas.
O Programa Operacional Mar 2020 desenvolve-se em sete prioridades: pesca, aquacultura, política comum de pesca, emprego e coesão territorial, comercialização e transformação de produtos de pesca e aquacultura, política marítima integrada e assistência técnica. A aprovação das candidaturas  privilegia a sustentabilidade e defesa dos recursos, assim como a componente de inovação integrada nos projectos de investimento apresentados.


domingo, 3 de setembro de 2017

Marca portuguesa vende água do mar para beber e cozinhar


Quando pensamos em água do mar imaginamos logo sol, praia e mergulhos. E quando engolimos um pirolito ficamos aflitos até porque sabe bastante mal. No entanto, há uma marca portuguesa que quer pôr o mundo a beber oceanos — desde que devidamente processados e engarrafados, claro. 
“Um dia vi uma pessoa que estava a beber água do mar e achei aquilo um disparate, uma ideia estranha, quase descabida até. Mas não deixei de ficar curioso e fui pesquisar. Rapidamente percebi que a água do mar não é um medicamento mas sim um alimento que pode trazer muitos benefícios à saúde”, conta o criador da “Água do Mar“, Paulo Palha, 35 anos, licenciado em Relações Públicas e Publicidade, e Pós-Graduado em Marketing.
Tudo isto aconteceu depois do fundador da marca ter sido pai. O desejo de viver o máximo possível para estar presente na vida do filho fez com que se interessasse mais pela nutrição e pela alimentação saudável, onde acabou por incluir a “Água do Mar”.
Na altura quis experimentar, mas não encontrava nada à venda em Portugal. “Encontrei água do mar em França, Espanha, EUA, Japão e na Coreia do Sul, e percebi que em Portugal não era comercializada. Como não estava no mercado, e como acontece em tantos outros negócios, esta marca surgiu de uma necessidade.”
Paulo Palha dedica-se a tempo a inteiro ao seu projecto “The Most Perfect View” — um site onde estão compilados os hotéis com as vistas mais incríveis do mundo —, que até já foi notícia na “Forbes“, em 2011. No entanto, arranjou tempo para avançar com um novo projecto.
A “Água do Mar” começou a ser idealizada em Janeiro deste ano, foi lançada em Agosto e já tem mais de 100 clientes.
Neste momento, a marca só vende online packs de seis garrafas de 1,5 litros por 41,33€, o que dá cerca de 7€ cada uma. A compra pode ser feita directamente no site ou através de transferência bancária. Contudo, o fundador garante que já há farmácias, parafarmácias, supermercados e lojas de suplementos interessadas em fazer a revenda.

Mas afinal, o que é que acontece à água até chegar a nós?

“As nossas praias estão sempre mais expostas à poluição, quer por descargas residuais quer por contaminação dos banhistas que a frequentam, e isso faz com que não seja a água adequada para se beber”, explica Paulo Palha.
Por isso mesmo a empresa recolhe a água numa zona de tráfego marítimo muito reduzido numa reserva natural afastada da costa. Ela é recolhida a 40 metros de profundidade, ou seja, segundo fundador, está livre de contaminação. No entanto, ainda é exposta à luz solar e isso “salvaguarda os minerais”.
Depois de recolhida, a água sofre uma microfiltração que garante que as algas e as bactérias, por exemplo, não passam. No controlo laboratorial, também é feito um despiste bacteriano, sendo que cada lote é sujeito a uma análise para controlo sanitário.

E podemos beber a água sem qualquer problema?

Não é bem assim. Primeiro, é preciso saber a diferença entre água hipertónica e água isotónica. De acordo com Paulo Palha, a água hipertónica (água no mar no seu estado puro) tem aproximadamente 36 gramas de sal por litro, enquanto que o nosso meio interno tem 9,4. “Afinal, as nossas lágrimas e o nosso suor é salgado, por exemplo.”
Como tem tanto sal, acaba por nos dar mais sede e, se consumida em excesso, pode desidratar o nosso corpo já que, quanto mais a bebemos, mais dificuldade terão os rins em eliminar o excesso de sal ingerido. Por isso mesmo, tem de ser diluída.
Para a tornar, então, isotónica (água do mar ajustada à tensão salina do nosso meio interno), que é o estado em que deve estar para a bebermos, tem de juntar “Água do Mar” em estado puro com água mineral. Por exemplo, para fazer um litro de Água do Mar isotónica devem misturar-se 250 mililitros de “Água do Mar” hipertónica e 750 de água mineral. A regra é sempre a mesma: uma parte de Água do Mar hipertónica e três de água mineral.
O fundador da marca compara beber “Água do Mar” a experimentar café sem açúcar: primeiro estranha-se mas depois torna-se um hábito. No caso de Paulo Palha, levou algum tempo até gostar de a beber. No entanto, explicou que a mulher, a actriz brasileira Joana Balaguer, bebeu a água pela primeira vez como se fosse algo normal. Para quem quer tentar, começar por colocar gotas do mar num copo de água mineral é uma solução.

Porque se deve cozinhar com “Água do Mar”?

“Na cozinha, podemos substituí-la pelo sal. A “Água do Mar” tem cloreto do sódio, mas também tem vários minerais , como iodo, magnésio, potássio e cálcio, e é uma forma de cozinhar sem estranhar o sabor. Às vezes faço risotto e massa com azeite e água do mar a substituir o sal”, conta.
Paulo Palha deu o exemplo do chef espanhol Ferran Adrià, que tem um vídeo em que apanha água do mar para utilizar nos pratos do seu restaurante. A verdade é que em Portugal, muitos restaurantes cozem o marisco com água do mar.
No site da “Água do Mar”, vão estar disponíveis várias receitas onde pode incluir esta água, como limonada do mar. 

Quais são os benefícios de consumir esta água?

Segundo a marca, a “Água do Mar” tem 70 vezes mais minerais do que a normal, é alcalina, funciona como revitalizante celular e é mais rica em cálcio e magnésio. Mais: retarda o processo de envelhecimento, reforça o sistema imunitário, acelera o metabolismo ajudando a controlar o peso, promove a eliminação de toxinas e diminui a acidez do estômago.
Paulo Palha destaca ainda o facto de poder ser colocada nos banhos de emersão, utilizando dois a cinco litros desta água, de forma a permitir que o corpo possa continuar em contacto com os minerais da água do mar ao longo do dia. Mas há mais: “Experimente bochechar com água do mar e sentirá instantaneamente o seu poder desinfectante e cicatrizante — caso tenha feridas na boca ou gengivas inflamadas.”

A “Água do Mar” é benéfica para todas as pessoas?

“Algumas pessoas reportam que quando começam a beber sentem algumas perturbações gastrointestinais, mas uma das funções da “Água do Mar” é desintoxicar o corpo. E esses sintomas são resultado dessa limpeza do corpo, até porque a Água do Mar tem propriedades laxantes pela quantidade de magnésio”, diz Paulo Palha.
Falou-se com André Casado, médico de Medicina Interna e Intensiva no Hospital da Luz de Lisboa, para perceber se a água do mar é mais vantajosa do que a água mineral. Segundo ele, as evidências em relação a isso são mínimas e não se conhecem estudos que evidenciem que a água do mar faça uma grande diferença para a saúde. 
“Esta água tem muito sal e andamos há décadas a lutar contra o seu consumo. Embora seja sempre diluída para baixar a quantidade de sal, acaba por ter na mesma. Para pessoas normais, isto é, saudáveis, não será prejudicial nem terá perigos eminentes, a não ser que alguém se lembre de ir apanhar água à praia para beber”, diz o médico.
Contudo, André Casado alerta que pessoas com insuficiência cardíaca, insuficiência renal e pedras nos rins jamais devem beber esta água. “Embora se diga que tem muito cálcio como algo positivo, isso tem sempre o lado negativo de agravar algumas doenças em que o cálcio não ajuda.”
Fonte: NIT

E se os ouriços-do-mar fossem o “caviar” português?

Apanham-se por cá, mas vão quase todos para Espanha. A excepção é a Ericeira, onde há a tradição de comer ouriços-do-mar, ou melhor, as suas “ovas”. Agora há projectos de investigação que estudam as ovas destes animais do ponto de vista económico e ambiental.


A espécie de ouriços-do-mar mais abundante da costa portuguesa, e uma das principais da Europa, está a ser estudada de forma aprofundada desde 2016. Investigadores da Universidade do Porto pensam que as “ovas” do Paracentrotus lividus, abundante no Norte do país, podem ser uma mais-valia para o mercado português. Para tal, “afinaram” as melhores dietas para criar estes animais em aquacultura, uma vez que acreditam que, assim, podem também contribuir para a preservação das populações naturais desta espécie.


Ao longo de um ano, a equipa do Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental (Ciimar) da Universidade do Porto estudou ao pormenor duas populações selvagens de ouriços-do-mar, nas praias Norte e de Carreço, em Viana do Castelo. O que se pretendia era avaliar o melhor período de captura destes animais e a qualidade das suas gónadas (as “ovas”) para consumo humano – em termos de valor económico, nutricional e características sensoriais (como a cor, o sabor, a textura e o cheiro).
Este parente próximo das estrelas-do-mar e dos pepinos-do-mar (também cobertos de espinhos e, por isso, equinodermes) gosta de habitats rochosos. A sua boca assemelha-se a uma garra, com cinco lâminas (parecidas com dentes) viradas para dentro e vai deixando marcas nas rochas, à medida que devora tapetes de algas.

Com o estudo dos ouriços-do-mar selvagens concluído, os investigadores puderam passar para a segunda etapa da investigação: a formulação de dietas específicas para a produção destes invertebrados marinhos em aquacultura. “Actualmente, não há em Portugal – e são poucas no mundo – as dietas específicas para a produção de ouriços-do-mar em cativeiro, que garantam gónadas de boa qualidade para o consumidor final”, explica a bióloga Luísa Valente, do Ciimar e a coordenadora do estudo.
Na Europa, a bióloga diz ter apenas conhecimento de se estar a apostar na aquacultura de ouriços-do-mar na Noruega, na Escócia e na Islândia. Porém, o facto de as condições ambientais e a temperatura da água em Portugal serem distintas das daqueles países impossibilita que as ementas sejam directamente replicadas. Além disso, estão a ser testados diferentes menus, de maneira que ainda não há uma ração comercial capaz de dar “confiança suficiente” aos aquacultores, para apostarem a sério neste negócio.
Em Portugal, este projecto do Ciimar – o Inseafood – é pioneiro para a produção de ouriços-do-mar em aquacultura. Conta com 4,2 milhões de euros, atribuídos em 2016 pelo programa Norte 2020 até 2018, e quer apostar em novas técnicas de exploração sustentável de espécies economicamente relevantes para a aquacultura portuguesa. Ao lado das algas, dos robalos e das ostras, estão os ouriços-do-mar. “É algo inovador porque olha para a espécie de ouriços-do-mar mais abundante da nossa costa – o Paracentrotus lividus – com uma clara vocação para o mercado nacional”, sublinha Luísa Valente.
Sem ser na Ericeira, o consumo de gónadas de ouriços-do-mar não é uma tradição portuguesa e os animais capturados são, na sua maioria, vendidos a comerciantes de Espanha, onde são uma iguaria bastante apreciada. O certo é que este produto de elevado valor nutricional e económico parece encontrar as condições ideais para ser produzido em cativeiro nas águas frias do Norte de Portugal.
A alimentação ao certo desta espécie de ouriços-do-mar ainda requer mais estudos. “Temos de perceber quais são as necessidades nutricionais destes animais. Até agora, testaram-se rações com matérias-primas diferentes (algas e outras fontes proteicas vegetais) e com níveis de proteínas e gordura distintos”, informa Luísa Valente. Após vários ensaios experimentais, ficou claro que, tal como nós somos o que comemos, também a alimentação dos ouriços-do-mar os influencia directamente.
Geralmente, as gónadas dos machos são mais esbranquiçadas e as das fêmeas mais alaranjadas. No entanto, “a cor depende essencialmente do tipo de pigmentos das algas utilizadas nas suas dietas”, explica a bióloga.
A equipa do Ciimar ficou satisfeita com os resultados obtidos até agora da investigação. Os resultados demonstraram que estas dietas são capazes de potenciar um bom crescimento das gónadas destes animais criados em cativeiro, com uma qualidade muito aproximada da dos selvagens. “Estamos num bom caminho para viabilizar o cultivo destes animais em cativeiro”, diz a bióloga, acrescentando que estão em preparação dois artigos científicos.
Além de se tentar superar o carácter sazonal da captura destes animais, Luísa Valente destaca ainda “o elevado potencial económico das gónadas”, do qual diz que o país pode retirar muito mais partido.

Gónadas gourmet

É debaixo da carapaça espinhosa dos ouriços-do-mar que encontramos a sua parte comestível, que não são mais do que os seus órgãos reprodutores (ovários e testículos). Referimo-nos, concretamente, às cinco “línguas” deste invertebrado marinho que representam apenas 20% do seu corpo.
O valor gastronómico deste “caviar do mar” já é internacionalmente reconhecido pela cozinha gourmet e pode exceder os 58 euros por quilo. Actualmente, o Chile é responsável por cerca de 60% das capturas globais (que rondavam as 65 mil toneladas em 2010), mas em cada 100 consumidores mais de 80 são japoneses. No mundo, já se comem gónadas frescas, salgadas, congeladas ou cozinhadas.
Ainda que em 2014 se tenham capturado 14 toneladas de ouriços-do-mar em Portugal, Luísa Valente diz que “o consumo nacional de gónadas é reduzido”, acabando por serem, muitas vezes, exportadas. “Reter e processar este produto para gerar valor acrescentado no mercado interno” é considerado pela equipa como uma necessidade e a degustação do Paracentrotus lividus produzido em cativeiro poderá ser uma opção.

E se o ponto de partida deste projecto foram as praias de Viana do Castelo e a primeira paragem a biologia marinha, a segunda foi a gastronomia. Num almoço informal, três chefs de cozinha com uma estrela Michelin provaram gónadas selvagens de diferentes zonas do país – de Viana do Castelo, da Ericeira e do Algarve.
O objectivo era que os chefs André Silva, Catarina Correia e Ricardo Costa ajudassem os investigadores do Ciimar a perceber o que teria de ser aprimorado nas dietas dos ouriços-do-mar, para se ir ao encontro das preferências dos clientes nos restaurantes.
“O sabor é muito especial e único, não se compara com mais nada. No estado natural tem um sabor intenso a mar e é delicioso!”, descreve Luísa Valente. “Pelo que pude perceber durante as provas, o ideal será ter na mesa uma mistura de machos e fêmeas, para o sabor ser mais equilibrado.” Além disso, averiguar se havia uma variação do sabor das gónadas consoante a origem geográfica do ouriço-do-mar era o outro propósito. “Os resultados ainda estão a ser analisados, mas todos os ouriços têm características semelhantes.”

Uma aposta nas conservas?

Conseguir que os animais cresçam saudáveis e que produzam gónadas com a cor e o sabor desejados pelo consumidor final é a meta, mas Luísa Valente também se pronuncia relativamente à aquacultura como uma alternativa sustentável ao consumo de peixe. “A produção de animais de baixo nível trófico pode ser uma solução”, afirma a investigadora, referindo-se a animais que estão na base da cadeia alimentar e não no topo.
Ao longo dos anos, não só a captura mundial tem excedido a capacidade de regeneração das populações naturais, como não se tem apostado na investigação do Paracentrotus lividus. Quem o diz é Susana Ferreira, bióloga da Escola Superior de Turismo e Tecnologia do Mar do Instituto Politécnico de Leiria.
“Não temos nem dados de quantidades nem da distribuição geográfica das populações de ouriços em Portugal e no mundo. Só sabemos que há menos ouriços-do-mar porque, empiricamente, se encontram menos”, refere Susana Ferreira. “Estudos rigorosos precisam de ter em conta possíveis diferenças interanuais, por isso levam muito tempo e tornam-se bastante dispendiosos.”
Já são vários os pescadores portugueses que vão à procura de ouriços-do-mar entre Outubro e Abril – o período da desova. A captura está regulamentada por lei desde o início dos anos 90 e, no âmbito da pesca lúdica, qualquer cidadão pode apanhar até dois quilos diários para consumo próprio. Caso queira comercializar os ouriços-do-mar, terá de ter uma licença e não pode exceder os 50 quilos por dia, de acordo com as normas aprovadas em 2010.

Contudo, a clandestinidade não deixa de ser uma opção apelativa quando há a hipótese da comercialização a preços elevados do outro lado da fronteira. Este ano já foram feitas duas operações de fiscalização: numa foram apreendidos 124 quilos(com valor comercial de quase 500 euros) pela Polícia Marítima de Viana do Castelo e noutra confiscados 100 quilos pela Polícia Marítima de Caminha. As multas vão dos 250 aos 50 mil euros.
“Sendo uma iguaria muito procurada no mercado espanhol, os ouriços-do-mar têm um valor comercial considerável, sendo vendidos pelos apanhadores a comerciantes espanhóis a quatro euros o quilo”, adiantava na altura, em comunicado, o comando local da Polícia Marítima de Viana do Castelo. “A quantidade apreendida traduz-se num valor, na primeira venda no mercado, de 496 euros.”
Mas os ouriços-do-mar não são caso isolado, uma vez que “outros invertebrados como as lapas, as navalheiras ou os lavagantes também estão em perigo e, por não serem peixes, é-lhes dada pouca atenção”, nota ainda Susana Ferreira, que participou nas Jornadas Técnicas do Festival do Ouriço-do-mar, na Ericeira, organizadas em Abril pelo Mare – Centro de Ciências do Mar e do Ambiente. Nessas jornadas, o Mare apresentou outros dois projectos sobre o Paracentrotus lividus, que começam este ano. Um é o Ouriceira Aqua, que pretende criar as bases para produzir a espécie na Ericeira e em Portugal; o outro é o Ouriceira Mar, para estudar a ecologia e explorar os ouriços-do-mar na Ericeira e regiões vizinhas.
Quanto ao Inseafood, já está a dar origem a outro projecto. “Dado o elevado interesse dos ouriços-do-mar, queremos aprofundar o seu estudo e, ainda este ano, começar o Valeour”, adianta Luísa Valente, acrescentando que vai ser financiado em cerca de 700 mil euros, durante três anos, pelo programa Mar 2020. “Irá testar a melhor forma de fazer conservas, preservando o sabor das gónadas, em articulação com a indústria conserveira portuguesa.”
O projecto vai ter a colaboração das empresas Conservas Portugal Norte, da RiaSearch (de aquacultura) e, ainda, da Sense Test (de análise sensorial). Além das gónadas, procurar-se-á valorizar outras partes dos ouriços-do-mar, como compostos bioactivos potencialmente benéficos para a saúde humana.

Resta saber se, após os vários projectos de investigação científica, os ouriços-do-mar vão chegar à mesa dos portugueses.

Fonte: Público