sexta-feira, 15 de julho de 2016

"Caçadores" do tsunami de 1755 encontram sinais da onda em praias do Algarve

Investigadores procuraram e encontraram vestígios da maior catástrofe natural a afectar Portugal. Nas zonas baixas, a água chegou a mais de um quilómetro da costa.


Pedro Costa é investigador do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e costuma identificar-se a si próprio como "caçador de tsunamis".
Ele e uma equipa internacional de 11 investigadores de várias áreas andaram nos últimos anos à procura dos efeitos do tsunami de 1755 (a que também se pode chamar maremoto) na costa algarvia.

Um trabalho que pode parecer uma curiosidade, mas que tem utilidade prática pois ajuda a prever os efeitos de um evento semelhante no futuro e a perceber de quanto em quanto tempo é que Portugal costuma ser atingido por um tsunami tão grande.
No limite, espera-se que no futuro este tipo de estudos também resolva um mistério cuja resposta não reúne consenso entre os especialistas: qual foi o epicentro do terramoto que gerou o tsunami do século XVIII.
O investigador explica que o trabalho que já fizeram através de análises das areias em várias zonas do Algarve ou fotografias aéreas de radar permitem perceber que o tsunami de 1755 foi o único em três mil anos na costa portuguesa.
O último estudo, publicado há dias na revista científica Geomorphology, faz exactamente o retrato dos efeitos desse maremoto histórico nos cordões dunares do Algarve, nomeadamente na zona de Alcantarilha e Salgados, entre Armação de Pera e Galé.
Como encontrar sinais do tsunami
Pedro Costa admite que não é algo óbvio, mas é possível a qualquer pessoa menos experimentada, com algum esforço, encontrar em várias praias do Algarve sinais do tsunami que 'varreu' a costa em 1755.
O geólogo dá alguns exemplos e explica que na praia dos Salgados ou da Boca do Rio basta escavar menos de um metro para encontrar camadas arenosas relacionadas com o tsunami.
Além das areias, também há praias onde se encontram blocos de pedra diferentes do habitual, com conchas típicas de zonas mais profundas, trazidos para terra pelo evento de 1755.
Esses sinais que podem ser do tamanho "de uma melancia ou de um carro" são visíveis em algumas zonas do Algarve, mas também em Cascais, nomeadamente na Boca do Inferno ou no Cabo Raso, onde existem blocos que chegam a ter 50 toneladas e que foram "chutados" durante vários metros para terra pelas ondas do tsunami.
Fonte: TSF


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